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Grupos sanguíneos em gatos - Tipos e como saber

 
Por Laura García Ortiz, Veterinária especializada em medicina felina. 17 fevereiro 2021
Grupos sanguíneos em gatos - Tipos e como saber

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A determinação dos grupos sanguíneos é importante quando se trata de realizar transfusões de sangue em gatos e até nas fêmeas gestantes, pois disso dependerá a viabilidade dos filhotes. Apesar de existirem apenas três grupos sanguíneos em gatos: A, AB e B, se não for realizada uma correta transfusão com grupos compatíveis, as consequências serão fatais.

Por outro lado, se o pai dos futuros filhotes é, por exemplo, um gato com sangue tipo A ou AB com uma gata B, isso poderia gerar uma doença que causa hemólise nos gatinhos: a isoeritrólise neonatal, que geralmente causa a morte dos pequenos em seus primeiros dias de vida.

Você quer mais informações sobre os os grupos sanguíneos em gatos - tipos e como saber? Então não perca este artigo do PeritoAnimal, em que tratamos sobre os três grupos sanguíneos felinos, suas combinações, consequências e transtornos que podem ocorrer entre eles. Boa leitura.

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Quantos grupos sanguíneos existem em gatos?

Conhecer a tipagem sanguínea é importante por diferentes motivos e, como mencionamos, para casos em que a transfusão de sangue em gatos é necessária. Nos gatos domésticos podemos encontrar três grupos sanguíneos de acordo com os antígenos que apresentam na membrana dos glóbulos vermelhos: A, B e AB. Apresentaremos agora os grupos sanguíneos e as raças de gatos:

Raças de gatos do grupo A

O grupo A é o mais frequente dos três no mundo, sendo os gatos de pelo curto europeus e americanos os que mais o apresentam, como:

Por outro lado, sempre são do grupo A os gatos da raça Siamês, Oriental e Tonquinês.

Raças de gatos do grupo B

As raças de gatos em que o grupo B predomina são:

Raças de gatos do grupo AB

O grupo AB é muito raro de encontrar, podendo ser visto nos gatos:

  • Angorá.
  • Turkish Van.

O grupo sanguíneo que um gato tem depende de seus pais, pois são herdados. Cada gato apresenta um alelo do pai e outro da mãe, essa combinação determina seu grupo sanguíneo. O alelo A é dominante sobre o B e até é considerado com o AB, enquanto este último é dominante sobre o B, ou seja, para que um gato seja tipo B deve ter os dois alelos B. De modo que:

  • Um gato A apresentaria as seguintes combinações: A/A, A/B, A/AB.
  • Um gato B é sempre B/B porque nunca é dominante.
  • Um gato AB será AB/AB ou AB/B.
Grupos sanguíneos em gatos - Tipos e como saber - Quantos grupos sanguíneos existem em gatos?

Como saber o grupo sanguíneo de um gato

Hoje em dia podemos encontrar vários testes para a determinação dos antígenos específicos da membrana dos glóbulos vermelhos, que é onde se localiza o tipo sanguíneo de um gato (ou grupo). O sangue é utilizado em EDTA e colocado em cartões projetados para mostrar o grupo sanguíneo do gato de acordo com o fato de o sangue apresentar aglutinação ou não.

No caso em que a clínica não disponha desses cartões, podem colher uma amostra de sangue do gato e enviá-la ao laboratório para que indiquem de qual grupo é.

É importante fazer testes de compatibilidade em gatos?

É necessário, pois os gatos apresentam anticorpos naturais contra antígenos de membrana dos glóbulos vermelhos de outros grupos sanguíneos.

Todos os gatos do grupo B têm fortes anticorpos anti-grupo A, o que significa que se o sangue de um gato B entrar em contato com o de um gato A, causará enormes danos e até a morte no gato do grupo A. Isso é relevante tanto em um caso de transfusão de sangue em gatos ou mesmo se está planejamento algum cruzamento.

Os felinos do grupo A apresentam anticorpos contra o grupo B, mas mais fracos, e os do grupo AB não apresentam anticorpos nem contra o grupo A nem contra o B.

Transfusão de sangue em gatos

Em alguns casos de anemia, é necessário fazer uma transfusão de sangue em gatos. Os felinos com anemia crônica suportam hematócritos (volume de glóbulos vermelhos no total do sangue) inferiores aos que têm anemia aguda ou perderam sangue abruptamente, tornando-se hipovolêmicos (diminuição do volume de sangue).

O hematócrito normal de um gato é em torno de 30-50%, portanto, gatos com anemia crônica e hematócrito de 10-15% ou aqueles que apresentam anemia aguda com hematócrito entre 20 e 25% devem realizar transfusão. Além do hematócrito, devem ser observados os sinais clínicos que, se o gato apresentar, indicam que precisa de uma transfusão. Estes sinais indicam hipóxia celular (baixo teor de oxigênio nas células) e são:

  • Taquipneia.
  • Taquicardia.
  • Fraqueza.
  • Estupor.
  • Aumento do tempo de enchimento capilar.
  • Elevação do lactato sérico.

Além de determinar o grupo sanguíneo do receptor para a compatibilidade com o doador, o gato doador deve ter sido verificado quanto a qualquer um dos seguintes patógenos ou doenças infecciosas:

  • Leucemia felina.
  • Imunodeficiência felina.
  • Mycoplasma haemofelis.
  • Candidatus Mycoplasma haemominutum.
  • Candidatus Mycoplasma turicensis.
  • Bartonella hensalae.
  • Erhlichia sp.
  • Filaria sp.
  • Toxoplasma gondii.

Transfusão de sangue de um gato A para um gato B

A transfusão de sangue de um gato A para um gato do grupo B é devastadora, porque os gatos B, como comentamos, apresentam anticorpos muito fortes contra os antígenos do grupo A, o que faz com que os glóbulos vermelhos transmitidos do grupo A sejam rapidamente destruídos (hemólise), causando uma reação de transfusão imunomediada imediata, agressiva e que resulta na morte do gato que recebeu a transfusão.

Transfusão de sangue de um gato B para um gato A

Se a transfusão for feita ao contrário, ou seja, de um gato grupo B para um tipo A, a reação de transfusão é leve e ineficaz devido a reduzida sobrevivência dos glóbulos vermelhos transfundidos. Além disso, uma segunda transfusão deste tipo causaria uma reação muito mais grave.

Transfusão de sangue de um gato A ou B para um gato AB

Se for realizada a transfusão do sangue tipo A ou B para um gato AB, não deve ocorrer nada, pois este não possui anticorpos contra o grupo A ou B.

Grupos sanguíneos em gatos - Tipos e como saber - Transfusão de sangue em gatos

Isoeritrólise neonatal felina

A isoeritrólise ou hemólise do recém-nascido é denominada incompatibilidade do grupo sanguíneo ao nascer que ocorre em alguns gatos. Os anticorpos que temos discutido também passam para o colostro e para o leite materno e, desta maneira, chegam aos filhotes, podendo provocar problemas como vimos nas transfusões.

O grande problema de isoeritrólise ocorre quando uma gata B cruza com um gato A ou AB e, portanto, seus gatinhos são em sua maioria A ou AB, então quando mamam na mãe durante os primeiros dias de vida, podem começar a absorver numerosos anticorpos anti-grupo A provenientes da mãe e desencadear uma reação imunomediada aos seus próprios antígenos do grupo A dos glóbulos vermelhos, provocando sua ruptura (hemólise), o que é conhecido como isoeritrólise neonatal.

Com outras combinações não ocorre isoeritrólise nem morte do gatinho, mas ocorre uma reação de transfusão relativamente importante que destrói glóbulos vermelhos.

A isoeritrólise não se manifesta até que o gatinho ingira esses anticorpos da mãe, portanto, no momento do nascimento são gatos saudáveis e normais. Depois de tomar o colostro, o problema começa a aparecer.

Sintomas da isoeritrólise neonatal felina

Na maioria dos casos, esses gatinhos vão enfraquecendo com o passar das horas ou dos dias, parando de mamar, ficando muito fracos, pálidos por causa da anemia. Se sobreviverem, suas mucosas e até mesmo sua pele ficarão ictéricas (amarelas) e até sua urina ficará vermelha devido aos produtos de degradação dos glóbulos vermelhos (hemoglobina).

Em alguns casos, a doença causa morte súbita sem nenhum sintoma anterior que mostre que o gato não está bem e que algo está acontecendo por dentro. Em outros casos, os sintomas são mais leves e aparecem com a ponta da cauda escura devido à necrose ou morte celular na área durante sua primeira semana de vida.

As diferenças de gravidade dos sinais clínicos dependem da variação dos anticorpos anti A que a mãe transmitiu no colostro, a quantidade que os filhotes ingeriram e de sua capacidade de absorvê-los no organismo do pequeno felino.

Tratamento da isoeritrólise neonatal felina

    Uma vez que o problema se manifeste, não pode ser tratado, mas se o tutor perceber durante as primeiras horas de vida dos gatinhos e retirá-los da mãe e os alimentar com leite formulado para filhotes, evitará que continuem absorvendo mais anticorpos que agravarão o problema.

    Prevenção da isoeritrólise neonatal

    Antes de tratar, o que é praticamente impossível, o que se deve fazer diante deste problema é sua prevenção. Para fazer isso, você precisa saber o grupo sanguíneo dos gatos. No entanto, como isso muitas vezes não é possível devido a gestações indesejadas, a melhor forma de prevenir é castrando ou esterilizando os gatos.

    Se a gatinha já está grávida e temos dúvidas, deve-se evitar que os gatinhos tomem seu colostro durante seu primeiro dia de vida, retirando-os da mãe, que é quando eles podem absorver os anticorpos de doenças e que causam danos em seus glóbulos vermelhos se forem do grupo A ou AB. Embora antes de fazer isso, o ideal é determinar quais gatinhos são do grupo A ou AB com cartões de identificação do grupo sanguíneo a partir de uma gota de sangue ou do cordão umbilical de cada gatinho e remover apenas os desses grupos, não os do B que não teriam nenhum problema de hemólise. Após este período, eles podem ser reunidos com a mãe, pois não têm mais a capacidade de absorver os anticorpos maternos.

    Grupos sanguíneos em gatos - Tipos e como saber - Isoeritrólise neonatal felina

    Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

    Se deseja ler mais artigos parecidos a Grupos sanguíneos em gatos - Tipos e como saber, recomendamos-lhe que entre na nossa seção de Outros problemas de saúde.

    Bibliografia
    • Palmero, V. Carballés. (2010). Enfermedades infecciosas felinas. Ed. Servet. Zaragoza, España.
    • Gemfe, avepa. grupos sanguíneos felinos. Disponível em:<https://www.avepa.org/articulos/grupos_sanguineos_felinos>. Acesso em 16 de fevereiro de 2021.
    • Veterinario gatos. Grupos sanguíneos en gatos y transfusiones. Disponível em: <https://www.veterinariogatos.com/grupos-sanguineos-gatos/>. Acesso em 16 de fevereiro de 2021.

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