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Leucemia em cães - Sintomas e tratamento

 
Por Cristina Pascual, Veterinária. 19 abril 2023
Leucemia em cães - Sintomas e tratamento

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A leucemia é um tipo de câncer que tem sua origem na medula óssea, o tecido em que se sintetizam as diferentes populações de células sanguíneas. Nos cachorros, o curso clínico dessa doença, seu tratamento e seu prognóstico dependem enormemente do tipo de leucemia de que se trata.

Para conhecer estes aspectos com maiores detalhes, te recomendamos que nos acompanhe no seguinte artigo do PeritoAnimal, em que falaremos da leucemia em cães, incluindo seus sintomas, diagnóstico, prognóstico e tratamento.

O que é a leucemia em cães?

A leucemia canina é um tumor maligno (ou seja, um câncer) que tem sua origem na medula óssea dos cachorros. A medula óssea é um tipo de tecido que se encontra no interior dos ossos e que contém as células-mãe a partir das quais se sintetizam todas as células sanguíneas, processo que se conhece como hematopoiese.

Quando aparece um processo tumoral que afeta a alguma das linhas germinais da medula óssea, se altera a hematopoiese e, na maioria dos casos, esta alteração se reflete no sangue circulante (com aumento ou diminuição das distintas populações de células sanguíneas). Além disso, as células cancerígenas podem se propagar pela corrente sanguínea e infiltrar em órgãos linfoides periféricos, como os gânglios linfáticos, o fígado e o baço.

De fato, o termo leucemia significa "sangue branco", devido a característica mais comum ser o aumento importante do número de glóbulos brancos. No entanto, também é frequente encontrar outras alterações como anemia (diminuição dos glóbulos vermelhos) ou trombocitopenia (diminuição de plaquetas).

Nos cachorros, as leucemias constituem menos de 10% das neoplasias hemolinfáticas, por isso que se consideram doenças raras. Nesta espécie, são muito mais frequentes outros tumores linfoproliferativos, como os linfomas.

Te mostramos mais detalhes sobre o Câncer em cachorros: sintomas e tratamento neste artigo.

Tipos de leucemia em cães

As leucemias podem ser classificadas com base em dois grandes critérios. Por um lado, podem ser classificadas filogeneticamente, de acordo com a linhagem celular de que procedem:

  • Leucemias linfoides: quando procedem de células linfoides (aquelas que se originam os linfócitos B, linfócitos T e as células natural killer).
  • Leucemias mieloides (ou não linfoides): quando procedem de células mieloides (aquelas que originam aos glóbulos vermelhos, as plaquetas, e todos glóbulos brancos com exceção dos linfócitos e as células natural killer).

Por outro lado, as leucemias podem ser classificadas em função do seu curso clínico:

  • Leucemias agudas: tem um comportamento biológico agressivo e, se não tratadas precocemente, a morte do paciente ocorre em pouco tempo após o diagnóstico. Aparentemente, as leucemias mieloides agudas são mais frequentes que as leucemias linfoides agudas.
  • Leucemias crônicas: possuem um curso prolongado e, com frequência, são assintomáticas. Podem afetar os cachorros de idade avançada, entre 7 e 11 anos. Neste caso, são mais frequentes as leucemias linfoides crônicas, que as mieloides crônicas.

Sintomas da leucemia em cães

Para abordar esse parágrafo, é preciso que diferenciemos os sintomas das leucemias agudas, das que se produzem nas leucemias de curso crônico.

Sintomas da leucemia aguda em cães

Como mencionamos, as leucemias agudas têm um curso rápido e muito agressivo. Os pacientes podem apresentar uma marcada piora clínica, que evolui desfavoravelmente em poucos dias.

De fato, os cachorros desenvolvem uma sintomatologia inespecífica, que pode incluir:

  • Decadência severa.
  • Anorexia e perda de peso rápido.
  • Febre persistente ou recorrente.
  • Mucosas pálidas.
  • Petéquias e/ou equimose (hemorragias na pele e mucosas).
  • Dor articular e coceira.
  • Sinais neurológicos: confusão e deambulação cambaleante.
  • Ligeiro aumento do tamanho dos gânglios linfáticos.

Sintomas da leucemia crônica

Por sua vez, as leucemias crônicas em cachorros podem ter um curso muito menos agressivo. De fato, muitos casos se diagnosticam de forma acidental durante um exame físico ou uma análise, posto que a metade dos cachorros são assintomáticos ou apresentam sinais pouco evidentes.

Quando aparecem sintomas, podem ser inespecíficos, igualmente nas leucemias agudas:

  • Letargia.
  • Diminuição do apetite.
  • Perda de peso gradual.
  • Vômitos e/ou diarreia intermitente.
  • Poliúria/polidipsia.
  • Febre.
  • Mucosas pálidas.
  • Ligeiro aumento dos gânglios linfáticos.

Depois de ter repassado quais são os sinais de leucemia nos cachorros, vamos ver o que a causa.

Leucemia em cães - Sintomas e tratamento - Sintomas da leucemia em cães

Causas da leucemia em cães

Nos gatos, a leucemia pode ser causada pelo conhecido vírus da Leucemia Felina (FeLV), no qual é transmitido aos gatos mediante um contato próximo e prolongado. Por este motivo, quando se diagnostica esta doença nos cachorros, pode surgir a dúvida em seus tutores se a leucemia em cães é contagiosa. O certo é que não. Diferente do que ocorre na espécie felina, nos cachorros a maioria das leucemias são consideradas de origem espontânea.

Em nível experimental, se estabeleceu que a exposição a radiações e a químicos, assim como as infecções virais, são fatores de risco que podem predispor a aparição desta doença. No entanto, é necessário continuar essas linhas de investigação para determinar com certeza as causas que estão por trás da leucemia canina.

Agora que já esclarecemos a dúvida sobre a leucemia em cães ser contagiosa, vamos ver que exame detecta a leucemia em cachorros e qual é seu tratamento.

Diagnóstico da leucemia em cães

Chegado a este ponto, seguramente você está se perguntando que exame detecta a leucemia em cães. O certo é que com os dados da história clínica, o exame físico e as alterações do hemograma (principalmente a detecção de leucócitos altos nos cachorros, também conhecidos como glóbulos brancos) se pode estabelecer um diagnóstico presuntivo de leucemia canina.

No entanto, para confirmar o diagnóstico, é necessário realizar um exame que consiste em um aspirado ou biópsia da medula óssea para realizar um estudo histopatológico, coloração citoquímica e, em algumas ocasiões, imunofenotipagem. Além disso, quando se detecta um aumento do baço, o fígado ou alguns gânglios linfáticos pode ser útil realizar aspirações destes órgãos para seu estudo citológico.

Tratamento da leucemia em cães

Assim como ocorre com os demais tumores hematopoiéticos, a leucemia não é operável. Por isso, para seu tratamento é necessário recorrer a um protocolo de quimioterapia, na qual dependerá fundamentalmente se trata-se de uma leucemia de curso agudo ou crônico.

Tratamento da leucemia aguda

Na leucemia aguda, os protocolos quimioterápicos podem incluir fármacos como citosina arabinosídeo, a asparaginase ou a doxorrubicina. Em casos avançados em que a medula óssea está muito afetada, pode ser necessário hospitalizar os pacientes durante o início do tratamento, posto que a quimioterapia pode ocasionar a chamada "síndrome da lise tumoral aguda", que ocorre pela morte repentina de muitas células tumorais que liberam metabólitos com efeitos tóxicos.

Em qualquer caso, é importante saber que o tratamento da leucemia aguda pode ser pouco efetivo. A maioria dos cachorros responde mal ao tratamento e, quando respondem, a remissão da doença pode ser muito curta, com tempos de sobrevivência que não podem superar os 3 meses.

Tratamento da leucemia crônica

No caso da leucemia crônica, os protocolos de quimioterapia podem incluir fármacos como a vincristina, a ciclofosfamida, o clorambucil ou corticoides quando se trata de uma leucemia linfoide; e fármacos como a hidroxiureia, o busalfan ou o mestilato de imatinibe em casos de leucemia mieloide.

Por sorte e, diferente do que ocorre na leucemia aguda, a maioria dos cachorros com leucemia crônica tratam de alcançar a remissão da doença, proporcionando períodos de sobrevivência por inclusive vários anos. O prognóstico é especialmente favorável nos casos de leucemia crônica linfoide, de fato, muitos desses cachorros não morrem por causas relacionadas com a leucemia, mas sim por outras alterações derivadas da idade.

Em definitivo, podemos resumir que quando o curso da doença é crônico, a leucemia em cachorros tem cura, ou ao menos, podem ocorrer remissões prolongadas da doença. No entanto, nos pacientes com leucemia aguda, o tratamento pode não ser efetivo.

Talvez você se interesse em consultar este outro artigo sobre Terapias alternativas para cachorros com câncer.

Leucemia em cães - Sintomas e tratamento - Tratamento da leucemia em cães

Quanto tempo vive um cão com leucemia?

Uma das maiores preocupações dos tutores é averiguar quanto tempo vive um cão com leucemia. O prognóstico da leucemia canina depende enormemente do curso clínico da doença.

Infelizmente, o prognóstico dos cachorros com leucemia aguda é ruim. Os cachorros não tratados vivem menos de 2 semanas, e ainda quando são tratados e respondem positivamente à quimioterapia, a expectativa de vida pode não superar os 3 meses. Além disso, mais da metade dos pacientes morre durante o período de tratamento, por complicações com sepse ou hemorragias. Por isso, diante desses casos, é comum que os veterinários planejem realizar a eutanásia humanitária do animal, para evitar um sofrimento desnecessário.

Felizmente, a leucemia crônica tem um prognóstico melhor, especialmente se trata-se da leucemia crônica linfoide. Nesses casos, os tempos de sobrevivência são longos; inclusive sem tratamento, é comum que os cachorros sobrevivam mais de 2 anos. A leucemia crônica mieloide tem um prognóstico um pouco pior, ainda que com tratamento podem ocorrer períodos de sobrevivência de até 15 meses.

Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

Se deseja ler mais artigos parecidos a Leucemia em cães - Sintomas e tratamento, recomendamos-lhe que entre na nossa seção de Outros problemas de saúde.

Bibliografia
  • Couto, G. (2017). Leucemias. Congreso Veterinario de Ibiza
  • Tellado, M. (2016). Abordaje del paciente con leucemia. VetOncología

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