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Porque o meu cachorro não cresce?

Por Mariana Castanheira, Médica Veterinária. Atualizado: 31 maio 2017
Porque o meu cachorro não cresce?

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Quando o filhote de cachorro chega a nossa casa, é normal nos questionarmos sobre algumas questões básicas, principalmente se for o nosso primeiro cachorro. Questões como quanto tempo demorará a aprender a fazer xixi no lugar certo ou quanto tempo vai demorar a atingir o seu tamanho de adulto são das mais comuns na clínica veterinária.

Por vezes, notamos alguma diferença no crescimento do nosso cachorro em relação aos outros e perguntamos "Porque o meu cachorro não cresce?".Neste artigo do PeritoAnimal, explicaremos algumas das doenças que podem estar impedindo que seu cachorro se desenvolva normalmente.

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Erros na alimentação

Neste campo, incluímos todas as doenças que nós mesmos provocamos sem saber, podendo gerar atrasos no crescimento do filhote de cachorro.

Se Você deseja oferecer uma dieta caseira ao seu cachorro, corre o risco de não calcular as necessidades de todos os nutrientes de forma adequada (proteínas, hidratos de carbono, lípidos...) e, numa etapa crítica, como são os primeiros meses de vida, isso pode originar alterações irrecuperáveis.

A mais comum é o atraso no crescimento, juntamente com a osteodistrofia hipertrófica que os suplementos de cálcio causam . Vem à memória de todos o "raquitismo", geralmente associado à falta de cálcio e fósforo, mas que pode ser originado por falta de Vitamina D (sem ela não pode ser realizado um adequado metabolismo do cálcio).

Independentemente da nossa boa vontade, devemos compreender que fazer comida com amor e carinho não é suficiente. Alguns nutrientes impedem a absorção de outros e nem sempre os alimentos com mais proteínas são benéficos (tudo depende do valor biológico dessa proteína e o rim acaba pagando os excessos). Por vezes, o problema está na relação adequada dos oligoelementos.

Como evitar deficiências nutricionais nos filhotes de cachorro?

Se desejamos oferecer uma dieta caseira ao nosso filhote de cachorro, é fundamental procurar o auxílio de um veterinário nutricionista que nos elabore uma dieta específica e adequada para o nosso cachorro, evitando os riscos para a saúde dele mencionados anteriormente. Não obstante, o ideal é oferecer ração específica para cachorro que contenha a informação de que é nutricionalmente completa.

Devemos evitar oferecer suplementos nutricionais, já que todas as rações de qualidade media-alta têm uma proporção cálcio-fósforo adequada, assim como proteína digerível, porcentagem de lípidos, ácidos gordos insaturados, etc.

Você está se questionando sobre um suplemento para cachorro crescer? O filhote de cachorro não crescerá mais, nem melhor, por tomar suplementos extra. É evidente que serão necessários se optarmos por dietas caseiras, mas evite o uso deles neste período crítico, por muitas vantagens que possam oferecer no futuro. Se gostaria de saber se o seu cachorro vai crescer muito, leia o nosso artigo sobre esse tema.

Pelo menos nos primeiros 12-18 meses de vida, conforme o tipo de raça do cachorro, deveríamos optar por uma dieta comercial de qualidade, na qual vem inclusive detalhada a quantidade diária que devem comer e como a repartir.

Porque o meu cachorro não cresce? - Erros na alimentação

Hipotiroidismo congénito

Se o filhote de cachorro sofre de hipotiroidismo congênito significa que ele nasceu com uma incapacidade para produzir hormonas tiroideias suficientes. Isto leva a alterações evidentes:

  • Atraso no crescimento.
  • Apatia, perda de apetite, letargia...
  • Um cachorro pouco ativo e desajeitado.
  • Pelo pouco brilhante e por vezes alopecia (falta de pelo em certas zonas)
  • Problemas de ossificação em algumas partes dos ossos.

Ao princípio pensamos que a sua falta de coordenação de movimentos e sonolência constante se devem ao fato de ser um filhote. Com o passar do tempo, torna-se mais evidente. Se você conhece os irmãos dele da mesma ninhada, pode notar que ao fim de alguns meses, eles têm um desenvolvimento normal enquanto o seu continua pequenino e inativo.

Diagnóstico

Uma analítica completa, onde se determina a produção de hormonas tiroideias e a produção de hormonas como a TSH e TRH, orientam o veterinário para a patologia.

Tratamento

A melhor opção é a administração da hormona tiroideia (tiroxina) a cada 12 horas. As visitas regulares ao veterinário são fundamentais para ir ajustando a dose, assim como para fazer análises completas para controlar as possíveis alterações metabólicas.

Nanismo hipofisário

Felizmente, é pouco frequente, se bem que a quase todo os veterinários com mais de uma década de experiência, já tiveram um destes casos nas mãos. É uma deficiência congênita da hormona do crescimento (somatotrofina), que é produzida a nível da hipófise. Daí o seu nome vulgar "nanismo hipofisário".

Como indica a sua condição congênita, é uma alteração hereditária, própria de certas raças sendo o pastor alemão sem dúvida a mais afetada. Numa escala muito menor, foram descritos casos em spitz e weimaraner.

Sinais clínicos

A partir dos dois meses começamos a notar que o nosso cachorro não se desenvolve como os outros. À medida que o tempo passa, encontramos certas características desta doença:

  • Persistência da pelagem de filhote de cachorro e, mais tarde, alopecia.
  • Pioderma, infeções na pele.
  • As proporções corporais mantêm-se (são como um adulto, mas pequenos).
  • As gonadas atrofiam (os testículos, nos machos, ficam pouco desenvolvidos).
  • As fontanelas, ou seja, união entre os ossos do crânio, permanecem muito mais tempo abertas.
  • A dentição de filhote permanece muito tempo, há um atraso bem evidente na mudança para a dentadura definitiva.

Se não atuarmos a tempo, ao fim de algum tempo variável, aparecerão os efeitos próprios da deficiência de hormona de crescimento e a da falta de outras hormonas hipofisárias (hipotiroidismo), algo que, frequentemente, sucede depois de um ou dois anos. Assim, praticamente todos os que sofrem de nanismo hipofisário desenvolvem hipotiroidismo ao fim de esse tempo.

  • Hipotiroidismo: inatividade, perda de apetite, letargia...
  • Alterações renais: danos provocados devido à da hormona tiroideia tiroxina.

Diagnóstico

A evolução clínica das visitas periódicas do nosso cachorro levará à suspeita do veterinário, que realizará uma análise sanguínea ao IGF-I (Insulin-like Growth Factor) ou seja algo que o fígado sintetiza por ordem direta da hormona do crescimento ou somatotrofina. É mais fácil detetar este fator do que a própria hormona e assim se determina a sua ausência. Não obstante, devem ser previamente descartadas alterações de outro tipo, como metabólicas ou de mau maneio, antes de se determinar um tratamento.

Tratamento

Não há uma opção exclusiva e a esperança de vida destes cachorros é menor do que a de um cachorro normal, mas ainda podem viver alguns anos com uma boa qualidade de vida se forem devidamente tratados.

  • Hormona de crescimento (humana ou bovina). É cara e complicada de adquirir, mas aplicada 3 vezes por semana, durante alguns meses, pode dar bons resultados.
  • Medroxiprogesterona ou proligestona: Análogos da hormona progesterona. Antes de começar a tratar com qualquer hormona sexual, é necessário castrar tanto machos como fêmeas. São bastante utilizadas, sobretudo a primeira.
  • Tiroxina: Como todos desenvolvem hipotiroidismo depois de um par de anos, é habitual medir a função tiroideia frequentemente e, ao notar diminuição nas análises, medicar para a vida.
Porque o meu cachorro não cresce? - Nanismo hipofisário

Problemas cardíacos

Por vezes, um fluxo sanguíneo inadequado pode provocar atrasos no crescimento. É comum observarmos em ninhadas numerosas algum indivíduo que cresce menos que os outros e detetar um sopro cardíaco durante a auscultação.

Pode se tratar de uma estenose da válvula (não se abre corretamente), o que leva a que o sangue ejetado pelo coração para os órgãos não seja o mesmo. Os sinais clínicos são um cachorro inativo e com atraso no crescimento. É uma doença congênita, razão pela qual os pais desse filhote de cachorro devem deixar de se reproduzir, assim como os irmãos dessa ninhada.

Outras vezes, estamos perante um ducto arterioso persistente, é um conduto que está presente no feto antes de nascer, mediante o qual se mistura sangue venoso e arterial (oxigenado e não oxigenado). No feto não acontece nada, já que a mãe se encarrega de aportar oxigênio para ele, mas se não se atrofiar antes de nascer como deve acontecer, as consequências serão:

  • Um filhote de cachorro que não cresce, com falta de apetite.
  • Debilidade, taquipneia.
  • Posição de cabeça estendida, para tentar respirar melhor.
  • Colapsos, intolerância total ao exercício.

Diagnóstico do ducto arterioso

Auscultar um sopro contínuo na base do coração (zona superior) num filhote de cachorro que não cresce, juntamente com a debilidade e a intolerância ao exercício costumam indicar esta patologia. Se, para além disso, for de uma raça susceptível (maltês, pomerânia, pastor alemão..) são fortes indicativos de se tratar de esta doença. Seria necessária a realização de raio x, eletrocardiograma e, possivelmente, ecografias.

Tratamento

O ducto é fácil de resolver mediante uma cirurgia relativamente simples, mas que implica abrir o tórax. Depois de ligado o ducto, o coração começará trabalhando com normalidade. O pós-operatório é doloroso mas o filhote de cachorro pode continuar o seu desenvolvimento com normalidade e crescer como qualquer adulto da sua raça. Tudo depende do estado em que ele se encontre quando se detete a doença e dos danos prévios que o coração tenha sofrido antes da intervenção.

Uma estenose da válvula (aórtica, pulmonar, etc) é algo bem mais complicado e a cirurgia das válvulas cardíacas não está tão desenvolvida como nos seres humanos.

Outras patologias

Existe uma grande quantidade de problemas metabólicos ou estruturais com os quais o nosso filhote de cachorro pode nascer e que podem levar a um atraso no seu crescimento. Resumimos algumas delas:

  • Transtornos hepáticos: O fígado é a depuradora do organismo e o seu mau funcionamento por problemas congênitos ou adquiridos pode dar lugar a um crescimento anormal.
  • Problemas intestinais: O cálcio é absorvido a nível intestinal e o seu metabolismo está diretamente relacionado com os níveis de vitamina D. Qualquer falha nos enterócitos (células do intestino) pode alterar a absorção do cálcio.
  • Problemas renais: Toda a homeostasia do cálcio e fósforo depende de um correto funcionamento renal.
  • Diabetes mellitus: Uma insuficiente produção e insulina no nascimento pode provocar um crescimento anormal.
Porque o meu cachorro não cresce? - Outras patologias

Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

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