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Síndrome do cão nadador: causas, sintomas e tratamento

 
Por Carolina Costa, Médica Veterinária. 4 fevereiro 2020
Síndrome do cão nadador: causas, sintomas e tratamento

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Você tem um filhote de cachorro que não conseguem caminhar ou se movimentar normalmente? Nota que as tentativas dele para caminhar se assemelham a um cachorro nadando? Então pode se tratar de síndrome do cão nadador.

A síndrome do cão nadador, também conhecida por síndrome do cachorro plano, surge em filhotes de cachorro muito jovens e se trata de um problema neurológico que provoca a diminuição, ou mesmo a perda, dos movimentos dos membros posteriores e/ou anteriores.

Nesse artigo do PeritoAnimal vamos explicar sobre a síndrome de cão nadador, o que é, quais são as causas, como se detecta e qual o tratamento mais adequado. Se você pretende saber mais sobre este tema continue lendo.

O que é a síndrome do cão nadador

A designação "síndrome" significa o conjunto de sinais clínicos e sintomas que podem resultar de uma ou mais causas, ou seja, não é uma doença por si só, mas sim uma condição médica originada por uma ou mais doenças.

A síndrome do cão nadador, também chamada de síndrome do cachorro plano ou hipoplasia miofibrilar, resulta de uma alteração no sistema nervoso, nomeadamente no desenvolvimento motor, em filhotes de cachorro. Provoca dificuldade na locomoção ou mesmo a perda de movimentos dos membros, fazendo com que deambulem ou arrastem os membros. Esta síndrome adquire esta designação comum pois o cachorro, quando tenta caminhar, faz um movimento que se assemelha a nadar.

Geralmente, se manifesta mesmo antes do primeiro mês de vida, quando os filhotes começam a dar os seus primeiros passos (por volta da segunda ou terceira semana de vida). É nesta fase que o tutor começa a notar que algo está errado na locomoção do cachorro.

A síndrome do cachorro nadador pode afetar qualquer gênero ou raça, no entanto se acredita que existe uma predisposição para raças como Basset Hound, Bulldog Inglês e Fancês, Cocker Spaniel, Yorkshire Terrier, ou seja, em cachorros de raça pequena com patas curtas (raças condrodistróficas).

Sintomas da síndrome do cão nadador

Apesar de já termos referido o sintoma principal, alguns outros possíveis sintomas dessa síndrome são:

  • O animal apresenta sinais semelhantes a debilidade/fraqueza;
  • Deambulação e ataxia (incoordenação de movimentos);
  • Incapacidade de se manter de pé;
  • Hiperextensão dos membros;
  • Permanência em decúbito esternal (esterno e abdômen encostados ao solo);
  • Locomoção semelhante ao ato de nadar;
  • Feridas por arrastamento;
  • Obstipação;
  • Dispneia (dificuldade em respirar);
  • Perda de peso (geralmente são os animais mais fracos da ninhada pois não conseguem se alimentar).

A síndrome do cachorro nadador pode afetar os membros posteriores e/ou os anteriores, no entanto é mais comum afetar ambos os posteriores. O prognóstico de recuperação é mais reservado quando afeta os quatro membros.

Quando estes sinais clínicos são observados, suscitam muita preocupação e dúvidas aos tutores que convivem com o cachorro. No entanto, não se preocupe, nos tópicos seguintes vamos tentar esclarecer todas as suas dúvidas e inseguranças relativas a este problema.

Causas da síndrome do cachorro nadador

As causas podem ser variadas, mas geralmente se associa a um defeito congênito, isto é, que se desenvolve durante a gestação. Além disso, existem autores que defendem existir componente:

  • Hereditário (que é transmitido dos progenitores para os filhotes);
  • Ambiental (após o nascimento há uma falta de estímulos para caminhar ou piso escorregadio);
  • Nutricional (défices nutricionais também podem levar a este síndrome).

Se você também tem dúvida se existe cachorro com Síndrome de Down confira a resposta no nosso artigo.

Diagnóstico e tratamento da síndrome do cão nadador

Vale lembrar que esta síndrome não se cura sozinha, se não se você não fizer nada para ajudar o seu cachorro ela não vai desaparecer. É, portanto, um problema que exige acompanhamento médico-veterinário regular, uma vez que o sucesso do tratamento vai depender das reavaliações contínuas do veterinário e da sua equipe.

Fisioterapia

A fisioterapia é o tratamento de eleição e geralmente, se iniciada o mais precocemente possível na terceira ou quarta semana de vida, o animal fica sem nenhuma sequela e recupera totalmente. Recomenda-se fisioterapia diária com sessões de 15 minutos, várias vezes por dia, a fim de aumentar o tônus e a força muscular, além de estimular a coordenação motora. A natação também é recomendada como fisioterapia.

Bandagens

Em algumas situações se associa bandagens para reposicionar os membros. Esta associação apresenta resultados mais satisfatórios quando se inicia com três a quatro semanas de idade, uma vez que os ossos e as articulações podem ser mais facilmente moldados e tornam a terapia mais eficaz.

Como curiosidade, as bandagens são feitas com esparadrapos em forma de oito ou algema de forma a estabilizar e manter os membros na sua posição anatômica normal. Como o nível de crescimento dos animais é exponencial, deve-se trocar regularmente as bandagens para acompanhar esse crescimento.

Suplementos nutricionais

Pode ser associado como tratamento coadjuvante a administração de vitamina E, selênio e/ou taurina. Um défice em selênio pode originar redução no crescimento, debilidade do sistema imunológico ou problemas de fertilidade.

Controle do peso

O excesso de peso dificulta a locomoção e causa sobrecarga sobre as articulações.

Modificação e enriquecimento ambiental

A utilização de pisos antiderrapantes pode ser uma solução simples para os filhotes que estão sempre escorregando. Além disso, veja mais opções para você enriquecer o ambiente do seu pet e dar a ele uma vez mais feliz e plena.

Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

Se deseja ler mais artigos parecidos a Síndrome do cão nadador: causas, sintomas e tratamento, recomendamos-lhe que entre na nossa seção de Outros problemas de saúde.

Bibliografia
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