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Síndrome vestibular canina: tratamento, sintomas e diagnóstico

 
Por Liliana Ramos, Jornalista especializada em mundo animal. 14 novembro 2018
Síndrome vestibular canina: tratamento, sintomas e diagnóstico

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Se você já viu um cachorro com a cabeça torta, caindo facilmente ou andando em círculos, provavelmente pensou que ele não tinha equilíbrio e estava tonto e, efetivamente, você acertou!

Quando um cão apresenta esses e outros sintomas, sofre do que é conhecido como síndrome vestibular, uma condição que afeta o sistema de mesmo nome. Você sabe o que é este sistema e para que serve? Sabe como essa síndrome afeta os cães?

Se está interessado em saber tudo isso e muito mais, continue lendo este artigo do Perito Animal, pois, nele explicaremos o que é a síndrome vestibular em cães, quais as suas causas, como identificar os sintomas e o que fazer a respeito.

Síndrome vestibular: o que é

O sistema vestibular é aquele que dá aos cães equilíbrio e orientação espacial para poderem se mover. Neste sistema, trabalham em conjunto: o ouvido interno, o nervo vestibular (serve como uma ligação entre o ouvido interno e sistema nervoso central), o núcleo vestibular e o trato médio posterior e anterior (que são partes do sistema nervoso central) e ainda os músculos do globo ocular. Todas essas partes do corpo do cão estão conectadas e envolvidas na tarefa de fazer o animal se mover e se orientar sem problemas. Portanto, este sistema permite evitar a perda de equilíbrio, quedas e vertigem nos animais. É precisamente quando algumas partes ou conexões falham que a síndrome vestibular ocorre.

A síndrome vestibular é um sintoma de que alguma parte do sistema vestibular não funciona bem. Então, quando a detectamos, logo suspeitaremos que o cão apresenta alguma patologia relacionada ao sistema vestibular que ocasiona a perda do equilíbrio, entre outras coisas.

A doença pode se manifestar de uma ou mais formas. Podemos diferenciar a síndrome vestibular periférica em cães, que surge do sistema nervoso periférico, também conhecido como sistema nervoso central externo, e é causada por algum distúrbio que afeta a ouvido interno. Também podemos detectá-la na sua forma conhecida como síndrome vestibular central, pois, a sua origem ocorre no sistema nervoso central. Esta última é mais grave que a forma periférica, no entanto, e felizmente, é bem menos comum. Além disso, existe uma terceira opção de ocorrência desta síndrome. Quando não conseguimos identificar a origem da síndrome vestibular, nos deparamos com a forma idiopática da doença. Neste caso, não existe uma origem específica e os sintomas se desenvolvem repentinamente. Ela pode desaparecer em poucas semanas sem que se conheça a causa ou pode durar muito tempo e o cão deverá se adaptar. Essa última forma é a mais comum.

Geralmente, a síndrome vestibular periférica apresenta uma rápida melhora e recuperação. Se a causa for tratada cedo e bem, não permitirá que a doença avance por muito tempo. Por outro lado, a forma central é mais difícil de resolver e, às vezes, não pode ser remediada. Obviamente, a forma idiopática não pode ser resolvida sem um tratamento adequado, pois, a causa da síndrome é desconhecida. Neste caso, devemos ajudar o cão a se ajustar à sua nova condição e levar a melhor vida possível, enquanto dure a síndrome.

A síndrome vestibular pode ocorrer em cães de qualquer idade. Esta condição pode estar presente desde o nascimento do cão, portanto, será congênita. A síndrome vestibular congênita começa a ser vista entre o nascimento e os três meses de vida do cão. Estas são as raças com maior predisposição a sofrer este problema:

No entanto, esta síndrome é mais frequente em cães mais velhos e é conhecida como síndrome vestibular geriátrica canina.

Síndrome vestibular canina: tratamento, sintomas e diagnóstico - Síndrome vestibular: o que é

Síndrome vestibular canina: sintomas e causas

As causas da síndrome vestibular são diversas. Na sua forma periférica, as causas mais comuns são a otite, as infecções crônicas do ouvido, as infecções recorrentes do ouvido interno e médio, a limpeza excessiva que irrita muito a área e que pode até perfurar um tímpano, entre outras. Se falarmos da forma central da doença, as causas serão outras condições ou doenças tais como toxoplasmose, cinomose, hipotireoidismo, hemorragia interna, um trauma de uma lesão no cérebro, acidente vascular cerebral (AVC), pólipos, meningoencefalite ou tumores. Além disso, este estado mais grave da síndrome vestibular pode ser causado por certos medicamentos como antibióticos aminoglicosídeos, amicacina, gentamicina, neomicina e tobramicina.

A seguir, listamos os sintomas da síndrome vestibular canina mais comuns:

  • Desorientação;
  • Cabeça torcida ou inclinada;
  • Perda de equilíbrio, cai facilmente;
  • Andar em círculos;
  • Dificuldade em comer e beber;
  • Dificuldade em urinar e defecar;
  • Movimentos involuntários dos olhos;
  • Tontura, vertigem e náusea;
  • Excesso de saliva e vômito;
  • Perda de apetite;
  • Irritação nos nervos do ouvido interno.

Estes sintomas podem surgir de repente ou aparecer pouco a pouco, à medida que a condição progride. Se você detectar algum destes sintomas, é muito importante agir rápido e levar o cão a um veterinário de confiança o mais rápido possível para identificar a causa da síndrome vestibular e tratar.

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Síndrome vestibular canina: diagnóstico

Como comentamos, é de vital importância levar o nosso animal de estimação ao veterinário logo que começamos a detectar algum dos sintomas descritos acima. Chegando lá, o especialista fará um exame físico geral no cão e realizará alguns testes específicos para verificar o equilíbrio, se anda em círculos ou saber para que lado ele inclina a cabeça, pois, normalmente, esse será o lado do ouvido afetado.

O ouvido deve ser observado tanto externa quanto internamente. Se esses testes não puderem diagnosticar com segurança, outros exames como raios-x, exame de sangue, citologias, culturas, entre muitos outros podem ajudar a encontrar o diagnóstico ou, pelo menos, eliminar as possibilidades. Além disso, se houver suspeita de que pode ser a forma central da doença, o veterinário pode solicitar exames de tomografia computadorizada, ressonância magnética, biópsias, etc. Como dissemos antes, existem casos em que não é possível identificar a origem da alteração do equilíbrio.

Logo que o especialista detecte a causa e possa dizer se é uma síndrome vestibular periférica ou central, o tratamento adequado deve ser iniciado o mais breve possível e sempre sob a supervisão e acompanhamento periódico do profissional.

Síndrome vestibular canina: tratamento, sintomas e diagnóstico - Síndrome vestibular canina: diagnóstico

Síndrome vestibular canina: tratamento

O tratamento para esta condição dependerá completamente de como ela se manifesta e quais são os sintomas. É vital que, além da principal causa do problema, os sintomas secundários sejam tratados para ajudar o cão a passar pelo processo da melhor forma possível. No caso da síndrome vestibular periférica, como já mencionamos, é provável que seja ocasionada por uma otite ou infecção crônica do ouvido. Por esta razão, o tratamento mais comum será para otite, irritações e infecções auditivas difíceis. Se nos encontramos com a forma central da doença, esta também dependerá da causa específica que a provoca. Por exemplo, se for hipotireoidismo, o cão deve ser medicado com a suplementação indicada para hipotireoidismo. Se for um tumor, as possibilidades de operá-lo deverão ser avaliadas.

Em todos os casos mencionados acima como possíveis causas da doença, se forem tratados o mais cedo possível, veremos como o problema principal se soluciona ou estabiliza e a síndrome vestibular também se corrigirá até que desapareça.

Quando se trata da forma idiopática da doença, já que não se conhece a causa, não é possível tratar o problema principal ou a síndrome vestibular. No entanto, devemos pensar que, embora possa durar muito tempo, quando se trata de um caso idiopático, é bem provável que ele desapareça após algumas semanas. Portanto, embora decidamos continuar fazendo mais testes para tentar encontrar alguma causa, mais cedo ou mais tarde, devemos nos concentrar em facilitar a vida de nosso companheiro peludo durante o processo.

Síndrome vestibular canina: tratamento, sintomas e diagnóstico - Síndrome vestibular canina: tratamento

Como ajudar o seu cachorro a se sentir melhor

Enquanto durar o tratamento ou, ainda, se não for encontrada a causa, o nosso cão necessita se acostumar a conviver com a doença por um tempo e será nossa responsabilidade ajudá-lo a sentir-se melhor e tornar a sua vida mais fácil durante este período. Para isso, é necessário tentar liberar as áreas da casa onde normalmente o cachorro está, separar os móveis pois os animais costumam golpear-se contra eles com frequência devido à sua desorientação, ajudá-lo a comer e beber, dando-lhe comida à mão e levando o bebedouro até a sua boca ou, ainda, dando-lhe água com o auxílio de uma seringa diretamente na boca. Também é preciso ajudá-lo a se deitar, levantar ou se movimentar. Muitas vezes será necessário auxiliá-lo para defecar e urinar. É de vital importância acalmá-lo com a nossa voz, fazendo carícias e remédios naturais e homeopáticos para o stress, já que desde o primeiro momento em que nosso amigo peludo comece a sentir as tonturas, desorientação, etc., estará sofrendo de stress.

Assim, pouco a pouco, ele irá melhorando até o dia em que a causa for conhecida e a síndrome vestibular desaparecer. Caso seja duradouro, seguindo todas as recomendações acima, estaremos ajudando o animal a se acostumar com a sua nova condição e gradualmente notaremos que ele começar a se sentir melhor e será capaz de levar uma vida normal. Além disso, se a síndrome é congênita, geralmente os filhotes que crescem com essa condição rapidamente se acostumando com essa realidade que os envolve levando uma vida perfeitamente normal.

Síndrome vestibular canina: tratamento, sintomas e diagnóstico - Como ajudar o seu cachorro a se sentir melhor

Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

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