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Ceratoconjuntivite seca em cães - Causas, sintomas e tratamento

 
Por Carla Moreira, Médica veterinária. 15 julho 2022
Ceratoconjuntivite seca em cães - Causas, sintomas e tratamento

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Também conhecida como “olho seco”, a ceratoconjuntivite seca em cães é mais comum em animais idosos, mas nada impede que os jovens também desenvolvam a doença. Responsável por muito desconforto nos peludinhos, a doença é grave e progressiva, podendo se tornar crônica e levar à cegueira permanente.

Neste este artigo do PeritoAnimal vamos explicar seus sintomas, como diagnosticar o problema e os possíveis tratamentos para garantir uma melhor qualidade de vida ao cachorrinho. Boa leitura.

O que é a ceratoconjuntivite seca?

A ceratoconjuntivite seca, xeroftalmia ou "olho seco", é uma doença oftalmológica bastante comum nos cachorros, caracterizada por deficiência na produção da lágrima, seja de forma quantitativa ou qualitativa. Mas o que isso quer dizer? Quer dizer que o cachorro não produz a quantidade ideal de lágrima ou sua produção possui alguma deficiência nos seus constituintes, causando um ressecamento progressivo nos olhos.

O resultado é um olho seco, com muita secreção acumulada, crostas nas pálpebras, dermatite ao redor dos olhos e muito desconforto. A córnea pode ser gravemente afetada pela falta de lubrificação ocular, surgindo úlceras dolorosas, que podem perfurar, levando o animal à perda da visão.

Vamos compreender melhor como ocorrem a produção e a drenagem lacrimal, para depois abordarmos as alterações nesses processos. A lágrima (ou filme lacrimal) é composta por três partes: o componente lipídico (gordura), o aquoso e o mucoso. A camada lipídica é bem fina e fornece uma cobertura oleosa para a camada lacrimal aquosa, retardando a evaporação e promovendo a distribuição estável das lágrimas sobre a córnea. O componente aquoso é produzido pelas glândulas lacrimais da órbita e da terceira pálpebra, sendo o componente mais abundante. Já a parte mucosa é composta por mucina, uma glicoproteína produzida pelas células da conjuntiva. O ato de piscar, associado ao movimento da terceira pálpebra, causa a distribuição das secreções na superfície ocular, nutrindo a córnea, que não possui vascularização.

O sistema de drenagem do aparelho lacrimal no cão possui um ponto lacrimal superior e um inferior, um canalículo superior e um inferior, um saco lacrimal pouco desenvolvido e o ducto nasolacrimal, ligando o olho ao nariz. A função desse sistema é drenar a lágrima da superfície ocular para as passagens nasais. Parte da lágrima produzida evapora e o restante é drenado via pontos lacrimais, canalículos lacrimais, saco lacrimal, ducto nasolacrimal e, finalmente, narina externa.

Por que o olho do cachorro fica seco?

Agora que já sabemos como tudo funciona, vamos entender o que ocorre para o olho do cachorro ficar seco. Infelizmente, as causas da ceratoconjuntivite seca ainda não foram totalmente elucidadas, mas acredita-se que seja multifatorial, sendo a imunomediada a mais prevalente.

Existe uma predisposição genética em algumas raças como shih-tzu, lhasa apso, pequinês, bulldog inglês, yorkshire, pug, cocker spaniel americano, west highland white terrier e schnauzer miniatura. No entanto, cães mestiços também podem desenvolver a doença. Cachorros de raças braquicefálicas são mais acometidos.

A adenite imunomediada (inflamação autoimune) das glândulas lacrimais pode ocorrer associada a outras doenças autoimunes, como a atopia, o hiperadrenocorticismo, o hipotiroidismo e a diabete. Ainda existe a etiologia infecciosa, resultante de doenças como: cinomose, erlichiose, toxoplasmose, leptospirose e leishmaniose.

Dentre outras causas possíveis para aceratoconjuntivite seca canina, temos a retirada da glândula da terceira pálpebra, trauma orbital ou supraorbital, problemas nos nervos trigêmeo ou facial, causas congênitas, neoplasias, causas tóxicas, metabólicas e radioterapia realizada na cabeça.

Sintomas da ceratoconjuntivite seca em cães

Os sintomas vão variar de acordo com o tempo de surgimento da doença (se está na fase aguda ou já ficou crônica) e com o grau e extensão do ressecamento ocular. O sintoma mais observado pelos tutores é o olho com secreção e crostas nas pálpebras, geralmente bilateral.

Os olhos podem estar muito irritados, com a conjuntiva hiperêmica (avermelhada), secreções mucopurulentas aderidas na córnea e pálpebras, dermatite ao redor dos olhos, o animal pisca várias vezes em pouco tempo (blefaroespasmo), dor, ressecamento ocular, edema e presença de vasos sanguíneos na córnea (o olho fica azulado, com pequenos vasos vermelhos).

Neste outro artigo explicamos se remela no olho do cachorro pode ser verme.

Como diagnosticar a ceratoconjuntivite seca em cachorros

Ao perceber alguns desses sinais, o animal deverá ser levado ao veterinário para a realização de testes diagnósticos. O teste mais realizado para diagnosticar a ceratoconjuntivite seca é o de Schirmer, que verifica a quantidade de lágrima produzida pelo animal. Durante o teste, será colocada uma fita de papel no saco conjuntival, aguardando um minuto para realização da leitura. Considera-se normal a produção lacrimal de 15 a 25mm/minuto no cão, valores entre 10 e 15mm/minuto são considerados suspeitos e devem ser monitorados, enquanto valores menores de 10mm/minuto são tidos como positivos para a doença. Teste com resultado menor que 5mm/minuto é classificado como caso grave. De acordo com o resultado, o veterinário saberá se a produção lacrimal está normal ou deficiente e qual o melhor tratamento.

Outros exames devem ser realizados nos olhos do cachorro, como a investigação de lesões ou úlceras na córnea, muito comum em cães com ceratoconjuntivite seca. Além disso, o histórico do cãozinho é extremamente valioso para um diagnóstico correto e o mais precoce possível, evitando danos irreversíveis nos olhos do animal.

Ceratoconjuntivite seca em cães - Causas, sintomas e tratamento - Como diagnosticar a ceratoconjuntivite seca em cachorros

Como tratar a ceratoconjuntivite seca

O tratamento da ceratoconjuntivite seca em cães deve começar com uma boa limpeza nos olhos, incluindo pálpebras e região periocular. A higienização pode ser feita com o auxílio de gaze e solução fisiológica morna, sempre de forma delicada para não causar mais dor e desconforto ao animal.

O tratamento deverá ser iniciado o mais breve possível. Caso haja alguma doença primária, deverá ser tratada de imediato. A terapia clínica é a mais indicada na maioria dos casos, com o uso de estimulantes da produção de lágrimas, lubrificantes oculares, colírios com antibióticos, mucolíticos e anti-inflamatórios.

O uso de imunomoduladores apresenta bons resultados, pois estimulam a produção de lágrimas, inibem a liberação de substâncias inflamatórias, reduzem a pigmentação da córnea e melhoram a produção de mucina. A ciclosporina, por exemplo, é de fácil aquisição, podendo ser encontrada na forma de pomadas e colírios, sendo possível a sua manipulação em várias concentrações. No entanto, o aumento na produção de lágrimas só será observado após 2 a 6 semanas de uso do medicamento, e alguns animais o usarão por toda a vida.

Os lubrificantes ou lágrimas artificiais são utilizados para repor alguns componentes da lágrima, melhorando seu volume e protegendo a córnea do ressecamento. No entanto, possuem efeito temporário, somente enquanto estão presentes no olho, devendo ser aplicados várias vezes ao dia (incialmente, a cada 4 ou 6 horas). Esses remédios são extremamente importantes no tratamento da ceratoconjuntivite seca canina, pois auxiliam na lubrificação ocular até que o imunomodulador comece a fazer efeito, e para animais que não respondem bem à terapia.

O uso de antibióticos precisará ser avaliado pelo veterinário. Deverá ser utilizado em casos de contaminação bacteriana secundária e, em casos de úlceras de córnea, sua aplicação poderá ser intensificada.

O tratamento cirúrgico está indicado para os pacientes que não respondem à terapia clínica após um determinado período (de 3 a 6 meses). A cirurgia mais utilizada tem como objetivo direcionar para o olho afetado o ducto da glândula parotídea, para que o olho se mantenha lubrificado.

O tutor deve ter em mente que, mesmo depois de iniciado o tratamento, o animal deverá ser avaliado periodicamente pelo veterinário, para que a resposta à terapia seja avaliada e a medicação ajustada.

Agora que você já sabe os sintomas e tratamentos para a ceratoconjuntivite seca em cães, não perca este outro artigo em que detalhamos as causas e o que fazer no caso de conjuntivite em cachorros.

Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

Se deseja ler mais artigos parecidos a Ceratoconjuntivite seca em cães - Causas, sintomas e tratamento, recomendamos-lhe que entre na nossa seção de Problemas oculares.

Bibliografia
  • Astrauskas, J. P., Camargos, A. S. Ceratoconjuntivite seca em cães – Revisão de literatura. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária, v. 20, 2013. Disponível em: http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/ViCuy7uJTqJbJIH_2013-6-21-16-1-7.pdf. Acesso em 12/07/2022.
  • Leandro, G. A. et al. Ceratoconjuntivite seca em cães. Enciclopédia Biosfera, 2018. Disponível em: https://www.conhecer.org.br/enciclop/2018B/AGRAR/ceratoconjutivite.pdf. Acesso em 12/07/2022.
  • Barbosa, A. Boletim Pet, Agener União Saúde Animal, v. 3, 2017. Disponível em: https://s3-sa-east-1.amazonaws.com/vetsmart-contents/Documents/DC/AgenerUniao/Boletim_Pet_032017_Ceratoconjuntivite_Seca_Caes.pdf. Acesso em 12/07/2022.

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