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Cachorro emagrecendo - Causas e o que fazer

 
Por Carla Moreira, Médica veterinária. 24 janeiro 2023
Cachorro emagrecendo - Causas e o que fazer

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Assim como as pessoas, os cães também precisam controlar seu peso corpóreo. Talvez nem tanto por estética, mas por questões de saúde. Nem sempre um cachorro gordinho significa que está saudável; da mesma forma que o emagrecimento pode demonstrar que algo não está funcionando bem no corpo do seu amigo.

Cachorro emagrecendo e você quer saber as causas e o que fazer? Mesmo que sejam poucos gramas, o emagrecimento deve ser investigado e corrigido, se for o caso. Existem muitas causas de emagrecimento em cães, desde uma alimentação inadequada a doenças graves. Geralmente os cães são pouco seletivos e costumam comer bastante, sendo um sinal de alerta quando esse apetite diminui, sem causa aparente. Se esse é o caso do seu amigo, não deixe de ler este artigo até o final! Boa leitura!

O que pode estar acontecendo quando o cachorro emagrece muito?

Várias são as causas que explicam um cachorro emagrecendo, desde situações simples, fáceis de serem corrigidas, até doenças graves. O emagrecimento pode demonstrar que algo não está funcionando bem no corpo do animal, e na tentativa de ajustar os sistemas corpóreos, ocorre um gasto maior de energia.

O emagrecimento indica que o corpo está gastando mais energia do que o necessário e não está conseguindo repor com a alimentação. Esse déficit entre energia ingerida e energia gasta fará com que o corpo utilize suas reservas, como os estoques gorduras e, menos desejável, as proteínas (músculos). Algumas doenças podem fazer com que o animal, mesmo ingerindo uma quantidade ideal de energia, não consiga absorver os nutrientes, resultando em emagrecimento.

As 5 causas mais comuns de emagrecimento em cães:

1. Desnutrição

A desnutrição é a causa mais comum de emagrecimento nos cães. Pode ocorrer por ingestão insuficiente de alimentos ou pela ingestão de nutrientes de baixa qualidade. Da mesma forma que as pessoas, os animais também possuem suas necessidades energéticas dependentes do seu tamanho e do estilo de vida. Cães muito ativos tendem a gastar mais energia que aqueles que gostam de dormir a maior parte do dia. Filhotes necessitam de uma quantidade maior de calorias, pois estão em fase de crescimento e são extremamente ativos. Já os idosos, exigem uma redução dessa quantidade, pois já não possuem mais tantas atividades diárias.

Estudiosos no assunto criaram uma fórmula para estimar a quantidade de calorias que um cachorro deve ingerir por dia, a MER (Metabolic Energy Requirement ou Necessidade de Energia Metabólica), que utiliza o peso do cão como base. De acordo com essa fórmula, temos que um cachorro de 10 kg deve ingerir, em média, 742 calorias por dia. No entanto, essa fórmula não considera o estado físico do cão (se está abaixo ou acima do peso, se possui alguma doença, se é jovem ou idoso) e nem o estilo de vida (muito ou pouco ativo). Para transformar esse valor calórico estimado em quantidade de ração a ser ingerida, será necessário verificar o rótulo da ração, que indicará a quantidade de calorias presente em cada 100 gramas do produto[1].

2. Problemas dentários

Quem já teve dor de dente sabe bem a dificuldade para se alimentar! E com os cães isso não é diferente. Problemas dentários são causas bem comuns de emagrecimento em cães, como dentes fraturados, aumento da sensibilidade devido a problemas periodontais, gengivites e até mesmo perda de dentes. Os problemas de saúde bucal são graves, pois podem interferir na qualidade de vida dos animais, devendo ser identificados em seus estágios iniciais, para que o tratamento seja instituído antes de apresentarem os transtornos sistêmicos. A prevenção é primordial para diminuir a alta incidência da doença periodontal e, concomitantemente, minimizar as implicações locais e sistêmicas desencadeadas pela afecção bucal[2].

3. Parasitas intestinais

Os parasitas intestinais estão entre os agentes patogênicos mais comumente encontrados em animais de companhia e constituem uma das principais causas de transtornos intestinais em cães. A espécie é parasitada por cerca de 17 espécies de trematódeos, 17 de cestódeos, 20 de nematódeos e 1 acantocéfalo e por um grande número de protozoários[3].

As infecções parasitárias acometem cães de todas as idades, mas usualmente são mais prevalentes em filhotes; isso se deve principalmente ao fato de que muitos parasitas utilizam vias de transmissão que expõem especificamente recém-nascidos ou neonatos e porque os cães jovens não respondem imunologicamente de forma eficaz. A depender da gravidade, a parasitose pode resultar em anemia, o cachorro emagrecendo, desânimo, apatia, falta de apetite e diarreias.

4. Diabetes mellitus

Diabetes mellitus é uma doença que acomete o pâncreas endócrino, resultando em deficiência na produção relativa ou absoluta do hormônio insulina. Atualmente, é a doença endócrina mais frequente na clínica de cães, tendo maior ocorrência em determinadas raças. O grau de severidade da doença pode variar desde uma disfunção inicial assintomática até um distúrbio severo, que pode comprometer a qualidade de vida do animal. Os sintomas típicos dessa doença são: poliúria (alta produção de urina), polidpsia (ingestão de água aumentada), polifagia (grande ingestão de alimentos) e perda de peso. Na diabetes, apesar de comer bastante, o cão emagrece, pois o alimento ingerido não está sendo aproveitado em sua totalidade pelo organismo.

5. Leishmaniose

A leishmaniose visceral canina é uma doença causada por um protozoário do gênero Leishmania, que acomete os cães, os quais são considerados, no ciclo urbano de transmissão, os principais reservatórios, por meio do qual o homem pode se infectar. No entanto, animais silvestres, como lobos, coiotes e raposas, também podem funcionar como reservatórios. No Brasil, a leishmaniose visceral canina é transmitida através da picada do mosquito pertencente à família dos flebotomídeos, gênero Lutzomyia e espécie Lutzomyia longipalpis. Este vetor é conhecido popularmente por mosquito-palha, birigui ou tatuquiras e se constitui no principal vetor brasileiro. O mosquito-palha é um inseto muito pequeno, que costuma se reproduzir em locais com muita matéria orgânica em decomposição.

Praticamente todos os cães infectados desenvolvem doença visceral ou sistêmica, sendo que 90% dos animais também apresentam algum envolvimento cutâneo. Os sinais viscerais mais comuns observados são aumento dos linfonodos, ficamos diante de um cachorro emagrecendo, além de sintomas possíveis de insuficiência renal (poliúria, polidipsia, vômito), dores pelo corpo, artrite e dores musculares, sendo que aproximadamente um terço dos cães doentes apresenta febre. Dentre os sinais cutâneos podemos citar hiperqueratose (aumento da quantidade de queratina em algumas partes do corpo, como o nariz), pelagem seca e quebradiça, perda de pelos e unhas anormalmente longas ou quebradiças. A doença não tem cura, mas existem tratamentos que controlam os sintomas e permitem que o animal tenha qualidade de vida.

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O que fazer quando o cachorro começa a emagrecer?

Se você reparou que o cachorro está emagrecendo, a primeira atitude é verificar se a ingestão de alimentos está correta e se esse alimento é de boa qualidade. Visto isso, o tutor deve se atentar ao esquema de vermifugação, se foi realizado e se está em dia. Caso tudo esteja correto, deve-se olhar a boca do animal, para verificar se existem problemas dentários, que, caso sejam constatados, deverão ser tratados pelo médico veterinário o mais rápido possível.

Na maioria das vezes é necessário realizar um check up no animal, para que outras causas possam ser detectadas e tratadas o quanto antes, evitando que o quadro se agrave.

Neste artigo explicamos como fazer o cachorro comer ração.

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Devo aumentar a quantidade de comida para engordar o cachorro?

Um cachorro emagrecendo pode estar ingerindo menos alimentos do que deveria, como você já viu neste artigo. Para saber se a quantidade de comida ingerida pelo cachorro está correta, deve-se pesar o animal e verificar se a quantidade que deve ser fornecida está de acordo com o rótulo da ração. Algumas adaptações devem ser feitas de acordo com o nível de atividade do cão, se mais ou menos ativo. Filhotes e cadelas prenhas devem ingerir uma quantidade maior de alimentos.

Neste artigo falamos sobre os diferentes tipos de alimentação do cachorro e seus benefícios.

Posso dar vitaminas para ajudar o peludo a ganhar peso?

As vitaminas não farão o peludo ganhar peso, mas ajudarão a repor as deficiências nutricionais. Por isso, vitaminas são bem-vindas em casos de emagrecimento.

Agora que você já viu as principais causas para um cachorro emagrecendo e viu o que é preciso fazer, não perca o vídeo a seguir sobre como engordar um cachorro em cinco passos:

Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

Se deseja ler mais artigos parecidos a Cachorro emagrecendo - Causas e o que fazer, recomendamos-lhe que entre na nossa seção de Outros problemas de saúde.

Referências
  1. Amar, R. Qual a quantidade de calorias meu cachorro deve ingerir por dia? 2013. Disponível em https://www.portaldodog.com.br/cachorros/adultos-cachorros/alimentacao-adulto/qual-quantidade-de-calorias-que-meu-cachorro-deve-ingerir-por-dia/. Acesso em 23/01/2023.
  2. Meneses, T.D. Implicações clínicas da doença periodontal em cães. Universidade Federal de Goiás, 2011. Disponível em https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/67/o/semi2011_Thais_Domingos_1c.pdf. Acesso em 23/01/2023.
  3. Katagiri, S., Oliveira-Cequeira, T.C.G. Zoonoses causadas por parasitas intestinais de cães e o problema do diagnóstico. Arq. Inst. Biol., 2007. Disponível em http://www.biologico.sp.gov.br/uploads/docs/arq/v74_2/katagiri.pdf. Acesso em 23/01/2023.
Bibliografia
  • N.A. Diabetes mellitus em cães. Centro Universitário MU. 2009. Disponível em https://arquivo.fmu.br/prodisc/medvet/nasa.pdf. Acesso em 23/01/2023.
  • Schimming, B.C. Leishmaniose visceral canina- revisão de literatura. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária, 2012. Disponível em http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/QKOIwlDa047cxSZ_2013-6-24-15-1-25.pdf. Acesso em 23/01/2023.

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