Problemas da pele

Spray prata para cachorro - Usos e contraindicações

 
Carla Moreira
Por Carla Moreira, Médica veterinária. 27 junho 2022
Spray prata para cachorro - Usos e contraindicações
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Muito utilizado em animais de grande porte, não é raro ouvir que o spray prata serve para quase tudo. Mas não é bem assim! Cuidado! Todo medicamento possui efeitos indesejáveis, principalmente se utilizado em excesso. Além disso, a pele lesionada absorve mais intensamente produtos de uso tópico, pois a barreira cutânea está rompida.

É correto usar spray prato para cachorro? Se você também tem dúvidas quanto ao uso correto desse produto, continue lendo este artigo do PeritoAnimal.

Índice
  1. Para que serve o spray prata para cachorro?
  2. Pode passar spray prata no cachorro?
  3. Spray prata tem efeitos colaterais?
  4. Quanto custa o spray prata para cachorro?
  5. Há outros remédios alternativos para o spray prata?

Para que serve o spray prata para cachorro?

O spray prata, dependendo do fabricante, possui diversos princípios ativos, como antibióticos, inseticidas, antissépticos e alumínio. As bulas, geralmente, indicam seu uso para a prevenção e tratamento de miíase (bicheira), como agente de ação repelente e para cicatrização de feridas cirúrgicas. Mas ele realmente pode ser utilizado em todos esses casos? Vamos analisar cada uso indicado pelos fabricantes.

A miíase é a infestação de tecidos de animais com larvas de dípteros (moscas e mutucas), que se alimentam de tecidos vivos ou mortos de seus hospedeiros, de suas substâncias corporais líquidas ou do alimento por ele ingerido, durante, pelo menos, uma fase de suas vidas. Geralmente, animais com miíase são eutanasiados ou abandonados devido à gravidade ou ao aspecto repugnante das lesões.

A doença pode ser dividida em interna, quando ocorre depósito de ovos nas cavidades corporais, e cutânea, com ovoposição em ulcerações de pele. Os dípteros podem colocar até 400 ovos na borda de uma mesma ferida, que eclodirão em larvas dentro de 24 horas, penetrando no tecido cutâneo, dilacerando-o e alimentando-se de tecidos vivos. A gravidade da parasitose vai depender da localização da lesão no corpo do hospedeiro e da quantidade de larvas presentes no tecido parasitado.

Várias são as causas da miíase, mas geralmente, estão relacionadas à falta de cuidado do tutor no tratamento de feridas cutâneas. A falta de higiene do local onde o cachorro fica pode ser a grande responsável pelo acúmulo de moscas, que são atraídas por fezes e urina. As larvas são altamente destrutivas, produzindo grandes lesões com odor desagradável. Os tecidos necrosados atraem mais moscas, que podem depositar novos ovos no local. A aparência fica repulsiva, com orifícios arredondados e regulares, que podem coalescer e formar largos defeitos com bordas infeccionadas.

Os cachorros afetados podem apresentar desidratação, anorexia, mucosas pálidas devido à anemia, magreza, febre, falta de ar, dentre outros sintomas. Os animais sentem muita dor no local parasitado, podendo vir a óbito por toxemia, hemorragia ou infecções secundárias. E onde entra o spray prata nessa história?

O spray prata pode ser utilizado como repelente, larvicida e agente antibacteriano. No caso das feridas já parasitadas, o spray pode agir matando as larvas, que poderão ser retiradas mecanicamente com o auxílio de uma pinça, após boa assepsia e tricotomia (corte dos pelos ao redor da ferida), caso a lesão seja pequena e o animal suporte a dor. Quando a ferida for extensa, dolorosa e muito contaminada, será necessário levar o cachorro para atendimento veterinário para estabilização, com hidratação intravenosa e medicamentos para dor, sendo importante o uso de anestesia para a retirada das larvas.

Neste outro artigo falamos detalhadamente sobre as causas, sintomas e tratamentos para a bicheira em cachorros.

Pode passar spray prata no cachorro?

Sim, pode passar spray prata em cães. Mas vale destacar que cachorros não gostam do barulho de spray, ficando muito incomodados durante a aplicação do medicamento. No caso do spray prata, o medicamento pode ser borrifado em um algodão e passado na ferida de forma suave e delicada, evitando que seja aplicado diretamente na pele do animal. Não se deve exagerar na aplicação, visto que o produto possui antibióticos e alumínio na sua fórmula, podendo ser absorvido de forma intensa pelo tecido lesionado.

O spray prata não pode ser aplicado perto dos olhos e nem nas mucosas, pois pode causar irritação e alergia. Em caso de feridas cirúrgicas, não é indicado o uso desse medicamento diretamente no local, pois pode agredir suas bordas, prejudicando a cicatrização. No entanto, pode ser aplicado ao redor da lesão, sendo útil como repelente.

Spray prata tem efeitos colaterais?

O uso excessivo do spray prata em cachorros pode causar intoxicação, pois o medicamento será absorvido de forma mais intensa em tecidos lesionados. Além disso, possui em sua composição um agente organofosforado, que pode causar envenenamento no cachorro, desencadeando um quadro com tontura, salivação excessiva, vômito, diarreia, tremores e convulsões. Nesses casos, o animal deve ser levado imediatamente para atendimento veterinário, pois se trata de uma emergência médica.

Quanto aos antibióticos, quando absorvidos em excesso, podem causar uma série de efeitos colaterais. Geralmente, o spray prata traz em sua composição a sulfadiazina, antibiótico com amplo espectro de ação, e responsável pela cor prata. Esse medicamento pode provocar reações alérgicas e retardo na cicatrização quando utilizados topicamente.

Neste outro artigo falamos sobre os sintomas e tratamento para alergias em cães.

Quanto custa o spray prata para cachorro?

O preço do spray prata varia de acordo com o fabricante, podendo ser encontrado a partir de R$ 12,00 em lojas de produtos especializados para pets.

Há outros remédios alternativos para o spray prata?

Sim! Existem outros medicamentos que podem substituir o spray prata em cachorros. Como repelente, podemos utilizar produtos com neem ou citronela em sua composição. Esses produtos são menos tóxicos, tornando o tratamento mais seguro para o peludo.

Além da retirada mecânica das larvas, é adequado utilizar medicação que iniba a eclosão dos ovos já depositados pelos dípteros. Medicamentos à base de nitenpiram (Capstar) são extremamente efetivos, tanto como larvicida quanto como ovicida, podendo ser administrado algumas horas antes da extração das larvas, facilitando o procedimento.

Para tratamento das feridas infectadas, será necessário o uso de antibióticos tópicos e/ou orais, que deverão ser prescritos pelo médico veterinário, com doses e tempo de uso adequados.

Lembre-se sempre de que a miíase é uma doença muito dolorosa, sendo necessário o uso de analgésicos e anti-inflamatórios, devendo ser tratada o mais breve possível para evitar deformidades nos animais.

Agora que você já sabe tudo sobre o uso do spray prata para cachorros, talvez você possa se interessar por este artigo sobre a berne em cães.

Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

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Bibliografia
  • Costa, F. M. Jr. et al. Estudo Retrospectivo de miíase em cães atendidos no hospital veterinário da Universidade Federal do Piauí. Enciclopedia Biosfera, Centro Científico Conhecer, v.15, n.27, p.9, 2018. Disponível em: https://www.conhecer.org.br/enciclop/2018a/agrar/estudo%20retrospectivo.pdf. Acesso em 27/06/2022.
  • Ribeiro, C. M.; Scherer, P. O.; Sanavria, A. Miíase oro-nasal e cutânea por Cochliomyia hominivorax (Coquerel, 1858) em felino (Felis catus) – Relato de Caso. Ver. Bras. Vet., v.33(3), p.137-141, 2011. Disponível em: file:///C:/Users/carlamoreira/Downloads/804-Final%20version%20-%20complete-1474-1716-10-20180202.pdf. Acesso em: 27/06/2022.
  • Cabrini, T. M. et al. Intoxicação por organofosforado em cão – Relato de caso. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária, n. 07, 2006. Disponível em: http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/etqTrph9DiLUjup_2013-5-21-15-59-18.pdf. Acesso em: 27/06/2022.
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