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Gatos dependentes - Sintomas e soluções

 
Por Marta Sarasúa, Etóloga e auxiliar veterinária. 16 maio 2022
Gatos dependentes - Sintomas e soluções

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É frequente escutar expressões como "hiperapego" ou "dependência patológica" quando o assunto são cachorros, mas muitos se surpreendem ao descobrir que os gatos também podem ter uma relação de dependência excessiva para com seus tutores. Esses felinos sempre foram considerados animais independentes, distantes e até ariscos, mas isso está muito longe de ser verdade! Eles também estabelecem fortes vínculos emocionais com seus cuidadores, e, em alguns casos, podem desenvolver alguns tipos de apego que acarretam problemas de hiperdependência e dificuldade de se relacionar de forma saudável.

Se você acha que o gatinho tem um comportamento de dependência excessiva contigo ou com algum outro membro da família e não sabe o que fazer, neste artigo de PeritoAnimal te explicamos a diferença entre essa dependência e o apego, e te contamos como se comporta um gato dependente, além de te dar alguns conselhos para ajudar o gato a ganhar autonomia. Boa leitura.

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O que é um gato dependente?

Durante os anos, as raças felinas passaram por uma intensa seleção genética, o que tem certo peso sobre o caráter dos indivíduos. Apesar disso, o correto é que cada gato conta com uma personalidade própria e possui tendências únicas em seu comportamento que o diferenciam do resto dos membros da sua espécie. Isso quer dizer que qualquer felino pode chegar a desenvolver problemas de dependência para com outros indivíduos dentro das circunstâncias adequadas, já que, assim como acontece com cachorros e com seres humanos, os gatos estabelecem diferentes formas de apego em função do tipo de relação que tenham com seus tutores.

Sintomas de um gato dependente

A seguir, mostramos alguns sintomas que podem levantar suspeitas de que o gato é muito dependente. Leve em consideração que nem todos os sintomas precisam aparecer de uma vez só ou com a mesma intensidade, pois eles dependem do tipo de relação que exista entre você e seu gato. O hiperapego em gatos pode se desenvolver das seguintes formas:

  • Mostra sinais de ansiedade quando fica sozinho em casa ou não tem acesso direto a você. Por exemplo: mia desesperadamente, para de comer, vomita, fica ofegante e salivando, repete movimentos de forma estereotipada, fere a si mesmo, urina ou defeca fora da caixinha de areia, destrói objetos ou não consegue dormir.
  • Segue você constantemente pela casa (ele acorda e vai atrás de ti quando você anda) e não é capaz de ficar relaxado numa residência se você não estiver nela.
  • Tem comportamento ambíguo quando está contigo, como não querer ser tocado num momento, e no outro não querer se separar de você.
  • Depois de um tempo longe dele, ele te recebe muito alterado e com muita alegria, ou então se mostra distante, estressado e até agressivo, como se estivesse chateado contigo.
  • Nunca brinca sozinho ou com outros indivíduos além de você; não explora os seus arredores e se mostra muito desconfiado com tudo que não conhece.

Apesar disso, é importante saber que, para determinar que um gato tem realmente um problema de dependência, é preciso avaliar também outros aspectos que vão além daquilo que se vê em seu comportamento, como sua herança genética, suas experiências anteriores ou até a sua saúde física.

Será que meu gato é muito dependente ou muito apegado?

A criação de apego é algo natural e biologicamente importante, não apenas para seres humanos, mas também para os gatos e muitos animais. O tipo concreto de apego que se estabelecer entre o indivíduo e seus cuidadores será determinante para o desenvolvimento emocional do felino, pois nem todos são benéficos.

Um estudo publicado em 2019 na Universidade do Estado do Oregon[1] afirmou que os vínculos que os gatos estabelecem com seus cuidadores humanos são parecidos com aqueles que os bebês estabelecem com seus pais, o que nos permite dizer que é o mesmo tipo de apego em ambos os casos. Embora existam mais categorias que subcategorias, de maneira geral, existem dois tipos principais de apego:

  • Apego seguro: é estabelecido um vínculo saudável entre o cuidador e o gato, em que o primeiro se preocupa em suprir todas as necessidades do segundo e lhe transmite afeto, confiança e segurança. O gato com apego seguro não tem dificuldades para se socializar, se sente tranquilo na companhia de seu tutor e busca ativamente por seu apoio quando está com medo ou quando precisa de ajuda. É possível que o animal queira passar muito tempo junto a seu tutor, mas também é capaz de ficar relaxado quando está longe dele e aproveita seu próprio espaço para descansar, explorar ou brincar.
  • Apego inseguro: o gato com apego inseguro tende a sofrer muito estresse diante de interações sociais e fica muito desconfiado com estranhos. Dependendo de como seja a relação entre o gato e o tutor, alguns felinos evitam completamente o contato físico com seu cuidador, enquanto outros o buscam constantemente e desenvolvem muita ansiedade quando estão separados dele ou dela.

Se você observar que o gato passa muito tempo contigo e pede atenção de maneira frequente, mas também é capaz de ficar tranquilo sozinho; se ele interage com outros indivíduos de maneira saudável e explora seus arredores de forma independente, é provável que o gato sinta um grande apego por você, mas não tenha uma dependência patológica.

Por que meu gato é tão dependente?

São muitos os fatores que podem definir se um gato se tornará muito dependente ou desenvolverá hiperapego. A forma como você se comporta com o gato depois de adotá-lo vai determinar, em grande parte, o tipo de apego que o animal desenvolverá por ti, embora existam outros fatores envolvidos. Em primeiro lugar, leve em consideração que não é a mesma coisa integrar à família um animal adulto e um filhote, e que existem diferenças entre aqueles gatos que foram criados em condições favoráveis junto à sua mãe e seus irmãos, e aqueles que foram abandonados ou que, por exemplo, sofreram algum tipo de maus tratos. Da mesma forma, algumas raças, como o sphynx, mostram uma tendência maior à dependência emocional, enquanto outras são mais independentes.

As experiências vitais que o felino tiver tido no passado, antes de chegar à sua casa, influenciam seu comportamento e sua maneira de expressar emoções. Por isso, é possível que animais que foram resgatados ou que não foram bem tratados sofram muito estresse e desenvolvam problemas de dependência para com sua nova família.

Por outro lado, se você cria seu gato desde filhote e, por isso, controla a vida dele desde jovem, é preciso ter certeza de que conhece quais são as necessidades de um gato durante as diferentes etapas de seu desenvolvimento (tanto a nível físico quanto psicológico) e de que as supre de maneira adequada. Alguns comportamentos frequentes, como protegê-lo exageradamente, ignorar seus pedidos de atenção, isolá-lo ou não lhe proporcionar estímulos sociais ou ambientais suficientes podem causar alterações comportamentais na idade adulta, sobretudo relacionadas a fobias, inseguranças e a um excesso de dependência emocional.

O que fazer com um gato muito dependente?

Quando existe um problema a nível comportamental, o primeiro passo deve ser sempre descartar a possibilidade de que o gato padece de qualquer enfermidade ou patologia física, pois algumas doenças se manifestam através de alterações no comportamento do animal, que, de repente, pode se mostrar mais carinhoso, carente ou "apegado" que o normal. Uma consulta com um veterinário será suficiente para avaliar a saúde física do bichano.

Depois disso, assim como já dissemos neste artigo, a dependência emocional só pode ser diagnosticada de forma correta analisando-se uma série de fatores que vão além dos sintomas que o tutor observa no dia a dia. A pessoa mais adequada para realizar esse trabalho de investigação é um etólogo felino, um profissional que avaliará o seu caso específico e te servirá de guia durante o processo de mudança comportamental. É por isso que, se você está procurando a solução para um gato dependente, deve saber que não existe uma fórmula e que cada caso é um caso.

Da mesma forma, se estiver suspeitando que seu gatinho está dependente demais, te damos alguns conselhos para te ajudar a ganhar um pouco de autonomia e confiança em si:

  • Enriqueça seu ambiente: os brinquedos recheáveis e interativos, as plataformas para pular ou as torres de escalada podem manter o gato entretido enquanto o estimulam física e mentalmente e cobrem algumas das necessidades básicas da sua espécie, o que os torna grandes aliados na hora de incentivá-lo a brincar e se distrair sem estar próximo de você.
  • Permita que ele explore: mesmo que tenha medo de algo acontecer com seu gato, deve evitar isolá-lo ou protegê-lo demais. Os gatos são animais muito curiosos por natureza, e é importante que você incentive-o a explorar os seus arredores de maneira independente. Isso fará com que ele tenha mais confiança em si mesmo. Para evitar qualquer acidente, você pode telar as janelas e o quintal, ou colocar uma coleira em seu gatinho para impedir que fuja, caso ele tenha acesso à área externa.
  • Não o ignore: muita gente tenta reduzir a dependência de seus gatos ignorando-os e evitando contato físico com eles, mas, ao fazer isso, é possível que o animal desenvolva cada vez mais ansiedade. É importante criar uma relação sadia com o seu bichano, que brinque com ele e que lhe dê afeto, para que ele saiba que pode contar contigo quando precisar, enquanto lhe ensina, com muita paciência, que ele nem sempre pode ter tudo o que quer.
  • Evite qualquer tipo de castigo: jamais grite ou brigue com seu gato caso ele mostre sintomas de ansiedade ou de dependência para com você. Pense que esse problema gera um grande mal estar emocional que ele não é capaz de controlar por conta própria, então a última coisa de que ele precisa é que o castiguem por se expressar. Procure entender seu gatinho e, se achar necessário, entre em contato com um profissional.
  • Utilize produtos para reduzir o estresse: alguns produtos, como os feromônios felinos ou catnip podem ter um efeito ansiolítico sobre os gatos e lhes ajudar a lidar com momentos de estresse, o que abre as portas para pequenas mudanças comportamentais. Os medicamentos específicos para o tratamento desses casos só devem ser administrados com prescrição de seu veterinário ou etólogo.

Mais uma vez, insistimos na importância de ir a um etólogo felino em caso de hiperapego em gatos para traçar um plano adequado.

Agora que você já sabe tudo sobre um gato dependente, não perca o vídeo a seguir em que apresentamos 5 jogos para gatos em casa que certamente serão úteis no enriquecimento ambiental do felino:

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Referências
  1. Vitale KR, Behnke AC, Udell MAR. Attachment bonds between domestic cats and humans. Current Biology (2019) Sep 23;29(18):R864-R865. doi: 10.1016/j.cub.2019.08.036. PMID: 31550468.

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