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Feridas ao redor dos olhos do cachorro - Causas e tratamento

 
Por Carla Moreira, Médica veterinária. 12 julho 2022
Feridas ao redor dos olhos do cachorro - Causas e tratamento

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Muitas vezes os tutores surpreendem-se quando vão acariciar o cãozinho e percebem feridas ao redor dos olhos que, no dia anterior, não estavam lá. Alguns animais começam a se esfregar nos móveis e nas paredes, tentando coçar os olhos ou a região, causando pequenas lesões.

Esses machucados, a princípio pouco perceptíveis, podem sofrer ação de agentes patogênicos oportunistas, resultando em feridas perioculares mais extensas. Mas quais são as causas dessas feridas ao redor dos olhos do cachorro? Se você já passou por essa situação e quer descobrir os motivos, continue lendo este artigo do PeritoAnimal.

Causas das feridas ao redor dos olhos do cachorro

A seguir detalharemos seis possíveis causas para as feridas nos olhos dos cachorros:

Leishmaniose

A leishmaniose é causada pelo protozoário do gênero Leishmania spp. e transmitida pela picada da fêmea de flebotomíneos infectada (mosquito-palha, tatuquira, cangalhinha ou birigui), sendo o cachorro o principal reservatório. O animal infectado pode ficar saudável por um longo período, servindo de reservatório ao vetor para a disseminação da doença.

Quando sintomático, o cão apresenta alopecia (queda de pelos), descamação, crostas no nariz, feridas pelo corpo e ao redor dos olhos, anorexia, perda de massa muscular, crescimento exagerado das unhas e problemas oftalmológicos. Ao suspeitar da doença, o tutor deve levar o cachorro o mais rápido possível ao veterinário, para que sejam realizados exames e iniciado o tratamento.

Sarna sarcóptica

A sarna sarcóptica (escabiose), infecção causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei, apresenta como sintoma lesões de pele com pequenas crostas hemorrágicas, havendo perda de pelos em todo o corpo do animal, podendo atingir o focinho e ao redor dos olhos. A doença é caracterizada por uma exagerada produção de gordura na pele, dando um aspecto e odor desagradáveis ao cachorro, além de intensa coceira.

O cachorro costuma se lesionar ao se coçar, apresentando feridas por todo o corpo. Geralmente, os ferimentos ao redor dos olhos ocorrem devido ao ato de esfregar o rosto em paredes e móveis da casa. Trata-se de uma zoonose (doença transmitida ao homem pelos animais), podendo ser propagada pelo contato direto ou por objetos que tiveram contato com o animal infectado.

Após o diagnóstico realizado pelo veterinário, será necessário tratamento com acaricida (medicamento que combata o ácaro) associado à terapia para a coceira intensa (corticoides, antialérgicos, banhos antissépticos). O tratamento apresenta resultados rápidos e animadores, com total restabelecimento do animal em cerca de duas semanas.

Carcinoma de células escamosas

O carcinoma de células escamosas é uma das neoplasias palpebrais mais frequentes nos cães, tendo grande importância devido à possibilidade de afetar a sua visão. Alguns fatores podem predispor o animal ao desenvolvimento da doença, como pele despigmentada, pelo branco e curto e exposição crônica ao sol.

A neoplasia manifesta-se, geralmente, no canto medial da pálpebra (perto do nariz), entre os 10 e 12 anos de idade, apresentando-se como uma massa rosada, que pode estar ulcerada ou não. O animal deve ser levado ao veterinário assim que o tutor perceber qualquer alteração nas pálpebras, pois o diagnóstico e a cirurgia para remoção da neoplasia são muito importantes quando realizados precocemente, evitando grandes deformações palpebrais.

Fungos e Bactérias

Vários fungos são causadores de doenças nos cães (dermatofitoses), em especial, os dermatófitos do gênero Epidermophyton, Microsporum e Trichophyton. Algumas características influenciam na ocorrência de dermatofitoses, como por exemplo, idade (pacientes jovens são mais infectados) e raça (há uma predileção em yorkshire terrier), sendo possível observar feridas ao redor dos olhos do cachorro.

Por se tratar de uma doença infecciosa muito transmissível, inclusive para humanos, o tutor deve se atentar ao aparecimento de descamação, perda de pelos, crostas e feridas ao redor dos olhos do cão e em outras partes do corpo. Devido ao incômodo causado pelo ressecamento da pele, o animal tende a se esfregar em móveis, causando ferimentos ainda maiores, que podem sofrer contaminação por bactérias oportunistas, agravando o quadro.

O tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, evitando a transmissão para outros animais e diminuindo a contaminação ambiental.

Dermatite Atópica Canina

A dermatite atópica canina é uma doença que causa muita coceira, de caráter genético, crônico e não tem cura. O cachorro apresenta falha na barreira cutânea, desenvolvendo sensibilidade a alérgenos presentes no ambiente.

Devido ao intenso prurido, o animal pode desenvolver lesões secundárias com o envolvimento de bactérias e fungos. Ao se coçar, ele se fere com as unhas, abrindo as portas para agentes oportunistas. Os locais mais comuns de acometimento são as patas, face, ao redor dos olhos, virilha, axilas e orelhas.

O tratamento é direcionado para o controle dos sintomas, amenizar a coceira e eliminação das infecções secundárias, sendo de extrema importância o controle de ectoparasitas, pois alguns animais possuem, além da atopia, dermatite alérgica à picada de pulgas.

Ceratoconjuntivite seca

Outra causa para as feridas ao redor dos olhos do cachorro é a ceratoconjuntivite seca, também conhecida como “olho seco”. Essa enfermidade é caracterizada pela deficiência da quantidade ou qualidade da lágrima, ou ambas concomitantemente. Sua causa ainda é desconhecida, mas alguns estudos afirmam que vários fatores estão envolvidos, como a predisposição de algumas raças de cães.

Os cães apresentam olhos com secreção amarelada, crostas, conjuntiva avermelhada (olho irritado) e pode ocorrer falta de pelos na região periocular. Alguns animais encontram-se extremamente desconfortáveis devido a úlceras de córnea, que podem evoluir e perfurar, levando à cegueira. O tratamento é realizado com colírios lubrificantes ou específicos para o aumento da produção lacrimal, assim como medicação sistêmica e até mesmo cirurgia.

Por que meu cachorro está perdendo pelos ao redor dos olhos?

A perda de pelos ao redor dos olhos do cachorro pode estar associada ao ato de friccionar essa região para se coçar. Alguns animais esfregam-se em objetos e outros tentam coçar a região perto dos olhos com as patas, causando várias lesões. Essas áreas de constante atrito têm um crescimento piloso mais demorado ou não crescem mais, devido à injúria causada ao folículo piloso.

Como tratar uma alergia ao redor dos olhos do cachorro?

As reações alérgicas na região periorbital devem ser tratadas de acordo com a causa principal, que deve ser identificada pelo veterinário. Os tutores podem utilizar o colar elizabetano para evitar que o cachorro machuque os olhos com as unhas ou em contato com algum objeto pontiagudo.

As secreções e crostas devem ser retiradas com o auxílio de um pedaço de algodão e solução fisiológica, podendo ser utilizada uma pomada de uso oftalmológico (Keravit ou Epitezan) na região afetada, dando maior conforto ao animal. Mas lembre-se: a doença principal deve ser tratada, pois limpeza e tratamento das pálpebras somente darão alívio temporário ao animal, não resolvendo o problema.

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Existe terçol em cachorro?

Sim, existe terçol em cachorro! Popularmente chamado de “terçol”, o hordéolo é a inflamação das glândulas de Meibomius, Zeis ou Moll, situadas nas bordas palpebrais.

As pálpebras são pregas de tecido cutâneo delgado, contínuas à pele da face, com uma abertura chamada de fissura palpebral. As margens palpebrais são revestidas de múltiplas aberturas das glândulas sebáceas, que produzem uma secreção oleosa para compor o filme lacrimal. Quando o ducto dessas glândulas se encontra obstruído e infeccionado, há um acúmulo de secreção, formando uma protuberância vermelha e dolorosa, e pode ter um aspecto semelhante a uma espinha.

Geralmente, o terçol regride sem tratamento, dentro de alguns dias. No entanto, pode ser feita compressa morna na pálpebra afetada para aliviar o desconforto e a dor do animal.

Como tratar as feridas nos olhos do cachorro?

As feridas nos olhos dos cães devem ser limpas com solução fisiológica, retirando-se as crostas com bastante cuidado para não causar dor ao animal. Pode ser utilizado um algodão embebido em solução de clorexidine, tendo o cuidado de não deixar escorrer a medicação para os olhos. O ressecamento pode ser amenizado com o uso de pomadas à base de dexpantenol (Bepantol), aplicadas nas pálpebras.

Feridas ao redor dos olhos do cachorro - Causas e tratamento - Como tratar as feridas nos olhos do cachorro?

Remédios caseiros para feridas nos olhos do cachorro

Entre os mais populares, podemos citar dois remédios caseiros para as feridas nos olhos dos cachorros:

Compressa de chá de camomila

A camomila possui ação anti-inflamatória, antialérgica e calmante. Pode ser feito um chá de camomila (utilizar chá de saquinho ou flores frescas), colocar para gelar e passar nas feridas com um algodão. Essas compressas frias irão aliviar a coceira e a vermelhidão da pele.

Babosa ou Aloe vera

A parte interna da babosa, conhecida como gel de babosa, pode ser utilizada para hidratar a pele lesionada. Não se deve utilizar a casca, somente o produto gelatinoso da planta, que deve ser guardado em um recipiente limpo. Deve ser aplicada com o auxílio de uma gaze, de forma suave, após limpeza da região com solução fisiológica.

Lembre-se sempre: os remédios caseiros podem auxiliar na cicatrização das feridas, mas nunca deixe de levar seu amigo para uma avaliação com o veterinário, pois várias doenças diferentes podem apresentar sintomas muito parecidos, sendo necessária a realização de exames para um correto diagnóstico e tratamento.

Agora que você já sabe as causas e tratamentos possíveis para as feridas ao redor dos olhos do cachorro, recomendamos este outro artigo em que detalhamos se a remela no olho do cachorro pode ser verme.

Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

Se deseja ler mais artigos parecidos a Feridas ao redor dos olhos do cachorro - Causas e tratamento, recomendamos-lhe que entre na nossa seção de Problemas oculares.

Referências
  1. Nunes, C. P. Estudo Retrospectivo da ocorrência de dermatofitoses em cães e gatos na região da Grande Florianópolis, SC. Defesa de resultados do projeto de pesquisa, Universidade do Sul de Santa Catarina, 2019. Disponível em: <https://repositorio.animaeducacao.com.br/bitstream/ANIMA/12705/1/TCC%20II_Caroline_Dermatofitoses.pdf>. Acesso em 11/07/2022.
  2. Fundão, J.M., Almeida, T.O. Dermatite atópica canina, atualizações terapêuticas: Revisão de Literatura. Disponível em: <https://multivix.edu.br/wp-content/uploads/2019/11/dermatite-atopica-canina-atualizacoes-terapeuticas-revisao-de-literatura.pdf> Acesso em: 11/07/2022.
  3. Astrauskas, J. P., Camargos, A. S. Ceratoconjuntivite seca em cães – Revisão de literatura. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária, n. 20, 2013. Disponível em: <http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/ViCuy7uJTqJbJIH_2013-6-21-16-1-7.pdf> Acesso em: 11/07/2022.
Bibliografia
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  • Almeida, L. C.; Furtado, G. D.; Farias, L.A. Sarna Sarcóptica em cães: uma breve revisão. Enviromental Smoke, v.2, n. 2, p. 117-121, 2019. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/334155207_SARNA_SARCOPTICA_EM_CAES_UMA_BREVE_REVISAO. Acesso em: 23/06/2022. Rocha, L. Leishmanioses: conheça os insetos transmissores e saiba como se prevenir. Fundação Oswaldo Cruz, 2019. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/noticia/leishmanioses-conheca-os-insetos-transmissores-e-saiba-como-se-prevenir. Acesso em 11/07/2022.
  • Abbiati, T. C. et al. Leishmaniose visceral canina: Relato de Caso. PubVet, v.13, n.4, 2019. Disponível em: https://www.pubvet.com.br/uploads/eedb2d0d4d30494bafdd92ed247ec6d9.pdf. Acesso em 11/07/2022.
  • Armando, T. M. Aspectos Gerais dos Principais Tratamentos para Neoplasias Palpebrais em Cães. Trabalho científico apresentado à Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Estadual Paulista, 2017. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/156832/000902497.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 11/07/2022.

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