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Alergia ao redor dos olhos do cachorro: como tratar?

 
Por Carla Moreira, Médica veterinária. 13 julho 2022
Alergia ao redor dos olhos do cachorro: como tratar?

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Por que meu cachorro coça tanto os olhos? Por que meu cachorro está sempre com o olho irritado? Se você também se pergunta isso, está na hora de ler este artigo do PeritoAnimal e tirar todas as suas dúvidas sobre o assunto.

Vamos começar explicando o que é a alergia: é uma reação de defesa exagerada que se desenvolve após a exposição do indivíduo a um agente determinado, chamado de antígeno. Ocorre em animais susceptíveis e que já tiveram um contato anterior com o alérgeno. A reação alérgica geralmente começa a mostrar seus sintomas dentro de alguns minutos após a exposição, embora também possa ser vista em até 48 horas. Mas quem são esses agentes capazes de causar isso tudo no cachorro? Vamos falar sobre a alergia ao redor dos olhos do cachorro e como tratá-la a seguir. Continue lendo!

O que pode causar a alergia ao redor dos olhos do cachorro?

Várias são as causas de uma alergia nos cachorros, desde alérgenos presentes no ambiente (como produtos de limpeza, pólens de flores, gramas, picadas de insetos) até mesmo a ração utilizada.

A coceira pode se apresentar de forma sazonal ou não, dependendo do agente causador da reação alérgica, sendo os locais comuns de acometimento: patas, face, axilas, virilha, barriga, orelhas e olhos (incluindo a região periorbital).

Dermatite atópica

A dermatite atópica canina, ou atopia canina, é uma doença de caráter genético e inflamatório, na qual o cachorro torna-se sensível a antígenos ambientais, causando coceira intensa. Algumas raças são predispostas ao desenvolvimento do quadro, como shar pei, lhasa apso, pug, dálmata, golden retriever, labrador e bulldog inglês, mas nada impede que acometa cães mestiços.

Alguns alérgenos foram identificados como desencadeadores de atopia no cão:

  • Bolores
  • Pólens
  • Debris da epiderme humana (tecidos mortos ou danificados)
  • Sementes de gramíneas
  • Penas
  • Poeira doméstica (mistura de resíduos de pele humana, pelos de animais, ácaros, bolores, produtos de decomposição, partículas de alimentos e substâncias inorgânicas).

Os cães entram em contato com os alérgenos por via percutânea, inalatória ou gastrointestinal. A absorção através da pele ocorre devido a uma disfunção da barreira lipídica, facilitando a penetração dos agentes causadores da alergia. O resultado é um prurido (coceira) em áreas sem lesão, ocorrendo principalmente na face, pavilhão auricular, pés e olhos, levando o cachorro a lamber as patas, esfregar a face no chão e coçar os olhos da forma que conseguir, contribuindo para a contaminação bacteriana e o surgimento de feridas perioculares. Conjuntivite, lacrimejamento e blefaroespasmo (ato de piscar constantemente) podem estar presentes em 50% dos casos, sendo o quadro descrito pelo tutor como “olho inflamado”.

Dermatite alérgica de contato

Caracteriza-se por uma reação de contato prolongado do alérgeno com a pele do animal, podendo ser uma substância que não cause reação imediata, mas tardiamente. Os causadores da alergia são variados, sendo descritos os produtos de limpeza utilizados no ambiente. Geralmente apresenta lesões na região do abdome e patas, locais que entram em contato com o alérgeno, podendo evoluir para um prurido generalizado.

O cachorro tende a coçar a cabeça e os olhos esfregando-se em móveis e objetos, causando lesões no focinho e na região ao redor dos olhos. Esses machucados podem sofrer contaminação bacteriana, piorando o quadro do animal.

Hipersensibilidade alimentar

A hipersensibilidade alimentar é uma doença pruriginosa localizada ou generalizada, não sazonal, que normalmente acomete orelhas, membros, região axilar ou inguinal, face, pescoço e períneo, podendo ocorrer lesões secundárias por automutilação, decorrentes da coceira extrema. É comum vermos cães com hipotricose (poucos pelos) e alopecia (ausência de pelos) na face, principalmente na região nasal e periocular.

A resposta alérgica ocorre frente a diferentes constituintes alimentares, podendo desencadear alterações nos diversos sistemas orgânicos, sendo mais comum na pele. Vários testes podem ser realizados na tentativa de se detectar o antígeno causador do distúrbio, sendo muito utilizada a dieta de eliminação seguida pela exposição provocativa. Vamos explicar melhor isso: o tutor prepara uma dieta sem o ingrediente suspeito, por exemplo: frango. O cão deve comer essa dieta sem frango durante alguns dias. Após esse período, a dieta com frango é novamente introduzida, sendo analisado o agravamento ou não dos sintomas. Caso os sintomas piorem, o frango é um dos causadores da alergia.

Saiba mais sobre a alergia alimentar em cães neste outro artigo.

Alergia ao redor dos olhos do cachorro: como tratar? - O que pode causar a alergia ao redor dos olhos do cachorro?

Sintomas de alergia nos olhos do cachorro

A alergia nos olhos do cachorro pode se manifestar nas pálpebras, na conjuntiva ou na córnea, causando hiperemia conjuntival (vermelhidão nos olhos), coceira, corrimento ocular, edema da conjuntiva e lesões ao redor dos olhos (devido ao atrito da face com objetos e unhas). Uma infecção bacteriana secundária pode ser uma complicação comum. Casos mais graves normalmente estão associados à existência de corrimento ocular mucoso, resultante da hipersecreção das glândulas lacrimais.

Eventualmente, a coloração do corrimento ocular pode sofrer alterações, tornando-se amarelado, esverdeado ou até mesmo avermelhado. Os tons amarelado e esverdeado surgem sempre que existe uma infecção bacteriana concomitante. A secreção tende a ficar mais vermelha caso haja a ruptura da algum vaso sanguíneo da região.

O que passar ao redor dos olhos do cachorro?

Se você observar a alergia ao redor dos olhos do cachorro, é possível iniciar o tratamento em casa utilizando o colar elizabetano, que impedirá que o cãozinho machuque os olhos com as unhas ao tentar se coçar. A região periorbital deve ser higienizada com solução fisiológica, para remoção de secreção e crostas, proporcionando alívio e conforto ao animal. Compressas frias, umedecidas com solução fisiológica ou chá de camomila podem ser aplicadas nos olhos, para redução da coceira, assim como colírios antialérgicos.

Feridas nas pálpebras podem ser tratadas com o uso de pomadas oftalmológicas (Keravit, Epitezan ou Regencel), aplicadas após a limpeza da região. O uso de colírios com corticosteroides em sua composição não é indicado até que seja feito, pelo veterinário, o teste que verifica a presença ou não de úlcera de córnea (teste da fluoresceína).

Alergia ao redor dos olhos do cachorro: como tratar? - O que passar ao redor dos olhos do cachorro?

Como curar a alergia no olho do cachorro?

A alergia deverá ser tratada de forma sintomática até que se estabeleça a causa, que nem sempre é facilmente identificada. O cachorro precisa ser avaliado pelo veterinário, com coleta do histórico da vida do animal e realização de exames. Deverá ser analisado o tipo de lesão, sua localização, idade do animal quando se iniciou o processo alérgico, tipo de alimentação, ambiente e casos familiares.

O tratamento incluirá o uso de antialérgicos, anti-inflamatórios, corticosteroides, imunossupressores e antibióticos (caso haja complicação bacteriana), de forma tópica e sistêmica.

Agora que você já sabe mais sobre a alergia ao redor dos olhos do cachorro, não perca o artigo a seguir sobre as raças de cachorros com olhos de cores diferentes.

Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

Se deseja ler mais artigos parecidos a Alergia ao redor dos olhos do cachorro: como tratar?, recomendamos-lhe que entre na nossa seção de Problemas oculares.

Bibliografia
  • Weis, M. Hipersensibilidade alimentar em cães – Revisão de Literatura. Monografia apresentada para obtenção do título de especialização em Clínica Méd. de Peq. Animais, Universidade Federal Rural do Semi-Árido – UFERSA, 2011. Disponível em: <https://www.equalisveterinaria.com.br/wp-content/uploads/2018/12/HIPERSENSIBILIDADE-ALIMENTAR.pdf>. Acesso em 11/07/2022.
  • Fundão, J.M., Almeida, T.O. Dermatite atópica canina, atualizações terapêuticas: Revisão de Literatura. Disponível em: <https://multivix.edu.br/wp-content/uploads/2019/11/dermatite-atopica-canina-atualizacoes-terapeuticas-revisao-de-literatura.pdf>. Acesso em: 11/07/2022.
  • Zanon, J. P. et al. Dermatite atópica canina. Semina: Ciências Agrárias. V. 29, n. 4. P. 905-920, 2008. Disponível em: <file:///C:/Users/carlamoreira/Downloads/2732-9028-1-PB.pdf>. Acesso em: 11/07/2022.
  • Vasconcelos, J. S. et al. Caracterização clínica e histopatológica das dermatites alérgicas em cães. Pesq. Vet. Bras., v. 37(3), p. 248-256, 2017. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/pvb/a/ctxjh7FyZzzzC6mB3SpGcLc/?format=pdf&lang=pt>. Acesso em 11/07/2022.

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