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Anatomia da pata dos cachorros

 
Por Cristina Pascual, Veterinária. 7 fevereiro 2022
Anatomia da pata dos cachorros

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Os membros dos cachorros compõem o aparelho locomotor e são responsáveis por suportar o peso do animal e permitir sua movimentação. A grande diversidade de raças de cachorros faz com que seus esqueletos, em particular seus membros, tenham tamanhos e conformações muito diferentes. Além disso, também existem diferenças entre os elementos que fazem parte dos membros anteriores e os que compõem os membros posteriores.

Se você quer conhecer mais sobre as anatomia da pata dos cachorros e os cuidados com suas almofadas, continue lendo este artigo do PeritoAnimal. Nele você verá alguns desenhos de patas de cachorros e fotos, explicaremos quantos dedos têm um cachorro e mais.

Anatomia da pata dos cachorros

As patas ou membros dos cachorros são elementos do aparelho locomotor que são responsáveis por suportar o peso corporal do animal e permitem seu deslocamento. As patas dos cachorros são compostas pelos seguintes componentes:

  • Ossos: podem ser ossos longos, ossos curtos ou ossos planos. A maioria dos ossos dos membros são ossos longos, projetados para atuar como alavancas e facilitar o movimento. Os ossos curtos podem ser encontrados ao nível do carpo ou do tarso, permitindo movimentos complexos a nível dessas articulações. Nos membros dos cachorros também podemos encontrar ossos planos, como a omoplata ou o quadril, que proporcionam superfícies amplas para a inserção de grandes massas musculares e protegem os tecidos moles subjacentes. Por fim, cabe destacar um tipo específico de ossos que podemos encontrar nas patas dos cachorros, que são os ossos sesamóides. Estes ossos estão localizados dentro de alguns tendões e servem para prevenir o desgaste excessivo dos mesmos. Mais adiante, detalhamos cada um desses ossos que compõem a anatomia das patas dianteiras e traseiras dos cachorros.
  • Articulações: são uniões de dois ou mais ossos entre si. Nos membros dos cachorros, a grande maioria das articulações são sinoviais (com movimento amplo), embora também existam algumas articulações cartilaginosas (com ligeiro movimento) e fibrosos (sem movimento).
  • Músculos: através de sua contração e relaxamento permitem o movimento dos membros. Os cachorros têm 40 músculos nos membros anteriores e 36 nos posteriores.
  • Tendões: são faixas de tecido conjuntivo que unem os músculos aos ossos. Permitem transmitir a força gerada pelo músculo ao esqueleto para que ocorra o movimento.
  • Ligamentos: são faixas de tecido conjuntivo que mantém unidos os ossos que fazem parte de uma articulação.
  • Vasos sanguíneos: as artérias veiculam sangue oxigenado aos tecidos dos membros e as veias retornam o sangue desoxigenado de volta ao coração.
  • Vasos linfáticos: transportam a linfa dos membros para os gânglios linfáticos nos quais drenam.
  • Nervos: são estruturas do sistema nervoso periférico que transmitem o impulso nervoso até os diferentes tecidos dos membros.
  • Pele e tecido subcutâneo: agem como barreira física protegendo os tecidos subjacentes dos membros.
  • Outros componentes, como as almofadas e as unhas.

Ossos dos membros dianteiros dos cachorros

Continuamos estudando a anatomia da pata dos cachorros, agora com os ossos que compõem as patas ou membros dianteiros dos cães:

  • Omoplata: é um osso plano. Cabe destacar que a omoplata é mantida ao tronco apenas por uniões fibrosas, o que significa que uma abdução (separação) excessiva da omoplata poderia causar uma luxação da mesma e uma lesão do plexo braquial.
  • Úmero: é um osso longo que, junto com a omoplata, forma a articulação do ombro.
  • Ulna e rádio (correspondem ao nosso antebraço): são dois ossos longos que têm uma disposição espacial em forma de X. Junto com o úmero, formam a articulação do cotovelo.
  • Carpo (corresponde ao nosso pulso): é formado por duas fileiras de ossos curtos. A fileira proximal está integrada por 3 ossos e articula com o cúbito/rádio, enquanto que a fileira distal é composta por 4 ossos e articula-se com os metacarpos.
  • Metacarpos: especificamente são 5 ossos metacarpos e correspondem com os cinco dedos que a mão do cachorro apresenta.
  • Falanges: o primeiro dedo só tem 2 falanges, enquanto que os quatro dedos restantes têm 3 falanges (proximal, média e distal). Cabe destacar que à nível das falanges encontram-se os ossos sesamoides proximais e distais.

Ossos dos membros traseiros dos cachorros

Os ossos que compõem as patas ou membros traseiros dos cachorros são:

  • Osso coxal (quadril): por sua vez é formado pelo ílio, ísquio e púbis.
  • Fêmur: é um osso longo que, junto com o osso coxal, forma a articulação coxofemoral.
  • Tíbia, fíbula e patela: a tíbia e a fíbula são dois ossos longos que, junto com o fêmur e a patela, formam a articulação da joelho (articulação fêmur-tibial-patela).
  • Tarso (corresponde ao nosso tornozelo): é formado por duas fileiras de ossos. A fileira proximal está integrada por 2 ossos e a fileira distal por 4 ossos.
  • Metatarsos: especificamente são 5 os ossos metatarsianos, mas o primeiro é tão pequeno que fica na altura do tarso (correspondente ao esporão).
  • Falanges: têm a mesma configuração que nos membros anteriores.
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Partes da área plantar de um cachorro

Seguimos falando da anatomia da pata dos cachorros com as "mãos", que possuem 5 dedos, enquanto que nos "pés" eles têm 4 dedos, com exceção de alguns casos que apresentam um esporão ou quinto dedo. Isso acontece devido a genética de determinadas raças caninas, assim como explicamos neste outro artigo: por que meu cachorro tem 5 dedos nas patas traseiras.

Além dos dedos, formados pelos ossos mencionados na seção anterior, nas mãos e pés dos cachorros encontramos as unhas ou garras e as almofadas. As almofadas são estruturas acolchoadas que estão localizadas na área plantar das mãos e pés dos cachorros. Especificamente, os cachorros contam com quatro almofadas digitais, uma almofada metacarpal/metatarsal (a maior) e uma almofada carpal (localizada mais acima e apenas nas patas dianteiras). São formadas por uma coleção de tecido adiposo recoberto por uma pele grossa e escura, que por sua vez é coberta por uma espessa camada de queratina. Nos filhotes, a pele das almofadas é mais macia e fina, mas, à medida que o cachorro cresce e vai caminhando por diferentes superfícies, vai endurecendo.

As almofadas cumprem funções verdadeiramente importantes:

  • Amortecem o impacto dos membros contra o solo.
  • Servem como isolante térmico.
  • Protegem as patas do atrito contínuo com o solo.
  • As almofadas localizadas no nível do carpo servem para frear e manter melhor o equilíbrio em superfícies escorregadias.

Quanto às unhas, são formadas por uma parte exterior de queratina e células mortas endurecidas, e uma interior de tecido vivo. Se as unhas são de cor clara, podemos observar uma linha rosada dentro, que corresponde ao tal tecido. Em geral, os cães desgastam as unhas ao caminhar ou correr, no entanto, em função do exercício que realize ou do tipo de superfície em que costumam caminhar, pode ser necessário cortá-las para evitar o crescimento excessivo e que ocasionem problemas de saúde. Para isso, deve-se ter um cuidado especial com o tecido vivo, pois não devemos cortá-lo. Não perca nosso artigo sobre como cortar as unhas de um cachorro para conhecer o passo a passo.

Cuidados com a área plantar dos cachorros

Além de cortar as unhas, devemos ter um cuidado especial com as almofadas. Embora as almofadas sejam estruturas muito resistentes, devemos ter em mente que são submetidas a desgastes constantes devido ao seu atrito com o solo, por isso é importante realizar os cuidados adequados que permitam mantê-las sempre em perfeito estado. A seguir, explicamos os cuidados mais importantes das almofadas dos cachorros:

  • Evitar pavimentos muito abrasivos: passear durante muito tempo por um pavimento muito abrasivo, como asfalto, cimento ou areia de praia, pode desgastar ou até gerar erosões ou úlceras nas almofadas. Para manter as almofadas do seu cachorro saudáveis, tente predominar as superfícies mais macias, como grama, para as caminhadas.
  • Evitar pavimentos muito quentes ou muito frios: no verão, a temperatura do solo pode ser muito alta (principalmente em pavimentos escuros, como o asfalto) e causar queimaduras nas almofadas do seu cachorro. O mesmo pode acontecer em pavimentos cobertos de gelo ou neve. Por isso, é recomendável que no verão você realize os passeios nos momentos de menos calor e por áreas com sombra. Pelo contrário, no inverno você deve procurar áreas ensolaradas e evitar aquelas geladas ou com neve.
  • Evitar elementos perfurantes ou cortantes: durante os passeios é importante prestar atenção na presença de elementos cortantes ou perfurantes (vidros, pregos, etc.) que podem se cravar nas almofadas do seu cachorro e causar dolorosas úlceras.
  • Manter as almofadas secas: quando as almofadas estão muito tempo submergidas na água, amolecem e podem ser erodidas com mais facilidade ao esfregar contra um solo abrasivo. Portanto, é importante que você seque as almofadas após os passeios, principalmente se estiver chovendo. Da mesma forma, se você tem um cachorro com interesse especial pela água, você deve controlar o tempo dos banhos (não mais de 15-20 minutos) e assegurar que ao sair da água caminhe por superfícies macios.
  • Prestar atenção aos espinhos: na primavera e verão é recomendável que você verifique as almofadas do seu cachorro após cada passeio, pois os espinhos podem penetrar nelas e causar úlceras e infecções.

Mantendo estes cuidados, normalmente não será necessário aplicar nenhum produto sobre as almofadas do cachorro. No entanto, se por algum motivo você notar as almofadas especialmente secas ou rachadas, você pode aplicar pomadas com extrato de centella asiática, aloe vera ou vaselina, que proporcionarão a hidratação e elasticidade que necessitam.

Por outro lado, lembre-se que sempre que você detectar uma lesão nas almofadas do cachorro (cortes, úlceras, desgaste, etc.) você deve procurar o seu veterinário/a para que ele realize os curativos adequados e trate a lesão de maneira adequada.

Anatomia da pata dos cachorros - Partes da área plantar de um cachorro

Curiosidades da anatomia da pata dos cachorros

Agora que você conhece em detalhes a anatomia da pata dos cachorros, tanto da "perna" como das "mãos" e "pés", a seguir, reunimos algumas curiosidade que podem ser interessantes sobre as patas dos cachorros:

  • Os cachorros são animais digitígrados, o que implica que caminham apoiando somente os dedos das patas (não apoiam a articulação do carpo nem do tarso).
  • A morfologia dos membros difere entre as distintas raças de cachorros. Como exemplo, as raças adaptadas a nadar, como terra-nova ou o labrador, possuem ossos mais amplos e dedos mais longos, e as raças tipo galgo possuem os dedos centrais mais longos.
  • Os cachorros têm somente glândulas sudoríparas nas almofadas. Isto implica que apenas perdem calor pela evaporação do suor e necessitam de outros mecanismos, como o ofegar, para regular sua temperatura corporal.
  • Algumas raças de cachorros, como o mastim dos Pirineus ou o mastim espanhol, podem apresentar um esporão duplo nos membros traseiros. Trata-se de uma estrutura vestigial que habitualmente não implica nenhuma consequência negativa, embora às vezes pode ocasionar alguns problemas de saúde.
  • A maioria das estruturas importantes dos membros (como os vasos sanguíneos, nervos, etc.) encontram-se na face medial (a face mais próxima do corpo do animal), o que mantém essas estruturas protegidas no caso de traumatismos, contusões, mordidas, etc. Além disso, cabe destacar que nos cachorros, especialmente de raças médias, grandes e gigantes, é comum usar as veias dos membros anteriores ou posteriores para extrair amostras de sangue ou colocar vias intravenosas. Nos membros anteriores costuma-se utilizar a veia cefálica e nas posteriores a veia safena.

E aí, sanou todas as suas dúvidas sobre a anatomia da pata dos cachorros? Aconselhamos que assista o vídeo a seguir em caso de mau cheiro nas patas dos cachorros:

Se deseja ler mais artigos parecidos a Anatomia da pata dos cachorros, recomendamos-lhe que entre na nossa seção de Cuidados básicos.

Bibliografia
  • Done, S.H., Goody, P.C., Evans, S. A., Stickland, N.C. (2010). Atlas en color de anatomía veterinaria. Elsevier.
  • McCracken, T.O., Kainer, R.A. (2017). Atlas de anatomía de pequeños animales. SD Editores.

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