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Pododermatite em aves - Causas, sintomas e tratamento

 
Por Cristina Pascual, Veterinária. 4 abril 2022
Pododermatite em aves - Causas, sintomas e tratamento

A pododermatite é uma doença crônica e progressiva que afeta a área plantar das patas das aves. Inicialmente, ela começa como uma inflamação do tecido da pele, mas conforme o processo avança, estruturas mais profundas (como articulações, tendões e ossos) podem ser afetadas. É um processo de etiologia multifatorial que está geralmente associado ao manuseio inadequado das aves. Por esta razão, a prevenção desta patologia se concentra na manutenção de boas condições ambientais e de uma nutrição adequada.

Se você quiser saber mais informações sobre as causas da pododermatite em galinhas e em outras aves, seus sintomas e tratamento, não hesite em ler esse artigo do PeritoAnimal no qual falamos sobre as causas, sintomas e tratamento desta patologia.

O que é pododermatite em galinhas e em outras aves?

A pododermatite é uma patologia progressiva e crônica que afeta a área plantar das patas das aves. Como consequência de uma série de fatores predisponentes, uma lesão é causada a nível plantar que se infecta e afeta progressivamente tecidos mais profundos.

É um processo típico em animais criados em cativeiro e pode ocorrer em uma ampla gama de espécies, tais como aves de capoeira (galinhas, perus), aves de rapina, psitacinas (especialmente amazonas, periquitos e cacatuas), canários e tentilhões. A pododermatite em galinhas é uma das preocupações dos avicultores.

Saiba mais sobre diferentes tipos de aves neste artigo sobre as aves de rapina e suas características e também no artigo sobre os nomes de pássaros de A a Z.

Classificação da pododermatite em aves

A pododermatite em galinhas e em outras aves pode ser classificada em 5 graus, fases ou estágios, dependendo da gravidade das lesões:

  • Estágio I: há um enfraquecimento da área plantar, mas a barreira epitelial ainda está intacta, portanto não há nenhuma infecção associada.
  • Estágio II: é caracterizada pela inflamação acompanhada por infecção localizada, afetando as estruturas superficiais da almofada plantar que estão em contato com a área enfraquecida.
  • Estágio III: a inflamação e infecção se espalham e são acompanhadas por inchaço.
  • Estágio IV: a infecção afeta estruturas vitais mais profundas e pode levar a tendinites, sinovites e/ou osteomielites.
  • Estágio V: é a evolução do grau IV. Ela se caracteriza pela presença de deformidades nas patas.

Causas da pododermatite em aves

A pododermatite tem uma etiologia multifatorial. É uma patologia que aparece como consequência de uma combinação de fatores predisponentes que têm um denominador comum: o manejo incorreto das aves (da nutrição às condições ambientais e higiênicas).

Os fatores mais relevantes que podem desencadear o aparecimento de pododermatites plantares em galinhas, mas também em outros diferentes tipos de aves, são:

  • Nutrição inadequada: a deficiência de vitaminas, especialmente as vitaminas A e E, está correlacionada com um aumento da predisposição para a pododermatite.
  • Sobrepeso: a obesidade leva a uma sobrecarga de peso a nível plantar, o que pode causar maior desgaste na área e uma redução do suprimento de sangue para a área devido à pressão sobre os capilares sanguíneos.
  • Falta de exercício: A restrição do exercício físico nas aves significa que elas passam muito tempo no poleiro, o que leva à erosão do epitélio plantar e à redução do suprimento de sangue para a área.
  • Cuidado insuficiente com as unhas: unhas extremamente longas impedem que a ave fique em uma posição natural, o que favorece a erosão do epitélio plantar nas áreas de maior apoio. Neste artigo do PeritoAnimal você pode consultar os Tipos de patas das aves.
  • Poleiros e galinheiros inadequados: o projeto inadequado desses elementos leva a um suporte incorreto da ave e impede que o peso seja distribuído uniformemente por toda a superfície plantar. Isto significa que existem áreas que suportam mais peso e são mais propensas a traumas e ferimentos. O tipo de material de que são feitos os poleiros também pode predispor ao desenvolvimento da pododermatite.
  • Umidade: é um fator importante nas aves de capoeira. O acúmulo de excrementos em um substrato pouco absorvente significa que as almofadas das patas estão sempre molhadas e, portanto, mais suscetíveis à erosão e à infecção.
  • Falta de higiene no meio ambiente: quando há falta de higiene no meio ambiente ao redor do animal (gaiolas, poleiros, galinheiros, etc.), qualquer lesão a nível plantar pode ser colonizada por bactérias.

Estes fatores predisponentes levam à diminuição da perfusão sanguínea da área plantar e ao desenvolvimento de uma lesão plantar inicial. O epitélio plantar desgastado é incapaz de atuar como uma barreira protetora, permitindo a entrada de bactérias patogênicas através da pele (Staphylococcus aureus, Escherichia coli, Pseudomonas, etc.) e o desenvolvimento de uma infecção associada. Embora não seja uma doença transmissível, é comum que animais vivendo na mesma gaiola e sujeitos ao mesmo ambiente sofram desta patologia simultaneamente.

Como mencionado acima, a bactéria Escherichia coli pode causar colibacilose aviária, uma doença infecciosa. Para mais informações sobre a colibacilose aviária, seus sintomas, diagnóstico e tratamento, veja este post.

Pododermatite em aves - Causas, sintomas e tratamento - Causas da pododermatite em aves

Sintomas da pododermatite em galinhas e em outras aves

Como regra geral, a pododermatite geralmente afeta ambas as patas. Os sinais clínicos associados a esta patologia dependem de seu estágio de evolução:

  • Estágio I: hiperemia plantar, eritema (vermelhidão), hiperqueratose (formação de calos), epitélio abrupto ou uma área de isquemia precoce (aparência pálida da pele) podem ser observados.
  • Estágio II: é caracterizado por bolhas, úlceras ou feridas focais com ou sem crosta e áreas de necrose isquêmica do epitélio.
  • Estágio III: edema, necrose nas úlceras e inflamação do tecido subcutâneo adjacente às úlceras.
  • Estágio IV e V: tecidos mais profundos são afetados e podem ser observadas tendinites, sinovites e/ou osteomielites. Complicações do processo podem incluir anquilose, septicemia e deformidades nas patas.

Diagnóstico da pododermatite em aves

Os seguintes pontos devem ser levados em consideração ao abordar o diagnóstico de pododermatite em galinhas e em outras aves:

  • História médica e anamnese: devem ser coletadas informações sobre o aspecto e a evolução das lesões. Além disso, devem ser identificados erros no manuseio que possam ter causado a patologia.
  • Exame completo da ave: ambos os membros devem ser examinados, pois as lesões geralmente aparecem bilateralmente (em ambas as patas). Além disso, deve ser dada atenção especial ao peso e à condição corporal, pois estes podem ser fatores predisponentes para esta doença.
  • Citologia da lesão: a presença de bactérias, fungos e células inflamatórias pode ser observada.
  • Cultura microbiológica e antibiograma: estes serão necessários em caso de infecção, a fim de identificar o agente causador e estabelecer uma terapia antibiótica específica.
  • Radiografia das extremidades: em caso de lesões profundas, é importante fazer radiografias para avaliar se o osso subjacente foi afetado (osteomielite).

Tratamento da pododermatite em aves

A pododermatite é uma patologia progressiva e crônica. Com o passar do tempo, a lesão se espalha para tecidos mais profundos, o que piora o prognóstico da doença. Por esta razão, é importante que, uma vez diagnosticada, o tratamento imediato seja estabelecido a fim de evitar que o processo se torne crônico.

O tratamento da pododermatite em galinhas e em outras aves depende da gravidade e do grau de evolução. Em casos leves, o tratamento farmacológico será suficiente, enquanto em casos graves será necessário combinar tratamento farmacológico e cirúrgico. De modo geral, os pontos mais importantes no tratamento da pododermatite são os seguintes:

  • Correção de erros de manejo: o primeiro passo para lidar com a doença é determinar sua causa e eliminá-la. Para isso, os erros no manejo das aves, sejam nutricionais, ambientais ou higiênicos, precisam ser identificados e modificados por boas práticas de manejo.
  • Tratamento farmacológico: nos estágios iniciais quando a epiderme está espessa e endurecida, pomadas emolientes são frequentemente usadas para hidratar a pele e facilitar a absorção de outros medicamentos. Além disso, são recomendados antissépticos como a clorexidina para evitar a colonização da lesão por bactérias. Em caso de infecção (isto é, a partir do grau II) é necessária a antibioticoterapia. Nos estágios iniciais da infecção, os antibióticos tópicos são suficientes, enquanto que nos estágios mais avançados, os antibióticos sistêmicos devem ser administrados. A escolha do antimicrobiano deve ser feita de acordo com a sensibilidade observada no antibiograma.
  • Tratamento cirúrgico: em estágios avançados, a ferida deve ser limpa cirurgicamente, desbridada e as bordas revitalizadas para promover a cura. Quando há envolvimento profundo do tecido (tendinite, sinovite ou osteomielite), a amputação do membro afetado pode ser necessária.

Tanto o tratamento farmacológico quanto cirúrgico deve ser complementado com curativos acolchoados para suavizar a sustentação, a fim de reduzir a pressão exercida sobre a ferida. Além disso, a laserterapia (laser de baixa potência) pode ser usada como um tratamento adicional, que melhora a regeneração, estimula a fibrinólise e a microcirculação, favorecendo assim a resolução do processo.

Prevenção da pododermatite em aves

A prevenção da pododermatite em galinhas, principalmente, mas também em outras aves se baseia principalmente no correto manejo desses animais:

  • Alimentação: deve ser apropriada para as espécies das aves em questão, tanto em qualidade quanto em quantidade. O fornecimento de vitaminas (especialmente vitaminas A e E) deve ser feito com cuidado e a porcentagem de gordura deve ser reduzida para evitar o excesso de peso.
  • Exercício físico diário: idealmente, as aves devem dispor de locais ou instalações que lhes permitam voar e se exercitar continuamente. Onde isso não for possível, é importante que as aves tenham oportunidades diárias de deixar suas gaiolas para voar livremente. Isto ajudará a reduzir o risco de obesidade e evitar que as aves passem períodos excessivamente longos em poleiros ou galinheiros.
  • Exame plantar de rotina das unhas e patas: o cuidado e o corte adequado das unhas, assim como o exame de rotina da área plantar dos pés, ajudará a detectar lesões em um estágio inicial, o que melhorará o prognóstico da doença.
  • Poleiros e galinheiros adequados: devem ser evitados poleiros totalmente lisos e regulares, pois forçam as aves a descansar sempre na mesma área da superfície plantar. É aconselhável utilizar ramos irregulares, com diâmetros, texturas e formas diferentes, que imitam os ramos naturais. Também é interessante que as aves tenham alguma mobilidade, pois isso permite que o ponto de apoio flutue e favorece a perfusão do sangue na área.
  • Evite a umidade: para as aves, é importante utilizar um substrato absorvente que mantenha o piso seco o tempo todo. Os galinheiros e poleiros também devem ser mantidos sempre secos.
  • Limpeza do ambiente: é importante manter um alto nível de higiene em gaiolas, poleiros, postes e poleiros. Os materiais devem permitir uma limpeza e desinfecção adequadas para evitar o desenvolvimento de surtos infecciosos. O substrato utilizado para as aves deve ser substituído com frequência para manter um nível adequado de higiene.

Agora que você já sabe tudo sobre a pododermatite em galinhas e em outras aves, não perca o vídeo a seguir em que falamos sobre o que as galinhas comem:

Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

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Bibliografia
  • Embrapa. Lesão por pododermatite em frangos de corte alojados em diferentes densidades. Disponível em: <https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1014130/lesao-por-pododermatite-em-frangos-de-corte-alojados-em-diferentes-densidades>. Acesso em 24 de março de 2022.
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  • Grifols, J., Molina, R., Martinez, F. (2002). Clavos en aves. Canis et felis; 59, 65-78

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