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Cuterebra em gatos - O que é, sintomas e tratamento

 
Por Laura García Ortiz, Veterinária especializada em medicina felina. 1 agosto 2022
Cuterebra em gatos - O que é, sintomas e tratamento

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Cuterebra é uma mosca que, em seu ciclo de vida, precisa de pequenos animais de sangue quente, como os roedores e os coelhos. Mesmo assim, os gatos podem ser parasitados acidentalmente pelas larvas dessas moscas quando inspecionam ou tentam caçar algum desses animais, entrando por orifícios naturais dos gatos e chegando às estruturas internas, como o aparelho respiratório, os olhos e o cérebro, no pior dos casos. A sintomatologia é variada, e pode ser mortal, caso não seja detectada a tempo.

Continue lendo este artigo do PeritoAnimal para conhecer mais sobre a cuterebra em gatos, como esses animais são parasitados, que sintomas são demonstrados, como se diagnostica e como se trata essa parasitose.

O que é a cuterebra?

A cuterebra é um parasita externo. Mais especificamente, é uma mosca típica dos Estados Unidos, do México e do Canadá, embora apareçam casos de parasitoses com as larvas dessas moscas em outros países. Trata-se de um parasita obrigatório de roedores e de coelhos, apesar de que também pode atacar de forma acidental gatos, cachorros e furões quando eles caçam perto da toca desses animais. Os casos aparecem no final do verão e no começo do outono.

Essas moscas podem por os ovos sobre as superfícies machucadas ou escoriadas do animal, onde eles irão eclodir, e as larvas realizarão seu potencial de ação. Elas também podem por seus ovos no chão ou na vegetação, e, assim que eclodirem, serão as larvas que entrarão pelas aberturas naturais desses animais, como a boca, os olhos ou as fossas nasais, onde penetrarão a camadas mais profundas pela sua ação mecânico-irritativa perfuradora, entrando pela pele e criando protuberâncias. Por isso, se virmos uma espécie de verme no nariz do gato, pode ser que seja esse parasita.

Geralmente, essas larvas migram a regiões em torno da cabeça ou do pescoço, embora também possam afetar outras partes do corpo dos gatos. Passados uns 30 dias da entrada, o parasita sai do interior do gato para começar sua fase de pupa e dar lugar a uma mosca adulta, que se reproduzirá e porá ovos que parasitarão outro animal suscetível.

Nos gatos, a cuterebra pode causar a encefalopatia isquêmica felina quando as larvas entram pelo nariz do felino e chegam ao cérebro, causando sinais neurológicos derivados da afetação da artéria cerebral média e pela degeneração e produção de hemorragias em outras áreas do cérebro.

Sintomas de cuterebra em gatos

Os sintomas que um gato com cuterebra pode ter vão depender das áreas afetadas. Por exemplo, se for somente na pele, os gatos terão protuberâncias ou cistos com larvas em seu interior, que costumam estar acompanhados de mudanças no comportamento e no estado anímico do gato, que se mostrará mais deprimido e letárgico.

Se as larvas de cuterebra se dirigirem ao aparelho respiratório, os gatos mostrarão sinais como respiração dificultada, secreção nasal, tosse e espirros. Se as larvas se dirigirem aos olhos, os pequenos felinos terão sinais clínicos como uveíte, equimose, blefaroespasmo, secreção ocular e até cegueira. Se tiverem chegado também ao sistema nervoso, o gato ficará com a cabeça inclinada, poderá apresentar convulsões, movimentos em círculo, epilepsia ou déficits cognitivos que podem levar à sua morte. O aparecimento dos sinais neurológicos indica a gravidade da infecção pelo desenvolvimento da encefalopatia isquêmica felina, e podem aparecer poucas semanas após os sinais respiratórios.

Como a larva cuterebra parasita os gatos?

Um gato pode ser parasitado pela larva cuterebra de forma acidental, já que o parasita naturalmente prefere os roedores e os lagomorfos. Os gatos só podem ser parasitados se saírem à área externa e se ficarem em áreas que contém esses parasitas e que sejam o habitat natural desses pequenos animais, de forma que a principal causa de parasitose é o fato de explorar e tentar caçar algum coelho em sua toca, ou algum roedor em suas zonas de costume, onde as larvas ou os ovos a ponto de eclodir penetram através de orifícios naturais do pequeno felino, como as fossas nasais ou a boca, podendo chegar aos olhos e ao cérebro, no pior e mais avançado dos casos.

Outra possibilidade de entrada do parasita no gato é após a caça de algum lagomorfo ou roedor infestado recentemente pelas larvas. As cuterebras entram diretamente, vivas, em sua boca ou em seus orifícios nasais, e desenvolvem seu ciclo de vida no gato.

Diagnóstico de cuterebra em gatos

Podemos suspeitar que o gato está parasitado pelas larvas dessa mosca quando, ao examiná-lo, vemos algum inchaço, cisto ou protuberância no seu rosto ou pescoço. Além disso, uma vez detectado o inchaço, será necessário analisá-lo profundamente em busca de um buraquinho que as larvas fazem nele para poder respirar, e que costuma estar mais ou menos ao centro da área inchada. Dessa forma, se você vir algum buraco no pescoço do gato que está sobre um volume mais ou menos notável, leve-o ao centro veterinário o quanto antes.

Se, caso contrário, as larvas já tiverem adentrado os tecidos mais profundos do gato, elas só poderão ser diagnosticadas mediante uma tomografia computadorizada ou ressonância magnética, juntamente com outras técnicas de diagnóstico, como análise de urina ou de líquido cefalorraquidiano. A melhor prova de detecção dessa doença, sem dúvidas, é a ressonância magnética, que pode detectar a presença das larvas e até a perda de matéria do cérebro produzida pela encefalopatia isquêmica felina após duas ou três semanas do início dos sinais clínicos, e diferenciá-la de outros processos, como tumores, traumatismos externos ou doenças infecciosas.

Tratamento da cuterebra em gatos

O tratamento dessa parasitose dependerá do quanto ela está desenvolvida e da chegada ou não das larvas aos órgãos internos do gato, como o cérebro. Se as larvas ainda estiverem visíveis em áreas inchadas na pele do gato, é possível a sua extração manual por parte do veterinário. Nunca tente fazer isso por conta própria em casa, já que pode ser necessário aplicar anestesia ou sedativo para permitir a sua extração, sem que o gato sinta dor nem fique estressado com a situação.

As larvas devem ser extraídas mediante pinças esterilizadas, e é preferível que a extração seja feita após a administração de algum antiparasitário ao animal, para que elas estejam mortas e não se movam, correndo menos risco de serem partidas ao meio, o que pode gerar reações alérgicas e infecções graves. Depois da extração, o cisto fica aberto na pele, o qual deverá ser limpo pelo profissional com um antisséptico, como clorhexidina e soro fisiológico, deixando que a ferida sare por si só depois de limpa, mas, nos casos de feridas mais profundas, estas deverão ser suturadas ou vendadas.

A eliminação cirúrgica do parasita do cérebro ainda não foi estabelecida, mas a sintomatologia pode ser tratada com medicamentos antiepilépticos, antiparasitários e tratamento de suporte com fluidoterapia, para que o animal se mantenha bem hidratado e nutrido.

Como você pode ver, essa é uma parasitose grave que requer a intervenção de um profissional. Por isso, se encontrar algum inchaço, ou vir as larvas diretamente no gato, vá o mais rápido possível ao veterinário. E agora que você sabe tudo sobre a cuterebra em gatos, recomendamos a leitura deste outro artigo sobre os parasitas de gatos que são muito mais comuns.

Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

Se deseja ler mais artigos parecidos a Cuterebra em gatos - O que é, sintomas e tratamento, recomendamos-lhe que entre na nossa seção de Doenças parasitárias.

Bibliografia
  • D. D. Bowman. (2004). Georgis Parasitología Para Veterinarios, Octava Edición. Elsevier España, S.A.

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