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A displasia de quadril em cães - sintomas e tratamento

Por Vanessa Lopes, Redatora do PeritoAnimal. Atualizado: 14 junho 2016
A displasia de quadril em cães - sintomas e tratamento

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A displasia de quadril é uma doença óssea que afeta muitos cachorros ao redor do mundo. É hereditária e não se desenvolve até aos 5-6 meses de idade, ocorre apenas na fase adulta. É uma doença degenerativa que pode chegar a ser tão dolorosa para o cachorro que em estado avançado chega inclusive a incapacitá-lo.

Afeta raças de cães grandes ou gigantes, especialmente se estes não tiverem recebido a dose adequada de cálcio e os minerais que precisam para o seu rápido crescimento. Podem favorecer o desenvolvimento desta doença a má alimentação, o exercício físico extremo, o sobrepeso e as alterações hormonais. No entanto, também pode ocorrer por causas genéticas e aleatórias.

Se suspeita que o seu pet pode estar sofrendo desta doença, continue lendo este artigo do PeritoAnimal sobre a displasia de quadril em cães, juntamente com os seus sintomas e tratamento indicado para a doença.

O que é a displasia de quadril em cães

O nome da displasia tem origem grega e o seu significado é o de "dificuldade para se formar", é por esse motivo que a displasia de quadril em cães consiste em um malformação da articulação coxofemoral, a que une o acetábulo da anca e a cabeça femoral.

Durante o crescimento do cachorro, o quadril não adota uma forma harmoniosa e adequada, pelo contrário desloca-se ligeira ou excessivamente até às laterais, impedindo um movimento correto que se agrava com o tempo. Como resultado desta malformação, o cachorro sofre de dor e inclusive coxeia provocando dificuldade para levar a cabo as suas atividades de rotina ou sentar-se ou subir escadas.

Embora sejam muitos os cachorros que possam ter esta doença nos seus genes, em muitos casos não chega a desenvolver-se.

A displasia de quadril em cães - sintomas e tratamento - O que é a displasia de quadril em cães

Cães mais propensos a sofrer de displasia de quadril

A displasia de quadril pode afetar todo o tipo de cães, embora seja mais comum desenvolver-se em raças de tamanho grande ou gigante. Devemos tentar preveni-la informando-nos bem das necessidades do nosso pet em cada fase da sua vida.

Algumas raças de cachorros mais propensas a sofrer de displasia de quadril são:

  • Boiadeiro Bernês
  • Border Terrier
  • Bulldog Americano
  • Bulldog Francês
  • Bulldog Inglês
  • Galgo Italiano
  • Golden Retriever
  • Husky Siberiano
  • Mastim
  • Mastim Espanhol
  • Mastim Napolitano
  • Pastor Alemão
  • Pastor Belga Malinois
  • Pastor Belga Tervuren
  • Rottweiler
  • São Bernardo
  • Whippet
A displasia de quadril em cães - sintomas e tratamento - Cães mais propensos a sofrer de displasia de quadril

Causas e fatores de risco da displasia de quadril

A displasia coxofemoral é uma doença complexa, uma vez que é causada por múltiplos fatores, tanto genéticos como ambientais. Embora seja hereditária, não é congênita, uma vez que não ocorre desde o nascimento mas sim à medida que o cachorro cresce,

Os fatores que influenciam no aparecimento da displasia de quadril em cachorros são:

  • Predisposição genética: embora ainda não se tenham identificado os genes envolvidos na displasia, existem evidências fortes de que se trata de uma doença de caráter poligênico. Ou seja, que é causada por dois ou mais genes diferentes.
  • Crescimento rápido e/ou obesidade: uma alimentação inadequada pode favorecer o desenvolvimento da doença. Dar ao seu cão alimento de alto conteúdo calórico pode levar a um crescimento rápido que o deixa suscetível de sofrer displasia de quadril. A obesidade em cachorros também pode favorecer o desenvolvimento da doença, seja em cachorros adultos ou em filhotes.
  • Exercícios inapropriados: os cães em crescimento devem brincar e fazer exercício para libertar energia, desenvolver a sua coordenação e socializar. No entanto, os exercícios que mais impacto têm nas articulações podem causar danos, especialmente na fase de crescimento. Por isso, os saltos são desaconselháveis em cachorros que ainda não completaram o seu desenvolvimento. Também acontece o mesmo com os cães idosos que precisam de fazer exercício sem magoar os seus ossos. Um excesso de atividade pode resultar no aparecimento desta doença.

Apesar do crescimento rápido, a obesidade e os exercícios inapropriados poderem favorecer o desenvolvimento da doença, o fator crítico é o genético.

Devido a isto, a doença é mais comum em algumas raças de cachorros entre as quais se costumam encontrar raças grandes e gigantes, tais como o São Bernardo, Mastim Napolitano, Pastor Alemão, Labrador, Golden Retriever e Rottweiler. No entanto, algumas raças de tamanho médio e pequeno também são mais propensas a esta doença. Entre estas raças encontram-se o Bulldog Inglês (uma das raças mais propensas a desenvolver displasia coxofemoral), o Pug e os Spaniel. Pelo contrário, nos Galgos a doença é quase inexistente.

De qualquer forma, deve ter em conta que ao ser uma doença hereditário mas influenciada pelo ambiente, a incidência da mesma pode variar muito. Por conseguinte, a displasia de quadril também pode ocorrer em cachorros vira-lata.

Sintomas da displasia de quadril

Os sintomas da displasia de quadril costumam ser menos evidentes quando a doença começa a desenvolver-se e tornam-se mais intensos e evidentes à medida que o cachorro envelhece e os seus quadris se deterioram. Os sintomas são:

  • Inatividade
  • Recusa brincar
  • Recusa subir escadas
  • Recusa saltar e correr
  • Manca
  • Dificuldade para mexer as patas traseiras
  • Movimentos de "salto de coelho"
  • Balanços
  • Dor no quadril
  • Dor na pélvis
  • Atrofia
  • Dificuldade para se levantar
  • Coluna curva
  • Rigidez no quadril
  • Rigidez nas patas traseiras
  • Aumento dos músculos dos ombros

Estes sintomas podem ser constantes ou intermitentes. Além disso, costumam piorar depois do cachorro brincar ou fazer exercício físico. Se detetar algum destes sintomas recomendamos que consulte o veterinário para realizar um ultrassom e se certificar que o cachorro tem esta doença.

Sofrer de displasia de quadril não significa o fim das rotinas diárias que o seu cachorro realiza. É verdade que deverá seguir algumas regras e conselhos que podem mudar a sua vida, mas a verdade é que, através das indicações do seu veterinário como a homeopatia, o seu cachorro pode melhorar a sua qualidade de vida e continuar desfrutando da vida por muito tempo.

A displasia de quadril em cães - sintomas e tratamento - Sintomas da displasia de quadril

Diagnóstico da displasia de quadril

Se o seu cachorro apresentar algum dos sintomas descritos, deve levá-lo ao veterinário para o diagnóstico adequado ser feito. Durante o diagnóstico o veterinário irá apalpar e mexer nos quadris e na pélvis, além de realizar uma radiografia dessa zona. Além disso, pode pedir análises de sangue e de urina. O resultado desse diagnóstico indicará se a condição é displasia de quadril ou outra doença.

Tenha em conta que a dor e a dificuldade para se mexer dependem mais da inflamação e do dano da articulação do que do grau da displasia em si mesmo. Por isso, alguns cachorros que na análise radiográfica apresentam displasias leves podem sofrer de muita dor, enquanto que outros que apresentam displasias graves podem ter menos dor.

Tratamento da displasia de quadril

Embora a displasia de quadril não tenha cura, existem tratamentos que permitem aliviar a dor e melhorar a qualidade de vida do cão. Estes tratamentos podem ser médicos ou cirúrgicos. Para decidir qual o tratamento a seguir, deve-se considerar a idade do cachorro, o seu tamanho, o estado de saúde geral e o grau de dano no quadril. Para além disso, também influenciam na decisão a preferência do veterinário e o custo dos tratamentos:

  • O tratamento médico aconselha-se geralmente a cachorros com displasias leves e para os que por diferentes motivos não podem ser operados. Costuma ser necessária a administração de medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos, administração de condroprotetores (medicamentos que protegem as cartilagens), restrição de exercícios, controle de peso e dieta estrita. Também se pode complementar com fisioterapia, hidroterapia e massagens para aliviar a dor na articulação e fortalecer os músculos.

    O tratamento médico tem a desvantagem de ter de ser seguido por toda a vida do cachorro e que não elimina a displasia, simplesmente atrasa o seu desenvolvimento. No entanto, em muitos casos isto é suficiente para que o cachorro consiga ter uma boa qualidade de vida.
  • O tratamento cirúrgico é recomendado quando o tratamento médico não dá resultados ou quando o dano na articulação é muito grave. Uma das vantagens do tratamento cirúrgico é que uma vez superado o cuidado pós-operatório não é necessário manter um tratamento estrito durante o resto da vida do cachorro. No entanto, também se deve ter em conta que a cirurgia tem os seus próprios riscos e que alguns cachorros podem ter dor depois desta.

    O tratamento curativo por excelência é a osteotomia tripla pélvica que consiste na remodelação cirúrgica dos ossos proporcionando uma união artificial com uma placa que mantenha corretamente os ossos no seu lugar sem permitir que o fêmur se desloque.

    Existem casos em que este tipo de trabalho não se pode realizar, estamos falando de casos incuráveis. Para eles, contamos com tratamentos paliativos como a artroplastia que consiste em remover a cabeça do fêmur permitindo assim a formação artificial de uma articulação nova. Evita a dor mas reduz a amplitude de movimentos e pode causar anormalidades ao caminhar, embora dê ao cachorro uma qualidade de vida digna. Além disso, também existe a opção de substituir a articulação do quadril por uma prótese artificial.
A displasia de quadril em cães - sintomas e tratamento - Tratamento da displasia de quadril

Prognóstico médico da displasia de quadril

Se a displasia de quadril não se tratar, o cachorro sofre uma vida de dor e incapacidade. Para os cachorros com graus muito avançados de displasia de quadril, a vida converte-se em uma agonia muito grande.

No entanto, o prognóstico para os cães que recebem tratamento a tempo costuma ser muito bom. Estes cachorros podem viver vidas muito felizes e saudáveis, embora com algumas restrições de alimentação e exercício físico.

Cuidados de um cachorro com displasia

Embora o seu cachorro sofra de displasia de quadril, pode melhorar a sua qualidade de vida consideravelmente se cuidar dele como merece e precisa. Desta forma, e seguindo algumas regras, o seu cachorro poderá continuar realizando as suas atividades de rotina, claro que com mais calma do que antes.

  • Uma das propostas que funcionam melhor é a natação tanto na praia como na piscina. Desta forma, o cachorro desenvolve os músculos que rodeiam as articulações sem as desgastar. Umas duas vezes por semana será suficiente.
  • Não deixe de levar o seu cachorro a passear porque sofre de displasia. Reduza o tempo de passeio mas aumente as vezes que o leva à rua, é muito importante que entre todos os passeios juntos somem pelo menos 30 minutos de exercício.
  • Se o seu cachorro sofre de obesidade é muito importante que resolva este problema o quanto antes. Lembre-se que o cachorro apoia o peso no quadril e este problema pode agravar a displasia. Procure à venda rações light e evite as guloseimas ricas em gordura, procure outras que tenham um alto conteúdo proteico.
  • Leve-o ao veterinário para consultas periódicas para conferir que o seu estado de saúde não piora. Siga os conselhos que o especialista lhe der.
  • Se sentir muita dor pode tentar aliviar os sintomas com massagens ou bolsas de água quente no inverno.
  • Existem bancos de rodas ergonômicas para cachorros que sofrem de displasia. Se o seu está seguindo um tratamento conservador poderia beneficiar-se deste sistema.
A displasia de quadril em cães - sintomas e tratamento - Cuidados de um cachorro com displasia

Prevenção da displasia de quadril

Uma vez que a displasia de quadril é uma doença causada pela interação dos genes e o ambiente, a única forma real de a prevenir e acabar com ela é evitando que os cachorros com a doença se reproduzam. Este é o motivo pelo qual os pedigrees dos cachorros de determinadas raças indicam se o cachorro está livre da doença ou o grau de displasia que tem.

Por exemplo, a Federação Cinológica Internacional (FCI) usa a seguinte classificação baseada em letras, de A a E:

  • A (Normal) - Livre de displasia de quadril.
  • B (Transição) - Existem pequenos indícios na radiografia, mas não suficientes para confirmar a displasia.
  • C (Leve) - Displasia de quadril leve.
  • D (Média) - A radiografia mostra displasia de quadril média.
  • E (Grave) - O cachorro apresenta displasia grave.

Os cachorros que têm displasias com graus C, D e E não devem ser usados para criação, pois é muito provável que transmitam os genes portadores da doença.

Por outro lado, deve ter sempre cuidado com o exercício físico a obesidade do seu pet. Estes dois fatores influenciam claramente no aparecimento da displasia de quadril.

Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

Se deseja ler mais artigos parecidos a A displasia de quadril em cães - sintomas e tratamento, recomendamos-lhe que entre na nossa seção de Doenças hereditárias.

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28 comentários
A sua avaliação:
Antonio Augusto Lopes
Excelente matéria, está me ajudando muito.
A sua avaliação:
Rejane Fernandes
Bom dia,
Muito bem explicado o texto, minha cadela é RND, porte pequeno, tem 6 anos e era mega saudável nunca teve nada nem diarréia, tem 2 semanas que ela começou a ficar com os olhos baixos com secreção sem vontade de comer mais a ração, só quer comer carnes, fedendo no ouvido, fiz o tratamento com ela, ficou boa de tudo, fezes normal, urina normal, bebendo água normal, mas continuando a comer só carnes ou purê de batatas. Ela agora do nada está andando sem equilíbrio caindo, arreando a traseira como se não tem forças pra ficar de pé nas pernas de traz. O que faço?
Estou lendo o artigo e fico preocupada.

Obrigada pela atenção, me chamo Rejane e minha cachorrinha e a Luma.
solange
Onde posso comprar o equipamento , cadeira de rodas que aparece na foto acima. Serve para Dog Alemão ?
Obrigada
A sua avaliação:
Jader Cardoso
Tenho uma Golden Retrivier de quatro meses de idade. Após tomar todas as vacinas, comecei a levar ela para passaer e tenho escutado barulhos no quadril.
Isto seria um sinal de displasia?

Obrigado! Excelênte artigo!
A sua avaliação:
conceição lopes
o meu cão é um labrador com 10 anos de idade e desde sempre foi um cão epiléptico e agora sofre de displasia grave ao ponto de ter muita dificuldade em se levantar do chão. está sempre deitado de lado. não sei que medidas tomar para melhorar a qualidade de vida dele embora ele tome a medicação indicada pelo veterinário.
A sua avaliação:
roberto
tenho um cachorro chow chow macho com 9 anos e de uns dias pra cá ele vem apresentando sinais de displasia ele cai de lado ou de frente e começa se contorcer, após alguns minutos ele se levanta e sai caminhando lentamente! oque fazer
Mariana Castanheira (Editor/a de PeritoAnimal)
Oi Roberto! É importante que consulte um médico veterinário que faça o diagnóstico.
marcia valeria mothe do nascimento
meu rot esta com estes sintomas,e mancando ,pulando com a traseira eu quero alimentar ele melhor , ele e esposo de uma labra e ja tiveram filhotes ,só que quando o alimento com a ração natura ele melhora se eu trocar ele fica fraco
que vitamina posso dar?
A sua avaliação:
Luiz augusto Pires
Excelente o artigo. Muito esclarecedor.
nadia
Boa noite....tenho uma golden de 2 anos...já operada de displasia...agora está mancando muito....o que eu posso fazer pra melhorar ela.obrigada
Mauricio
Meu pastor tem 11 anos e sempre teve a anca baixa, porém esses últimos dias ele não consegue mais se levantar, parece que uma perna perdeu o movimento, e hoje ele não levantou e parece que está sem força em todas as pernas, estou preocupado e ele vai para o veterinário segunda-feira, pode ter agravado severamente a Displasia?

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