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Remédios caseiros para intoxicação de cachorro

 
Por Carla Moreira, Médica veterinária. 27 junho 2022
Remédios caseiros para intoxicação de cachorro

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As intoxicações em cães podem ocorrer devido a vários fatores: mau uso de pesticidas em ambiente doméstico, sem o conhecimento necessário sobre a melhor forma de aplicação; imprudência dos tutores, que buscam eliminar pragas com práticas ilegais e perigosas, colocando em risco a vida dos animais; envenenamento proposital de cães de guarda para facilitar o furto e a própria curiosidade dos cães em explorar o ambiente.

O agente causador da intoxicação dever ser identificado para se avaliar o risco e subsidiar o melhor tratamento a ser utilizado. Neste artigo do PeritoAnimal, você vai aprender quais substâncias são perigosas para seu pet, como proceder e também conhecerá opções de remédios caseiros para intoxicação de cachorro que te ajudarão a proceder nestes casos. Boa leitura!

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O que pode causar intoxicação em cães?

Várias substâncias podem intoxicar os pets, como pesticidas (piretroides, organofosforados, carbamatos, cumarínicos e estricnina), plantas, medicamentos e toxinas produzidas por animais peçonhentos ou venenosos. Em todos os casos, é de extrema importância que o tutor leve o animal imediatamente para o médico veterinário, assim como o frasco ou uma amostra do conteúdo suspeito da intoxicação. Em caso de animais peçonhentos, pode ser levada uma foto ou o próprio agente responsável pela intoxicação.

Dentre as substâncias potencialmente causadoras de intoxicação em cães, podemos citar as mais comuns:

Pesticidas

Muito utilizados na agricultura, também são aplicados no ambiente doméstico, para o combate de pulgas, carrapatos, moscas, mosquitos e formigas.

Dessa classe, podemos citar os organofosforados, cabamatos, piretroides, piretrinas (presentes em xampus, sprays antipulgas, gel, spot-on, pour-on e fumegadores). São facilmente absorvidos por via dérmica, oral ou respiratória. O grande problema desses produtos é que são, muitas vezes, indicados por pessoas que desconhecem seu uso correto, colocando em risco o animal que irá utilizá-lo.

Ainda temos as avermectinas e milbemicinas, largamente utilizadas para combater ecto e endoparasitas, como por exemplo, a ivermectina, selamectina (Revolution), moxidectina (Advocate) e milbemicina, de uso tópico e oral. Doses além da recomendada podem causar intoxicação, resultando em tremores, convulsões, vômito, diarreia, hipotermia e salivação.

Plantas

Os cães são seres curiosos por natureza, sempre dispostos a explorarem o ambiente. Devido a esse comportamento entusiasta, muito aguçado nos filhotes, alguns animais podem se intoxicar com plantas ornamentais.

Alguns estudos apontam que as plantas responsáveis pelo maior número de intoxicações em cães são:

  • Comigo-ninguém-pode;
  • Espada de São Jorge;
  • Jiboia;
  • Mamona;
  • Palma-de-ramos;
  • Lírio-da-paz;
  • Cinamomo;
  • Cheflera;
  • Azaleia e
  • Prímula.

Medicamentos

Os principais medicamentos causadores de intoxicação em cães são os anti-inflamatórios, paracetamol e produtos de uso tópico. Isso acontece devido ao fato de muitos tutores tentarem aliviar a dor de seus pets e, sem a orientação de um médico veterinário, administrarem medicamentos em doses excessivas ou proibidos para esses animais. Outro fator importante é que os medicamentos para animais geralmente são palatáveis, o que pode estimular o cãozinho a comer vários comprimidos, caso tenha acesso à caixa do medicamento.

Anti-inflamatórios, como o meloxicam, carprofeno, cetoprofeno, ibuprofeno e o diclofenaco (Cataflan), podem ser fatais, dependendo da dose administrada. Os efeitos do excesso desses medicamentos prejudicarão os sistemas gastrointestinal e renal e inibirão a agregação plaquetária (responsável pela coagulação sanguínea), dependendo do fármaco, da dose e do tempo utilizado.

O diclofenaco, em especial, está aprovado apenas para uso humano, sendo totalmente contraindicado para cães e gatos. Estudos indicam que doses diárias de 150mg desse fármaco causam importantes efeitos tóxicos nos cães em pouco tempo.

Animais Peçonhentos

Os animais são considerados peçonhentos quando capazes de produzir substâncias ativas ou tóxicas. Os cães, geralmente, envolvem-se em acidentes com aranhas, escorpiões, ofídeos e insetos.

Quem nunca viu um cão latindo para uma abelha? Além delas, temos os marimbondos e as vespas. Os cachorros costumam ser ferroados na boca e no nariz, já que cheiram os ninhos desses insetos. Caso as ferroadas sejam múltiplas, o animal pode chegar a ter um choque anafilático, consistindo em uma emergência veterinária.

Mais comum na área rural, a intoxicação por bufotoxina acontece devido ao mecanismo de defesa dos sapos, que produzem essa substância nas glândulas parótidas. Quando atacados por um cão, os sapos liberam o líquido que contém aminas vasoativas, como adrenalina, noradrenalina e serotonina, causando fibrilação cardíaca no cão, que pode ir à óbito se não for socorrido a tempo.

Os acidentes com aranhas podem resultar em necrose da região afetada pela toxina. Aranhas como a armadeira e a marrom produzem venenos de alta toxicidade, resultando em lesões necróticas e ulceradas, edema, dor e febre. O antídoto não está disponível para uso em animais, devendo ser realizada limpeza da lesão, compressas frias, antialérgicos e corticoides, conforme orientação do médico veterinário.

As cobras costumam causar graves danos nos cachorros atingidos por sua mordida. Além dos efeitos do veneno inoculado (edema, hemorragia, perda de sangue pelo nariz e pela gengiva), deve-se dar atenção à necrose e infecção no local da mordida, que pode atingir tendões e ossos. O tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível com o uso de soro antibotrópico por via intravenosa.

Quais são os sintomas de um cachorro intoxicado?

Os sintomas de um cachorro intoxicado variam de acordo com o tipo de substância envolvida, a quantidade e o tempo de exposição. Pode ocorrer salivação, vômito, diarreia, tonturas, convulsões, edemas, delírios, vocalização, dor, anorexia, sangue no vômito e nas fezes, sedação, respiração ofegante, cegueira temporária, dor abdominal, taquicardia, dentre outros.

É de extrema importância que o cachorro seja levado o mais rápido possível ao médico veterinário, pois muitas doenças possuem sintomas parecidos com os de intoxicação.

Remédios caseiros para intoxicação de cachorro - Quais são os sintomas de um cachorro intoxicado?

Há remédios caseiros para intoxicação de cachorro?

Afinal, o que fazer quando o animal estiver intoxicado? Quando o tutor tiver certeza de que o animal ingeriu alguma substância tóxica, poderá utilizar alguns procedimentos para fazer o animal vomitar, prevenindo a absorção e melhorando a eliminação do agente tóxico. Certas técnicas podem ser consideradas remédios caseiros para intoxicação do cachorro. Lembrando que a êmese deve ser estimulada no máximo 2 a 3 horas após a ingestão do toxicante. Não estimular o vômito em casos de ingestão de ácidos, bases, agentes corrosivos e derivados de petróleo.

O vômito pode ser induzido com o uso de água oxigenada na concentração de 3% (nunca utilizar em uma concentração maior). Esse agente pode ser encontrado em farmácias, possui preço acessível e é de fácil administração. Geralmente, o vômito acontece cerca de 10 minutos após a administração.

Caso a intoxicação tenha sido pela via dérmica, pode-se dar um banho no animal, quando este ainda estiver estável. O tutor deve utilizar equipamentos de proteção, como luvas, óculos e avental. Utilizar xampu neutro ou detergente para lavar louças, água fria ou morna e não utilizar secador de cabelos para secar o animal, apenas toalha seca.

Substâncias que atingiram os olhos devem ser retiradas com a ajuda de uma lavagem com soro, tendo o cuidado de não deixar escorrer o líquido da limpeza de um olho para o outro.

Entre os remédios caseiros para intoxicação de cachorro encontram-se alguns tipos de chás, totalmente desaconselháveis, pois certas ervas podem aumentar a absorção do agente tóxico. O tratamento para um cachorro intoxicado precisa ser prescrito pelo médico veterinário, após análise do histórico e do quadro clínico do animal, não sendo indicados remédios caseiros, como leite, clara de ovo ou borra de café (podem acelerar a absorção do veneno).

Alguns tutores ficam na dúvida sobre o uso da água de arroz como remédio caseiro para desintoxicar o cachorro. Devemos ter em mente que várias intoxicações causam dificuldade respiratória, não sendo adequado que se faça o cachorro beber algo nessa situação, pois o colocará em risco de aspirar o líquido e desenvolver uma pneumonia.

 

O que é bom para cortar o veneno do cachorro?

O carvão ativado é uma forma de carbono de grande porosidade, sendo capaz de absorver impurezas dissolvidas em solução. É útil em ingestão recente de substâncias tóxicas, com menos de 2 horas. Tem o objetivo de adsorver os compostos ainda no estômago. No entanto, não deve ser administrado em suspeitas de perfuração gástrica ou em animais que estejam vomitando ou com náusea. A dose utilizada do carvão ativado é de 1 a 2g/kg, por via oral.

Cachorro intoxicado pode morrer?

Dependendo do tipo de substância que intoxicou o seu amigo, da quantidade ingerida, inalada ou absorvida e do tempo decorrido até o socorro, ele pode vir a óbito sim. Por isso, quando desconfiar que o pet teve contato com algum produto potencialmente tóxico ou com algum animal peçonhento, procure ajuda o mais rápido possível.

Agora que você aprendeu mais sobre os remédios caseiros para intoxicação de cachorro, não perca o vídeo a seguir em que listamos 10 plantas tóxicas para cães:

Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

Se deseja ler mais artigos parecidos a Remédios caseiros para intoxicação de cachorro, recomendamos-lhe que entre na nossa seção de Remédios caseiros.

Bibliografia
  • Bulcão, R. P. et al. Intoxicação em cães e gatos: diagnóstico toxicológico empregando cromatografia em camada delgada e cromatografia líquida de alta pressão com detecção ultravioleta em amostras estomacais. Ciência Rural, v.40, n.5, p. 1109-1113, 2010. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/cr/a/zWxgxpbHC7qpRLbchbV74pS/?lang=pt&format=pdf>. Acesso em 23 de junho de 2022.
  • Riboldi, E. O. Intoxicações em pequenos animais: uma revisão. Monografia apresentada para conclusão do curso de Medicina Veterinária na UFRGS, Faculdade de Veterinária, 2010. Disponível em: <https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/39019/000792167.pdf?seque>. Acesso em 23 de junho de 2022.
  • Lopes, R.R. F. B et al. Intoxicação por toxina de sapo em um cão – relato de caso. Enciclopédia Biosfera, Centro Científico Conhecer, v.10, n.19, p. 1234, 2014. Disponível em: < https://www.conhecer.org.br/enciclop/2014b/AGRARIAS/Intoxicacao.pdf>. Acesso em: 21/06/2022.
  • Maraschin, D. K. Intoxicações em cães. Monografia apresentada para conclusão do curso de Medicina Veterinária na UFRGS, Faculdade de Veterinária, 2015. Disponível em: <https://lume.ufrgs.br/bitstr>. Acesso em 23 de junho de 2022.

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