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Papilomatose canina: o que é e como tratar

 
Por Carolina Costa, Médica Veterinária. Atualizado: 25 junho 2019
Papilomatose canina: o que é e como tratar

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Problemas dermatológicos são muito comuns na clínica veterinária e causam sempre preocupação aos tutores. A papilomatose em canina é um problema dermatológico que provoca o surgimento de verrugas geralmente benignas na pele e mucosas dos cachorros. Apesar de ser algo que qualquer tutor consegue facilmente identificar visualmente ou quando está acariciando o seu animal, nem todos recorrem precocemente ao veterinário para se informar.

Se você observou uma ou mais verrugas no corpo do seu cachorro e não sabe o que pode ser, continue lendo este artigo do PeritoAnimal para aprender mais sobre a papilomatose canina: o que é e como tratar.

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Papilomatose canina: o que é?

A papilomatose é uma doença infectocontagiosa viral causada por um Papilomavirus. Esta doença origina tumores de pele, em grande parte dos casos, benignos. Ela ocorre geralmente em cães e é muito rara em gatos.

Pode ser transmitida por contato direto entre cachorros infetados ou por contato indireto, através da saliva ou sangue. A simples partilha do mesmo brinquedo, comedouro ou bebedouro é suficiente para o contágio. Se você já se perguntou se a papilomatose canina é contagiosa para humanos, a resposta é não. Esta doença é específica da espécie, ou seja, apenas cachorros podem contrair o papilomavírus canino, não afetando seres humanos, gatos ou outras espécies animais.

O período de incubação pode variar entre um a dois meses, sendo que um animal pode possuir o vírus no seu organismo e o vírus só se manifestar após esse período de incubação. Apesar de não ter predisposição de raça ou gênero, este vírus se aproveita de animais com o sistema imunitário mais fraco como os filhotes de cachorro, os cães idosos ou os animais imunodeprimidos por outras doenças.

Papilomatose canina: sintomas

Os papilomas são estruturas cutâneas, também denominados de verrugas, semelhantes a uma couve-flor. Normalmente apresentam:

  • Consistência geralmente dura;
  • Forma irregular;
  • Superfície áspera;
  • Cor variável (de cinza, a rosa ou negro);
  • Localizadas ou mulfocais;
  • Tamanho variável.

Surgem geralmente na mucosa oral e faringe e pele (face, lábios, pálpebras, espaço interdigital e almofadinhas digitais são os locais cutâneos mais comuns).

Se localizados na boca podem causar, conforme o seu número e localização:

  • Halitose (mau hálito);
  • Hipersialia (salivação excessiva);
  • Dor;
  • Úlceras;
  • Hemorragias;
  • Disfagia (dificuldade em deglutir/engolir);
  • Obstrução parcial ou completa da faringe.

Se localizados junto aos olhos e nas pálpebras, podem:

  • Afetar a acuidade visual;
  • Causar blefarospasmo (pestanejar constante);
  • Provocar sor;
  • Causar conjuntivite.

Papilomatose canina: diagnóstico

Geralmente, com um bom histórico junto do exame físico com observação da aparência das verrugas, a grande suspeita do veterinário é a papilomatose. A própria aparência da verruga já coloca a papilomatose canina no topo da lista de diagnósticos diferenciais.

No entanto, o diagnóstico definitivo só é possível através da recolha de uma amostra através da técnica de biópsia (incisional ou excisional) seguida de análise histopatológica ou PCR.

Papilomatose canina: tratamento

Por norma, o tratamento não é indicado, uma vez que, em grande parte dos casos, muitos papilomas regridem de forma espontânea entre quatro a seis meses após a infeção, podendo se prolongar até doze meses antes de regredir.

Caso essas estruturas infetem, ulcerem ou se observe que existe perda de qualidade de vida por comprometimento da visão ou deglutição e alimentação, a remoção cirúrgica é indicada como tratamento. Alguns tutores, por interesse estético, também podem optar pela remoção cirúrgica destas verrugas.

A crioterapia, remoção pelo frio, ou a eletrocauterização também podem ser utilizadas para remover papilomas, mas ainda são técnicas às quais nem todos os veterinários têm acesso.

A imunoterapia, ou seja, uma vacina que possuiu o próprio papiloma, é utilizada para estimular o organismo do animal a criar defesas contra esse vírus. É importante que o animal tenha o sistema imunitário bem fortalecido, caso contrário pode causar o efeito adverso e o animal desenvolver ainda mais papilomas ou outros problemas mais graves.

Existem outros fármacos que estão sendo utilizados para estes casos: azitromicina, interferon e imiquimod, contudo nem todos os veterinários defendem ser eficaz. Quando se trata de algo maligno, a quimioterapia pode ser uma opção.

Se você se perguntar se a doença papilomatose canina tem tratamento caseiro, infelizmente a resposta é NÃO. Não existe nenhum remédio caseiro para tirar verruga de cachorro, no entanto você pode aplicar um pouco de óleo de rícino para diminuir a irritação, caso exista.

Papilomatose canina: fotos

Papilomatose canina: o que é e como tratar - Papilomatose canina: fotos

Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

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Bibliografia
  • Foster, A., Foil, C., (2003) BSAVA Manual of Small Animal Dermatology - Second Edition.
  • Hnilica, K.A., Patterson, A.P. (2017) Small Animal Dermatology - A color Atlas and Therapeutic Guide, Chapter 6 - Viral, Rickettsial, and Protozoal Skin Diseases.
  • Lange, C.E., Favrot, C. (2011) Canine papillomaviruses. Em: Veterinary Clinic North Am Small Animal Practice;41(6):1183-95

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