menu
Partilhar

Gambás - Tipos, características, alimentação e habitat

 
Por Nick A. Romero H., Biólogo e educador ambiental. 10 março 2022
Gambás - Tipos, características, alimentação e habitat

Alguns animais têm denominações comuns em diversos países, enquanto no caso de outros, são chamados de diferentes maneiras de acordo com a região. Este é o caso dos gambás, animais que são conhecidos por outros nomes dependendo do país onde se encontram. Alguns exemplos são: sariguê, saruê, sarigueia, mucura, timbu e particularmente, em várias regiões são chamados também de raposas, entre outros. No entanto, esta última designação é usada de maneira geral para outro animal com características totalmente diferentes.

Neste artigo do PeritoAnimal, apresentamos informações sobre os gambás, os tipos desses animais, características, alimentação e habitat.

O que é um gambá

Os gambás são um grupo de animais marsupiais, nativos da América. Possuem aspecto similar ao de um rato, mas não possuem parentesco, pois é distante do ponto de vista taxonômico. São animais que conseguem se desenvolver em vários tipos de ecossistemas, com uma alta capacidade de adaptação.

Classificação taxonômica

Embora com uma ampla variedade de gêneros e espécies, todos esses animais se restringem a uma única família atual. A classificação taxonômica dos gambás corresponde da seguinte maneira:

  • Reino: animal
  • Filo: cordados
  • Classe: mamíferos
  • Ordem: didelphimorphia
  • Família: didelphidae

Características dos gambás

Os gambás são animais que possuem uma faixa de peso que varia entre 10 g até 2 kg. Em relação ao comprimento, incluindo a cauda, pode medir entre 17 e 100 cm aproximadamente. Algumas espécies apresentam dimorfismo sexual em relação ao tamanho, sendo as fêmeas menores que os machos.

Os gambás geralmente têm uma camada de pelo fino em seu corpo, que pode variar em relação a coloração, de um tom escuro até cinza claro, marrom ou amarelo. A cauda de diversas espécies é longa, desprovida de pelos ou com muito poucos e do tipo preênsil. Enquanto que em outras, é mais curta, com presença de pelagem e não é preênsil.

As fêmeas das espécies maiores possuem uma bolsa ou marsúpio, enquanto que as fêmeas menores possuem umas dobras próximas das mamas. Uma característica particular é que elas têm de 4 até 27 glândulas mamárias, de modo que conseguem amamentar um número importante de filhotes. Alguns machos também têm uma bolsa, como por exemplo, espécies aquáticas, com as quais cobrem seus genitais e assim ficam protegidos enquanto nadam.

As patas dos didelfimorfos são curtas e têm cinco dedos em cada uma. No entanto, em espécies semiaquáticas, as patas traseiras são modificadas com forma palmada, o que sem dúvida facilita o nado.

Quanto aos sentidos dos gambás, a audição não é muito desenvolvida, a visão, embora com certo nível, não alcança o de outros mamíferos e tem bom olfato.

Tipos de gambás

Estes animais em geral, se agrupam em 19 gêneros e cerca de 95 espécies, embora existam classificações que ainda não estão totalmente definidas. Alguns tipos de gambás são:

  • Didelfiídeos: agrupa cerca de 16 espécies, onde estão, por exemplo, uma semiaquática chamada quironecto ou cuíca-d'água (Chironectes minimus). Também encontramos neste grupo o gambá comum (Didelphis marsupialis), o qual tem uma das maiores áreas de distribuição.
  • Monodelphinidos: é composto por uma variedade importante de gêneros, dentro dos quais estão localizadas diversas espécies com diferentes características em questão de tamanhos, cores, tipos de pelagem e caudas. Uma das espécies do grupo é a guaiquica ou cuíca-pequena-do-chaco (Cryptonanus chacoensis).
  • Calurominos: integram este grupo espécies conhecidas como gambás lanudos e, particularmente, seus membros estão em algum estado de risco de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza. Algumas espécies são a cuíca-lanosa parda (Caluromy philander) e o gambá lanudo ocidental (Mallodelphys lanatus).

Comportamento dos gambás

Estes animais, em geral, têm hábitos solitários e são noturnos ou crepusculares. Algumas vezes podem se reunir enquanto se alimentam, mas sem entrar em contato. Os machos podem ser bastante agressivos entre si, mas não costumam ser com as fêmeas. Os gambás podem ser terrestres ou semiaquáticos, com uma grande facilidade para subir, por isso é comum também terem hábitos arborícolas.

Costumam construir ninhos para o momento do parto ou utilizar alguns já feitos, dentro dos quais colocam folhas secas, raízes ou grama. É comum que, devido à escassez de recursos de alguns habitats, certas espécies entrem em letargia enquanto há disponibilidade de alimentos.

Apesar de não ter tão boa audição, os gambás podem se comunicar através de certos sons, principalmente entre mães e filhotes, bem como com fins reprodutivos. O olfato é também um sentido habitualmente utilizado para se comunicar.

Onde o gambá vive

Os gambás têm uma ampla faixa de distribuição do norte da América até o sul da Patagônia, com certas exceções dentro do continente.

Além disso, são capazes de se desenvolver em uma grande quantidade de habitats, que incluem florestas tropicais ou temperadas, pastagens, corpos d'água doce, áreas secas, savanas, áreas agrícolas e urbanas.

Os gambás brasileiros

No Brasil, são encontradas quatro espécies de gambás:

  • Gambá-comum (Didelphis marsupialis): pode ser encontrado em quase todo o território nacional, da região amazônica até o sul do país.
  • Gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris): habita a região central do Brasil, o Nordeste e também estados do Sudeste, como São Paulo e Rio Grande do Sul.
  • Gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita): está presente no Rio Grande do Sul, na Amazônia e regiões de Mata Atlântica, como São Paulo e Rio de Janeiro.
  • Gambá-de-orelha-branca-guianense (Didelphis imperfecta): habita o norte do Brasil.
Gambás - Tipos, características, alimentação e habitat - Os gambás brasileiros
Imagem: Didelphis aurita/UFRGS

O que os gambás comem?

Os gambás são classificados como onívoros e são considerados oportunistas devido a ampla faixa de habitats nos quais se localizam. Neste sentido, se alimentam de uma grande variedade de invertebrados, que incluem insetos, aranhas, escorpiões e crustáceos; também pequenos roedores e serpentes. Os gambás são imunes a certos tipos de venenos de serpentes e aranhas, o que facilita a predação desses animais.

Por outro lado, também consomem certos tipos de frutas, de modo que são dispersores de algumas sementes nos ecossistemas em que habitam. Além disso, devido ao seu desenvolvimento em áreas urbanas, é comum que consumam dejetos humanos.

Reprodução do gambá

Os gambás machos podem acasalar com várias fêmeas, o que em muitos casos leva a confrontos entre eles. Cortejos não foram evidenciados nesses animais, mas há certa emissão de ruídos no momento reprodutivo.

A maturidade sexual dos indivíduos ocorre entre os 6 e 10 meses de idade aproximadamente, gerando entre 1 e 4 ninhadas por ano, o que, sem dúvida, é uma alta taxa reprodutiva. No entanto, a reprodução está condicionada pela disponibilidade de recursos e condições do meio.

Os gambás são animais que nascem muito prematuramente, pois a gestação não dura mais de duas semanas. No momento do parto, os filhotes estão em estado imaturo, com órgãos ainda sem estarem formados completamente. Uma vez que o nascimento ocorre, os recém-nascidos, usando seus membros anteriores, que possuem unhas afiadas, sobem até as mamas da fêmea. São mantidos ali por várias semanas para completar seu desenvolvimento. É comum que as fêmeas jovens tenham mais filhotes do que podem amamentar, então geralmente têm um certo índice de mortalidade em recém-nascidos.

Uma vez que os novos gambás tenham se desenvolvido adequadamente, continuam sendo amamentados. Mas agora eles têm uma certa independência e enquanto a mãe se move, ficam empoleirados sobre o seu corpo.

Estado de conservação do gambá

Devido a variedade de espécies que o grupo tem e sua ampla área de distribuição, o estado de conservação varia entre as diversas categorias da lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza. Neste sentido, foi relatado desde uma espécie extinta, a cuíca-pequena-de-ventre-vermelho (Cryptonanus ignitus), até outras em perigo crítico, como a cuíca-esbelta-de-handley (Marmosops handleyi) e o gambá-de-cauda-curta (Monodelphis unistriatus). Da mesma forma, outras estão listadas como quase ameaçadas ou em menor preocupação, enquanto em alguns casos não foram avaliados.

Entre as principais causas que afetam os gambás encontramos a transformação do habitat, o que sem dúvida gera um forte impacto nas espécies que neles se desenvolvem. Por outro lado, o comércio ilegal para o consumo de sua carne é outro problema que vem surgindo com o tempo.

Existem pessoas que procuram gambás como animal de estimação. No entanto, este é um animal silvestre que não deve ser mantido em cativeiro para tê0lo como animal de companhia, requer condições particulares para estar em bom estado, que só podem ser encontrados em seus locais de origem.

Se deseja ler mais artigos parecidos a Gambás - Tipos, características, alimentação e habitat, recomendamos-lhe que entre na nossa seção de Curiosidades do mundo animal.

Bibliografia
  • Astúa, D., Lew, D., Costa, LP y Pérez-Hernandez, R. (2021). Didelphis marsupialis (versión modificada de la evaluación de 2016). La Lista Roja de Especies Amenazadas de la UICN 2021: e.T40501A197310576. Disponível em: <https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2021-1.RLTS.T40501A197310576.en>. Acesso em 2 de março de 2022.
  • Myers, P. 2001. "Didelphimorphia". Animal Diversity Web. University of Michigan, Museum of Zoology. Disponível em: <https://animaldiversity.org/accounts/Didelphimorphia/>. Acesso em 2 de março de 2022.
  • Siciliano Martina, L. (2013). "Didelphidae". Animal Diversity Web. Animal Diversity Web. University of Michigan, Museum of Zoology. Disponível em: <https://animaldiversity.org/accounts/Didelphidae/>. Acesso em 2 de março de 2022.
  • Nascimento, D. C., Campos, B. A. T. P., Fraga, E. C., & Barros, M. C. (2019). «Variabilidade genética de populações de gambá de orelha branca, Didelphis albiventris Lund 1840 (Didelphimorphia; Didelphidae) no Brasil». Brazilian Journal of Biology. 79 (4). Disponível em: <.https://www.scielo.br/j/bjb/a/rfmNbQdmmwFpw3HGcvYD3dP/?lang=en>. Acesso em 2 de março de 2022.
  • Gambá Didelphis albiventris. ufrgs.br. Disponível em: <https://www.ufrgs.br/faunadigitalrs/mamiferos/ordem-didelphimorphia/familia-didelphidae/gamba-didelphis-albiventris/>. Acesso em 2 de março de 2022.

Escrever comentário

Adicione uma imagen
Clique para adicionar uma foto relacionada com o comentário
O que lhe pareceu o artigo?
Gambás - Tipos, características, alimentação e habitat
Imagem: Didelphis aurita/UFRGS
1 de 2
Gambás - Tipos, características, alimentação e habitat

Voltar ao topo da página