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Eutanásia em cachorros

 
Por Cristina Pascual, Veterinária. 10 junho 2022
Eutanásia em cachorros

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A eutanásia é um procedimento veterinário no qual a morte de um animal é induzida por métodos não crueis e indolores para evitar o sofrimento associado a uma doença incurável. É sem dúvida uma das decisões mais difíceis tanto para os veterinários quanto para os tutores, pois envolve aceitar a morte como a melhor opção.

Para enfrentar e passar por este processo, é essencial conhecê-lo e compreendê-lo tanto do ponto de vista médico como ético. Portanto, neste artigo do PeritoAnimal tentaremos explicar tudo relacionado à eutanásia em cachorros para que você possa ter uma visão global de sua importância e significado.

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O que é a eutanásia em cachorros?

O termo eutanásia vem do grego "eu" que significa "boa", e "thanatos" que significa "morte", por isso se traduz literalmente como "boa morte".

Em outras palavras, é um procedimento veterinário que envolve o abate de um animal para poupar-lhe o sofrimento ou dor associados a uma doença ou desordem incurável que prejudique sua qualidade de vida. Portanto, podemos deduzir dois aspectos-chave dentro do conceito de eutanásia:

  • Por um lado, que não há perspectivas de cura.
  • Por outro lado, não há sofrimento ou dor na morte prevista.

Qualquer coisa que não satisfaça estas duas premissas não será considerada eutanásia, mas sim sacrifício.

Requisitos para a eutanásia de cães e gatos no Brasil

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) estabelece uma série de requisitos para que a eutanásia não seja caracterizada como crime ambiental ou maus tratos ao animal a partir de preceitos éticos e visando sempre o bem-estar do pet.

De acordo com a resolução Nº 1000 de 2012, a eutanásia pode ser recomendada nos seguintes casos:

  1. O bem-estar animal estiver comprometido de forma irreversível, sendo um meio de eliminar a dor ou sofrimento dos animais, os quais não podem ser controlados por meio de analgésicos, de sedativos ou de outros tratamentos;
  2. O animal constituir risco à saúde pública.
  3. Constituir risco à fauna nativa e ao meio ambiente.
  4. For objeto de atividades científicas, devidamente aprovadas por uma Comissão de Ética para o Uso de Animais;
  5. O tratamento representar custos incompatíveis com a atividade produtiva a que o animal se destina ou com os recursos financeiros do proprietário.

Lei de 2021 proíbe eutanásia de animais saudáveis por órgãos públicos

Uma prática bastante comum no Brasil era a aplicação da eutanásia de cães e gatos de rua em órgãos de zoonose e canis públicos devido ao excesso de animais nestes lugares, o que causa a superlotação de tais estabelecimentos.

Mas em 2021 foi sancionada pelo governo federal a Lei 14.228/21 que proíbe a eutanásia nestes estabelecimentos, a não ser em casos de doenças graves ou enfermidades infectocontagiosas incuráveis que coloquem em risco a saúde humana e de outros animais.

Segundo a lei, que entrou em vigor em fevereiro de 2022, antes de a eutanásia ser realizada por órgãos públicos, é preciso contar com um laudo técnico que comprove sua legalidade e entidades de proteção animal devem ter acesso irrestrita à toda documentação envolvida. Se isso não for cumprido, as penalidades estão previstas a na Lei de Crimes Ambientais do Brasil.

Eutanásia em cachorros - Requisitos para a eutanásia de cães e gatos no Brasil

Tipos de eutanasia

A eutanásia em cachorros pode ser realizada de duas maneiras diferentes:

  • Eutanásia ativa: isto envolve matar o animal através da administração de um remédio de eutanásia.
  • Eutanásia passiva: neste caso, nenhuma droga é administrada para causar a morte, mas qualquer tratamento destinado a prolongar a vida do animal é retirado. Poderíamos dizer que o objetivo deste tipo de eutanásia é apressar a morte do paciente.

Embora tenham abordagens diferentes, ambos os tipos de eutanásia têm o mesmo resultado: a morte do animal. Entretanto, deve-se observar que quando falamos de eutanásia, geralmente nos referimos à eutanásia ativa.

Como é feita a eutanásia em cachorro?

O que o cachorro sente com a eutanásia? Qual remédio é usado para sacrificar um cachorro? Antes de responder a isso, é preciso saber como é feita a eutanásia nos pets. No caso da eutanásia passiva, a abordagem é simples: basta retirar qualquer tratamento destinado a prolongar a vida do animal, mantendo apenas as drogas necessárias para aliviar a dor e o sofrimento do animal até que ocorra a morte.

No caso de eutanásia ativa, o procedimento deve ser realizado em 3 fases:

  • Sedação: nesta fase, uma injeção é administrada (geralmente intramuscularmente) para produzir sedação do animal. Durante esta primeira etapa, o nível de consciência do animal diminui, mas você deve estar ciente de que ele pode sentir tudo o que está acontecendo ao seu redor. Portanto, se você estiver ao seu lado, ele será capaz de ouvir, cheirar e sentir você.
  • Anestesia geral: Nesta segunda etapa, um cateter intravenoso é colocado e um medicamento (geralmente embutramida ou propofol) é administrado para induzir a anestesia geral, assim como faria se o animal fosse submetido à cirurgia. Com esta segunda injeção, o cachorro entrará em um plano anestésico profundo, de modo que ele não perceberá mais nenhum estímulo. Em outras palavras, a partir desta etapa, o cachorro não estará mais consciente e, portanto, não será mais capaz de te ouvir ou de sentir você ao seu lado.
  • Eutanásia: Finalmente, é administrado o remédio, que produz parada cardíaca em apenas alguns segundos. Este medicamento pode ser administrado por diferentes métodos (intravenoso, inalatório, intraperitoneal, intracardíaco, etc.), embora seja mais comumente administrado por via intravenosa, aproveitando o fato de que o animal já tem um cateter instalado. O Pentobarbital é geralmente usado para eutanásia em cães, embora outros medicamentos autorizados para esta espécie possam ser usados. Neste ponto, deve ficar claro que pode ocorrer relaxamento dos esfíncteres ou espasmos musculares; no entanto, você deve estar ciente de que estas são respostas normais e em nenhum caso são indicadores de sofrimento no animal.

É importante saber que as duas primeiras fases (sedação e anestesia geral) devem ser sempre realizadas, independentemente do método e da droga usados para matar o animal. Esta é a única maneira de garantir que a eutanásia não cause qualquer dor ou sofrimento ao animal.

Mas quanto tempo demora para a eutanásia fazer efeito em um cachorro? No caso de eutanásia por injeção, ou seja, eutanásia ativa, levará apenas 30 segundos. A eutanásia passiva, por outro lado, vai depender do cão.

Eutanásia em cachorros - Como é feita a eutanásia em cachorro?

O que o cachorro sente com a eutanásia? Ele sofre?

O que o cachorro sente com a eutanásia? Ele sente dor? Sofre? Esta é, sem dúvida, uma das questões mais importantes que afligem os tutores que têm que lidar com essa situação difícil.

Entretanto, a resposta a esta pergunta é simples e clara: quando a eutanásia é realizada corretamente, os cães não sofrem em absoluto. De fato, como diz a legislação, é obrigatório que a eutanásia seja realizada por métodos humanos e indolores.

Se o procedimento for realizado conforme detalhado na seção anterior, você pode ter certeza de que a morte será indolor e o cachorro não sofrerá.

Posso ficar com meu cachorro durante a eutanásia?

A resposta é sim. De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária, em qualquer centro veterinário, você tem permissão para estar presente durante todo o processo de eutanásia do pet. Como já mencionamos, o cachorro será capaz de te ver, ouvir e sentir durante a fase de sedação. Mesmo se você notar que seu nível de consciência diminui, ele ainda será capaz de sentir os estímulos ao seu redor.

Isto significa que ele será capaz de te cheirar, ouvir e sentir seu toque. Por esta razão, recomendamos que você acompanhe seu parceiro pelo menos durante esta primeira fase, pois sentir alguém de sua família próximo a ele o ajudará a manter a calma até o último momento. Mesmo que seja um momento doloroso e complicado para você, lembre-se que acompanhá-los até o final será o presente mais precioso que você pode lhes dar. Além disso, quando o tempo passar, você se lembrará do momento com a paz e a tranquilidade de saber que não o abandonou e que permaneceu ao seu lado até o final.

Uma vez que a anestesia é induzida, você deve saber que o cachorro não te sentirá mais. Entretanto, se você decidir continuar ao lado dele, poderá acompanhá-lo até a última injeção.

Eutanásia em cachorros - Posso ficar com meu cachorro durante a eutanásia?

Quando devo fazer eutanásia no cachorro?

Antes de tudo, deve-se observar que a decisão sobre a eutanásia é compartilhada entre o veterinário e o tutor do animal. É o veterinário que o propõe após uma avaliação completa das circunstâncias e das possíveis soluções para o caso e, se for realizado, será feito por este profissional.

Entretanto, é sempre o tutor ou tutora que tem a última palavra. De fato, um termo de consentimento livre e esclarecido deve ser assinado pela pessoa responsável pelo animal antes que o procedimento seja realizado.

Tanto os veterinários quanto os tutores têm a obrigação moral e legal de garantir a saúde e o bem-estar de seus animais de estimação. O paradoxo é que às vezes o bem-estar animal desejado só é alcançado ajudando o animal de estimação a acabar com o sofrimento sem fim. Portanto, devemos estar conscientes de que o objetivo não é derrotar a morte, nem mesmo retardá-la o máximo possível, mas garantir uma vida digna até o último momento:

  • Digna.
  • Livre do sofrimento e da dor.

A eutanásia é, sem dúvida, uma decisão complexa na qual estão envolvidos uma multiplicidade de fatores. No entanto, existe um protocolo para a tomada de decisão que pode ser de grande ajuda. Este protocolo é baseado em 4 perguntas:

  1. O animal pode manter uma qualidade de vida aceitável?
  2. Existem possibilidades reais (terapêuticas, técnicas, físicas e econômicas) de proporcionar bem-estar físico e psicológico para o animal?
  3. Se o tutor não puder arcar com os cuidados ou tratamento do animal, existe algum lar disposto a adotar o paciente e capaz de assumir os cuidados e tratamento dele?
  4. O animal representa algum risco para as pessoas e outros animais (por alguma doença infecciosa, por exemplo)?

Se a resposta a qualquer uma destas perguntas for não, a eutanásia é uma alternativa válida.

Em animais doentes terminais, incuráveis ou que foram tratados com eficácia mínima, a eutanásia constitui um ato de misericórdia. É claro que nem todos têm o mesmo conceito de vida e morte. Algumas pessoas acreditam que a morte não está decidida, mas é simplesmente algo natural que deve acontecer sem qualquer intervenção.

Entretanto, este pensamento pode ser bastante infeliz em algumas situações, pois quando se trata de sofrimento animal, devemos ser capazes de exercer maturidade e empatia a fim de ajudar o animal de estimação a "morrer melhor", com dignidade e sem dor. Portanto, a decisão sobre a eutanásia deve ser sempre baseada no bem-estar animal, além de quaisquer crenças pessoais.

Em resumo, a eutanásia nunca deve ser uma solução fácil a ser utilizada como primeira opção. Mas não devemos esquecer que é uma alternativa válida e humana nos casos em que poupar a vida de um animal é, na realidade, um ato de egoísmo e crueldade.

Como superar a morte de um cachorro

Infelizmente, a morte sempre traz perda e, com ela, o luto. No caso de nossos animais de estimação, não é diferente. Independentemente do tempo que tenhamos compartilhado com eles, eles se tornam membros de nossa família, assumem nossos sentimentos e se tornam parte de todas as nossas decisões a partir do momento em que entram em nossas vidas.

A fidelidade, a lealdade e o afeto incondicional que nossos animais de estimação nos dão tornam sua perda especialmente dolorosa. Durante o tempo em que nos acompanham, eles se tornam nossos companheiros de vida, tornam-se parte de nossa rotina e compartilham conosco uma infinidade de experiências, o que causa uma grande ausência quando eles não estão mais conosco.

Por esta razão, você deve saber que é completamente normal passar por um período de luto após sua perda. Durante o processo, sinta-se à vontade para expressar seu pesar como você precisa e buscar conforto daqueles que entendem a situação que você está passando. Embora a princípio possa ser realmente difícil se acostumar a uma nova vida sem eles, com o tempo você sentirá a dor indo embora. Os pensamentos e sentimentos negativos que inundam você no início do processo irão gradualmente desaparecer e dar lugar à memória dos grandes momentos que você teve com eles.

Superar a morte não é esquecer, nem é encontrar um mero substituto, mas ser capaz de aceitar a perda e pensar sobre ela enquanto se lembra dos grandes momentos que você compartilhou. Nunca esqueça que, mesmo que você sinta falta de seu animal de estimação todos os dias, a memória dele vive e sempre continuará a viver dentro de você.

Se desejar, você pode dar uma olhada no seguinte artigo da PeritoAnimal sobre como superar a morte de seu animal de estimação.

Agora que você já sabe todos os detalhes da eutanásia em cachorros, confira ainda este outro artigo no qual te mostramos como explicar a morte de um animal de estimação a uma criança.

Colaborou: Aerton Guimarães

Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

Se deseja ler mais artigos parecidos a Eutanásia em cachorros, recomendamos-lhe que entre na nossa seção de Prevenção.

Bibliografia
  • Câmara dos Deputados. Entra em vigor lei que proíbe extermínio de cães e gatos saudáveis por órgãos públicos. Disponível em: <https://www.camara.leg.br/noticias/818977-entra-em-vigor-lei-que-proibe-exterminio-de-caes-e-gatos-saudaveis-por-orgaos-publicos/>. Acesso em 3 de junho de 2022.
  • UNESP. RESOLUÇÃO Nº 1000, DE 11 DE MAIO DE 2012. Disponível em: <https://www.feis.unesp.br/Home/comissaodeeticaeusoanimal/resolucao-1000-11-05-2012--cfmv_-eutanasia.pdf>. Acesso em 3 de junho de 2022.
  • Asociación de Veterinarios Españoles Especialistas en Pequeños Animales (AVEPA). Eutanasia: un acto clínico complejo.
  • Ley 4/2016, de 22 de julio, de Protección de los Animales de Compañía de la Comunidad de Madrid. BOCM núm. 190.
  • World Society for the Protection of Animals (WSPA). Métodos de eutanasia para perros y gatos: comparación y recomendaciones.

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