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Existe cachorro racista?

 
Por Eduarda Piamore. 13 março 2019
Existe cachorro racista?

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Todos nós que amamos os cachorros tendemos a pensar e defender com convicção que os cães não alimentam nem propagam preconceitos, a diferença dos seres humanos. Porém, existem relatos verídicos sobre alguns cães que se mostram agressivos ou extremamente desconfiados na presença de pessoas de outras etnias que não sejam a do seu dono, pode levar a refletir se um cachorro pode ser racista.

Como você já deve saber, o racismo é um assunto delicado e complexo e, mais do que isso, é uma triste e violenta realidade que está marcada na história do Brasil e tantos outros países, infelizmente ainda está fortemente presente na base estrutural das sociedades. Por isso neste artigo do PeritoAnimal vamos explicar a possibilidade de os cachorros exercerem o racismo de forma consciente ou inconsciente. O objetivo deste texto é refletir se o preconceito e a discriminação fazem parte das interações sociais que os cachorros estabelecem entre si mesmos e com os seres humanos. Entenda agora: existe cachorro racista? Isso é mito ou verdade?

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Cachorros racistas existem?

Se me pedissem para expressar a minha opinião, eu diria que não existem cachorros racistas, mas sim cães que assimilam comportamentos racistas que 'absorvem' principalmente de seus tutores, mas também da sociedade ou da comunidade onde vivem e são educados. Mas o objetivo deste artigo não e meramente expressar minha opinião sobre aquilo que chamam de 'cachorro racista', por isso, te proponho que pensemos juntos se um cachorro pode ser racista a partir de uma análise básica da linguagem e das interações sociais entre os cães.

Assim, poderemos considerar se a etnia ou a cor da pele de uma pessoa realmente influencia no comportamento de um cachorro frente a ela e na predisposição à agressividade. Vejamos:

Cachorro racista: a etnia pode influenciar?

Se observamos o comportamento social dos cachorros, Você pode reparar que a visão não é o sentido prioritário na hora de conhecer outro indivíduo e identificar as características, seu estado de ânimo e suas 'intenções'. Os cachorros se comunicam principalmente através da linguagem corporal e, durante uma interação social, estão sempre atentos às posturas, aos gestos e as expressões faciais do seu 'interlocutor', utilizando principalmente o olfato para conhecer a 'identidade' do outro cachorro.

Por isso, quando um cachorro encontra outro na rua, antes de cheirá-lo ou se aproximar muito, dedicará alguns minutos para observar a postura do outro cachorro, a posição do rabo e das orelhas, o olhar e as atitudes ao tentar se aproximar. Se o outro cachorro mostra sinais de calma, indicando que está tranquilo e não pretende se envolver em um conflito, passarão para a próxima etapa que é se cheirar.

Muitas pessoas se perguntam por que um cachorro cheira o ânus de outro ou oferece seu rabo para ser cheirado. Bem, essa é uma rotina completamente normal nas interações sociais entre os cachorros e significam que esses dois indivíduos estão trocando informações para se conhecer melhor. Isso acontece porque as glândulas anais dos cachorros produzem algumas substâncias com um odor muito característico que transmite a 'identidade química' de cada indivíduo. Quando um cão cheiro o ânus de outro, sente esse odor único e singular através do qual pode recolher informações como sexo, idade, período fértil, estado de ânimo e de saúde, entre outros dados que o informam sobre quem é esse indivíduo com o qual interatua.

Neste sentido, podemos afirmar que a cor da pelagem ou a origem do outro cachorro não tem muita (ou qualquer) relevância nas interações sociais entre os cachorros, ou seja, a ideia de um preconceito animal não existe. O que realmente importa é o que o individuo expressa através do seu corpo, seja através de substâncias químicas ou de suas atitudes e gestos.

Por que os cachorros não gostam de algumas pessoas?

Se a etnia ou a cor da pele não importa para os cachorros, então, por que os cachorros não gostam de algumas pessoas, reagindo de forma agressiva ou desconfiada na sua presença? Bem, não existe apenas uma razão que possa explicar essa conduta, a linguagem e o comportamento dos cachorros são complexos e variados, podendo uma mesma atitude ter várias possíveis causas.

Quando dizemos que um cachorro parece racista, faz referência ao comportamento de forma diferente e negativa em relação a certas etnias. Como vimos, isso não ocorre por que o cachorro faz um juízo de valor sobre os traços étnicos ou a cor da pele de uma pessoa, já que esse tipo de análise não faz parte da linguagem e das interações sociais entre os cachorros. Mas então, por que isso acontece?

Para entender por que um cachorro pode parecer racista ao se encontrar com uma pessoa de uma etnia diferente da do seu tutor, é necessário analisar o contexto desse encontro e a educação que foi oferecida a cada cachorro, assim como observar a linguagem corporal do tutor e da pessoa que o cachorro 'não gosta'. Vejamos a seguir os principais motivos:

Existe cachorro racista? - Por que os cachorros não gostam de algumas pessoas?

Porque seu tutor é racista

Se, ao se encontrar com uma pessoa de outra etnia, o cachorro percebe alguma alteração do comportamento, na postura ou no estado de ânimo do seu tutor, poderá reagir de forma estranha ou negativa. Isso não acontece porque o tutor 'ensinou' o cachorro a ser racista, mas sim porque o cachorro percebe que a presença daquela pessoa causa um incômodo ou uma desconfiança no seu tutor, mediante a observação da sua linguagem corporal. Então, o cachorro pode interpretar a presença ou a proximidade daquela pessoa como uma possível ameaça ao bem-estar do seu dono, podendo adotar uma postura defensiva-agressiva.

Isso também pode acontecer quando o tutor mostrar que sente medo em determinado contexto que envolva outro indivíduo. Neste caso, o cachorro também perceberá as alterações no metabolismo do seu tutor, já que o corpo libera alguns hormônios para se preparar para um possível confronto ou para a necessidade de fugir. Por isso, sua reação pode ser mais agressiva, já que o cachorro percebe que seu tutor se sente em perigo.

Em ambos casos, o que motiva a reação agressiva do cão não é a etnia ou qualquer traço próprio de determinada pessoa, mas sim o comportamento e o pensamento do seu próprio tutor. Por isso, é possível afirmar que não existe cachorro racista, mas sim cachorros que assimilam o racismo dos seus donos.

Porque a outra pessoa atua de forma estranha

O cachorro também interpretará facilmente as posturas, os gestos e as expressões faciais das pessoas que se aproximam ao seu tutor. Caso percebam emoções negativas, como medo, estresse, ansiedade ou atitudes defensivas-agressivas, também poderão reagir negativamente para proteger seu humano favorito.

Por exemplo, muitos cachorros se mostram desconfiados ou reagem negativamente ao se encontrar com pessoas bêbadas, já que costumam fazer movimentos bruscos, dar passos irregulares e falar alto, o que pode assustar ou alertar o cachorro. Não se trata de um preconceito, ou de um cachorro racista, mas sim do natural exercício do seu instinto de sobrevivência.

Porque o cachorro não foi socializado corretamente

O processo de socialização ensina o cachorro a se relacionar de forma positiva com os demais indivíduos e estímulos ao seu redor, sendo fundamental para o fortalecimento da autoconfiança. Se um cachorro não foi devidamente socializado, pode agir de forma negativa em relação a pessoas e animais desconhecidos, uma socialização deficiente pode favorecer o desenvolvimento de diversos problemas de conduta nos cachorros, como a agressividade, além de impedi-los de desfrutar de uma vida social saudável e positiva.

Em casos mais graves, o cachorro pode mostrar uma conduta possessiva em relação ao seu tutor, impedindo que qualquer pessoa se aproxime. Isso acontece quando o cachorro vê no seu dono um recurso tão importante para o seu bem-estar que tem medo de perdê-lo e recorre à agressividade para evitar que qualquer indivíduo possa priva-lo desse bem tão valioso. Chama-se proteção de recursos e consiste em um problema de comportamento relativamente comum entre os cachorros, que precisa receber um tratamento adequado. Por isso, se seu cachorro parece possessivo com você, com os brinquedos ou com a comida, te aconselhamos consultar um veterinário especializado em etologia canina.

Por medo do desconhecido

Imagine que um cachorro jamais teve contato com uma pessoa de determinada etnia e esse encontro acontece de forma repentina, como de um dia para o outro. Embora isso não seja muito comum, o cachorro pode agir de forma estranha nessa primeira interação por simples medo do desconhecido. Se a isso somamos o fato do cachorro não ter sido corretamente socializado, é bem provável que sua reação seja negativa.

A melhor maneira de evitar que isso ocorra é, portanto, socializar seu cachorro desde filhote e apresentá-lo a diferentes animais e pessoas, para favorecer a sociabilidade. Porém, se você decidiu adotar um cachorro adulto, se alegrará em saber que também é possível socializar um cão adulto com a ajuda do reforço positivo, com paciência e muito afeto.

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