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Unicórnio existe ou já existiu?

 
Por Nick A. Romero H., Biólogo e educador ambiental. Atualizado: 15 julho 2021
Unicórnio existe ou já existiu?

Os unicórnios estão presentes em obras cinematográficas e literárias ao longo da história cultural. Hoje em dia, também os encontramos em contos e histórias em quadrinhos para crianças. Este belo e atraente animal sem dúvida captura a atenção das pessoas, pois sempre foi apresentado de forma marcante e, em muitos casos, está conectado às façanhas daqueles que protagonizam diversas lendas. Entretanto, hoje em dia este animal não está presente na vasta descrição das espécies vivas que habitam o planeta.

Mas então, de onde vêm as histórias sobre esses animais, será que eles chegaram a habitar a Terra? Convidamos você a ler este artigo do PeritoAnimal para descobrir se unicórnio existe ou já existiu e conhecer melhor tudo sobre o unicórnio real. Boa leitura.

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A lenda do unicórnio

Unicórnio existe? Os relatos sobre o unicórnio datam de muitos anos atrás, na verdade, existem há séculos. E há diferentes abordagens para as possíveis origens da lenda deste animal mítico. Uma delas corresponde a aproximadamente 400 a.C., e é encontrada em um relato escrito pelo médico grego Ctésias de Cnido, que ele chamou de Índica. Neste relato, é feita uma descrição sobre o norte da Índia, destacando a fauna do país e o unicórnio é mencionado como um animal selvagem, semelhante a um cavalo ou a um burro, mas com olhos brancos, azuis e com a presença de um chifre de cerca de 70 cm de comprimento.

De acordo com a referência, este chifre tinha propriedades medicinais, de modo que podia aliviar certas enfermidades. Outros personagens gregos que também aludiram a animais de um só chifre foram Aristóteles e Estrabão, bem como o romano Plínio, o ancião. O escritor romano Eliano, em seu trabalho sobre a natureza dos animais, cita Ctésias dizendo que, na Índia, é possível encontrar cavalos com a presença de um único chifre.

Por outro lado, algumas traduções da Bíblia interpretaram a palavra hebraica "reʼém" como "unicórnio", enquanto outras versões das escrituras lhe deram o significado de "rinoceronte", "boi", "búfalo", "touro" ou "auroque", provavelmente porque não havia clareza sobre o verdadeiro significado do termo. Mais tarde, porém, os estudiosos traduziram a palavra como "bois selvagens".

Outra história que suscitou a existência destes animais é que, na Idade Média, o suposto chifre do unicórnio era altamente cobiçado por seus benefícios aparentes, mas também porque se tornou um objeto de prestígio para quem o possuísse. Atualmente, foi identificado que muitas dessas peças encontradas em alguns museus correspondem ao dente de um narval (Monodon monoceros), que são cetáceos dentados nos quais há a presença de uma grande presa helicoidal em espécimes masculinos, que se projeta consideravelmente atingindo um comprimento médio de 2 metros.

Assim, estima-se que os vikings da época e os habitantes da Groenlândia, para atender a demanda por chifres de unicórnio na Europa, levaram esses dentes passando-os como chifres porque os europeus da época não conheciam o narval, que era nativo do Ártico e do Atlântico Norte.

Também foi sugerido que muitos dos chifres comercializados como de unicórnios fossem, na realidade, de rinocerontes. Mas afinal, unicórnio existe ou já existiu? Agora que conhecemos algumas das lendas e histórias mais populares que colocaram este animal no planeta, vamos falar sobre o unicórnio real a seguir.

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O unicórnio real

A verdadeira história dos unicórnios está relacionada a um animal que era conhecido como elasmotherium, unicórnio gigante ou unicórnio siberiano, que na verdade seria o animal que podemos chamar de unicórnio, que, por sinal, está extinto e pertenceu à espécie Elasmotherium sibiricum, por isso era mais como um rinoceronte gigante do que um cavalo. Este rinoceronte gigante viveu no final do Pleistoceno e habitou a Eurásia. Foi taxonomicamente colocado na ordem Perissodactyla, a família Rhinocerotidae e o gênero, também extinto, Elasmotherium.

A principal característica deste animal era a presença de um chifre grande, de cerca de 2 metros de comprimento, consideravelmente grosso, provavelmente um produto da união dos dois chifres que algumas espécies de rinocerontes possuem. Esta característica, de acordo com alguns cientistas, pode ser a verdadeira origem da história dos unicórnios.

O rinoceronte gigante dividiu o habitat com outra espécie extinta de rinoceronte e elefantes. Foi estabelecido pela descoberta de seus dentes que se tratava de um animal herbívoro especializado no consumo de capim. Estes gigantes da idade do gelo tinham o dobro do peso de seus parentes, portanto, estima-se que pesavam em média 3,5 toneladas. Além disso, possuíam uma proeminente corcunda e eram muito provavelmente capazes de correr em alta velocidade. Embora com várias correções anteriores, ultimamente tem sido declarado que esta espécie viveu até pelo menos 39.000 anos atrás. Também foi sugerido que ele existia ao mesmo tempo que os últimos Neandertais e os humanos modernos.

Embora não se exclua que a caça em massa possa tê-los levado à extinção, não há provas concretas a este respeito. As indicações apontam mais para o fato de que se tratava de uma espécie incomum, com uma baixa taxa populacional e que sofreu com as mudanças climáticas da época, o que finalmente causou seu desaparecimento. Agora, o unicórnio existe apenas nas lendas e histórias.

Unicórnio existe ou já existiu? - O unicórnio real

Evidências de que o unicórnio existiu

Considerando a espécie Elasmotherium sibiricum como o unicórnio real, há várias evidências fósseis de sua existência. O unicórnio existiu, então? Bem, como os conhecemos hoje, não, pois não há nenhuma evidência de sua presença no planeta.

Voltando à presença do rinoceronte gigante catalogado como um "unicórnio", um grande número de restos esqueléticos da espécie foram encontrados na Europa e na Ásia, principalmente peças dentárias, crânio e ossos da mandíbula; muitos desses restos foram encontrados em locais na Rússia. Especialistas sugeriram que as espécies apresentaram dimorfismo sexual devido a certas diferenças e semelhanças encontradas em vários crânios de indivíduos adultos, especialmente ligadas ao tamanho de certas áreas da estrutura óssea.

Mais recentemente, os cientistas conseguiram isolar o DNA do unicórnio siberiano, o que lhes permitiu estabelecer a localização do Elasmotherium sibiricum, assim como o resto do grupo pertencente ao gênero Elastrotherium e também esclarecer a origem evolutiva dos rinocerontes. Saiba mais sobre os tipos de rinocerontes atuais neste outro artigo.

Uma das conclusões mais importantes dos estudos é que os rinocerontes modernos se separaram de seus ancestrais há cerca de 43 milhões de anos e o unicórnio gigante foi a última espécie desta antiga linhagem de animais.

Em artigos como estes vemos que os animais não só nos surpreendem por sua existência real, mas também pelo surgimento de mitos e lendas que, embora muitas vezes tenham sua origem na presença real de um animal, ao acrescentar aspectos fantásticos geram atração e curiosidade, o que acaba por promover o desejo de aprender mais sobre as espécies que inspiraram estas histórias. Por outro lado, vemos também como o registro fóssil é um aspecto inestimável, pois somente a partir do estudo dele é possível chegar a conclusões importantes sobre o passado evolutivo das espécies que povoam o planeta e as possíveis causas que levaram à extinção de muitas, como é o caso do unicórnio real.

Agora que você sabe a resposta quando alguém perguntar se o unicórnio existe, talvez possa te interessar este vídeo sobre os maiores animais do mundo já encontrados:

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Bibliografia
  • Davis, J. (2018). El unicornio siberiano vivió al mismo tiempo que los humanos modernos. Museo de historia natural del Londres. Disponível em: <https://www.nhm.ac.uk/discover/news/2018/november/the-siberian-unicorn-lived-at-the-same-time-as-modern-humans.html>. Acesso em 23 de abril de 2021.
  • La Santa Biblia (2007). Versión Reina Valera. Colombia: Grupo Nelson.
  • Sooke, A. (2019). La fabulosa historia del origen del mito del unicornio (y por qué sigue causando fascinación). BBC News Mundo. Disponível em: <https://www.bbc.com/mundo/vert-cul-46765350>. Acesso em 23 de abril de 2021.

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