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Tipos de caracóis venenosos

 
Por Nick A. Romero H., Biólogo e educador ambiental. 3 março 2022
Tipos de caracóis venenosos

Você sabe qual é o caracol mais venenoso do mundo? O termo caracol é utilizado para se referir a uma grande diversidade de animais do grupo dos gastrópodes, que pertencem ao filo Moluscos, os quais são caracterizados pela presença de uma concha univalve externa notavelmente visível. Esses animais se espalharam por uma grande variedade de habitats, que inclui marinhos, de água doce e terrestres, mas até dentro de cada um deles podem se distribuir em diversas áreas de um mesmo ecossistema. Uma característica particular dos caracóis é que tendem a ter uma mobilidade lenta, no entanto, isso não os impede, dependendo da espécie, de poderem se mover, cavar, escalar ou nadar.

Embora geralmente pareçam inofensivos, alguns carregam toxinas que podem ser letais, inclusive para os seres humanos. Continue lendo este artigo do PeritoAnimal e conheça os diferentes tipos de caracóis venenosos.

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Características dos caracóis venenosos

Não são poucas as espécies de caracóis venenosos que existem, pois estima-se, de fato, que existem mais de 10 mil aproximadamente. Neste sentido, eles possuem uma diversidade muito grande, o que tornou sua taxonomia uma situação não tão simples. Tais animais são caracterizados por serem predadores marinhos e utilizar suas toxinas para capturar suas presas e depois devorá-las. Para os animais que possuem uma mobilidade lenta, sem dúvida, o veneno é uma estratégia bastante vantajosa para o tipo de alimentação carnívora que possuem.

Um aspecto em comum que os diversos tipos de caracóis venenosos apresentam, apesar das diferenças próprias de cada grupo, é que todos estão incluídos na superfamília Conoidea, dentro da qual foram identificados três, entre outras, que contêm as espécies com toxinas: Conidae, Turridae e Terebridae.

Caracóis-do-cone

Embora existam outros tipos de caracóis venenosos, os chamados caracóis-do-cone são o único grupo onde se encontram algumas espécies que podem ser letais para os seres humanos. Estes animais pertencem à família Conidae e é especificamente dentro do gênero Conus onde certas espécies perigosas se encontram.

Estes caracóis são caracterizados por não alcançarem tamanhos grandes, de modo que chegam a medir cerca de 23 cm de comprimento. No entanto, apesar dessas dimensões e movimentos lentos, os ataques podem ser rápidos, o que, juntamente com as substâncias tóxicas que possuem, fazem deles um dos caracóis mais venenosos e perigosos que existem e não apenas para nós, mas também para as espécies das quais se alimentam.

Trata-se de espécies marinhas que habitam principalmente nas águas do tipo tropical e subtropical, tanto do oceano Índico como Pacífico. Geralmente não estão presentes em áreas muito profundas; por isso, geralmente, durante o dia ficam nos recifes de corais vivos ou remanescentes destes, mas à noite deslocam-se para áreas rochosas ou arenosas.

Os caracóis-do-cone, ao contrário de outros, possuem rádula, seu aparelho de alimentação, de uma forma modificada, já que estes possuem dentes radulares pontiagudos e também são ocos. As estruturas mencionadas simulam um arpão, que utilizam para injetar a substância tóxica, que tem efeito sobre o sistema nervoso e muscular da vítima.

Características do veneno dos caracóis-do-cone

O veneno destes moluscos é constituído por diversos peptídeos que são cadeias de aminoácidos, que foram denominados neste caso como conotoxinas ou conopeptídeos, bastante estáveis.

Estas conotoxinas são menores que o veneno de outras espécies de animais, como aracnídeos ou serpentes, peculiaridade que as faz ter uma difusão mais rápida após entrar no organismo da presa. Isso explica por que a vítima fica paralisada em apenas alguns segundos. Mas a característica mais peculiar dessas toxinas é seu grau de seletividade, de modo que são capazes de selecionar receptores específicos à nível celular para exercer sua ação potente de uma maneira muito mais eficaz.

Exemplos de caracóis-do-cone venenosos

Para conhecê-los um pouco melhor, vejamos a seguir exemplos de caracóis venenosos pertencentes a este grupo:

  • Caracol-do-cone-roxo (Conus purpurascens): é nativo do oceano Pacífico, vive nas Ilhas Galápagos e Golfo da Califórnia. Não ultrapassa os 7,5 cm e é de cor roxa, podendo ter diferentes intensidades, com padrões pretos ou marrons. Também é venenoso e pode matar uma pessoa.
  • Caracol-do-cone-de-dall (Conus dalli): é outra espécie de caracol venenoso com potencial letal e pode matar seres humanos, por isso também é considerado um dos caracóis mais venenosos do mundo. Estende-se no Pacífico em grandes profundidades, por exemplo, nas águas próximas às Ilhas Galápagos, Golfo da Califórnia e Panamá. Sua coloração de tons amarelos e marrons simula uma rede com formas triangulares.

O caracol mais venenoso do mundo

Considerado o caracol mais venenoso do mundo, há relatos de inúmeras mortes de humanos causadas pelo caracol-do-cone-geográfico (Conus geographus)[1]. Também chamado de caracol de cigarro, pois se diz que uma pessoa picada por este animal só tem tempo de fumar um cigarro antes de morrer.

Este caramujo é nativo das águas tropicais e subtropicais dos oceanos Índico e Pacífico, especialmente das costas australianas e se alimenta de peixes. Assim, para conseguir pegá-los, precisa de um veneno forte o bastante para agir rapidamente sobre a presa. Se você estiver interessado em conhecer mais espécies, não perca este outro artigo onde mostramos Os animais mais perigosos da Austrália.

Na imagem observamos o caracol-do-cone-geográfico, que possui a fama de ser mais venenoso que cobras e escorpiões.

Tipos de caracóis venenosos - Caracóis-do-cone

Caracóis Gemmula

Este é outro dos tipos de caracóis venenosos encontrados dentro da família Turridae, que teve algumas divisões taxonômicas. A mesma possui uma grande variedade de espécies e é comum se referir a estes caracóis com o termo 'turrids' ou 'turridos'. No entanto, são especificamente os caracóis do gênero Gemmula os que apresentam toxinas utilizadas para caçar.

Estes caracóis tendem a ser maiores que o restante dos gêneros do grupo e se desenvolvem principalmente em águas tropicais profundas dos oceanos Índico e Pacífico. A rádula deste tipo de caracóis, uma vez que provoca ferida na presa, libera as toxinas que possui. Seu veneno é composto por vários peptídeos ricos em dissulfeto, o qual têm certas semelhanças com as conotoxinas dos caracóis de cone.

Exemplos de caracóis Gemmula venenosos

Como comentamos, apenas os pertencentes ao gênero Gemmula apresentam toxinas venenosas, e a seguir listamos alguns exemplos:

  • Gemmula speciose: em inglês é geralmente chamado de splendid turrid, sua concha mede entre 4 e 8 cm de comprimento e é caracterizado por sua forma ranhurada ou esculpida de cor branca ou amarela. Está distribuído nos mares da China, Japão, Filipinas e Papua Nova Guiné, entre outros.
  • Gemmula kieneri: sua aparência é similar a G. speciose, de fato, tem uma área de distribuição igual, embora também esteja presente na Austrália, em profundidades de 50 até um pouco mais de 300 metros. O tamanho varia entre 2,6 a 7 cm.

Na imagem vemos a espécie Gemmula speciose.

Tipos de caracóis venenosos - Caracóis Gemmula
Imagem: flickr.com

Caracóis-broca

Este é o terceiro grupo de caracóis venenosos que existem, que pertencem à família Terebridae. Também são conhecidos como caracóis-broca ou em espiral de sua concha, que se assemelha a ponta de uma broca. Nem todos os terebridaes são venenosos, alguns capturam suas presas e as engolem sem usar toxinas. Aqueles que possuem estes compostos ferem a vítima com seu dente radular em forma de agulha hipodérmica, depois injetam o veneno para imobilizá-la e finalmente devorá-la.

O veneno desses animais, embora tenha certas semelhanças com as conotoxinas em relação ao seus precursores, depois que se formam apresentam divergências importantes que permitem estabelecer que não há homologias entre os venenos dos caracóis de cone e a família Terebridae.

Exemplos de caracóis broca venenosos

Como nem todos os caracóis-broca são venenosos, mencionamos duas espécies que têm veneno:

  • Terebra subulata: esta espécie de caracol venenoso está distribuída na África Oriental, Madagascar, Japão, Havaí e Austrália, de 0 a 10 metros de profundidade. Atinge comprimentos de até 11 cm, de modo que tem forma alongada, com uma coloração creme e manchas escuras. Seu veneno é eficaz contra anelídeos dos quais se alimenta, mas inofensivo para vertebrados. Descubra os anelídeos neste outro post: "Tipos de anelídeos".
  • Hastula hectica: conhecido como 'broca de praia', é uma espécie de caracol perigoso e venenoso que mede entre 3 e 8 cm, com presença no oceano Índico ocidental. Sua toxina, conforme identificada, difere das conotoxinas.

Agora que você conhece os caracóis mais perigosos e venenosos do mundo, não deixe de descobrir e visite este outro artigo sobre os Tipos de caramujos: marinhos e terrestres.

Na foto observamos o caracol broca de praia.

Tipos de caracóis venenosos - Caracóis-broca

Se deseja ler mais artigos parecidos a Tipos de caracóis venenosos, recomendamos-lhe que entre na nossa seção de Curiosidades do mundo animal.

Referências
  1. BBC. Nem cobra nem escorpião: Conheça o animal mais venenoso do mundo. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/11/151106_vert_earth_caracol_veneno_fd>. Acesso em 3 de março de 2022.
Bibliografia
  • Field, J. y Calderón, R. (2010). Picadura por caracol Conus. Disponível em: <https://www.medigraphic.com/pdfs/bolclinhosinfson/bis-2010/bis102k.pdfHall>. Acesso em 3 de março de 2022.
  • M. (2011). "Conus geographus". Animal Diversity Web. Disponível em: <https://animaldiversity.org/accounts/Conus_geographus/Heralde>. Acesso em 3 de março de 2022.
  • FM 3rd, Imperial J, Bandyopadhyay PK, Olivera BM, Concepcion GP, Santos AD. (2008). A rapidly diverging superfamily of peptide toxins in venomous Gemmula species.
  • López, E., Aguilar, M. y Heimer, Edgar. (2006). Toxinas de caracoles marinos del género Conus. Academia Mexicana de Ciencias. Disponível em: <https://www.amc.edu.mx/revistaciencia/index.php/ediciones-anteriores/7-vol-57-num-3-julio-septiembre-2006/comunicaciones-libres58/17-toxinas-de-caracoles-marinos-del-genero-conus>. Acesso em 3 de março de 2022.
  • Mandë, N., Yves, C., Baldomero, P. (2009). Evolution of the Toxoglossa Venom Apparatus as Inferred by Molecular Phylogeny of the Terebridae, Molecular Biology and Evolution, volumen 26, número 1. Disponível em: <https://doi.org/10.1093/molbev/msn211>. Acesso em 3 de março de 2022.
  • MolluscaBase eds. (2022). MolluscaBase. Gemmula Weinkauff, 1875. Acessado através do: Registro Mundial de Espécies Marinhas em: <https://www.marinespecies.org/aphia.php?p=taxdetails&id=204110>. Acesso em 3 de março de 2022.

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