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Doença de Gumboro em aves - Sintomas e tratamento

 
Por Laura García Ortiz, Veterinária especializada em medicina felina. 7 abril 2021
Doença de Gumboro em aves - Sintomas e tratamento

A doença de Gumboro é uma infecção viral que afeta principalmente pintinhos, entre as primeiras 3 e 6 semanas de vida. Também pode afetar outras aves, como patos e perus, razão pela qual é uma das doenças mais comuns em aves de granja.

A doença se caracteriza por afetar os órgãos linfoides, principalmente a bursa de Fabricius das aves, causando imunossupressão por afetar a produção de células do sistema imunológico. Além disso, ocorrem processos de hipersensibilidade de tipo III com danos aos rins ou pequenas artérias.

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O que é a doença de Gumboro?

A doença de Gumboro é uma doença infecciosa e contagiosa das aves, que afeta clinicamente pintinhos de 3 a 6 semanas de idade, embora também possa afetar perus e patos. É caracterizada principalmente pela atrofia e necrose da bursa de Fabricius (um órgão linfoide primário das aves, que é responsável pela produção de linfócitos B), causando imunossupressão nessas aves.

É uma doença de grande importância sanitária e econômica, que afeta a avicultura. Apresenta alta taxa de mortalidade e é capaz de infectar entre 50% e 90% das aves. Por sua grande ação imunossupressora, favorece infecções secundárias e compromete a vacinação já realizada.

O contágio se dá pelo contato com fezes de frangos infectados ou por água, fomites (vermes) e alimentos contaminados por eles.

Doença de Gumboro em aves - Sintomas e tratamento - O que é a doença de Gumboro?

Qual vírus causa a doença de Gumboro nas aves?

A doença de Gumboro é causada pelo vírus da bursite infecciosa aviária (IBD), pertencente à família Birnaviridae e ao gênero Avibirnavirus. É um vírus muito resistente no ambiente, à temperatura, a um pH entre 2 e 12 e aos desinfetantes.

É um vírus de RNA que possui um sorotipo patogênico, o sorotipo I, e um sorotipo não patogênico, o sorotipo II. O sorotipo I inclui quatro patotipos:

  • Cepas clássicas.
  • Cepas de campo leves e vacinais.
  • Variantes antigênicas.
  • Cepas hipervirulentas.

Patogenia da doença de Gumboro

O vírus entra por via oral, chega ao intestino, onde se replica em macrófagos e linfócitos T na mucosa intestinal. A primeira viremia (vírus no sangue) começa 12 horas após a infecção. Passa para o fígado, onde se replica nos macrófagos hepáticos e nos linfócitos B imaturos da bursa de Fabricius.

Após o processo anterior, a segunda viremia ocorre e então o vírus se replica nos órgãos linfoides da bursa de Fabricius, timo, baço, glândulas de harder dos olhos e tonsilas cecais. Isso leva à destruição das células linfoides, o que causa uma deficiência do sistema imunológico. Além disso, ocorre uma hipersensibilidade de tipo 3 com deposição de complexos imunes nos rins e pequenas artérias, causando nefromegalia e microtrombos, hemorragias e edema, respectivamente.

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Sintomas da doença de Gumboro em aves

Duas formas da doença podem ocorrer em aves: subclínica e clínica. Dependendo da apresentação, os sintomas da doença de Gumboro podem variar:

Forma subclínica da doença de Gumboro

A forma subclínica ocorre em pintinhos com menos de 3 semanas de idade com baixa imunidade materna. Nessas aves, há uma baixa taxa de conversão e de ganho de peso médio diário, ou seja, como são mais fracos, precisam comer mais, e mesmo assim não ganham peso. Da mesma forma, há aumento no consumo de água, imunossupressão e diarreia leve.

Forma clínica da doença de Gumboro em aves

Esta forma aparece em aves entre 3 e 6 semanas, sendo caracterizada por apresentar os seguintes sintomas:

  • Febre.
  • Depressão.
  • Penas eriçadas.
  • Coceira.
  • Prolapso da cloaca.
  • Desidratação.
  • Pequenas hemorragias na musculatura.
  • Dilatação de ureteres.

Além disso, ocorre aumento do tamanho da bursa de Fabricius nos primeiros 4 dias, posterior congestão e hemorragia com entre 4 a 7 dias e, por fim, ela diminui de tamanho devido à atrofia e depleção linfoide, causando a imunossupressão que caracteriza a doença.

Doença de Gumboro em aves - Sintomas e tratamento - Sintomas da doença de Gumboro em aves

Diagnóstico da doença de Gumboro em aves

O diagnóstico clínico nos fará suspeitar da doença de Gumboro ou bursite infecciosa, com sintomas semelhantes aos indicados em pintinhos de 3 a 6 semanas de idade. É necessário fazer um diagnóstico diferencial com as seguintes doenças das aves:

  • Anemia infecciosa aviária.
  • Doença de Marek.
  • Leucose linfoide.
  • Gripe aviária.
  • Doença de Newcastle.
  • Bronquite infecciosa aviária.
  • Coccidiose aviária.

O diagnóstico será feito após a coleta das amostras e seu envio ao laboratório para exames laboratoriais diretos em busca do vírus e indiretos em busca de anticorpos. Os exames diretos incluem:

  • Isolamento viral.
  • Imunohistoquímica.
  • ELISA de captura de antígeno.
  • RT-PCR.

Os exames indiretos consistem em:

  • AGP.
  • Soroneutralização viral.
  • ELISA indireto.

Tratamento para doença de Gumboro em aves

O tratamento da bursite infecciosa é limitado. Devido aos danos causados aos rins, muitos medicamentos são contraindicados por seus efeitos colaterais renais. Portanto, atualmente não se pode mais utilizar antibióticos para infecções secundárias de maneira preventiva.

Por tudo isso, não existe tratamento para a doença de Gumboro em aves e o controle da doença deve ser feito por meio de medidas preventivas e de biossegurança:

  • Vacinação com vacinas vivas em animais em crescimento 3 dias antes da perda da imunidade materna, antes que esses anticorpos caiam para menos de 200; ou vacinas inativadas em reprodutoras e galinhas poedeiras para aumentar a imunidade materna para futuros pintinhos. Assim, existe uma vacina contra a doença de Gumboro, não para combatê-la uma vez que o pintinho tenha sido infectado, mas para evitar que ela se desenvolva.
  • Limpeza e desinfecção da granja ou casa.
  • Controle de acesso à granja.
  • Controle de insetos que podem transmitir o vírus em rações e camas.
  • Prevenção de outras doenças debilitantes (anemia infecciosa, marek, deficiências nutricionais, estresse...)
  • Medida todos dentro, todos fora (all-in-all-out), que consiste em separar em espaços diferentes os pintinhos provenientes de diferentes locais. Por exemplo, se um santuário animal resgata pintinhos de diversas granjas, é preferível mantê-los separados até que estejam todos saudáveis.
  • Acompanhamento sorológico para avaliar as respostas vacinais e a exposição ao vírus de campo.

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Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

Se deseja ler mais artigos parecidos a Doença de Gumboro em aves - Sintomas e tratamento, recomendamos-lhe que entre na nossa seção de Doenças virais.

Bibliografia
  • Portal Veterinaria. La enfermedad de Gumboro (I). Disponível em: <https://www.portalveterinaria.com/avicultura/articulos/11277/la-enfermedad-de-gumboro-i.html>. Acesso em 6 de abril de 2021.
  • Portal Veterinaria. La enfermedad de Gumboro (II). Disponível em: <https://www.portalveterinaria.com/articoli/articulos/11297/la-enfermedad-de-gumboro-y-ii.html>. Acesso em 6 de abril de 2021.
  • El sitio avícola. Enfermedad infecciosa de la Bursa (Gumboro). Disponível em: <https://www.elsitioavicola.com/publications/6/enfermedades-de-las-aves/270/enfermedad-infecciosa-de-la-bursa-gumboro/>. Acesso em 6 de abril de 2021.

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