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Como os cachorros se comunicam?

 
Por Jungla Luque, Etóloga e adestradora canina. 20 maio 2020
Como os cachorros se comunicam?

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A comunicação faz parte de qualquer relacionamento, seja entre seres humanos ou com nossos animais de estimação, que estão sempre dispostos a se comunicar com outros cachorros ou conosco. Contudo, como somos de espécies diferentes, é fácil cometer erros e interpretar mal o que um cachorro está expressando.

Neste artigo do PeritoAnimal, queremos explicar como os cachorros se comunicam, porque, embora aparentemente possamos acreditar que a comunicação canina é simples, na realidade esses animais têm uma linguagem complexa e diferentes maneiras de expressar suas necessidades e intenções a outros indivíduos.

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A linguagem canina

Geralmente, nos referimos à comunicação como uma ação na qual um emissor transmite informações a um destinatário, com a intenção de que, posteriormente, esse destinatário responda ou, para entendê-lo melhor, faça uma alteração de acordo com a intenção do emissor, embora o destinatário nem sempre dirija sua ação da maneira desejada.

Esse processo não é realizado apenas por pessoas, já que a grande maioria das espécies se comunica entre indivíduos da mesma espécie (interação intraespecífica) ou de espécies diferentes (interespecíficas). Bem, mesmo que os cachorros não usem palavras como nós, eles transmitem informações entre si através da visão, audição e olfato.

Os cachorros se entendem entre eles?

Muitas vezes há uma crença equivocada de que os cachorros, por serem cachorros, se entendem perfeitamente, pois a linguagem canina é instintiva, fato que pode causar conflitos e más experiências. E, embora seja verdade que esse aspecto tem um componente inato, a linguagem dos cachorros também é fortemente influenciada pelo aprendizado, uma vez que eles a moldam e desenvolvem ao longo do tempo desde seu nascimento.

Não é estranho, então, que a maioria dos cachorros que apresentam comportamentos conflitantes com outros da mesma espécie o façam frequentemente porque não tiveram uma socialização adequada, ou porque carecem de suficientes relacionamentos saudáveis ​​com outros cachorros.

O que queremos dizer com esta afirmação? A verdade é que grande parte da linguagem canina que um adulto expressa é aprendida quando filhote, especialmente durante o estágio de socialização. Uma vez que, embora instintivamente, os filhotes já sabem comunicar suas necessidades (choram para conseguir comida, proteção, expressam quando querem brincar...), é a interação com outros cachorros durante esta fase que lhes permitirá realizar um aprendizado que determinará sua linguagem adulta. Isso implica que um cachorro que teve pouca socialização (por exemplo, com apenas um cachorro), não entenderá ou não conseguirá se comunicar da maneira mais eficaz com outros cachorros, dando origem a inseguranças ou mal-entendidos que podem causar conflitos.

Da mesma forma, se o filhote de cachorro desde pequeno conheceu outros cachorros que também apresentavam deficiências nesse aspecto, ele pode não entender completamente como deve ser uma comunicação adequada com outros cachorros. Por exemplo, pode ser que um filhote conviva com outro cachorro que sempre se relaciona agressivamente com outros de sua espécie (sem se adaptar ao contexto), e o filhote, portanto, adota essa atitude agressiva com outros cachorros e sente medo do cachorro com o qual vive.

Neste outro artigo, falamos sobre a convivência entre um novo filhote e um cachorro adulto.

Como os cachorros se comunicam? - Os cachorros se entendem entre eles?

Comunicação visual em cachorros - A linguagem corporal

Nos referimos à comunicação visual como todos aqueles gestos, posturas ou movimentos corporais que o cachorro faz para expressas seu estado de espírito ou intenção. Distinguimos principalmente:

  • Relaxado: se o cachorro estiver calmo, manterá as orelhas erguidas (mas não apontadas para a frente), a boca ligeiramente aberta e o rabo abaixado, sem movimento.
  • Alerta ou atento: quando o cachorro tenta focar em algo em particular, ele direciona o corpo para esse elemento, com as orelhas voltadas para a frente, mantém os olhos bem abertos, podendo mover o rabo levemente e manter o corpo levemente inclinado para a frente.
  • Brincadeira: quando um cachorro quer convidar outro para brincar, é comum observar que ele faz uma "reverência", mantém o rabo levantado e em movimento, levanta as orelhas, dilata as pupilas e mantém a boca aberta, mostrando a língua em muitos casos. Essa posição pode ser acompanhada por latidos, investidas não-ameaçadoras e fugas repetidas, nas quais o cachorro começa a correr em qualquer direção para ser perseguido.
  • Agressividade ofensiva: esse tipo de agressividade tem intenção de ameaçar ou preparar para o ataque. As principais características que podemos detectar são os pelos arrepiados, a cauda para cima, bem como as orelhas, pupilas dilatadas, nariz enrugado, lábios levantados mostrando claramente os dentes, a boca fechada ou ligeiramente aberta e o corpo rígido e inclinado para frente.
  • Agressividade defensiva: pelo contrário, esse tipo de agressividade é demonstrado pelo cachorro quando se sente inseguro diante de qualquer elemento e, portanto, tenta se defender. Distinguimos esse tipo de agressividade, porque a pelagem fica arrepiada, as pernas ligeiramente para trás com o rabo entre elas, as orelhas para trás, as pupilas dilatadas, o nariz enrugado com as bordas levantadas e a boca permanece completamente aberta. Finalmente, ao contrário do anterior, o corpo fica inclinado levemente para baixo e para trás.
  • Medo: essa emoção é facilmente distinguível nos cachorros, pois é caracterizada pelo fato de o cachorro colocar o rabo entre as pernas, ficar com as orelhas abaixadas, a cabeça inclinada e, em geral, todo o corpo inclinado para baixo e com os músculos rígidos. Além disso, em caso de extremo medo, o cachorro pode urinar acidentalmente.
  • Sinais de calma: esse tipo de sinal abrange uma ampla gama de gestos e ações que o cachorro usa principalmente para declarar boas intenções na interação e apaziguar caso se sinta desconfortável, chateado ou em uma situação conflituosa. Por exemplo, ao abraçar um cachorro, ele pode bocejar, desviar o olhar, lamber a trufa... Além disso, quando um cachorro adota uma postura agressiva em relação a outro, se ele quer acabar com o conflito, certamente adotará o que é conhecido popularmente como uma postura submissa e emitirá esse tipo de sinal, mostrando que é completamente inofensivo e pedindo que o outro cachorro se acalme. O cachorro realiza essas ações para te comunicar que, mesmo que ele permita que você o abrace, ele prefere que não o faça. Foram identificados aproximadamente 30 tipos de sinais de calma que são constantemente realizados, e os mais comuns no repertório são lamber o nariz, bocejar, desviar o olhar, cheirar o chão, sentar, mover-se lentamente, virar as costas, etc.
  • Postura de submissão: como comentamos, quando um cachorro quer mostrar que é inofensivo, porque se sente ameaçado por outro indivíduo, ele pode adotar duas posturas, ou a linguagem corporal associada ao medo, ou uma postura de submissão. Esta última é caracterizada por um animal deitado de costas, expondo seu estômago e garganta (e estando, portanto, indefeso), com as orelhas inclinadas para trás e pressionadas contra a cabeça, evitando o contato visual, escondendo o rabo entre as pernas e podendo, inclusive, chegar a liberar algumas gotas de urina.

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Comunicação auditiva em cachorros

Os cachorros têm a capacidade de emitir um grande repertório de vocalizações, e todas elas nos informam sobre seu estado fisiológico e emocional. Agora, o mesmo som pode aparecer em diferentes contextos, portanto, para entender qual é o seu significado, é necessário interpretá-lo em conjunto com sua linguagem corporal. Vamos ver quais são as vocalizações mais comuns:

  • Latido: essa vocalização é a mais conhecida e aplicada na maioria dos contextos, porque o cachorro pode latir por estar excitado, devido a uma brincadeira, como um aviso se você se aproximar do território dele, como um acolhimento e até para atrair a atenção do dono. Então, se você quer saber por que seu cachorro late, precisa contextualizar a ação, entender em qual estado de espírito seu cachorro se encontra e para o que especificamente ele está latindo.
  • Rosnado: O rosnado é usado como uma forma de ameaça em caso de agressividade ou como um aviso, quando acontece algo que incomoda o cachorro e, portanto, ele quer que pare.
  • Choramingar: a razão mais comum para um cachorro choramingar é para pedir ajuda. Ou seja, assim como os filhotes fazem, quando um cachorro choraminga ele quer você o proteja ou cuide dele, seja alimentando ou fazendo companhia quando se sente inseguro.
  • Grito: os cachorros gritam quando estão com muita dor ou se assustam precipitadamente. Por exemplo, se você acidentalmente pisar no rabo do cachorro, é natural que ele grite e se afaste rapidamente.
  • Uivo: essa vocalização não ocorre em todos os cachorros, porque com a domesticação, nem todas as raças a preservaram completamente. É, portanto, um comportamento instintivo, que nos lobos serve para localizar os outros membros do grupo, para o reconhecimento individual e para a coordenação na caça. Nos cachorros, também pode ocorrer nessas circunstâncias se, por exemplo, o cachorro estiver perdido, ou se você se afastou, já que pode uivar para localizá-lo. Além disso, em alguns cachorros, esse som geralmente ocorre como uma resposta automática quando ouvem um som agudo, como uma sirene de veículo.
  • Suspiro: depois de uma situação em que um cachorro esteve sob muita tensão ou estresse, ele pode suspirar para relaxar. Da mesma forma, o cachorro também pode suspirar de decepção quando espera ansiosamente por uma coisa e não a consegue. Por exemplo, ele pode estar muito empolgado com a expectativa de que você lhe dará um prêmio e, quando você não o faz, suspira resignado.
  • Ofegar: quando um cachorro está muito cansado ou com muito calor, é normal que ele abra a boca e comece a ofegar, pois esse é um mecanismo que lhe permite regular a temperatura do corpo. Além disso, o cachorro também pode fazer isso quando estiver estressado.

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Como os cachorros se comunicam? - Comunicação auditiva em cachorros

Comunicação olfativa em cachorros

A comunicação olfativa é, possivelmente, uma das mais difíceis de identificar para nós, pois não temos um sentido de olfato tão desenvolvido quanto os cachorros. No entanto, devemos ter em mente que essa forma de comunicação é extremamente relevante para nossos peludos, pois através dela, podem transmitir todos os tipos de informações, como:

  • O sexo.
  • A idade.
  • O status social.
  • Doença.
  • O estado reprodutivo (se a fêmea está ou não no cio, por exemplo).

Essa forma de comunicação é possível graças aos feromônios, substâncias químicas voláteis produzidas por glândulas localizadas em diferentes áreas do corpo, como a facial, perianal, urogenital, podal e mamária.

Esses feromônios são captados pelo receptor quando são aspirados pelo nariz, graças ao órgão de Jacobson localizado na cavidade nasal, responsável por transmitir essa informação ao cérebro.

Além disso, existem diferentes meios pelos quais os cachorros fazem essa comunicação, direta ou indiretamente. Ou seja, quando um cachorro se aproxima para cheirar outro (por exemplo, quando cheiram o ânus ou as bochechas), ocorre um processo de comunicação olfativa direta. Da mesma forma, uma das vantagens dessa forma de transmissão de informações é que ela pode permanecer no ambiente por um longo tempo. Por esse motivo, a comunicação indireta também pode ocorrer quando o cachorro urina, dando a possibilidade de outros cães sentirem o cheiro e receberem todo tipo de informação. Também pode ser feita através de outras secreções, como a saliva.

Como os cachorros se comunicam? - Comunicação olfativa em cachorros

Como os cachorros se comunicam com os humanos?

Se você tem um ou mais cachorros como membros de sua família, certamente não será uma surpresa saber que esses animais se comunicam conscientemente com a gente. Esses afetuosos bichinhos são, desde filhotes, verdadeiras esponjas que absorvem todo tipo de informação sobre como se comunicar conosco.

Ou seja, os cachorros desde tenra idade aprendem a associar suas ações às consequências, e através dessas associações é que eles aprendem como podem expressar suas intenções e nos pedir coisas. Por exemplo, se quando filhote, seu cachorro associou que toda vez que ele lambe sua mão você o alimenta, não seria estranho que toda vez que ele estivesse com fome, lambesse sua mão para te avisar.

Por esse motivo, cada cachorro tem uma maneira única de se comunicar com seu tutor humano, e não é de surpreender que você o entenda perfeitamente toda vez que ele quer dar um passeio ou quer que você encha sua tigela com água.

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Bibliografia
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