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Os ninhos de andorinhas estão protegidos?

 
Por Nick A. Romero H., Biólogo e educador ambiental. 18 agosto 2021
Os ninhos de andorinhas estão protegidos?

A andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica) é uma ave da ordem dos Passeriformes que agrupa a maior parte das espécies do mundo, comumente chamadas de pássaros ou aves canoras devido às vocalizações que costumam emitir para se comunicar. Pertencem ao gênero Hirundo, que inclui animais nativos do velho mundo com exceção da andorinha-das-chaminés, que hoje tem distribuição cosmopolita, habitando a América, Ásia, Europa, África e Oceania.

Entre outras características, esta ave possui uma forma peculiar de construir seus ninhos, assunto do qual trataremos a seguir. Continue lendo este artigo do PeritoAnimal e descubra se os ninhos de andorinha estão protegidos.

Características das andorinhas

A andorinha-das-chaminés é uma ave pequena, podendo medir até 20 cm com uma envergadura de até quase 35 cm. Seu peso varia entre 17 e 20 gramas. Sua coloração é uma combinação de preto azulado, marrom e bege. Embora as fêmeas e machos sejam parecidos, este últimos exibem uma coloração mais marcante, bem como uma cauda mais longa. A simetria da cauda e das asas foi identificada como um traço de seleção, de forma que as fêmeas tendem a escolher os machos que possuem essas estruturas com maior simetria, o que faz com que os machos com características assimétricas tenham menos possibilidades de acasalamento. Contudo, estes últimos podem eventualmente se associar a um casal reprodutivo, tornando-se ajudantes na elaboração e defesa do ninho bem como na incubação e criação dos filhotes, e podendo finalmente se produzir com a fêmea.

Tanto as fêmeas quanto os machos participam da incubação dos ovos e do cuidado dos recém-nascidos, embora as primeiras ofereçam maior dedicação ao trabalho de criação. Essas aves se reproduzem entre maio e agosto, botando entre 2 e 7 ovos.

São animais gregários, e é comum observá-los em grupos sobre edifícios e cabos elétricos ou telefônicos. Também nidificam de forma comunitária, embora com alguma distância entre si, uma vez que, no que diz respeito aos seus ninhos, são bastante territoriais. Possuem hábitos completamente migratórios. As populações da Europa passam o inverno no sul ou oeste do continente, mas a maioria se desloca para a África. As populações da Ásia vão para o sul da região, enquanto as da América do Norte vão para o sul do continente.

Os ninhos de andorinhas estão protegidos? - Características das andorinhas

De que são feitos os ninhos das andorinhas?

As andorinhas constroem ninhos bastante elaborados com uma forma peculiar de xícara ou meia xícara [1]. Eles são feitos principalmente de barro, que é carregado tanto pelos machos quanto pelas fêmeas em várias viagens para o lugar onde escolheram fazer o ninho. Além disso, elas usam capim seco e até algas e penas longas para revestir a base de barro.

As andorinhas adaptaram a construção de seus ninhos a estruturas construídas por humanos. Anteriormente, eles os construíam em falésias e sítios rochosos, mas hoje, usam espaços como estábulos, pontes e até áreas de embarcações que lhes dão um espaço rígido para fixar essa estrutura. A água é um recurso importante, por isso aninham perto dela.

Como mencionamos, a andorinha-das-chaminés é territorial com seu ninho. No entanto, na presença de certos predadores, como aves de rapina, elas se submetem, embora tenham um voo ágil e rápido. Contudo, essas aves desenvolveram em algumas regiões uma relação mutualística com as águias-pescadoras, que se alimentam exclusivamente de peixes. Assim, as andorinhas tentam desenvolver seus ninhos sob essa ave de rapina para que ela proteja a área de qualquer outra ave que se aproxime. Por sua vez, as andorinhas avisam com a sua vocalização se detectarem algum perigo nas proximidades.

Desta forma, os ninhos das andorinhas em geral ficam protegidos, por um lado porque são construídos em locais de difícil acesso aos predadores e, por outro, pela proteção mencionada nas linhas anteriores, proporcionada pelas águias-pescadoras.

Os ninhos de andorinhas estão protegidos? - De que são feitos os ninhos das andorinhas?

As andorinhas voltam para o mesmo ninho?

Foi determinado que as andorinhas eventualmente retornam para o mesmo ninho, usando-o pelo menos duas vezes seguidas [2]. Contudo, dada a qualidade dessas estruturas, com alguns reparos simples elas podem até ser usadas por muito mais tempo.

A espécie tende a ser monogâmica, mas também podem copular com outros parceiros. Se um casal de andorinhas atinge sucesso reprodutivo, elas tendem a ficar juntas por vários anos, produzindo várias gerações de descendentes. Quando ocorre o retorno da migração, se algum membro do casal estabelecido não retorna, é comum que novos casais se formem para continuar a reprodução.

Por ser uma espécie migratória, algumas não conseguem retornar ao habitat de origem, de modo que muitas vezes os ninhos das andorinhas, sendo construções estáveis, podem ser utilizados por outros casais de andorinhas e até mesmo por aves de outras espécies.

Os ninhos de andorinhas podem ser removidos?

Os ninhos das andorinhas são elaborados com muito esforço, uma vez que elas carregam com seus pequenos bicos a lama necessária para a construção do ninho, assim como o restante dos materiais.

É por isso que, se os ninhos estiverem localizados em áreas onde não causam problemas, não devemos remover os ninhos das andorinhas para que possamos oferecer a elas a oportunidade de reutilizá-los nas próximas estações reprodutivas.

No entanto, as fezes dessas aves podem conter salmonela, o que implicaria em problemas de saúde, por exemplo, para animais de fazenda e para pessoas. Nesse sentido, se os ninhos foram construídos em espaços que podem ser afetados pelas fezes de andorinhas, eles devem ser retirados para que elas nidifiquem em outras áreas, evitando assim a geração de doenças.

O estado de conservação da andorinha-das-chaminés é classificado como pouco preocupante. No entanto, sua tendência populacional é decrescente. Existem duas razões principais para isso:

  • As intensas mudanças na agricultura: afetam a disponibilidade de insetos nesses ecossistemas, os quais são os alimentos específicos dessa ave. Assim, o uso de inseticidas, por exemplo, reduz drasticamente sua existência.
  • Ave bastante suscetível às mudanças climáticas: as variações climáticas afetam tanto os locais onde hibernam como os de reprodução, impactando negativamente a espécie.

Agora que você já sabe um pouco mais sobre o ninho das andorinhas e como elas o protegem, talvez você possa se interessar por outra ave, o papagaio mais inteligente do mundo. Confira no vídeo a seguir:

Se deseja ler mais artigos parecidos a Os ninhos de andorinhas estão protegidos?, recomendamos-lhe que entre na nossa seção de Curiosidades do mundo animal.

Referências
  1. BirdLife International. (2019). Hirundo rustica. La Lista Roja de Especies Amenazadas de la UICN 2019: e.T22712252A137668645. Disponível em: <https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2019-3.RLTS.T22712252A137668645.en>. Acesso em 13 de agosto de 2021.
  2. Torres, C. y Brandolin, P. (2019). Datos sobre la biología reproductiva de la Golondrina Tijerita Hirundo rustica y registros novedosos de nidificación en la provincia de San Luis y suroeste de Córdoba, Argentina. Cotinga 42 (2020): 61–65. Disponível em: <https://www.neotropicalbirdclub.org/cotinga/C42/Articles/Cotinga42-15Torres.pdf>. Acesso em 13 de agosto de 2021.
Bibliografia
  • Roth, C. (2002). Hirundo rustica. Animal Diversity Web. University of Michigan, Museum of Zoology. Disponible en: https://animaldiversity.org/accounts/Hirundo_rustica/

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