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História do Pit Bull Terrier Americano

 
Por Giselly Lillmans. 11 novembro 2019
História do Pit Bull Terrier Americano

Ficha do animal: American Pit Bull Terrier

O Pit Bull Terrier Americano sempre foi o centro dos esportes sangrentos envolvendo cachorros e, para algumas pessoas, este é o cachorro perfeito para essa prática, considerado 100% funcional. Você deve saber que o mundo dos cachorros de briga é um labirinto intrincado e extremamente complexo. Embora o "bull baiting" tenha se destacado no século XVIII, a proibição dos esportes sangrentos em 1835 deu origem às rinhas de cachorro porque nesse novo "esporte" era necessário muito menos espaço. Então, a partir dos antigos gladiadores Buldogue e dos Terriers Espartanos, nasceu um novo cruzamento de Buldogue e Terrier que marcou o início de uma nova era na Inglaterra, no que diz respeito às brigas de cães.

Hoje, o Pit bull é uma das raças mais populares do mundo, seja por sua injusta reputação de "cachorro perigoso" ou por seu caráter fiel. Apesar da má fama recebida, o Pit Bull é um cachorro especialmente versátil e com diversas qualidades. Por isso, neste artigo do PeritoAnimal vamos falar sobre a história do Pit Bull Terrier Americano, oferecendo uma perspectiva real e profissional com base em estudos e fatos comprovados. Se você é um amante da raça este artigo vai te interessar. Continue lendo!

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Bull baiting

Entre os anos de 1816 a 1860, as brigas de cachorros estavam em alta na Inglaterra, apesar de sua a proibição entre 1832 e 1833, quando foram abolidos o bull baiting (touradas), o bear baiting (brigas de ursos), o rat baiting (brigas de ratos) e até o dog fighting (brigas de cachorros). Além disso, essa atividade chegou até os Estados Unidos por volta de 1850 e 1855, ganhando popularidade rapidamente entre a população. Na tentativa de acabar com essa prática, em 1978 a sociedade para a prevenção da crueldade animal (ASPCA) proibiu oficialmente as brigas de cães mas, mesmo assim, em 1880 essa atividade continuou acontecendo em várias regiões dos Estados Unidos.

Após esse período, a polícia foi eliminando gradualmente a prática, que permaneceu na clandestinidade por muitos anos. É um fato que até hoje as brigas de cães continuam ocorrendo ilegalmente. No entanto, como tudo isso teve início? Vamos ao início da história do Pit Bull.

História do Pit Bull Terrier Americano - Bull baiting

Nascimento do Pit Bull Terrier Americano

A história do Pit Bull Terrier Americano e seus ancestrais, Buldogues e Terriers, está machada de sangue. Os antigos Pit Bulls, "pit dogs" ou "pit bulldogs", eram cachorros originários da Irlanda e da Inglaterra e, em pequena porcentagem, da Escócia.

A vida no século XVIII era difícil, especialmente para os pobres, que sofriam muito com as pragas de animais como ratos, raposas e texugos. Eles tinham cachorros por necessidade porque, caso contrário, ficariam expostos a doenças e problemas de abastecimento em suas casas. Esses cachorros eram os magníficos terriers, criados seletivamente a partir dos espécimes mais fortes, mais habilidosos e obstinados. Durante o dia, os terriers patrulhavam a área perto de casas, mas à noite protegiam as plantações de batata e campos agrícolas. Eles mesmos precisavam encontrar abrigo para descansar fora das casas.

Gradualmente, o Buldogue foi introduzido no cotidiano da população e, a partir do cruzamento entre Buldogues e Terrier, nasceu o "bull & terrier", a nova raça que possuía espécimes de cores diferentes, como fogo, preto ou tigrado.

Esses cachorros eram utilizados pelos membros mais humildes da sociedade como uma forma de entretenimento, fazendo-os lutar entre si. No início de 1800, já existiam cruzamentos de Buldogues e Terriers que brigavam na Irlanda e na Inglaterra, cachorros antigos que eram criados nas regiões de Cork e Derry, na Irlanda. De fato, seus descendentes são conhecidos pelo nome de "Old family" (família antiga). Além disso, também nasceram outras linhagens inglesas de Pit Bull, como "Murphy", "Waterford", "Killkinney", "Galt", "Semmes", "Colby" e "Ofrn". Esta última era outra linhagem da antiga família e, com o tempo e a seleção na criação, passou a ser dividida em outras linhagens (ou cepas) completamente diferentes.

Naquela época, os pedigrees não eram escritos e devidamente registrados, pois muitas pessoas eram analfabetas. Assim, a prática comum era criá-los e passá-los de geração em geração, enquanto eram cuidadosamente protegidos para não se misturarem com outras linhagens. Os cachorros da antiga família foram importados para os Estados Unidos por volta dos anos de 1850 e 1855, como no caso do Charlie "Cockney" Lloyd.

Algumas das linhagens mais antigas são: "Colby", "Semmes", "Corcoran", "Sutton", "Feeley" ou "Lightner", sendo este último um dos mais famosos criadores do Red Nose "Ofrn", que parou de criar porque ficaram grandes demais para seu gosto, além de não gostar de cachorros completamente vermelhos.

No início do século XIX, a raça de cachorro já havia adquirido todas as características que ainda hoje o tornam um cachorro especialmente desejado: capacidade atlética, coragem e temperamento amigável com as pessoas. Quando chegou aos Estados Unidos, a raça se separou ligeiramente dos cachorros da Inglaterra e da Irlanda.

Desenvolvimento do Pit Bull Americano nos EUA

Nos Estados Unidos, esses cachorros eram usados não apenas como cães de rinha, mas também como cães de caça, para abater javalis e gado selvagem, e também como guardiões da família. Devido a tudo isso, os criadores passaram a criar cachorros mais altos e um pouco maiores.

Esse aumento de peso, no entanto, era pouco significativo. Devemos ter em mente que os cachorros da antiga família na Irlanda do século 19 raramente excediam 25 libras (11,3 kg). Também não eram incomuns os que pesavam 15 libras (6,8 kg). Nos livros americanos da raça na primeira parte do século XIX, era realmente raro encontrar um espécime com mais de 50 libras (22,6 kg), embora tiveram algumas exceções.

A partir do ano 1900 e até 1975, aproximadamente, um pequeno e gradual aumento no peso médio do APBT começou a ser observado, sem nenhuma perda correspondente de capacidade de desempenho. Atualmente, o Pit Bull Terrier Americano não desempenha mais nenhuma das funções do padrão tradicional, como as brigas de cachorro, uma vez que testes de desempenho e competição em rinhas são considerados crimes graves na maioria dos países.

Apesar de algumas mudanças no padrão, como a aceitação de cachorros um pouco maiores e mais pesados, pode-se observar uma notável continuidade na raça ao longo de mais de um século. As fotografias arquivadas de 100 anos atrás que mostram cachorros de exposição não se distinguem dos criados atualmente. Embora, como em qualquer raça de desempenho, seja possível notar alguma variabilidade lateral (síncrona) no fenótipo através de diferentes linhas. Vimos fotos de cachorros de briga da década de 1860 que eram fenotipicamente falando (e a julgar pelas descrições contemporâneas de partidas em rinhas) idênticos aos APBT da atualidade.

Padronização do Pit Bull Terrier Americano

Esses cachorros eram conhecidos por uma grande variedade de nomes, como "Pit Terrier", "Pit Bull Terriers", "Staffordshire Ighting Dogs", "Old Family Dogs" (seu nome na Irlanda), "Yankee Terrier" (o nome no norte) e "Rebel Terrier" (o nome no sul), para mencionar apenas alguns.

Em 1898, um homem chamado Chauncy Bennet formou o United Kennel Club (UKC), com o único propósito de registrar os "Pit Bull Terriers", dado que o American Kennel Club (AKC) não queria ter nada a ver com eles por sua seleção e participação em rinhas de cachorro. Originalmente, foi ele quem adicionou a palavra "American" ao nome e retirou o "Pit". Isso não agradou a todos os amantes da raça e por isso a palavra "Pit" foi adicionada ao nome entre parênteses, como um compromisso. Finalmente, os parênteses foram removidos cerca de 15 anos atrás. Todas as outras raças registradas no UKC foram aceitas depois do APBT.

Outro registro do APBT são encontrados na American Dog Breeder Association (ADBA), iniciada em setembro de 1909 por Guy McCord, um amigo próximo de John P. Colby. Hoje, sob a direção da família Greenwood, o ADBA segue registrando unicamente o Pit Bull Terrier Americano e está mais em sintonia com a raça do que o UKC.

Você deve saber que o ADBA é um patrocinador de shows de conformação mas, o mais importante, patrocina competições de arrastamento de peso, avaliando assim a resistência dos cachorros. Também publica uma revista trimestral dedicada ao APBT, chamada "American Pit Bull Terrier Gazette". O ADBA é considerado o registro padrão do Pit bull, já que é a federação que mais se esforça para manter o padrão original da raça.

Pit bull Terrirer Americano: o cachorro babá

No ano de 1936, graças a "Pete o cachorro" em "Os Batutinhas", que familiarizou um público mais amplo com o Pit Bull Terrier Americano, a AKC registrou a raça como "Staffordshire Terrier". Este nome foi alterado para American Staffordshire Terrier (AST) em 1972, para diferenciá-lo de seu parente próximo e menor, o Staffordshire Bull Terrier. Em 1936, as versões do AKC, do UKC e do ADBA sobre o "Pit Bull" eram idênticas, pois os cachorros originais do AKC foram desenvolvidos a partir dos cachorros de rinhas de briga, registrados no UKC e no ADBA .

Durante este período de tempo, assim como nos anos seguintes, o APBT foi um cachorro muito querido e popular nos Estados Unidos, sendo considerado o cachorro ideal para famílias devido ao seu temperamento carinhoso e tolerante com crianças. Foi aí que apareceu o Pit Bull como cachorro babá. As crianças pequenas da geração de "Os Batutinhas" queriam um companheiro como o Pit Bull Pete.

Veja mais sobre as raças de cachorros ideais para crianças no nosso vídeo no YouTube:

O Pit Bull Terrier Americano na Primeira Guerra Mundial

Durante a Primeira Guerra Mundial, havia um cartaz de propaganda americana que representa as nações europeias rivais com seus cachorros nacionais vestidos com uniformes militares. No centro, o cachorro que representa os Estados Unidos era um APBT, declarando abaixo: "Sou neutro, mas não tenho medo de nenhum deles."

História do Pit Bull Terrier Americano - O Pit Bull Terrier Americano na Primeira Guerra Mundial

Raças de Pit Bull existem?

Desde 1963, devido aos diferentes objetivos em sua criação e desenvolvimento, o American Staffordshire Terrier (AST) e o American Pit Bull Terrier (APBT) se diferenciaram, tanto em fenótipo quanto em temperamento, embora ambos continuem, idealmente, tendo a mesma predisposição amigável. Após 60 anos de criação com objetivos muito diferentes, esses dois cachorros agora são raças completamente diferentes. No entanto, algumas pessoas preferem vê-las como duas linhagens diferentes da mesma raça, uma de trabalho e outra de exposição. De qualquer forma, a diferença continua aumentando à medida que criadores de ambas as raças consideram impensável cruzar as duas.

Para um olho não qualificado, o AST pode parecer maior e assustador, graças à sua cabeça grande e robusta, com músculos bem desenvolvidos na mandíbula, o peito mais largo e o pescoço grosso. No entanto, em geral, eles não tem nada a ver a nível de esportes como o APBT.

Devido à padronização de sua conformação para fins de exibição, o AST tende a ser selecionado por sua aparência e não por sua funcionalidade, em um grau muito maior do que o APBT. Observamos que o Pit Bull tem uma faixa fenotípica muito mais ampla, uma vez que o objetivo principal de sua criação, até recentemente, não era conseguir um cachorro com uma aparência específica e sim um cachorro para lutar nas rinhas, deixando de lado a busca por certas características físicas.

Alguns APBT de raça são praticamente indistinguíveis de um típico AST, no entanto, em geral são um pouco mais magros, com membros mais longos e mais leves, algo especialmente perceptível na postura dos pés. Da mesma forma, eles tendem a mostrar mais resistência, agilidade, velocidade e uma força explosiva.

O Pit Bull Terrier Americano na Segunda Guerra Mundial

Durante e após a Segunda Guerra Mundial, e até o início dos anos 80, o APBT desapareceu. No entanto, ainda havia alguns devotos que conheciam a raça até os mínimos detalhes e sabiam muito sobre a ancestralidade de seus cachorros, sendo capazes de recitar genealogias de até seis ou oito gerações.

O Pit Bull Terrier Americano atualmente

Quando o APBT se tornou popular com o público, por volta de 1980, indivíduos infames com pouco ou nenhum conhecimento da raça começaram a possuí-los e criá-los e, como esperado, a partir disso começaram a surgir problemas. Muitos desses recém-chegados não aderiam aos objetivos tradicionais de criação dos antigos criadores de APBT, e assim começou a moda do "quintal", na qual começaram a cruzar cachorros aleatórios, a fim de criar em massa os filhotes que eram considerados uma mercadoria lucrativa, sem nenhum conhecimento ou controle, em suas próprias casas.

Mas o pior ainda estava por vir, eles começaram a selecionar cachorros com os critérios opostos aos que haviam prevalecido até então. Iniciou-se a criação seletiva de cachorros que mostravam uma tendência à agressividade para com as pessoas. Em pouco tempo, as pessoas que não deveriam ter sido autorizadas produziram cachorros criados de qualquer maneira, Pit Bulls agressivos contra os seres humanos para um mercado de massas.

Isso, combinado com a facilidade dos meios para simplificação excessiva e o sensacionalismo, resultou na guerra da mídia contra o Pit Bull, algo que continua até hoje. É desnecessário dizer que, especialmente quando se trata desta raça, deve-se evitar os criadores "de quintal", sem experiência nem conhecimento sobre a raça, pois é frequente o aparecimento de problemas de saúde e de comportamento.

Apesar da introdução de algumas práticas de criação ruins nos últimos 15 anos, a grande maioria dos APBT ainda são muito amigáveis com o ser humano. A American Canine Temperament Testing Association, que patrocina os testes de temperamento de cachorros, confirmou que 95% de todos os APBT que realizaram o teste o completaram com sucesso, levando em consideração a comparação com uma taxa de aprovação de 77% para todas as outras raças, em média. A taxa de aprovação do APBT foi a quarta maior de todas as raças analisadas.

Hoje em dia, o APBT ainda é utilizado em brigas ilegais, geralmente nos Estados Unidos e na América do Sul. As brigas em rinhas são realizadas em outros países onde não há leis ou onde as leis não são aplicadas. No entanto, a grande maioria do APBT, mesmo dentro das gaiolas de criadores que os reproduzem para lutar, nunca viu uma ação na rinha. Em vez disso, são cachorros de companhia, amantes leais e animais de estimação de família.

Uma das atividades que realmente ganhou popularidade entre os fãs do APBT é a competição de arrastar pesos. O Weight pulling retém parte do espírito competitivo do mundo das lutas, mas sem sangue ou dor. O APBT é uma raça que se destaca nessas competições, em que a recusa em desistir é tão importante quanto a força bruta. Atualmente, os APBT detêm recordes mundiais em várias categorias de peso.

Outras atividades para as quais o APBT é ideal são as competições de Agility, em que sua agilidade e determinação podem ser muito apreciadas. Alguns APBT foram treinados e se desempenharam bem no esporte de Schutzhund, um esporte canino desenvolvido na Alemanha no final dos anos 90.

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Bibliografia
  • American Pit Bull Terrier - United Kennel Club - Disponível em: https://www.ukcdogs.com/american-pit-bull-terrier
  • Heritage American Pit Bull Terrier Conformation Standard - American Dog Breeders Association - Disponível em: https://adbadog.com/heritage-american-pit-bull-terrier-conformation-standard/
  • American Temperament Test Society (ATTS) - Disponível em: http://www.starofthenorthsharpeiclub.com/oldsite/Rescue/Foster/American%20Temperament%20Test%20Society.pdf

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