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Aves pré-históricas vivas e extintas

 
Por Nick A. Romero H., Biólogo e educador ambiental. 11 julho 2022
Aves pré-históricas vivas e extintas

A diversidade atual do planeta contêm um variado grupo de vertebrados que conhecemos comumente como "aves", as quais surgiram há milhões de anos, muitas delas que receberam o nome de aves do terror - que podiam alcançar os 3 metros de tamanho e se tornaram, com a extinção dos dinossauros, as grandes predadoras do planeta em seu momento. Os estudos genéticos permitiram evidenciar que elas têm parentesco com os extintos dinossauros, e que seus parentes vivos mais diretos são os crocodilos, o que as torna um grupo muito peculiar.

Quando ocorreu o evento que causou a extinção dos dinossauros, muitas aves daquele tempo também desapareceram, mas outras puderam continuar seu caminho evolutivo até as atuais. Neste artigo do PeritoAnimal, falaremos sobre as aves pré-históricas vivas e extintas, a relação que têm com os dinossauros, e mostramos exemplos concretos. Convidamos você a continuar lendo para conhecer quais são.

Quais são as aves pré-históricas?

O termo "pré-histórico" faz referência a tudo aquilo que esteve presente ou que aconteceu antes que os seres humanos desenvolvessem uma maneira de deixar algum registro desse evento. Sendo assim, é claro que são muitas as espécies de animais que podem ser consideradas pré-históricas, porque seu aparecimento é, inclusive, anterior à nossa espécie. Agora, dentro dos animais pré-históricos, podemos encontrar muitos extintos, mas também outros que ainda estão vivos.

No caso das aves, elas surgiram há aproximadamente 150 milhões de anos, o que nos indica que conviveram com os dinossauros, o que nos permite dizer que são um grupo pré-histórico. Mesmo assim, uma grande quantidade desses emplumados se extinguiu, e seu caminho de evolução levou as aves a formar o grupo conhecido atualmente como "aves modernas", as quais têm um ancestral comum que divide opiniões em relação a se este surgiu antes ou depois do evento massivo de extinção que ocorreu nos limites do Cretáceo-Paleógeno. Nós te contamos as diferentes teorias no artigo sobre a Origem e evolução das aves.

Apesar das posições encontradas, a evidência dos últimos anos permite referir que entre alguns gansos primitivos, patos, galinhas, bem como emas e avestruzes, encontramos as aves pré-históricas que se mantém na atualidade[1].

Que relação os dinossauros têm com as aves pré-históricas?

Sem dúvidas, a abordagem na qual se relacionam os dinossauros com as aves é, de fato, surpreendente, mas o que é que esses lindos e delicados animais emplumados podem ter em comum com os temíveis e imponentes dinossauros?

Os estudos científicos realizados a partir do registro fóssil permitiram gerar um consenso de se referir às aves como um grupo que evoluiu e se especializou a partir dos dinossauros terópodes, no qual encontramos os dinossauros carnívoros mais temíveis, que são descritos como tendo ossos ocos como os das aves modernas, e, embora seus ancestrais tivessem sido carnívoros, logo diversificaram suas dietas a onívoros ou herbívoros, de acordo com o grupo, assim como as aves. Por isso, os dinossauros terópodes são hoje em dia representados pelas aves. A partir da comparação dos fósseis de estruturas ósseas dos terópodes, de maneira geral, pode-se dizer que eles, ao longo de mais ou menos 50 milhões de anos, experimentaram uma miniaturização de seus corpos, além de ficarem mais emplumados, mostrarem uma ampliação de seus peitos e de desenvolverem as asas.

Os primeiros terópodes pesavam em torno de 300 kg, e muitos os chamam, hoje em dia, de aves do terror, devido ao seu tamanho, pois podiam alcançar os 3 metros de altura, e o peso mencionado. Mas, no processo evolutivo, uns 20 ou 30 milhões de anos depois, eles já pesavam muito menos, fazendo com que o encolhimento acontecesse relativamente mais rápido. Com essa redução de peso e de dimensões, esses animais começaram a se inserir num novo nicho ecológico, no qual provavelmente tinham pouquíssima concorrência, o que lhes permitiu um êxito de conquista e desenvolvimento.

Dessa forma, os dinossauros e as aves pré-históricas têm uma estreita relação evolutiva e, portanto, biológica e até ecológica, já que, em relação a este último aspecto, por exemplo, as evidências sugerem que esses dinossauros antepassados das aves tinham costumes arborícolas, e que podiam inclusive planar.

Exemplos de aves pré-históricas extintas

Agora que já sabemos que as aves pré-históricas vivas e extintas provêm dos dinossauros, vamos conhecer algumas espécies mais de perto. O grupo de aves pré-históricas extintas é muito amplo. Vejamos alguns exemplos:

Ave-trovão-de-Stirton (Dromornis stirtoni)

Iniciamos a nossa lista de aves pré-históricas extintas com esta que foi uma ave não voadora, endêmica na austrália e que ali habitou há milhões de anos. É considerada uma das maiores aves que já existiram, pois pesava entre 450 e 600 kg, e a cabeça media mais de meio metro de comprimento. Apesar desses traços, tinha um cérebro diminuto se comparado em tamanho com o das galinhas e dos pardais.

Pelagornis chilensis

Esta espécie corresponde a uma das maiores aves pré-históricas voadoras que já existiram. Seus restos foram descobertos no Chile, e permitiram descrever que a envergadura das asas do animal tinha entre 5,25 e 6,10 metros.

Viveu há aproximadamente 7 milhões de anos. Além de seu tamanho, destaca-se a presença de projeções de ossos no bico, que simulavam dentes. Por outro lado, se descreve uma aparência similar à de um pelicano.

Ave-de-Astéria (Asteriornis maastrichtensis)

Esta ave pré-histórica tem parentesco com o antepassado tanto dos patos quanto dos galos. Viveu na Europa há cerca de 66,7 milhões de anos, e por isso esteve na época em que existiram os dinossauros. Estima-se que podia voar, e seu habitat eram zonas costeiras. Sua contribuição à ciência foi muito valiosa, porque dá informação sobre as primeiras aves modernas que viveram nesse período.

Ave-elefante (Aepyornithidae)

Em Madagascar, existiu um grupo de aves que surgiu há mais ou menos 85 milhões de anos, o qual foi extinto pela pressão humana no século XVIII. Seu nome faz referência à sua principal característica, o enorme tamanho que podiam alcançar, o qual era de uns 3 metros de altura e aproximadamente 650 kg.

Moas (Dinornithiformes)

Existiu um grupo de aves atípicas que compreendia uma diversidade de espécies de variados tamanhos, mas que tinham um traço comum obtido em seu processo evolutivo: a ausência de asas. Habitavam a Nova Zelândia e, dependendo da espécie, podiam ter as dimensões de uma galinha atual ou chegar aos 3 metros de altura. Surgiram por volta de 90 milhões de anos atrás e foram extintas nos anos 1400 pela ação humana. Entre seus parentes vivos, encontramos os kiwis, entre outros.

Outras aves pré-históricas extintas:

  • Dodô (Raphus cucullatus)
  • Avestruz-asiático (Struthio asiaticus)
  • Pato-mergulhão (Pachyanas chathamica)

Neste artigo sobre os animais do filme A era do gelo você verá que o dodô foi um dos bichos presentes nas histórias desse grande sucesso dos cinemas.

Aves pré-históricas vivas e extintas - Exemplos de aves pré-históricas extintas

Exemplos de aves pré-históricas que ainda vivem

Em certos casos, aves extintas têm parentesco próximo com as espécies que se encontram vivas atualmente. Vamos conhecer alguns exemplos de aves pré-históricas vivas:

Família Struthionidae

Esta é uma família de aves não voadoras, as quais surgiram no eoceno, período que durou entre 56 e 34 milhões de anos aproximadamente. Nos dias atuais, o único gênero vivo é o Struthio, dentro do qual se encontram os peculiares avestruzes.

Família Rheidae

Esta família se encontra no grupo das ratitas, que são as aves não voadoras e que têm uma longa história evolutiva. Nesta família, há várias espécies já extintas, mas três se mantêm vivas atualmente e são conhecidas popularmente como emas.

Descubra neste outro post as diferenças entre ema e avestruz.

Grupo Galloanserae

Este grupo, tradicionalmente chamado dessa maneira, contém outros dois subgrupos, dentro dos quais se encontram uma grande quantidade de espécies com uma longa história de domesticação por parte dos humanos, as quais são:

  • Galliformes: principalmente terrestres.
  • Anseriformes: corresponde a espécies com hábitos aquáticos.

Os antepassados do grupo conviveram com os dinossauros, mas foram extintos. Os Galloanserae conseguiram continuar seu caminho evolutivo para, na atualidade, ter representantes como as galinhas e os patos.

Aves pré-históricas vivas e extintas - Exemplos de aves pré-históricas que ainda vivem

Se deseja ler mais artigos parecidos a Aves pré-históricas vivas e extintas, recomendamos-lhe que entre na nossa seção de Curiosidades do mundo animal.

Referências
  1. Tambussi, C. (2006). Evolución de las aves modernas. Disponível em: Revista Museo. Disponível em: <http://sedici.unlp.edu.ar/bitstream/handle/10915/47242/Documento_completo__.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em 15 de junho de 2022.
Bibliografia
  • Braun, E. L.; Kimball, R. T. (2021). Data types and the phylogeny of Neoaves. Birds. Disponível em: <https://www.mdpi.com/2673-6004/2/1/1>. Acesso em 15 de junho de 2022.
  • Borenstein, S. (2014). Study traces dinosaur evolution into early birds. Disponível em: <https://web.archive.org/web/20140808042331/http://apnews.excite.com/article/20140731/us-sci-shrinking-dinosaurs-a5c053f221.html>. Acesso em 15 de junho de 2022.
  • Lingenhöhl, D. (2021). El ave gigante con cerebro de gorrión. Disponível em: <https://www.investigacionyciencia.es/noticias/el-ave-gigante-con-cerebro-de-gorrin-19740>. Acesso em 15 de junho de 2022.
  • Museo Nacional de Historia Natural de Chile (). Pelagornis chilensis: el ave prehistórica más grande del mundo. Disponível em: <https://www.mnhn.gob.cl/colecciones/pelagornis-chilensis-el-ave-prehistorica-mas-grande-del-mundo>. Acesso em 15 de junho de 2022.
  • Pickrell, J. (2020). Descubren los restos del ave moderna más antigua documentada hasta la fecha. Disponível em: <https://www.nationalgeographic.es/animales/2020/03/descubren-restos-ave-moderna-mas-antigua-documentada>. Acesso em 15 de junho de 2022.

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