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Animais em extinção no Pantanal

 
Por Aerton Guimarães. 1 outubro 2020
Animais em extinção no Pantanal

Quando se fala em Pantanal, o que vem à sua cabeça? Muita gente pensa em onças, jacarés ou grandes peixes. A verdade é que este bioma - conhecido por ser a maior superfície alagada do mundo - possui uma enorme diversidade de plantas e animais.

No entanto, toda essa riqueza vive em constante ameaça, seja pelo crescente número de queimadas, pela expansão da agropecuária ou pela caça ilegal. Por isso, há um grande risco para que aumente o número de animais em extinção no Pantanal.

Neste artigo do PeritoAnimal, vamos mostrar quais animais correm perigo, quais já foram extintos e o que pode ser feito para evitar que outros animais desapareçam da natureza. Confira!

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O que é o Pantanal?

O Pantanal é um dos seis biomas presentes no Brasil, junto com a Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Cerrado. Sua área é de 150.988 km², o que representa 1,8% da área total do território brasileiro.[1]

Apesar de pequeno em comparação com outros biomas brasileiros, não se deixe enganar. Para que você tenha uma ideia, o Pantanal tem uma área maior que a Grécia, Inglaterra ou Portugal e corresponde a duas vezes ao tamanho do Panamá.

Onde fica o Pantanal

Localizado na região Centro-Oeste, ele está presente em 22 cidades do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, além de Paraguai e Bolívia. O bioma se destaca pela forte presença de comunidades tradicionais, como os povos indígenas e quilombolas, que no decorrer dos anos ajudaram a difundir a cultura pantaneira.

Está situado sobre uma enorme depressão que se localiza na Bacia hidrográfica do Alto Paraguai. Em períodos de muita chuva, o rio Paraguai transborda e alaga uma grande parte do território e as regiões de plantações ficam inundadas. Quando as águas descem, se cria gado e se colhem e fazem novas plantações, por isso a região é muito conhecida pela exploração piscatória, pecuária e agrícola.

Fauna e flora

Pela sua enorme biodiversidade (flora e fauna), o Pantanal é Patrimônio Nacional pela Constituição Federal e considerado Reserva da Biosfera e Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco, o que não impede a crescente deflorestação e destruição. Apenas 4,6% da região está protegida por unidades de conservação.

A presença de uma grande diversidade de plantas e animais, como mamíferos, anfíbios, répteis, aves e insetos se deve também à sua localização privilegiada e da influência da flora e fauna da Floresta Amazônica, Mata Atlântica, Chaco e do Cerrado.

Há pelo menos 3,5 mil espécies de plantas, 124 espécies de mamíferos, 463 espécies de aves e 325 espécies de peixes.[2]Mas a lista de animais ameaçados de extinção não para de crescer, principalmente devido à ação do ser humano.

Além da inadequada ocupação irregular do solo, o extrativismo, a caça e a pesca predatória são encorajados pelo contrabando de peles e espécies raras. A fronteira com outros países sul-americanos aumenta os riscos no ecossistema. A expansão da agropecuária e as queimadas são apontadas como as principais ameaças ao bioma. Entre agosto e setembro de 2020, houve um recorde de focos de incêndio na região, o que destruiu o equivalente a mais de 2 milhões de campos campos de futebol.[3]

Animais em extinção no Pantanal - O que é o Pantanal?

Animais em extinção no Pantanal

De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, órgão ambiental do governo que faz parte do Ministério do Meio Ambiente, há 1.172 espécies de animais ameaçadas de extinção no Brasil. Desse total, 318 estão em uma situação considerada crítica, ou seja, correm bastante perigo de realmente desaparecer da natureza.[2]

É importante não confundir animais ameaçados de extinção, ou seja, aqueles que ainda existem mas correm risco de desaparecer, com aqueles que já estão em extinção na natureza (conhecidos apenas pela criação em cativeiro) ou extintos (que já não existem). Já na categoria de ameaça, as espécies podem ser classificadas como: vulnerável, em perigo ou em perigo crítico.

Vamos conhecer abaixo os animais que vivem no Pantanal e que correm risco de extinção de acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) e o Instituto Chico Mendes. Apenas o último da lista é um animal que já foi extinto. Vale destacar que esse é o retrato da situação analisada até o fechamento deste artigo.[4]

1. Onça-pintada (Panthera onca)

Também chamada de jaguar, é o terceiro maior felino do mundo. É um nadador exímio e vive em zonas de rios ou lagos. Pode chegar aos 150kg e tem uma mordida muito forte e fatal. É um animal carnívoro, o que o coloca no topo da cadeia alimentar.

É uma atração turística para qualquer interessado pela natureza, mas, infelizmente, também para os caçadores, por isso a onça-pintada está na lista oficial de espécies ameaçadas do Brasil. Além da caça, o aumento das cidades e a perda do seu habitat natural por desmatamentos aumentam a ameaça de extinção.

2. Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus)

Ele é o maior mamífero canídeo nativo da América do Sul e pode ser encontrado no Pantanal, Pampas e Cerrado. Sus hábitos e características físicas fazem dele uma espécie única e muito especial.

3. Cachorro-vinagre (Speothos venaticus)

Tem um corpo bem compacto, pernas curtas e robustas, orelhas arredondadas, cauda curta e amplo repertório vocal. Não estranhe os diferentes sons que ele pode emitir.

4. Ariranha (Pteronura brasiliensis)

Também é conhecida por lobo do rio, onça d'água ou lontra gigante. É um mamífero carnívoro de hábitos semiaquáticos. A espécie corre risco de extinção principalmente pela perda de seu habitat. Ela possui marcações brancas na garganta, o que possibilita a diferenciação entre cada indivíduo. A cauda é achatada em forma de remo para auxiliar na natação. Tem ainda os pelos curtos com coloração marrom ou castanho e pés largos e com membranas unindo os dedos.

5. Cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus)

É encontrado no Pantanal, mas também vive na Amazônia e no Cerrado. É o maior cervídeo da América Latina e pode pesar até 125 kg e chegar a 1,80 m de altura. Estima-se que 60% de sua espécie já foi extinta devido a caça e perda de parte do seu habitat. Por isso corre bastante risco de ser um dos animais em extinção no Pantanal.

6. Veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus leucogaster)

Seu corpo mede entre 80 e 95 cm e ele pode pesar até 40 kg.Os machos possuem uma galhada que se forma na época da reprodução. Possui um anel de pelagem branca ao redor dos olhos e orelhas com coloração esbranquiçada na parte interna. Os pelos são alaranjados no resto do corpo, exceto no ventre branco e na cauda preta. Ele não costuma formar grupos grandes, sendo normalmente visto sozinho ou em grupos de até 6 indivíduos.

7. Jacu-de-barriga-castanha (Penelope ochrogaster)

É uma ave grande que possui asas e rabo compridos, com plumagem composta de riscas brancas, pés claros e bico escuro, e pode medir até 77 cm. Tem cabeça avermelhada e é pouco visto na natureza por seu comportamento arredio, algo bem diferente dos demais Jacus. O desmatamento e a caça ilegal são as principais razões para sua possibilidade de extinção. Em outro artigo do PeritoAnimal você pode saber mais sobre as aves em extinção.

Imagem: Reprodução/ICMBIO

8. Bicudo-verdadeiro (Sporophila maximiliani)

Esta ave possui entre 14,5 e 16,5 centímetros de comprimento. Também chamado de bicudo-do-norte, bicudo-verdadeiro ou bicudo-preto, habita pastos alagados, veredas com arbustos, bordas de capões de mata, brejos, beiras de rios e lagos, aparentemente em locais próximos à água, principalmente onde haja capim e arroz, seus alimentos básicos na natureza. Os agrotóxicos utilizados no arroz são apontados como uma das causas que colocam esse animal na lista vermelha de animais que correm o risco de extinção.

Imagem: Reprodução/Ebird

9. Anta (Tapirus terrestris)

É o maior mamífero terrestre do Brasil, podendo chegar a 2,40 m de comprimento e pesar 300 kg. Outro nome que recebe é tapir. Solitária, a anta pode viver até os 35 anos. Uma curiosidade sobre ela é o seu tempo de gestação, que dura mais de um ano, podendo alcançar os 400 dias.

10. Tatu-canastra (Priodontes maximus)

Esta espécie é naturalmente rara e vive entre 12 e 15 anos, em média. Possui uma cauda longa e afilada coberta por pequenos escudos pentagonais. Entre as principais ameaças ao tatu-canastra estão os incêndios, a agricultura, o desmatamento e a caça.

Imagem: Reprodução/Agência Brasília

11. Gato-maracajá (Leopardus wiediiá)

O animal está presente em todos os biomas do Brasil, mas é predominantemente associado a ambientes de floresta. Essa espécie possui olhos bem grandes e protuberantes, com focinho saliente, patas grandes e cauda bastante comprida. As patas traseiras têm articulações especialmente flexíveis, permitindo rotação de até 180 graus, o que lhe dá a rara habilidade entre os felinos de descer de uma árvore de cabeça para baixo.

12. Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla Linnaeus)

O animal pode ser visto não apenas no Pantanal, como na Amazônia, no Cerrado e na Mata Atlântica. A espécie tem hábito terrestre e é solitária com exceção da mãe com seu filhote, durante o período de amamentação, e da época de reprodução, quando podem ser formados casais. As queimadas, a agropecuária e o desmatamento são os principais motivos de ameaça ao tamanduá-bandeira.

13. Onça-parda ou suçuarana (Puma concolor)

É um mamífero terrestre que pode ser encontrado em diversas regiões das Américas. Além disso, é um dos felinos mais bem adaptados aos diferentes tipos de ambientes. Possui uma pelagem macia, de coloração bege por todo o corpo à exceção da região do ventre, que é mais clara. Os filhotes nascem com pintas marrons escuras e olhos azuis. O tamanho e peso variam conforme região de ocorrência. Bastante ágil, a onça-parda pode saltar do chão a uma altura de 5,5 m.

14. Águia-cinzenta (Urubitinga coronata)

Tem grande porte e possui entre 75 e 85 cm, com peso que pode chegar a 3,5 kg. A ave adulta tem, geralmente, uma plumagem cinza-chumbo, além de um penacho em forma de coroa e cauda curta com uma única faixa cinza.

Extinta: Arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus)

A arara-azul-pequena de fato está extinta. Pode ser confundida com as outras araras-azuis: a ararinha azul (Cyanopsitta spixii), que está extinta da natureza, existindo apenas sob cuidados humanos; a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), que está ameaçada de extinção na natureza; e a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), que está ameaçada de extinção na natureza. Ela se destacava por sua grande beleza, o que sempre a tornou bastante cobiçada por caçadores. Abaixo encontramos um desenho de como seria esta espécie que infelizmente faz parte da lista de animais em extinção no pantanal.

Imagem: Reprodução/Parque das Aves

Como impedir a extinção de animais

Como já falamos, o bioma Pantanal é riquíssimo tanto em sua fauna como flora. E a conservação dos ecossistemas naturais, flora, fauna e os microrganismos, garante a sustentabilidade dos recursos naturais, o que afeta positivamente a vida de nós, humanos, no planeta Terra.

O desaparecimento de animais atinge toda a cadeia alimentar, provocando um desequilíbrio na natureza. Diversos estudos mostram, ainda, que a diminuição da variedade de espécies animais e vegetais é tão nociva à produtividade dos ecossistemas quanto a poluição e as alterações no clima.

Inclusive, o fim dos bichos que se alimentam sobretudo de frutos, chamados de frugívoros, também compromete a capacidade das florestas tropicais de absorver o dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, acelerando o aquecimento global.[5]

Para impedir a extinção de animais, a conscientização é fundamental. É necessário combater as caças-ilegais, o desmatamento, as queimadas e tomar cuidado com as construções nos considerados habitats naturais dos bichos. Jogar lixo nos lugares adequados é essencial para evitar o contato dos animais com certos produtos ou até a morte por asfixia com o descarte inadequado de plástico, por exemplo.[6]

Há ainda uma série de projetos de conservação e de apoio à reprodução de espécies de animais que você pode apoiar, além de Organizações Não Governamentais (ONGs).

Todos os animais em extinção

As informações sobre os animais que correm risco de extinção podem ser acessados em:

  • Livro Vermelho do Instituto Chico Mendes: é um documento que contém uma lista de todas as espécies brasileiras ameaçadas de extinção. Para acessá-lo, acesse o site do ICMBio.
  • Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN): a página, em inglês, disponibiliza um campo de busca onde pode ser inserido o nome do animal que você deseja saber.

Nese outro artigo do PeritoAnimal, veja outros animais ameaçados de extinção no Brasil.

Se deseja ler mais artigos parecidos a Animais em extinção no Pantanal, recomendamos-lhe que entre na nossa seção de Animais em perigo de extinção.

Referências
  1. IBGE. Mapa de Biomas e de Vegetação. 2004. Disponível em <http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/21052004biomashtml.shtm>. Acesso em 29 de setembro de 2020.
  2. ICMBIO. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de extinção - Edição de 2018. Disponível em <https://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/comunicacao/publicacoes/publicacoes-diversas/livro_vermelho_2018_vol1.pdf>. Acesso em 30 de setembro de 2020.
  3. AGÊNCIA BRASIL. PF e órgãos estaduais apuram causas de incêndios no Pantanal. Disponível em: <https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2020-09/pf-e-orgaos-estaduais-apuram-causas-de-incendios-no-pantanal>. Acesso em 30 de setembro de 2020.
  4. ICMBIO. Resumo executivo da proposta de criação do mosaico de unidades de conservação do Pantanal Norte. Disponível em <https://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/servicos/Consulta_publica/resumo_executivo_mosaico_pantanal.pdf>. Acesso em 30 de setembro de 2020.
  5. CORREIO BRAZILIENSE. Redução da fauna e flora causa impactos tão graves quanto a poluição. Disponível em: <https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2012/05/03/interna_ciencia_saude,300594/reducao-da-fauna-e-flora-causa-impactos-tao-graves-quanto-a-poluicao.shtml>. Acesso em 30 de setembro de 2020.
  6. NATIONAL GEOGRAPHIC. O que perdemos com a extinção animal. Disponível em: <https://www.natgeo.pt/animais/2019/09/o-que-perdemos-com-extincao-animal>. Acesso em 30 de setembro de 2020.
Bibliografia
  • BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Cadastro Nacional de Unidades de Conservação - CNUC (2010). Disponível em: <http://www.mma.gov.br/areas-protegidas/cadastro-nacional-de-ucs>. Acesso em 29 de setembro de 2020.
  • MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Pantanal. Disponível em: <https://www.mma.gov.br/biomas/pantanal>. Acesso em 29 de setembro de 2020.
  • G1. Natureza. Pantanal tem maior número mensal de focos de incêndios na história. Disponível em <https://g1.globo.com/natureza/noticia/2020/09/24/pantanal-tem-maior-numero-mensal-de-focos-de-incendios-na-historia.ghtml>. Acesso em 29 de setembro de 2020.
  • ICMBIO. Pantanal. Disponível em <https://www.icmbio.gov.br/portal/unidadesdeconservacao/biomas-brasileiros/pantanal>. Acesso em 29 de setembro de 2020.
  • IBGE. Biomas e Sistema Costeiro-Marinho do Brasil. Disponível em <https://www.ibge.gov.br/apps/biomas/>. Acesso em 29 de setembro de 2020.
  • RED LIST. The IUCN red list of threatened species. Disponível em: <https://www.iucnredlist.org/>. Acesso em 30 de setembro de 2020.
  • ICMBIO. Carnívoros Brasileiros. Disponível em: <https://www.icmbio.gov.br/cenap/carnivoros-brasileiros.html>. Acesso em 30 de setembro de 2020.
  • UOL. Meio Ambiente. Extinção de animais pode agravar efeitos das mudanças climáticas. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2016/01/06/extincao-de-animais-pode-agravar-efeito-das-mudancas-climaticas.htm>. Acesso em 30 de setembro de 2020.
  • INSTITUTO ARARA AZUL. A arara-azul. Disponível em: <https://www.institutoararaazul.org.br/a-arara-azul/>. Acesso em 30 de setembro de 2020.

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