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Animais em extinção na Amazônia - imagens e curiosidades

 
Por Aerton Guimarães. 5 outubro 2020
Animais em extinção na Amazônia - imagens e curiosidades

A Amazônia é a selva tropical mais extensa do mundo e ocupa cerca de 40% de todo o território brasileiro. Segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são 4.196.943 Km² apenas no Brasil, estendendo-se pelos estados de Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Maranhão e Tocantins.

Ela também está presente em outros oito países que fazem fronteira com o Brasil: Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela totalizando, assim, uma área de 6,9 milhões de km2.

Na selva amazônica é possível encontrar uma abundante fauna e flora, por isso é considerada um santuário natural de inúmeras espécies muito peculiares. Estima-se que na Amazônia vivam mais de 5 mil espécies[1] de animais, muitos deles em perigo de extinção.

Neste artigo sobre animais em extinção na Amazônia - imagens e curiosidades, do PeritoAnimal, você vai conhecer 24 animais da floresta amazônica - dois deles já extintos e 22 que estão ameaçadas e, assim, correm o risco de desaparecer da natureza. Confira a lista que elaboramos sobre esses animais, alguns deles bem famosos e considerados símbolos da Amazônia!

Animais em extinção na Amazônia

O Brasil possui, atualmente, 1.173 espécies de animais ameaçadas, segundo o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, elaborado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, ligado ao Ministério do Meio Ambiente. Ainda segundo o documento, das 5.070 espécies catalogadas que vivem na Amazônia, 180 correm risco de extinção. Você também pode se interessar no artigo animais em extinção no Pantanal.

Fique atento! Animais ameaçados de extinção, ou seja, aqueles que ainda existem mas correm risco de desaparecer, é bem diferente de animais que já estão em extinção na natureza - aqueles só criados em cativeiro. Além disso, animais extintos são aqueles que já não existem. Entre os bichos que estão ameaçados, há três tipos de classificação: vulnerável, em perigo ou criticamente em perigo.

Entre os principais motivos que provocam a morte dos animais na Amazônia, está a construção de hidrelétricas, que afeta diretamente o habitat dos peixes e de algumas aves, além dos mamíferos aquáticos, como o boto-cor-de-rosa e o peixe-boi-da-amazônia.

A expansão da agropecuária, com grande aumento dos desmatamentos, o crescimento das cidades e consequente invasão da floresta, a poluição, a caça ilegal, o tráfico de animais, as queimadas e o turismo desordenado também são apontados pelo governo brasileiro como grandes ameaças à fauna amazônica.[1]

De acordo com um relatório divulgado pela ONG WWF em setembro de 2020, o planeta perdeu 68% de seus animais selvagens em menos de 50 anos. O documento aponta justamente o desmatamento e a expansão de áreas agrícolas como principais motivos para esse cenário.[2]

Dentre os animais extintos na Amazônia, destacamos dois:

Arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus)

De grande beleza, a arara-azul-pequena podia ser vista tanto na floresta amazônica como no Pantanal. Considerada extinta há pelo menos 50 anos, outras espécies de araras-azuis ainda podem ser encontradas em cativeiro ou mesmo na natureza, mas também estão ameaçadas de extinção.

Maçarico-esquimó (Numenius borealis)

O maçarico-esquimó é considerado regionalmente extinto pelo ICMBIO. Isso porque é uma ave migratória, que habita regiões do Canadá e Alasca, mas que constantemente podia ser visto no Uruguai, Argentina e no Amazonas, Mato Grosso e São Paulo. No entanto, o último registro do animal no país foi há mais de 150 anos.

Animais em extinção na Amazônia - imagens e curiosidades - Animais em extinção na Amazônia

Animais ameaçados de extinção na Amazônia

1. Boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis)

Situação: em perigo.

Considerado um dos símbolos da Amazônia, ele também é chamado de boto vermelho. É o maior golfinho de água doce que existe. Infelizmente sua coloração diferente o tornou alvo constante de ameaças por meio da pesca. Além disso, a poluição dos rios, assoreamento de lagos e construção de portos também representam ameaças à espécie. Uma triste notícia foi divulgada em 2018: a população dos golfinhos de água doce da Amazônia cai pela metade a cada 10 anos.[4]

2. Boto-cinza (Sotalia guianensis)

Situação: vulnerável.

Este animal pode atingir 220cm de comprimento e até 121 quilos. Ele se alimenta principalmente de peixes teleósteos e lulas e vive de 30 a 35 anos. O boto-cinza é um golfinho costeiro, e pode ser encontrado desde Honduras, na América Central, até o estado de Santa Catarina, mas também tem presença na região amazônica.

3. Onça-Pintada (Panthera onca)

Situação: vulnerável.

Também conhecido como jaguar, é o maior felino que habita o continente americano e o terceiro maior do mundo (atrás apenas do tigre de bengala e do leão). Além disso, é a única das quatro espécies conhecidas do gênero Panthera que pode ser encontrada na América. Apesar de ser considerado um animal muito representativo da Amazônia, sua população total se estende desde o extremo sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina, incluindo boa parte da América Central e América do Sul. Conheça os tipos de felinos.

4. Tatu-canastra (Priodontes maximus)

Situação: vulnerável.

Bastante ameaçado pelo aumento dos incêndios florestais, o desmatamento e a caça predatória, o tatu-canastra possui uma cauda longa coberta por pequenos escudos pentagonais. Ele vive entre 12 e 15 anos.

5. Onça-parda (Puma concolor)

Situação: vulnerável.

Também conhecida como suçuarana, a onça-parda é um felino que se adapta bem a diferentes ambientes, por isso pode ser encontrado em diversas regiões das Américas. Alcança grandes velocidades e tem um salto poderoso, que pode chegar a uma altura de 5,5 metros.

6. Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla)

Situação: vulnerável.

Ele tem entre 1,80 e 2,10 metros de comprimento e alcança até 41 quilos. Característico não apenas da Amazônia, também pode ser encontrado no Pantanal, no Cerrado e na Mata Atlântica. Com hábito predominantemente terrestre, ele possui um focinho longo e um padrão bem característico de pelagem.

7. Gato-maracajá (Leopardus wiedii)

Situação: vulnerável.

Com olhos grandes e protuberantes, o gato-maracajá possui patas traseiras bastante flexíveis, um focinho saliente, patas grandes e uma cauda comprida.

8. Peixe-Boi da Amazônia (Trichechus inunguis)

Situação: vulnerável.

Este grande animal pode pesar até 420 quilos e alcançar 2,75m de comprimento. Com uma pele lisa e de espessura grossa, apresenta uma coloração que varia do cinza escuro ao preto e normalmente possui uma mancha branca ou levemente rosada na região ventral. A alimentação do peixe-boi-da-Amazônia se baseia em capim, macrófitas e plantas aquáticas.

9. Ariranha (Pteronura brasiliensis)

Situação: vulnerável

A ariranha é um mamífero carnívoro que pode ser encontrado tanto na Amazônia como no Pantanal. Também chamada de onça-d'água, lontra-gigante e lobo-do-rio, possui uma cauda achatada em forma de remo para auxiliar na natação.

10. Papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea)

Situação: vulnerável.

O papagaio-de-peito-roxo pode ser encontrado em regiões de florestas com Araucárias, como no Paraguai, no norte da Argentina e no Brasil, onde está presente desde Minas Gerais até o Rio Grande do Sul. Entre os principais fatores de ameaça para essa espécie estão a destruição das florestas onde vivem e a captura, o que a colocam na triste lista de bichos ameaçados ou de animais em extinção na Amazônia.

11. Anta (Tapirus terrestris)

Situação: vulnerável.

É um mamífero que pode pesar até 300 kg. Sua carne e pele são altamente valorizadas, o que faz da caça uma das principais razões pelas quais algumas populações estão em perigo. A anta pode viver até 35 anos e a gestação de seus filhotes dura, em média, 400 dias.

12. João-de-barba-grisalha (Synallaxis kollari)

Situação: em perigo.

Esta pequena ave normalmente mede 16 centímetros e gosta de viver em florestas densas, é encontrada não só no Brasil, como também na Guiana. Possui uma bela plumagem em tons de ferrugem pelo corpo e colorida na garganta.

13. Ararajuba (Guaruba guarouba)

Situação: vulnerável

A ararajuba gosta de construir seus ninhos em árvores altas, com mais de 15 metros. Encontrada exclusivamente na área entre o norte do Maranhão, sudeste do Amazonas e norte do Pará, esta ave possui 35cm de comprimento e uma plumagem pra lá de brasileira em um forte amarelo-ouro, com pontas da cauda das asas coloridas de verde-oliva.

14. Gavião-real (Harpia harpyja)

Situação: vulnerável.

Também conhecido como harpia, esta linda ave é carnívora, se alimentando de bichos pequenos como mamíferos e outras aves. O gavião-real pode ser encontrado em outros países da América Latina, como México, Argentina, Colômbia e em alguns da América Central. Com as asas abertas ele alcança até 2,5 metros de comprimento e pode ter até 10 quilos.

15. Chauá (Amazona rhodocorytha)

Situação: vulnerável.

O papagaio-chauá tem cerca de 40 centímetros de comprimento e é considerado de grande porte. Ele é fácil de ser identificado, devido a coroa vermelha na cabeça, com o bico e as pernas acinzentados. Sua alimentação é baseada em frutas, sementes, bagas, botões de flores e folhas.

16. Gato-do-mato (Leopardus tigrinus)

Situação: em perigo.

Ele é conhecido por vários nomes diferentes. Gato-macambira, pintadinho, mumuninha e chué, e é da mesma família do gato-maracajá, que infelizmente também faz parte desta lista de animais em extinção na Amazônia. O gato-do-mato é a menor espécie de felino do Brasil. Ele tem um porte muito parecido com o dos animais domésticos, com comprimento que varia de 40cm a 60 centrímetros.

17. Cuíca-de-colete (Caluromysiops irrupta)

Situação: criticamente em perigo.

O cuíca-de-colete, assim como os gambás, é um marsupial que tem como parentes os cangurus e coalas. Com hábitos noturnos, ele se alimenta de pequenos animais, néctar e frutos e pode pesar até 450 gramas.

Imagem: Júlia Laterza Barbosa/Divulgação

18. Macaco-aranha (Ateles belzebuth)

Situação: vulnerável.

O macaco-aranha pode pesar até 8,5 quilos e vive em média 25 anos em cativeiro. Típico das florestas tropicais, sua alimentação é baseada em frutos. Infelizmente, este primata é dos mais suscetíveis aos impactos negativos gerados pelos humanos até mesmo por ser bastante caçado principalmente pela população indígena Yanomami.

19. Uacari (Cacajao hosomi)

Situação: em perigo.

Originário da Venezuela, este primata está presente na floresta Amazônica de terra firme, em floresta de igapó, campinarana ou caatinga do rio Negro.

20. Sauim-de-coleira (Saguinus bicolor)

Situação: criticamente em perigo.

Outro primata bastante ameaçado, ele é encontrado em Manaus, Itacoatiara e Rio Pedro da Eva. O desmatamento causado pelo aumento das cidades é uma das principais razões para a redução da espécie na natureza.

21. Jacu-estalo (Neomorphus geoffroyi amazonicus)

Situação: vulnerável.

Esta ave está presente em diferentes estados do Brasil, como Espirito Santo, Minas Gerais, Tocantins, Bahia, Maranhão e Acre. Podem atingir 54 centímetros de comprimento e são conhecidos por emitirem um som de estalo seco que faz lembrar o bater de dentes de um porco do mato.

22. Caiarara (Cebus kaapori)

Situação: criticamente em perigo.

Presente no leste do Pará e no Maranhão, o macaco caiarara ele também é chamado de piticó ou macaco-cara-branca. Pesa até 3 quilos e se alimenta basicamente de frutos, insetos e sementes. A destruição de seu habitad natural é a principal ameaça à espécie, o que também a coloca nesta lista de animais em extinção na Amazônia.

Como combater a extinção de animais

Você talvez pense que não pode ajudar a preservar a vida de diferentes animais ameaçados em extinção. Mas a boa notícia é que sim, há uma série de medidas que podem ser adotadas com o objetivo de salvar a biodiversidade do planeta.

Com base em recomendações da WWF Brasil e de outros especialistas do mundo animal, listamos algumas coisas bem simples que você pode fazer:

  • Atenção redobrada quando vai ao campo ou florestas: na grande maioria dos casos os incêndios são causados por negligência humana
  • Ao realizar trilhas, leve sempre com você sacos ou mochilas onde possa guardar o lixo gerado ou mesmo para recolher o que encontrar no caminho. Nem todos são conscientes e sacos plásticos e garrafas podem colocar vários animais em risco de vida
  • Não compre lembrancinhas feitas de pele, osso, carapaça, bico ou patas de animais
  • Ao comprar móveis, pesquise sobre a procedência da madeira. Priorize os produtos sustentáveis.
  • Vai pescar? Não pesque se estiver fora da temporada legal, caso contrário, várias espécies podem desaparecer
  • Em visitas a parques nacionais ou áreas de proteção, informe-se sobre as atividades permitidas ou não no local, como acampar.

Animais em extinção no Brasil

Para conhecer a lista completa de animais que estão ameaçados de extinção no Brasil, basta acessar o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, do ICMBio. Clique aqui. Você também acessar este outro artigo que fizemos sobre os animais em extinção no Brasil. Até a próxima!

Se deseja ler mais artigos parecidos a Animais em extinção na Amazônia - imagens e curiosidades, recomendamos-lhe que entre na nossa seção de Animais em perigo de extinção.

Referências
  1. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção: Volume III – Aves / -- 1. ed.-- Brasília, DF : ICMBio/MMA, 2018.
  2. UOL. Meio Ambiente. Planeta perdeu 68% dos animais selvagens em menos de 50 anos, aponta relatório da WWF. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/rfi/2020/09/10/planeta-perdeu-68-dos-animais-selvagens-em-menos-de-50-anos-diz-relatorio-da-wwf.htm>. Acesso em 5 de outubro de 2020.
  3. INSTITUTO BRASILEIRO DE FLORESTAS. Bioma Amazônico. Disponível em: <https://www.ibflorestas.org.br/bioma-amazonico>. Acesso em 01 de outubro de 2020.
  4. G1. População de golfinhos diminui abruptamente na bacia do rio Amazonas. Disponível em: <https://g1.globo.com/natureza/noticia/populacao-de-golfinhos-diminui-abruptamente-na-bacia-do-rio-amazonas.ghtml>. Acesso em 02 de outubro de 2020.
Bibliografia
  • ICMBIO. Comportamento de peixes-bois. Disponível em:<https://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/comunicacao/publicacoes/guia_comportamento_de_peixes_bois__icmbio.pdf>. Acesso em 2 de outubro de 2020.
  • ICMBIO. Avaliação do risco de extinção gato-do-mato. Disponível em: <https://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/biodiversidade/fauna-brasileira/avaliacao-do-risco/carnivoros/gato-do-mato_leopardus_tigrinus.pdf>. Acesso em 2 de outubro de 2020.
  • ICMBIO. Guia de identificação de espécies alvo de aves e mamíferos. Disponível em: <https://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/o-que-fazemos/monitoramento/guia_identificacao_de_aves_e_mamiferos_7.pdf>. Acesso em 2 de outubro de 2020.
  • WWF. Você pode ajudar a salvar a biodiversidade. Disponível em: <https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/biodiversidade/voce_pode_ajudar/>. Acesso em 2 de outubro de 2020.

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