Os marimbondos, nome popular das vespas no Brasil, são os insetos pertencentes à família Vespidae e fazem parte de uma das maiores ordens de insetos, onde também estão as formigas, zangões e abelhas, entre outros. São animais eussociais, embora também existam algumas espécies que preferem a solidão.
Uma das características mais distintivas dos diferentes tipos de marimbondo é a "cintura", a região que divide o tórax do abdômen. Também podem ser distinguidos por ter um ferrão o qual podem usar em várias situações e não somente uma vez, como ocorre no caso das abelhas.
Os marimbondos fazem seus ninhos de barro ou de fibras vegetais; estes podem estar no solo, em árvores, assim como em tetos e paredes de habitações humanas; tudo isso dependendo do tipo de vespa de que estivermos falando. Neste artigo do PeritoAnimal você conhecerá os diversos tipos de marimbondos. Boa leitura.
Subfamília dos Vespídeos
Para entender melhor tudo relacionado aos tipos de marimbondo, devemos detalhar que existem 6 subfamílias de vespídeos ou vespidae, pelo nome científico, que são:
- Eumeninae - são os marimbondos conhecidos como vespas do pote. Com quase 200 gêneros, inclui a maioria das espécies de vespas.
- Euparagiinae - É uma subfamília com um único gênero de vespas, as do gênero Euparagia.
- Masarinae - Vespas de pólen. Com 2 gêneros, se alimentam de pólen e néctar ao invés de presas.
- Polistinae - São vespas tropicais e subtropicais que contam com 5 gêneros. São animais que vivem em colônias.
- Stenogastrinae - Subfamília que possui um total de 8 gêneros, caracterizada por dobrar suas asas nas costas como as abelhas.
- Vespinae - Vespas eussociais ou que vivem em colônias e que contam com 4 gêneros. A socialização está mais desenvolvida que nas Polistinae.
Como você pode ver, os tipos de vespas (ou marimbondos) da família Vespidae são extensos e variados, com espécies que vivem em colônias ou de forma solitária; espécies carnívoras e outras que vivem de comer pólen e néctar. Inclusive há diferenças dentro de uma mesma subfamília, como ocorre com as Vespinae.
Neste outro artigo você verá como espantar abelhas e vespas.
A vespa do pote
As vespas da subfamília Eumeninae ou eumeninos, são conhecidas porque algumas das espécies dentro desta subfamília constroem seus ninhos utilizando barro em formato de panela ou pote. Um exemplar de vespa do pote é a Zeta argillaceum, que também usam cavidades no solo, na madeira ou ninhos abandonados. Dentro desta subfamília há quase 200 gêneros distintos de vespas; a maioria delas são solitárias e algumas apresentam características sociais primitivas.
Este tipo de marimbondo pode ser de cor escura, preta ou marrom, com padrões que contrastam a cor do fundo, como amarelo ou alaranjado. São animais que podem dobrar suas asas longitudinalmente, como a maioria dos vespídeos. Alimentam-se de lagartas ou larvas de besouros, mas também consomem néctar, que lhes dá energia para voar.
A vespa de pólen
Entre os diferentes tipos de vespas, as da subfamília Masarinae ou masarineos são insetos que se alimentam exclusivamente de pólen e néctar das flores. Este comportamento se assemelha mais ao das abelhas, já que na maioria das vespas o comportamento carnívoro é um denominador comum. Nesta subfamília estão os gêneros Gayellini e Masarini.
Como a vespa do pote, esses tipos de marimbondo são de cor escura com tons claros contrastantes que podem ser vermelhos, brancos, amarelos, entre outros. Têm antenas em forma de maça e vivem em ninhos de barro ou tocas feitas no chão. Podem ser encontradas na África do Sul, América do Norte e América do Sul em regiões desérticas.
Além disso, as Masarinae contribuem significativamente para a polinização de plantas nas regiões onde habitam, tornando-se essenciais para a manutenção do ecossistema local. Isso demonstra como, apesar de sua aparência intimidadora, desempenham papéis vitais na natureza.
As vespas tropicais e subtropicais
Os polistinos ou vespas Polistinae são uma subfamília dos vespídeos, onde podemos encontrar um total de 5 gêneros distintos. Estão os gêneros Polistes, Mischocyttauros, Polybia, Brachygastra e Ropalidia. São vespas que vivem em climas tropicais e subtropicais, além de serem eussociais.
Têm um abdômen estreito, com antenas curvas no caso dos machos. As fêmeas rainhas são similares às operárias, algo raro já que em geral a rainha de uma colônia é muito maior. Os gêneros Polybia e Brachygastra têm a peculiaridade de produzir mel.
Adicionalmente, estas vespas são conhecidas por sua organização social sofisticada. As colônias podem variar drasticamente em tamanho, com algumas abrigando milhares de indivíduos. Esse comportamento social avançado permite que elas defendam eficazmente seus ninhos de predadores e outros perigos.
Os vespíneos
Esses marimbondos, também conhecidos como vespas Vespinae, são uma subfamília que conta com 4 gêneros, falamos de Dolichovespula, Provespa, Vespa e Vespula. Algumas destas espécies vivem em colônias, outras são parasitárias e depositam seus ovos em ninhos de outros insetos.
São vespas que têm o senso de socialização mais desenvolvido que as Polistinae. Os ninhos são de um tipo de papel, formados por fibra de madeira mastigada, e fazem seus ninhos em árvores e embaixo da terra. As podemos encontrar em todos os continentes do mundo, com exceção da Antártida. Se alimentam de insetos e, em alguns casos, de carne de animais mortos.
Algumas espécies invadem os ninhos de outras espécies, matam a rainha da colônia e obrigam as vespas operárias a cuidar das crias invasoras. Podem invadir ninhos da mesma espécie ou ninhos de espécies com as quais têm parentesco. No gênero Vespa se encontram as vespas que são coloquialmente chamadas de vespões, por serem mais robustas que as vespas tradicionais.
Além disso, a capacidade adaptativa das Vespinae é notável, pois conseguem se estabelecer em diversos habitats, desde florestas densas até áreas urbanas, demonstrando sua resiliência e importância ecológica.
Os gêneros Euparagiinae e Stenogastrinae
No caso da subfamília Euparagiinae de vespas, há um único gênero, nos referimos ao gênero Euparagia. São caracterizadas por ter veias nas asas, uma mancha característica no mesotórax e patas dianteiras com formatos únicos. Vivem em regiões de deserto nos Estados Unidos e México.
A subfamília Stenogastrinae, por sua vez, conta com um total de 8 gêneros, onde encontramos os gêneros Anischnogaster, Cochlischnogaster, Eustenogaster, Liostenogaster, Metischnogaster, Parischnogaster, Stenogaster e Parischnogaster. São tipos de marimbondos caracterizados por dobrarem suas asas nas costas e não conseguirem fazer isso longitudinalmente como no resto da família.
Nesta subfamília há espécies que vivem em colônias e espécies que vivem sozinhas, são encontradas em regiões tropicais da Ásia, Indochina, Índia e Indonésia.
E como estamos falando de insetos, você pode se interessar por este outro artigo sobre os insetos mais venenosos do Brasil.
Interessantemente, as Stenogastrinae exibem um comportamento de voo distinto, movendo-se de maneira graciosa e lenta, o que as diferencia das outras subfamílias de vespas. Este comportamento pode estar relacionado ao seu habitat natural e ao modo de vida adotado por essas espécies.
Os tipos de marimbondos mais conhecidos
Entre os marimbondos mais conhecidos no Brasil, podemos citar o marimbondo-cavalo, também chamado de marimbondo-caçador, e o marimbondo-amarelo. Vamos descrever a seguir um pouco mais de cada um desses tipos de marimbondo:
Marimbondo-cavalo
O marimbondo-cavalo ou marimbondo-caçador recebe diferentes nomes, podendo ser conhecido, de acordo com a região do Brasil, ainda como cavalo-do-cão, vespa-caçadora e caçador-de-aranha. Os animais chamados assim fazem parte da família dos Pompilídeos, principalmente os insetos do gênero Pepsis.
O marimbondo-cavalo tem duas características que o tornam bastante temido: é considerado por muitos o inseto com a picada mais dolorida do mundo. A outra é que ele caça aranhas para que elas virem hospedeiras e, posteriormente, refeição para suas larvas.
Este tipo de vespa tem, em média, 5 centímetros, mas alguns indivíduos podem alcançar 11 centímetros.
Imagem: XPDA
Por terem uma dieta baseada em aranhas, as Pepsis desempenham um papel ecológico crucial, controlando a população desses aracnídeos em seus habitats naturais. Isso ajuda a manter o equilíbrio ecológico e evita que as populações de aranhas cresçam descontroladamente.
Marimbondo-amarelo
Como boa parte dos marimbondos, o marimbondo-amarelo é outro dos insetos perigosos devido à sua picada. Além de muita dor, pode causar reações alérgicas e inflamações.
O marimbondo-amarelo (Vespula germanica) habita principalmente o hemisfério Norte do mundo, estando presente na Europa, Sudoeste da Ásia e Norte do continente africano.
Seu abdômen é composto por camadas amarelas e pretas e suas antenas são totalmente pretas. Os ninhos usualmente são feitos de celulose e parecem bolas de papel no solo, mas também podem ser construídos no teto ou dentro de cavidade de paredes. Este tipo de marimbondo é muito agressivo, por isso é importante evitar a aproximação tanto do animal como de seu ninho.
Imagem: Richard Bartz
Curiosamente, a Vespula germanica também tem uma incrível capacidade de adaptação a diferentes ambientes, o que contribui para seu sucesso como espécie invasora em várias regiões do mundo. Seu comportamento agressivo e a capacidade de formar grandes colônias tornam-na uma espécie difícil de controlar em áreas urbanas.
Se pretende ler mais artigos parecidos a Tipos de marimbondos - Fotos, exemplos e características, recomendamos que entre na nossa categoria de Curiosidades do mundo animal.
- Multigene phylogeny reveals eusociality evolved twice in vespid wasps (Proceedings of the National Academy of Sciences)
- Tarantula Hawks of Colorado (Colorado State University Extension)
- DE SOUZA, Marcos Magalhães; ZANUNCIO, José Cola. Marimbondos: Vespas Sociais: Hymenoptera: Vespidae. Editora UFV, 2020. Disponível em: <https://books.google.es/books?hl=es&lr=&id=1lEEEAAAQBAJ&oi=fnd&pg=PA61&dq=marimbondo+cavalo&ots=LKv7Py3kr2&sig=BvjCnN3RXWuYAsclvFa-sbNJHRI#v=onepage&q=marimbondo%20cavalo&f=false>. Acesso em 27 de janeiro de 2021.
- NETO, Eraldo Medeiros Costa. O conhecimento etnoentomológico do cavalo-do-cão (Hymenoptera, Pompilidae) no povoado de Pedra Branca, estado da Bahia, Brasil. Revista Brasileira de Zoociências, 2004, vol. 6, no 2. Disponível em: <https://periodicos.ufjf.br/index.php/zoociencias/article/view/24198>. Acesso em 27 de janeiro de 2021.
- Deutsche Welle. A escala das picadas mais dolorosas de insetos. Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/a-escala-das-picadas-mais-dolorosas-de-insetos/a-45360226>. Acesso em 27 de janeiro de 2021.