Quais são os macacos em risco de extinção?

Quais são os macacos em risco de extinção?

Os macacos formam dois grandes grupos: os do Velho Mundo, que habitam a África e a Ásia, e os do Novo Mundo, típicos da América Central e do Sul. Diferentemente dos símios, grupo ao qual pertencem gorilas, chimpanzés e humanos, os macacos geralmente têm cauda, apresentam grande diversidade de tamanhos e habitats e são parte essencial dos ecossistemas tropicais.

Infelizmente, esses primatas sofrem com o drama ambiental vivido em escala global, e muitos deles podem desaparecer. Neste artigo do PeritoAnimal, trazemos informações sobre quais são os macacos em risco de extinção.

1. Macaco-aranha-marrom (Ateles hybridus)

O macaco-aranha-marrom é um dos maiores primatas das Américas. Destaca-se pelos membros longos, uma cauda preênsil que usa como uma quinta mão e um corpo ágil, adaptado à vida no alto das árvores. Habita florestas do norte da Colômbia e do oeste da Venezuela, especialmente em áreas como a Serranía del Perijá e o Parque Nacional Guatopo. Alimenta-se principalmente de frutas maduras e desempenha um papel crucial como dispersor de sementes.

No entanto, essa espécie está em perigo crítico de extinção devido à perda massiva de habitat devido à pecuária, desmatamento e expansão humana, além da caça para consumo e uso tradicional.

Neste outro artigo, você descobrirá mais espécies: "Tipos de macacos: nomes e fotos".

2. Cercocebus galeritus

Este primata de porte médio, endêmico do nordeste do Quênia, habita uma estreita faixa de florestas ribeirinhas ao longo do baixo rio Tana. Caracteriza-se pela pelagem acinzentada, rosto escuro e uma crista de pelos longos no alto da cabeça. Vive em grupos de até 60 indivíduos e passa grande parte do tempo no solo, onde se alimenta de frutas, sementes duras, folhas e insetos. Sua dentição potente está adaptada para triturar alimentos resistentes.

A espécie está gravemente ameaçada pela perda de habitat devido a barragens, agricultura, desmatamento e crescimento urbano. Embora parte significativa de sua população viva na Reserva Nacional do Rio Tana, a pressão humana, incêndios e a falta de controle ambiental comprometem seriamente sua sobrevivência a longo prazo. Seu status de conservação é em perigo crítico de extinção.

Imagem: spain.inaturalist.org

3. Plecturocebus oenanthe

Este pequeno macaco, de pelagem marrom com tons alaranjados e uma máscara branca distintiva ao redor do rosto, é endêmico do norte do Peru, no departamento de San Martín. Habita principalmente florestas secundárias, matagais úmidos e áreas próximas a rios, até 1.400 metros de altitude. Vive em grupos familiares e alimenta-se de frutas, insetos e folhas tenras.

Está em perigo crítico de extinção devido à perda acelerada de habitat por agricultura, pecuária, desmatamento e expansão urbana. Além disso, é vítima da caça e do tráfico como animal de estimação. Sua população atual sobrevive em fragmentos de floresta altamente degradados, isolados e sem proteção efetiva, o que coloca sua sobrevivência em risco no curto prazo.

4. Sagui-da-serra-claro (Callithrix flaviceps)

Este pequeno primata, endêmico do sudeste do Brasil, é outro dos macacos em perigo de extinção e é facilmente reconhecido pelo rosto claro emoldurado por tufos brancos e pela pelagem marrom-escura, com tons claros no ventre e cauda anelada. Vive em grupos familiares de até 20 indivíduos e alimenta-se de frutas, flores, fungos, pequenos animais e exsudatos vegetais.

Seu habitat natural são as florestas montanhas da Mata Atlântica em Minas Gerais e no Espírito Santo, mas atualmente sobrevive apenas em fragmentos florestais devido ao desmatamento, agricultura, plantações, urbanização e barragens. Além disso, é ameaçado por doenças como a febre amarela, o comércio ilegal e a introdução de outras espécies de saguis que o deslocam. Sua distribuição é muito limitada, e sua população diminuiu drasticamente nas últimas décadas. Está classificado como em perigo crítico de extinção.

Neste outro artigo, falamos sobre "Saguis: o que são e características".

5. Macaco-caranguejeiro (Macaca fascicularis)

Este macaco, de pelagem marrom-acinzentada e cauda mais longa que o corpo, habita vastas regiões do Sudeste Asiático, desde o Vietnã e a Tailândia até a Indonésia e as Filipinas. É um primata adaptável, capaz de viver em manguezais, florestas ribeirinhas e até áreas humanizadas, como templos e plantações.

No entanto, enfrenta ameaças crescentes: desmatamento, fragmentação do habitat, perseguição por ser considerado praga, tráfico como animal de estimação e uso em pesquisas biomédicas. Em países como Malásia, Filipinas e Vietnã, milhares de indivíduos foram sacrificados ou removidos, mesmo com muitas populações em declínio. Muitas vezes, a soltura descontrolada de exemplares gera problemas sanitários e ecológicos, agravando sua vulnerabilidade. Seu status de conservação é em perigo de extinção.

6. Mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia)

Com sua juba dourada que lembra um leão, este pequeno primata endêmico da Mata Atlântica brasileira habita principalmente a bacia do rio São João, no Rio de Janeiro. Vive em grupos familiares, alimenta-se de frutas, insetos e néctar e dorme em ocos de árvores.

Apesar de ter se adaptado a florestas degradadas, enfrenta múltiplas ameaças, como perda e fragmentação do habitat, tráfico ilegal, competição e hibridização com espécies introduzidas e surtos de doenças como a febre amarela. Sua população, de apenas 3.700 indivíduos, está dividida em subgrupos isolados, muitos em áreas muito pequenas e com risco de endogamia. Está classificado como em perigo de extinção.

7. Piliocolobus rufomitratus

Este macaco africano de porte médio é reconhecido pela pelagem vermelho-escura e rosto expressivo, sem polegar e com dedos finos adaptados à vida arbórea. Vive nas florestas ribeirinhas do baixo rio Tana, no Quênia, onde se alimenta principalmente de folhas e se move em grupos de até 13 indivíduos.

É uma espécie rara e muito vulnerável, e seu habitat está cada vez mais fragmentado por barragens, cultivos, incêndios e extração ilegal de madeira. Embora parte de sua população sobreviva em uma reserva nacional, seu futuro é incerto. A perda acelerada de floresta pode eliminar até 80% de seu habitat até meados do século. Essas ameaças o colocam na categoria em perigo crítico de extinção.

8. Alouatta pigra

É o maior macaco-uivador das Américas, com machos que podem pesar até 11 kg. Sua pelagem é negra e espessa, e possui uma poderosa garganta que lhe permite emitir os característicos uivos que ecoam na floresta. Habita florestas tropicais do México, Belize e Guatemala, onde forma grupos de 2 a 16 indivíduos.

Alimenta-se de folhas e frutas e passa a maior parte do dia descansando. Sua cauda preênsil ajuda no deslocamento entre as árvores. Está ameaçado pelo desmatamento e pelo tráfico de animais de estimação. Grandes projetos agrícolas e minerais destroem seu habitat. Se não houver ação rápida, ele poderá perder mais de 30% de seu território até 2048. Seu status de conservação é em perigo de extinção.

Quer saber mais sobre macacos? Então confira nosso artigo "10 Curiosidades do macaco que você não conhecia".

9. Macaco-prego-dourado (Sapajus flavius)

Este pequeno macaco, de pelagem dourada uniforme e rosto rosado, é mais uma espécie em perigo de extinção. Habita fragmentos florestais do nordeste brasileiro. Mede cerca de 36-40 cm e pesa aproximadamente 2,7 kg. Vive em grupos grandes, de até 18 indivíduos, e é ativo durante o dia, movendo-se com agilidade entre as árvores.

Sua dieta inclui frutas, insetos e cultivos como cana-de-açúcar. É uma espécie adaptável, que sobrevive em florestas secundárias cercadas por plantações. No entanto, a perda de habitat devido à expansão agrícola e a caça para o comércio ilegal ameaçam sua sobrevivência. O isolamento das subpopulações também coloca a espécie em risco, classificada como em perigo de extinção.

10. Macaco-narigudo (Nasalis larvatus)

Este primata, conhecido pelo nariz proeminente dos machos, habita florestas ribeirinhas e costeiras de Bornéu, incluindo manguezais e pântanos. Os machos atingem até 70 cm e pesam até 22 kg, enquanto as fêmeas são menores. Sua pelagem combina tons rosados, marrons e cinza, e possuem membranas interdigitais que facilitam a natação.

São principalmente folívoros e frugívoros, alimentando-se de folhas tenras e frutos verdes. A perda de habitat devido ao desmatamento, incêndios e expansão agrícola, somada à caça para medicina tradicional e alimentação, ameaça gravemente essa espécie. Seu status de conservação é em perigo de extinção.

Outros macacos em perigo de extinção

Infelizmente, a lista de espécies de primatas em risco de extinção é extensa. A seguir, mencionamos outras espécies de macacos ameaçados:

  • Macaco-de-dryas (Chlorocebus dryas);
  • Macaco-da-noite-dos-andes (Aotus miconax);
  • Langur-de-delacour (Trachypithecus delacouri);
  • Macaco-aranha-da-barriga-branca (Ateles belzebuth);
  • Coatá-da-testa-branca (Ateles marginatus);
  • Macaco-barrigudo-de-cauda-amarela (Lagothrix flavicauda);
  • Macaco-de-nariz-empinado-birmanês (Rhinopithecus strykeri);
  • Macaco-prego-do-peito-amarelo (Sapajus xanthosternos);
  • Macaco-cauda-de-leão (Macaca silenus);
  • Saimiri oerstedii.

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Bibliografia
  • Animal Diversity Web (2020). Disponible en : https://animaldiversity.org/
  • IUCN (2025). The IUCN Red List of Threatened Species. Version 2025-1. Disponible en: https://www.iucnredlist.org