Peixes pulmonados: características e exemplos

Peixes pulmonados: características e exemplos

Os peixes pulmonados formam um raro grupo de peixes muito primitivos, que têm a capacidade de respirar ar. Todas as espécies viventes deste grupo habitam o hemisfério sul do planeta. Como animais aquáticos, sua biologia é profundamente influenciada por esse meio aquático.

Neste artigo do PeritoAnimal, vamos explorar o mundo dos peixes pulmonados, entender suas características e modos de respiração, além de conhecer alguns exemplos de espécies de peixes pulmonados e suas particularidades.

O que são peixes pulmonados

Os dipnoicos ou peixes pulmonados são um grupo de peixes pertencente à classe sarcopterygii, na qual estão classificados os peixes que apresentam nadadeiras lobadas ou carnosas. Este grupo é notável por sua capacidade de respirar fora d'água, uma adaptação que lhes permite sobreviver em ambientes aquáticos com baixos níveis de oxigênio.

A relação taxonômica dos peixes pulmonados com outros peixes gera muita controvérsia e disputa entre os pesquisadores. Se, como se acredita, a classificação atual está correta, esses animais devem estar intimamente relacionados ao grupo de animais (Tetrapodomorpha) que deu origem aos atuais vertebrados tetrápodes, fazendo deles um elo importante na evolução dos vertebrados.

Atualmente, são conhecidas seis espécies de peixes pulmonados, agrupadas em duas famílias: Lepidosirenidae e Ceratodontidae. Os lepidosirenídeos estão organizados em dois gêneros, Protopterus, na África, com quatro espécies vivas, e o gênero Lepidosiren na América do Sul, com uma única espécie. A família Ceratodontidae possui apenas uma espécie, na Austrália, Neoceratodus forsteri, que é o peixe pulmonado vivo mais primitivo. Estes peixes são fascinantes não apenas por suas características físicas, mas também por sua história evolutiva.

Peixes pulmonados: características

Como dissemos, os peixes pulmonados têm nadadeiras lobadas, e ao contrário de outros peixes, a coluna vertebral se estende até o final do corpo, onde desenvolvem duas dobras de pele que atuam como nadadeiras. Essas nadadeiras são fundamentais para seu movimento em ambientes aquáticos rasos e muitas vezes lamacentos.

Eles possuem dois pulmões funcionais quando adultos. Estes pulmões derivam da parede ventral no final da faringe. Além dos pulmões, eles têm brânquias, mas estas só realizam 2% da respiração do animal adulto. Durante as fases larvais, estes peixes respiram graças às brânquias, o que é comum em muitos peixes.

Os peixes pulmonados têm orifícios nasais que não são usados para tomar ar, mas sim têm uma função olfativa. Seu corpo é coberto por escamas muito pequenas que ficam embutidas na pele, proporcionando uma proteção adicional contra predadores e condições ambientais adversas.

Esses peixes habitam águas continentais pouco profundas e, durante a estação seca, se enterram no barro, entrando em uma espécie de hibernação ou letargia. Eles tampam sua boca com uma "tampa" de barro que tem um pequeno orifício através do qual o ar necessário para a respiração pode entrar. São animais ovíparos, sendo que o macho é o encarregado de cuidar da prole, protegendo os ovos até que eclodam.

Peixes pulmonados: respiração

Os peixes pulmonados têm dois pulmões e apresentam um sistema circulatório com dois circuitos. Estes pulmões são altamente especializados, com muitas cristas e partições para aumentar a superfície de troca gasosa, e são também muito vascularizados. Esta adaptação é crucial para sua sobrevivência em ambientes onde a água pode não fornecer oxigênio suficiente.

Para respirar, esses peixes sobem à superfície, abrindo a boca e expandindo a cavidade oral, forçando o ar a entrar. Em seguida, eles fecham a boca, comprimem a cavidade oral e o ar passa para a cavidade pulmonar mais anterior. Enquanto a boca e a cavidade anterior do pulmão permanecem fechadas, a cavidade posterior contrai e exala o ar inspirado na respiração anterior, deixando este ar sair pelos opérculos (onde brânquias são normalmente encontradas nos peixes com respiração aquática). Uma vez que o ar foi exalado, a câmara anterior se contrai e se abre, permitindo que o ar passe para a câmara posterior, onde ocorrerá a troca gasosa. Esta complexa mecânica de respiração é adaptada para maximizar a eficiência da troca de gases.

Por outro lado, é interessante observar que, em algumas espécies, a respiração aérea é apenas parte de sua estratégia de sobrevivência. Durante períodos de seca, por exemplo, a habilidade de respirar ar torna-se uma vantagem crítica, permitindo que esses peixes sobrevivam em condições que seriam letais para outras espécies aquáticas. A seguir, veja os peixes pulmonados, exemplos e descrição das espécies mais conhecidas.

Piramboia

A piramboia (Lepidosiren paradoxa) é um dos peixes pulmonados, distribuída pelas áreas fluviais de Amazonas e outras partes da América do Sul. Sua aparência lembra a de uma enguia, podendo atingir mais de um metro de comprimento. Esta espécie é particularmente adaptada aos rios e lagos de águas lentas, onde pode encontrar abrigo e alimento.

Vive em águas rasas e preferencialmente paradas. Quando o verão chega com as secas, esse peixe constrói uma toca no barro para manter a umidade, deixando buracos para permitir a respiração pulmonar. Este comportamento é essencial para sua sobrevivência durante longos períodos de seca, onde a água superficial pode desaparecer completamente. Além disso, essa estratégia de cavar tocas pode ajudar a proteger a piramboia de predadores, já que ela fica escondida e segura até que as condições melhorem.

Peixe-pulmonado-africano

O Protopterus annectens é uma das espécies de peixes pulmonados que vive na África. Ele também tem forma de enguia, embora as nadadeiras sejam muito longas e filamentosas. Habita os países da África ocidental e central, mas também uma determinada região oriental. Essas nadadeiras filamentosas são adaptadas para ajudá-lo a se movimentar através de vegetação aquática densa e em águas rasas.

Esse peixe tem hábitos noturnos e durante o dia permanece escondido em meio à vegetação aquática. Durante as secas, eles cavam um buraco onde entram verticalmente, para que a boca permaneça em contato com a atmosfera. Se o nível da água cair abaixo do seu buraco, eles começam a secretar um muco para manter a umidade em seu corpo. Este muco é uma característica essencial que ajuda a proteger sua pele durante períodos de seca extrema, permitindo que o peixe sobreviva por meses sem água líquida disponível.

Peixe-pulmonado-australiano

O peixe-pulmonado-australiano (Neoceratodus forsteri) vive no sudeste de Queensland, na Austrália, nos rios Burnett e Mary. Ainda não foi avaliado pela IUCN, portanto o estado de conservação é desconhecido, mas ele é protegido pelo acordo CITES. Esta proteção é crucial, pois as populações de peixes pulmonados são frequentemente vulneráveis a mudanças ambientais e à degradação de habitat.

Ao contrário de outros peixes pulmonados, o Neoceratodus forsteri tem apenas um pulmão, por isso não pode depender apenas da respiração aérea. Esse peixe vive em áreas profundas do rio, se escondendo durante o dia e se movendo lentamente pelo fundo lamacento à noite. São animais grandes, com mais de um metro de comprimento na idade adulta e mais de 40 quilos de peso. Este tamanho avantajado oferece certa proteção contra predadores, enquanto seu comportamento noturno ajuda a evitar a detecção.

Quando o nível da água cai devido à seca, esses peixes pulmonados permanecem no fundo, já que eles têm apenas um pulmão e também precisam realizar a respiração aquática através das brânquias. Este duplo sistema de respiração é uma adaptação vital que garante que o Neoceratodus forsteri possa sobreviver em uma variedade de condições, tornando-o um exemplo fascinante de evolução e adaptação ao ambiente. Além disso, estudos sobre seu comportamento e fisiologia continuam a fornecer insights valiosos sobre a evolução dos vertebrados.

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