O feneco como animal de estimação

O feneco como animal de estimação

O Feneco (Fennec fox, em inglês) ou raposa do deserto é um animal lindo, limpo, adorável e carinhoso que pode ser domesticado com facilidade. No entanto, não é legal pretender adotar esta bela criatura. A razão fundamental disso é que o animal morrerá rapidamente no seu novo habitat em nosso lar.

Se sobreviver, o mais provável é que tenha uma vida miserável, mesmo com todo carinho e cuidados que a pessoa tente oferecer. Além disso, a posse de fenecos é ilegal em muito países. O motivo principal é que o Feneco é um animal oriundo dos desertos do Saara e da Península Arábica.

Continue lendo este artigo do Perito Animal para saber mais informações sobre o Feneco como animal de estimação e por que você não deve ter um, em qualquer circunstância.

A importância do habitat

O habitat é fundamental para traçar as linhas mestras da evolução das espécies de fauna e flora que se adaptam ao meio em que vivemos. Precisamente a peculiaridade especial do clima desértico é o principal fator que se configura como estrutura física ideal que pode definir os costumes da raposa do deserto.

Você teria um pinguim-imperador como animal de estimação em sua casa? Por acaso você tem uma geladeira enorme a -40º C de temperatura, cheia de neve o tempo inteiro? Acreditamos que não seja possível. Nem em um zoológico é possível recriar este habitat em perfeitas condições.

Do mesmo modo, não podemos recriar o deserto nas nossas casas. O Feneco pode ser um excelente animal de estimação em um povoado perto de um oásis, situado em pleno deserto ou nas suas proximidades, porque todo o seu corpo está adaptado para sobreviver melhor neste ambiente.

Morfologia do Feneco

O Feneco é o menor dos canídeos, sendo menor que um cachorro chihuahua. O Feneco filhote pesa até menos que 1 kg, já em adulto, seu peso varia entre 1 e 1,5 kg, e não mede mais que 21 cm. Um Feneco adulto não ultrapassa os 41 cm, e sua cauda mede entre 20 a 30 cm. Tem as almofadas peludas das patas para evitar queimaduras nas areias ardentes do seu habitat. No entanto, a característica física que mais o distingue das outras raposas é o seu par de espetaculares orelhas super desenvolvidas. Essas orelhas têm algumas funcionalidades, a primeira é ventilar o calor acumulado no seu corpo. Em segundo lugar, servem para captar o mais ínfimo som que as suas presas possam fazer. O pelo denso do Feneco é da cor da areia no lombo e flancos, já o seu ventre tem uma cor cinza-esbranquiçada, sendo menos denso que no dorso.

Hábitos do Feneco

O Feneco tem hábitos noturnos. A sua alimentação é composta por roedores, répteis, insetos, ovos, pássaros, e também por frutos como tâmaras, amoras e bagas. O feneco tem uma capacidade de salto considerável que o ajuda em suas caçadas e na fuga quando atacado pelos seus predadores.

O caracal (Lince-do-deserto) e as corujas africanas são os seus principais adversários. A raposa do deserto vive em tocas subterrâneas (de até 10 metros de profundidade), onde a temperatura é mais baixa que no exterior. Na natureza, vive aproximadamente 10-12 anos.

O Feneco doméstico

No caso de alguém cometer a irresponsabilidade e o grande erro de adotar uma raposa do deserto, apenas porque viu uma foto e acha muito fofa, é importante saber que o Feneco é estritamente noturno. Se confinado em uma gaiola durante a noite, ele pode morrer!

Deixando o feneco solto, ele pode não se adaptar a sua vida: provavelmente irá furar almofadas para esconder alimento, ou fazer um buraco para transformar o sofá ou um colchão inabitado na sua toca e tentar ficar quente no banco de gelo que será a sua casa.

O Feneco tem a capacidade de perfurar até 6 metros de terra por dia. Mantendo a raposa do deserto em um jardim, o mais provável é que escape e um cão acabe com ela. Manter o Feneco em um apartamento será muito pior. O Feneco tem uma grande capacidade de salto e pode subir para qualquer mesa ou estante, arrasando tudo por onde passa.

Feneco pode ser domesticado no Brasil?

Segundo a portaria do IBAMA nº 93/1998, de 07.jul.1998, a legislação brasileira tem permissões restritas com relação a criação de animais silvestres em residência, pois existe a necessidade de diminuir a caça ilegal desses animais com objetivos lucrativos. Com a Resolução CONAMA nº 394/2007, em seu art. 2º inciso I, os animais silvestres só poderiam ser legalmente domesticados caso tivessem já nascidos em cativeiro.

A Lei dos Crimes Ambientais ou Lei da Vida de nº 9.605 de 12 de Fevereiro de 1998, define crime e pode levar a pena de detenção “matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécies da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida”.

Aprecie o Feneco

Se você pretende que o Feneco faça parte da sua vida, faça pesquisas sobre ele. Leia, aprecie os documentários, e colecione fotos deste bonito animal tão pequeno e ao mesmo tempo, um sobrevivente em lugares onde muitos animais, inclusive os seres humanos, morreriam rapidamente.

Sonhe com o dia em que possa viajar ao deserto e debaixo de um céu celeste cheio de estrelas, onde você poderá ouvir e ver as raposas-do-deserto no seu habitat natural.

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Bibliografia
  • LEGISLAÇÃO BRASILEIRA. LEI Nº 9.605, DE 12 DE FEVEREIRO DE 1998. CAPÍTULO V: DOS CRIMES CONTRA O MEIO AMBIENTE”. Acessado em 21 de dezembro de 2019. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm
  • BIOLOGIA PARA BIÓLOGOS. Animais silvestres como bichos de estimação. Acessado em 21 de dezembro de 2019. Disponível em: https://biologiaparabiologos.com.br/animais-silvestres-como-bichos-de-estimacao-conforme-a-legislacao-brasileira/