Se você se está questionando se é possível que a sua gata, que está esterilizada, esteja apresentando sinais de cio, chegou no artigo certo. Sua gatinha está miando toda a noite, rebolando pelo chão, chamando pelos machos? Mesmo ela estando castrada, isso pode ser efetivamente sinais de cio.
Você quer saber como é que é possível que a gata entre no cio mesmo depois de castrada? O PeritoAnimal te explica. Continue lendo!
O cio nas gatas
Em primeiro lugar, devemos esclarecer que podem haver duas situações:
- A sua gata está, de fato, em cio;
- Você está confundindo os sinais de cio com outros sinais.
Assim, é importante lembrar quais são os sintomas de uma gata no cio:
- Vocalização excessiva (algumas gatas podem miar toda a noite);
- Alterações comportamentais (algumas gatas ficam mais carinhosas, outras se mostram mais agressivas);
- Rebolam no chão;
- Se esfregam em objetos e pessoas;
- Posição de lordose;
- Algumas gatas podem urinar mais frequentemente e inclusive marcar o território com jatos de urina;
- Se você vive numa casa com jardim, é provável que apareçam gatos interessados na sua gatinha.
Caso a sua gata esteja efetivamente com o cio, você deve consultar um médico veterinário porque pode estar ocorrendo um problema chamado de síndrome do ovário remanescente.
Síndrome do ovário remanescente em gatas
A síndrome do ovário remanescente, também chamada de síndrome do resto ovárico, está descrita tanto em humanos como em cadelas e gatas. Esta síndrome é mais comum em humanos do que em gatos e cães. Embora esta situação possa ser menos frequente em gatas, existem vários casos documentados[1].
Basicamente, a síndrome do ovário remanescente é caracterizada pela persistência da atividade uterina, ou seja, cios, em fêmeas castradas. E por que isso acontece? Podem existir diferentes causas:
- A técnica cirúrgica utilizada foi inadequada e não foram retirados devidamente os ovários;
- Ficou uma pequena porção do tecido do ovário dentro da cavidade peritonial que se revascularizou e voltou a ser funcional;
- Ficou uma pequena porção do tecido do ovário noutra região do corpo que se revascularizou e voltou a funcionar.
Esta síndrome pode ocorrer apenas algumas semanas após a realização da castração ou mesmo anos depois.
A ovariohisterectomia é o procedimento mais comum realizado para a esterilização das gatas. Este procedimento é bastante simples, mas como qualquer procedimento cirúrgico tem alguns riscos, sendo a síndrome do ovário remanescente um deles. De qualquer forma, a esterilização é sempre a melhor opção, apesar dos riscos, e relembramos que esta síndrome é pouco comum.
Como você sabe, a esterilização das gatas tem muitas vantagens, entre elas:
- Impede ninhadas indesejadas! Existem milhares de gatinhos vivendo sem condições na rua, é um problema real e a esterilização é a única forma de combatê-lo;
- Diminui a probabilidade de certas doenças como câncer de mama e outros problemas do foro reprodutivo;
- A gata fica mais calma e há menor possibilidade de que tente escapar para cruzar;
- Deixa de existir o estresse habitual da época do cio, noites de miados sem parar e a frustração da gata por não poder cruzar.
Além disso, a esterilização contribui para o controle populacional, o que é crucial para a saúde pública e bem-estar dos animais.
Diagnóstico da síndrome do ovário remanescente
Se a sua gata castrada entra no cio, você deve suspeitar desta síndrome. É importante que você visite um médico veterinário para que ele possa fazer um diagnóstico correto.
O diagnóstico da síndrome do ovário remanescente nem sempre é fácil. O médico veterinário se baseia nos sinais clínicos, embora nem todas as gatas os apresentem.
Os sintomas da síndrome do ovário remanescente são geralmente iguais aos da fase de estro do cio das gatas:
- Alterações comportamentais;
- Miados excessivos;
- A gata se esfrega no tutor e em objetos;
- Interesse por parte dos gatos;
- Posição de lordose (como na imagem em baixo);
- Cauda desviada.
As descargas vaginais raramente ocorrem em gatas, ao contrário do que acontece com as cadelas, embora possa ser comum um aumento da frequência de urina.
Considerando que nem sempre os sintomas da síndrome do resto ovário estão presentes, o médico veterinário se auxilia de outros métodos para chegar ao diagnóstico. Os métodos mais comuns são a citologia vaginal e o ultrassom abdominal. Embora sejam um pouco mais dispendiosos, os testes hormonais e a laparoscopia são também um grande auxílio para o diagnóstico. Estes métodos permitem descartar outros possíveis diagnósticos diferenciais como, por exemplo, piometra, traumatismos, neoplasias, entre outros.
Tratamento da síndrome do ovário remanescente
O tratamento farmacológico, por norma, está desaconselhado. Por isso, o mais provável é que o seu médico veterinário aconselhe uma cirurgia exploratória. Muito provavelmente, o seu médico veterinário recomendará que a cirurgia seja feita durante o cio, porque durante essa fase o tecido remanescente estará mais visível.
A cirurgia permite que o médico veterinário encontre esse pedacinho de ovário que está provocando todos esses sintomas na sua gata e, ao extrair, o problema fica resolvido!
É importante seguir todas as recomendações pós-operatórias do veterinário para garantir uma recuperação rápida e eficaz. Além disso, um acompanhamento regular é essencial para evitar complicações ou recidivas.
Ou seja, a culpa foi do médico veterinário que castrou a sua gata?
Antes que você conclua que a síndrome do ovário remanescente na sua gata é culpa do médico veterinário que realizou a cirurgia, lembre-se de que, como já indicamos, existem diferentes possíveis causas.
Efetivamente, pode acontecer devido a uma cirurgia mal realizada, daí a importância de escolher um bom veterinário. Porém, essa não é a única causa e você não pode acusar injustamente o médico veterinário sem saber o que realmente despoletou essa síndrome. Em alguns casos, a gata apresenta um tecido residual ovárico fora do ovário e, por vezes, até numa parte distante do corpo. Nesses casos, seria quase impossível o médico veterinário se aperceber e detectar esse tecido de modo a retirá-lo durante o procedimento normal da castração. E como isso acontece? Durante o desenvolvimento embrionário da gata, quando ela ainda era um embrião na barriga da progenitora, as células que criam os ovários migraram para outro lado do corpo e agora, anos mais tarde, se desenvolveram e entraram em funcionamento.
Ou seja, muitas vezes, não existe forma de saber que há uma pequena porção de ovário ainda no corpo da gata até que ela entre em cio novamente e o médico veterinário precise de fazer uma nova cirurgia.
Se a sua gata castrada entrou no cio, o melhor é correr para um médico veterinário para que rapidamente ele faça o diagnóstico e inicie um tratamento. A rapidez na intervenção pode evitar desconforto prolongado para a sua gata e possíveis complicações.
Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.
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- Ballm R. (2010) Ovarian remnant syndrome in dogs and cats: 21 cases (2000–2007). Journal of the American Veterinary Medical Association. vol. 236 n. 5 p.548-553
- DeNardo, G. Becker, K. Brown, N. Dobbins, S. (2001). Ovarian Remnat Syndrome: Revascularization of Dree-Floating Ovarian Tissue in the Feline Abdominal Cavity. Journal of the American Animal Hospital Association. Vol.37