Desde 1990, no sul da China, acontece o Festival de Yulin, dedicado ao consumo de carne de cachorro. São muitos os ativistas que lutam todos os anos pelo fim desta "tradição"; no entanto, o governo chinês, que observa a popularidade e o mediatismo do evento, não considera deixar de realizá-lo.
Neste artigo do PeritoAnimal, mostramos os principais acontecimentos e a história do consumo de carne de cachorro, uma vez que, na América Latina e na Europa, os ancestrais também consumiam carne de animais domésticos, tanto por fome como por hábito. Além disso, vamos explicar algumas irregularidades que acontecem nesse festival e também o conceito que muitos asiáticos têm sobre o consumo de carne de cachorro. Continue lendo este artigo sobre o Festival de Yulin: carne de cachorro na China.
Consumo de carne de cachorro
Atualmente, encontramos cachorros em praticamente todos os lares do mundo. Por essa mesma razão, muitas pessoas acham o ato de comer carne de cachorro algo maldoso e monstruoso, pois não compreendem como o ser humano pode alimentar-se de um animal tão nobre.
No entanto, também é uma realidade que muitas pessoas não têm problema em ingerir alimentos tabu para outras sociedades, como, por exemplo, vacas (um animal sagrado na Índia), porco (proibido no islã e no judaísmo) e cavalo (cujo consumo é muito reprovado nos países nórdicos europeus). O coelho, o porquinho-da-índia ou a baleia são outros exemplos de alimentos tabu em outras sociedades.
Avaliar quais animais deveriam fazer parte da dieta humana e quais não deveriam é um tema controverso e polêmico, que exige analisar os hábitos, a cultura e a sociedade. Afinal, esses fatores moldam a visão da população e direcionam para um ou outro lado da linha de aceitação e das condutas. Esses exemplos mostram que os costumes alimentares variam conforme o contexto histórico e cultural. Isso não impede que cada prática seja discutida, sobretudo quando há preocupações com o sofrimento dos animais e com as condições em que são criados e abatidos.
Países onde se come carne de cachorro
Saber que os antigos astecas se alimentavam de carne de cachorro pode parecer algo longínquo e primitivo, uma conduta reprovável, mas compreensível para a época. No entanto, seria igualmente compreensível se você soubesse que essa prática foi vivenciada nos anos 20 na França e na Suíça, em 1996? E também em alguns países para atenuar a fome? Seria isso menos cruel?
Porque os chineses comem carne de cachorro
O festival de Yulin começou a ser celebrado em 1990, com o objetivo de comemorar o solstício de verão a partir de 21 de julho. Um total de 10.000 cães são sacrificados e consumidos por moradores e turistas. Considera-se que o consumo promove a boa sorte e a saúde de quem participa.
No entanto, esse não é o início do consumo de carne de cachorro na China. Anteriormente, durante épocas de guerra que provocavam muita fome entre os cidadãos, o governo decretou que os cachorros deviam ser considerados um alimento e não animais de estimação. Por essa mesma razão, raças como o Shar Pei estiveram à beira da extinção.
A sociedade chinesa atual está dividida, pois o consumo de carne de cachorro tem defensores e detratores. Ambos os lados lutam por suas crenças e opiniões. O governo chinês, por sua vez, mostra-se imparcial, afirmando que não promove o evento e que também age com contundência diante dos roubos e envenenamentos de animais de estimação. A existência do festival, portanto, não representa uma posição única de toda a população chinesa. As opiniões sobre o consumo variam entre pessoas e regiões, e o debate reúne argumentos culturais e preocupações com o bem-estar animal.
Festival de Yulin: por que é tão polêmico
Comer carne de cachorro é um tema controverso, tabu ou desagradável, segundo a opinião de cada pessoa. Não obstante, durante o Festival de Yulin, algumas investigações concluíram que:
- Muitos cachorros são maltratados antes da morte;
- Muitos cachorros sofrem fome e sede enquanto esperam pela morte;
- Não existe um controle sanitário dos animais;
- Alguns cachorros são animais de estimação roubados de cidadãos;
- Especula-se sobre o mercado negro de tráfico de animais.
A cada ano, o festival reúne ativistas chineses e estrangeiros, budistas e defensores dos direitos dos animais, que se posicionam contra aqueles que praticam o abate de cães para consumo. Destinam-se grandes quantidades de dinheiro ao resgate de cachorros e, inclusive, acontecem motins graves. Apesar disso, parece que ninguém consegue travar esse evento repugnante. A discussão não se limita às diferenças culturais: as condições de transporte, alojamento e manejo podem afetar o bem-estar dos animais, enquanto a falta de controles sanitários adequados pode representar riscos à saúde.
Festival Yulin: o que você pode fazer
As práticas que acontecem no Festival de Yulin horrorizam pessoas de todo o mundo, que não hesitam em se envolver para tentar impedir a realização do próximo festival. Figuras públicas como Gisele Bündchen já pediram ao governo chinês o fim do Festival de Yulin. O fim do festival é difícil sem a intervenção do atual governo chinês; no entanto, pequenas ações podem ajudar a mudar essa dramática realidade. São elas:
- Boicote os produtos de pele chineses;
- Junte-se aos protestos que se organizam durante o festival, seja no seu país ou na própria China;
- Promova o festival Kukur Tihar em defesa dos direitos dos cachorros, um festival hindu do Nepal;
- Junte-se à luta pelos direitos dos animais;
- Una-se ao movimento vegetariano e vegano;
- Sabemos que o consumo de carne de cachorro no Brasil é inexistente e que a maioria das pessoas não concorda com essa prática. Por isso, existem milhares de brasileiros que assinam pelo fim do festival Yulin de carne de cachorro e também usam a #pareyulin.
Infelizmente, é muito difícil salvá-los e acabar com o Festival de Yulin, mas, se fizermos a nossa parte divulgando essas informações, podemos gerar algum impacto e, inclusive, promover discussões que acelerem o fim do festival. Ao compartilhar informações, procure confirmar a origem e o contexto do conteúdo e, ao participar de manifestações, aja de forma pacífica e respeite as orientações locais. Ações consistentes e bem informadas ajudam a manter o debate centrado no bem-estar animal. Você tem alguma proposta? Se tiver alguma ideia de como podemos ajudar, comente e dê a sua opinião. Não deixe de compartilhar essas informações com o máximo de pessoas que puder.
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