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Febre do Nilo Ocidental em cavalos - Sintomas, tratamentos e prevenção

 
Por Laura García Ortiz, Veterinária especializada em medicina felina. Atualizado: 1 fevereiro 2021
Febre do Nilo Ocidental em cavalos - Sintomas, tratamentos e prevenção

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A febre do Nilo ocidental é uma doença viral não contagiosa que afeta principalmente as aves, cavalos e humanos e é transmitida por mosquitos. Trata-se de uma doença de origem africana, mas que se espalhou por todo o mundo graças às aves migratórias, que são os principais hospedeiros do vírus, mantendo um ciclo mosquito-ave-mosquito que às vezes inclui cavalos ou pessoas.

A doença provoca sinais nervosos que às vezes podem chegar a ser muito graves e até provocar a morte de quem está infectado. Por isso, devem ser adotadas medidas preventivas para a febre do Nilo Ocidental em equinos, especialmente por meio da vacinação dos cavalos em áreas de risco.

Se você tem curiosidade ou ouviu falar sobre essa doença e deseja saber mais sobre ela, continue lendo este artigo do PeritoAnimal sobre a febre do Nilo Ocidental em cavalos - sintomas e prevenção.

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O que é a febre do Nilo Ocidental

A febre do Nilo Ocidental é uma doença não contagiosa de origem viral e transmitida por um mosquito geralmente do gênero Culex ou Aedes. As aves silvestres, especialmente da família Corvidae (corvos, gralhas), são o principal reservatório do vírus para sua transmissão a outros seres pelos mosquitos, pois desenvolvem uma forte viremia após a picada de um mosquito infectado. O melhor habitat para a propagação do vírus são as áreas úmidas, como deltas de rios, lagos ou áreas pantanosas onde abundam as aves migratórias e os mosquitos.

O vírus, naturalmente, mantém um ciclo natural mosquito-ave-mosquito, sendo os mamíferos às vezes infectados pela picada de um mosquito portador do vírus após ter picado uma ave com o vírus no sangue. As pessoas e cavalos são especialmente sensíveis, podendo levar a sintomas neurológicos mais ou menos graves, pois o vírus chega ao sistema nervoso central e à medula espinhal por via sanguínea.

A transmissão transplacentária, amamentação ou por transplantes também têm sido descritas em pessoas, sendo sintomáticos em apenas 20% dos casos. Não existe transmissão cavalo/cavalo, o que ocorre é o contágio a partir da presença de um mosquito vetor do vírus entre eles.

Embora a febre do Nilo Ocidental não seja uma das doenças mais comuns em cavalos, é muito importante realizar um controle veterinário para prevenir esta e outras patologias.

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Causas da febre do Nilo Ocidental

A febre do Nilo Ocidental já foi considerada extinta no Brasil, mas diferentes casos têm sido reportados em estados como São Paulo, Piauí e Ceará desde 2019.[1][2][3]

A doença é causada pelo vírus do West Nile, que é um arbovírus (vírus transmitido por artrópodes) da família Flaviviridae e do gênero Flavivirus. Pertence ao mesmo gênero que os vírus da Dengue, Zika, febre amarela, encefalite japonesa ou encefalite de St. Louis. Foi identificado pela primeira vez no ano de 1937 em Uganda, no distrito de West Nile. A doença se distribui principalmente na África, Oriente Médio, Ásia, Europa e América do Norte.

É uma doença de notificação obrigatória à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), bem como inscrita no Código Sanitário de Animais Terrestres desta mesma organização. O aumento da circulação do vírus West Nile é favorecido pela presença de inundações, fortes chuvas, aumento da temperatura global, o crescimento da população, as granjas de avicultura extensiva e irrigação intensiva.

Febre do Nilo Ocidental em cavalos - Sintomas, tratamentos e prevenção - Causas da febre do Nilo Ocidental

Sintomas da febre do Nilo Ocidental

Depois da picada do mosquito, os sintomas da Febre do Nilo Ocidental em equinos podem levar de 3 a 15 dias para aparecer. Em outras ocasiões eles nunca aparecerão, porque grande parte dos cavalos que são infectados nunca desenvolverão a doença, por isso não manifestarão nenhum sinal clínico.

Quando a doença se desenvolve, estima-se que um terço dos cavalos infectados morrem. Os sinais que um cavalo com Febre do Nilo pode apresentar são:

  • Febre.
  • Dor de cabeça.
  • Inflamação dos gânglios linfáticos.
  • Anorexia.
  • Letargia.
  • Depressão.
  • Dificuldade na deglutição.
  • Transtornos de visão com tropeços ao caminhar.
  • Passo lento e curto.
  • Cabeça caída, inclinada ou apoiada.
  • Fotofobia.
  • Falta de coordenação.
  • Fraqueza muscular.
  • Tremor muscular.
  • Ranger dos dentes.
  • Paralisia facial.
  • Tiques nervosos.
  • Movimentos circulares.
  • Incapacidade de se manter em pé.
  • Paralisia.
  • Convulsões.
  • Coma.
  • Morte.

Cerca de 80 % dos contágios em pessoas não produzem sintomas e, quando se apresentam, são inespecíficos, como febre moderada, dores de cabeça, cansaço, náuseas e/ou vômitos, erupções cutâneas e aumento do tamanho dos gânglios linfáticos. Em outras pessoas, a forma grave da doença pode se desenvolver com complicações como encefalite e meningite com sinais neurológicos, mas a porcentagem geralmente é mínima.

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Diagnóstico da febre do Nilo ocidental em cavalos

O diagnóstico da Febre do Nilo em cavalos deve ser realizado por meio de um diagnóstico clínico, diferencial e deve ser verificado através da coleta de amostras e envio ao laboratório de referência para ter um diagnóstico definitivo.

Diagnóstico clínico e diferencial

Se um cavalo começa a apresentar alguns dos sinais neurológicos que comentamos, embora sejam muito sutis, deve-se suspeitar dessa doença viral, especialmente se estivermos em área de risco de circulação viral ou o cavalo não tenha sido vacinado.

É por isso que chamar o veterinário equino para qualquer comportamento fora do normal do cavalo é indispensável para tratá-lo o mais rápido possível e controlar os possíveis surtos. Deve-se sempre diferenciar a febre do Nilo Ocidental de outros processos que podem ocorrer com sinais parecidos nos cavalos, especificamente:

  • Raiva equina.
  • Herpesvírus equino tipo 1.
  • Encefalomielite por Alfavírus.
  • Encefalomielite protozoária equina.
  • Encefalite equina do leste e do oeste.
  • Encefalite equina da Venezuela.
  • Encefalite verminose.
  • Meningoencefalite bacteriana.
  • Botulismo.
  • Intoxicações.
  • Hipocalcemia.

Diagnóstico laboratorial

O diagnóstico definitivo e sua diferenciação de outras doenças são dados pelo laboratório. Devem ser colhidas amostras para realizar testes e, assim, detectar anticorpos ou antígenos do vírus para o diagnóstico da doença.

Os testes para diagnosticar diretamente o vírus, especificamente antígenos, são realizados com amostras de líquido cefalorraquidiano, cérebro, rins ou coração provenientes da necropsia se o cavalo faleceu, sendo de utilidade a reação em cadeia da polimerase ou RT-PCR, a imunofluorescência ou a imuno-histoquímica no cérebro e medula espinhal.

No entanto, os testes geralmente utilizados para diagnosticar essa doença nos cavalos vivos são os sorológicos, a partir de sangue, soro ou líquido cefalorraquidiano, onde em vez do vírus serão detectados anticorpos que o cavalo produziu contra ele. Especificamente, esses anticorpos são as imunoglobulinas M ou G (IgM o IgG). As IgG aumentam mais tarde do que as IgM e quando os sinais clínicos estão suficientemente presentes, então apenas a detecção de IgM no soro é diagnosticada. Os testes sorológicos disponíveis para a detecção da Febre do Nilo em equinos são:

  • ELISA de captura de IgM (MAC-ELISA).
  • ELISA de IgG.
  • Inibição da hemaglutinação.
  • Soroneutralização: é utilizado para confirmar testes de ELISA positivos ou confusos, pois esse teste pode causar reações cruzadas com outros flavivírus..

O diagnóstico definitivo da febre do Nilo Ocidental em todas as espécies é realizado por meio do isolamento do vírus, mas geralmente não é praticado porque requer um nível 3 de biossegurança. Pode ser isolado em VERO (células de fígado de macaco verde africano) ou RK-13 (células renais de coelho), bem como em linhas celulares ou embriões de galinha.

Tratamentos para cavalos

O tratamento da Febre do Nilo Ocidental em equinos é baseado no tratamento dos sintomas que ocorrem, já que não há um antiviral específico, de modo que a terapia de apoio será a seguinte:

  • Antipiréticos, analgésicos e anti-inflamatórios para reduzir a febre, a dor e a inflamação interna.
  • Fixação para manter a postura.
  • Fluidoterapia se o cavalo não puder se hidratar adequadamente.
  • Nutrição por sonda se apresentar dificuldade na ingestão.
  • Hospitalização com local seguro, paredes acolchoadas, cama confortável e protetor de cabeça para evitar lesões por pancadas e controlar os sinais neurológicos.

A maioria dos cavalos que são infectados se recupera desenvolvendo imunidade específica. Algumas vezes, embora o cavalo supere a doença, podem ficar sequelas devido a lesões permanentes no sistema nervoso.

Prevenção e controle da febre do Nilo Ocidental em cavalos

A febre do Nilo Ocidental é uma doença de notificação obrigatória, mas não está sujeita a um programa de erradicação, pois não é contagiosa entre cavalos, mas requer que um mosquito faça a mediação entre eles, de modo que não é obrigatório o abate dos cavalos infectados, exceto por motivos humanitários se não tiverem mais qualidade de vida.

É imprescindível a aplicação de medidas preventivas para a febre do Nilo para um bom controle da doença por meio da vigilância epidemiológica dos mosquitos como vetores, as aves como hospedeiros principais e os cavalos ou humanos como acidentais.

Os objetivos do programa são detectar a presença de circulação viral, avaliação do risco de aparecimento e implementação de medidas específicas. Áreas úmidas devem ser especialmente vigiadas e a vigilância em aves é realizada em suas carcaças, pois muitas das infectadas morrem, ou por amostragem de suspeitos; nos mosquitos, através de sua captura e identificação, e em cavalos, por meio de amostragem de sentinelas ou pelos casos suspeitos.

Como não existe tratamento específico, a vacinação e a redução da exposição aos mosquitos transmissores são fundamentais para a redução do risco de cavalos contraírem a doença. O programa preventivo de controle de mosquitos é baseado na aplicação das seguintes medidas:

  • Uso de repelentes tópicos nos cavalos.
  • Colocar os cavalos em estábulos, evitando as atividades ao ar livre nas horas de maior exposição aos mosquitos.
  • Ventiladores, inseticidas e armadilhas para mosquitos.
  • Eliminar os criadouros dos mosquitos através da limpeza e trocando a água do bebedouro diariamente.
  • Apagar as luzes do estábulo onde o cavalo está para evitar atrair os mosquitos.
  • Colocar cortinas antimosquitos nos estábulos, bem como mosquiteiros nas janelas.

Vacina da febre do Nilo Ocidental em cavalos

Em cavalos, ao contrário das pessoas, existem vacinas que são utilizadas nas áreas de maior risco ou incidência do vírus. A grande utilidade que as vacinas apresentam é a de reduzir o número de cavalos com viremia, ou seja, que tenham o vírus no sangue e para reduzir a gravidade da doença ao apresentar imunidade se infectados.

As vacinas de vírus inativados são utilizadas a partir dos 6 meses de idade do cavalo, administradas por via intramuscular e requerem duas doses. A primeira é aos seis meses de idade, revacinando após quatro ou seis semanas e depois uma vez por ano.

Destacamos mais uma vez que se o cavalo apresentar algum dos sintomas mencionados neste artigo, procure um veterinário equino o quanto antes.

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Febre do Nilo Ocidental em cavalos - Sintomas, tratamentos e prevenção - Prevenção e controle da febre do Nilo Ocidental em cavalos

Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

Se deseja ler mais artigos parecidos a Febre do Nilo Ocidental em cavalos - Sintomas, tratamentos e prevenção, recomendamos-lhe que entre na nossa seção de Doenças virais.

Referências
  1. CRMVSP. Febre do Nilo: OIE notifica caso em equino em São Paulo. Disponível em: <https://www.crmvsp.gov.br/arquivo_release/05.09.2019_Febre_do_Nilo_OIE_notifica_caso_em_equino_em_Sao_Paulo.pdf>. Acesso em 27 de janeiro de 2021.
  2. CIDADE VERDE. Laboratório da UFMG confirma 1º caso de Febre do Nilo em animais no Piauí. Disponível em: <https://cidadeverde.com/parnaiba/112221/laboratorio-da-ufmg-confirma-1-caso-de-febre-do-nilo-em-animais-no-piaui>. Acesso em 27 de janeiro de 2021.
  3. G1. Teresina registra 2ª caso de Febre do Nilo Ocidental e FMS faz investigação. Disponível em: <https://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/2020/08/05/teresina-registra-2a-caso-de-febre-do-nilo-ocidental-e-fms-faz-investigacao.ghtml>. Acesso em 27 de janeiro de 2021.
Bibliografia
  • College of Veterinary medicine, Iowa State University. (2019). Fiebre del Nilo Occidental. Disponível em: <http://www.cfsph.iastate.edu/Factsheets/es/fiebre_del_nilo_occidental.pdf>. Acesso em 27 de janeiro de 2021.
  • Organización Mundial de Sanidad Animal (OIE). Fiebre del Nilo Occidental. Disponível em: <https://www.oie.int/doc/ged/D14014.PDF>. Acesso em 27 de janeiro de 2021.
  • Plataforma de enfermedades infecciosas equinas. Fiebre del Nilo Occidental. Disponível em: <https://www.visavet.es/infequus/fiebre-nilo-occidental.php>. Acesso em 27 de janeiro de 2021.
  • Ministerio de medio ambiente, medio rural y marino. Enfermedad Fiebre del Nilo Occidental (West Nile). Disponível em: <https://www.mapa.gob.es/es/ganaderia/temas/sanidad-animal-higiene-ganadera/info_west_nile_tcm30-111126.pdf>. Acesso em 27 de janeiro de 2021.

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