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Eutanásia animal - uma visão técnica

 
Por Bruno Gomes, Médico Veterinário. Atualizado: 29 maio 2018
Eutanásia animal - uma visão técnica

Eutanásia, palavra originada a partir do grego eu + thanatos, que tem como tradução “boa morte” ou “morte sem dor”, consiste na conduta de abreviar a vida de um paciente em estado terminal ou que esteja sujeito a dores e intoleráveis sofrimentos físicos ou psíquicos. Esta técnica é adotada no mundo todo e abrange tanto animais como humanos, dependendo da região, religião e cultura. Porém, a eutanásia vai além de uma definição ou classificação.

Atualmente no Brasil, essa técnica é autorizada e regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) através da Resolução nº 714, de 20 de junho de 2002, que “dispõe sobre procedimentos e métodos de eutanásia em animais, e dá outras providências”, onde são estabelecido critérios, assim como métodos aceitáveis, ou não, para a aplicação da técnica.

A eutanásia nos animais é um procedimento clínico que compete privativamente ao Médico Veterinário, pois é somente por uma avaliação criteriosa por parte desse profissional que o método pode ser indicado ou não.

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Passos a seguir:
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A Eutanásia é necessária?

Esse, sem dúvidas, é um assunto muito polêmico, pois envolve muitas vertentes, ideologias, ideias e afins. Porém, uma coisa é certa, a eutanásia só é realizada quando há um consentimento entre o Tutor e Médico Veterinário. A técnica geralmente é indicada quando um animal se encontra num estado clínico terminal. Ou seja, uma doença crônica ou muito grave, onde todas as técnicas e métodos terapêuticos possíveis já foram utilizados sem sucesso e principalmente quando o animal está num estado de dor e sofrimento.

Quando falamos sobre a necessidade ou não da eutanásia, temos que ressaltar que há dois caminhos a seguir: o primeiro, a aplicação da técnica para evitar o sofrimento do animal e a segunda, mantê-lo à base de fortes medicações contra dores para que se siga o curso natural da doença até a morte.

Atualmente, na medicina veterinária, há um grande número de medicamentos disponíveis para o controle da dor assim como para induzir um animal a um estado de quase “coma induzido”. Esses fármacos e técnicas são utilizados em casos de que o tutor não tem a intenção de autorizar a eutanásia, mesmo com a indicação do Médico Veterinário. Em casos como esses já não há mais a esperança de melhora do quadro, restando somente a provisão de uma morte sem dores e sofrimento.

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Cabe ao Médico Veterinário[1]:

1. garantir que os animais submetidos à eutanásia estejam em ambiente tranquilo e adequado, respeitando os princípios básicos norteadores desse método;

2. atestar a morte do animal, observando a ausência dos parâmetros vitais;

3. manter os prontuários com os métodos e as técnicas empregados sempre disponíveis para fiscalização pelos órgãos competentes;

4. esclarecer ao proprietário ou responsável legal pelo animal, quando for o caso, sobre o ato da eutanásia;

5. solicitar autorização, por escrito, do proprietário ou responsável legal pelo animal, para a realização do procedimento, quando for o caso;

6. permitir que o proprietário ou responsável legal pelo animal assista ao procedimento, sempre que o proprietário assim desejar, desde que não existam riscos inerentes.

Eutanásia animal - uma visão técnica - Passo 2
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Técnicas utilizadas

As técnicas de eutanásia tanto em cães, como em gatos, sempre são químicas, ou seja, envolvem a administração de anestésicos gerais em doses relevantes, assegurando assim que o animal esteja totalmente anestesiado e livre de qualquer dor ou sofrimento. Muitas vezes o profissional pode optar pela associação de uma ou mais drogas que aceleram e potencializam a morte do animal. O procedimento deve ser rápido, indolor e com total ausência de sofrimento. Vale ressaltar que é crime estabelecido pelo código penal brasileiro a realizado de tal pratica por pessoa não autorizada, estando portanto proibida sua realização por tutores e afins.

Portanto, cabe ao tutor juntamente com o veterinário chegar à conclusão da necessidade ou não da aplicação da eutanásia e preferencialmente quando todos os métodos cabíveis de tratamento já tenham sido empregados, para garantir todos os direitos do animal em questão.

Se o seu pet foi recentemente eutanasiado e você não sabe o que fazer, leia o nosso artigo que responde à pergunta: "meu pet morreu? o que fazer?"

Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

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Referências
  1. https://www.ufrgs.br/bioetica/resolucao_1000-2012%20CFMV.pdf

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