Erliquiose canina - sintomas, diagnóstico e tratamento

Erliquiose canina - sintomas, diagnóstico e tratamento

Seu cachorro tem carrapatos? Você precisa estar alerta para certas doenças como a erliquiose canina. Infelizmente, esta doença é bastante comum em cachorros que não estão devidamente desparasitados.

Se o seu cachorro foi diagnosticado pelo médico veterinário com esta doença ou você quer saber mais sobre ela, neste artigo do PeritoAnimal vamos te explicar tudo aquilo que você precisa saber sobre a erliquiose canina causada pela picadura de carrapatos. Vamos repassar os sintomas, esclarecer sobre o diagnóstico e quais os tratamentos mais recomendados.

O que é a Erliquiose canina?

A erliquiose canina é uma doença infecto-contagiosa, também conhecida por outros nomes como: Tifo canino, Febre hemorrágica canina ou Pancitopenia canina tropical. Os cachorros são infectados por esta doença através da picada do carrapato mais comum, o chamado carrapato marrom (Rhipicephalus sanguineus).

O carrapato é um reservatório, ou seja, um portador, de uma bactéria chamada de Erlichia canis (antigamente chamada de Rickettsia canis) e, ao picar o cachorro, a bactéria entra na corrente sanguínea do cachorro e afeta o sistema imunitário porque infecta os glóbulos brancos.

Os carrapatos picam cachorros infectados com a Erlichia canis e ficam com essas bactérias dentro deles. Depois, transmitem essa bactéria a outros cachorros saudáveis através da picadura. Por este motivo, é tão importante que seu cachorro cumpra o protocolo de desparasitação definido pelo médico veterinário de confiança. O carrapato não transmite apenas esta doença, ele transmite também outras como a Babesiose, por exemplo.

Qualquer cachorro, independentemente da raça ou sexo, pode sofrer desta doença. Porém, alguns estudos indicam que cachorros da raça Pastor Alemão são mais susceptíveis. Neste sentido, é crucial manter a vigilância e garantir que medidas preventivas sejam seguidas rigorosamente.

Erliquiose canina - sintomas

Os sintomas da erliquiose canina dependem do tipo de forma em que se manifesta esta doença que pode ser: aguda, subclínica e crônica. Cada uma dessas fases apresenta características específicas e requer atenção diferenciada.

Fase aguda

Após o período de incubação, depois do cachorro ser infectado, que geralmente dura entre 8 a 20 dias, surge a fase aguda da doença. Nesta etapa, a bactéria se prolifera dentro das células e afeta principalmente o fígado, baço e linfonodos. O mais habitual é que esta fase dure entre 2 e 4 semanas.

Nesta fase, o cachorro com erliquiose canina pode apresentar os seguintes sintomas:

  • Febre
  • Depressão
  • Letargia
  • Anorexia
  • Hemorragias
  • Lesões nos olhos: uveíte, hemorragias etc.
  • Problemas respiratórios

Por vezes, podem existir sintomas neurológicos da erliquiose canina como consequência de uma meningite. Isto acontece porque as células afetadas pelas bactérias são levadas a várias partes do corpo do cachorro, inclusive as meninges. Assim, podem ocorrer tremores intensos, ataxias e outros sinais neurológicos. Entender esses sinais pode ser crucial para um tratamento eficaz.

Fase subclínica

Nesta segunda fase, os sintomas não são evidentes e ela costuma durar entre 6 e 9 semanas aproximadamente. Ou seja, nesta fase, você não terá facilidade em observar qualquer tipo de sintomas no cachorro. Porém, as alterações existem a nível hematológico e podem ser detectadas pelo seu médico veterinário: trombocitopenia, leucopenia e anemia. Realizar exames periódicos pode ajudar a identificar esta fase silenciosa.

Fase crônica

Se o sistema imunitário do cachorro funcionar corretamente, ele ficará um portador crônico sem sintomas. Porém, caso o cachorro apresente sintomas da doença, estes serão semelhantes aos da fase aguda, mas de uma forma muito mais grave. Você poderá ver o cachorro com os seguintes sintomas:

  • Apatia
  • Caquexia
  • Infeções secundárias
  • Perda de peso
  • Hemorragias
  • Mucosas pálidas

Os donos devem estar atentos a estes sinais, pois a intervenção rápida pode ser decisiva para a recuperação do animal.

Diagnóstico da erliquiose canina

Apenas um médico veterinário poderá fazer um correto diagnóstico da erliquiose canina. O diagnóstico desta doença nem sempre é fácil, já que os sintomas são semelhantes a muitas outras doenças. De qualquer forma, se o seu cachorro tiver um carrapato e algum dos sinais clínicos, isso já pode ser um indício de que possa se tratar desta doença.

O seu médico veterinário, após fazer um exame físico completo e ouvir toda a história (chamada de anamnese) que você contar para ele, fará exames hematológicos para confirmar.

O principal método de diagnóstico é o chamado de esfregaço sanguíneo. Com este método, o médico veterinário utiliza uma gota de sangue que observará no microscópio para confirmar a presença de Erlichia canis. Este método é o mais econômico e rápido, mas nem sempre é o mais eficaz porque, como referimos, esta bactéria circula pela corrente sanguínea e pode não estar presente na gota de sangue analisada, mas existir na corrente sanguínea.

Por esse motivo, existem outros métodos de diagnóstico que o seu médico veterinário pode optar por utilizar caso não detecte a bactéria no esfregaço de sangue, como a reação de polimerase em cadeia (PCR) e a imunofluorescência indireta (IFI). Estes testes complementares podem proporcionar uma visão mais precisa da presença da doença.

Imagem: researchgate.net

Erliquiose canina pega em humanos?

Durante várias décadas, acreditou-se que as erliquioses eram "espécie-específicas", ou seja, que apenas eram transmitidas dentro da mesma espécie. Porém, várias espécies diferentes de Ehrlichia foram encontradas em humanos, e os casos de erliquiose humana têm aumentado em vários países, o que sugere um potencial zoonótico. Se o seu cachorro tem erliquiose canina, não se preocupe, pois ele não vai transmitir a doença para você.

No Brasil, a erliquiose humana é, felizmente, pouco comum. No entanto, é sempre importante estar atento às informações de saúde pública e discutir qualquer preocupação com um profissional de saúde.

Erliquiose canina tem cura?

O tratamento da erliquiose canina depende da fase em que o seu cachorro se encontrar. O principal tratamento, especialmente na fase crônica, é o tratamento de suporte, em que o médico veterinário utiliza a fluidoterapia e pode inclusive precisar fazer transfusões sanguíneas para compensar as hemorragias do cachorro.

Aliado a um bom tratamento de suporte, o veterinário pode administrar diferentes fármacos para combater a erliquiose, principalmente antibióticos como a doxiciclina. Para além disso, devem ser feitos tratamentos para a sintomatologia associada apresentada.

O sucesso do tratamento muitas vezes depende da rapidez com que a doença é diagnosticada. Portanto, é vital que os donos de cães estejam vigilantes quanto aos sinais de alerta e busquem atenção veterinária ao primeiro indício de problemas.

Prevenção da Erliquiose canina

O principal método de combate a esta doença, assim como todas as outras, é a prevenção. Não existe nenhum tipo de vacina contra a erliquiose, e a única maneira de prevenir é fazer um correto protocolo de desparasitação para evitar os carrapatos.

Se você adotar um novo cachorro, é importante que o mantenha separado dos outros cachorros enquanto ele não estiver devidamente desparasitado. Este é um dos motivos pelos quais uma quarentena de novos cachorros nos canis é tão importante.

Além disso, realizar inspeções regulares no pelo do cachorro para retirar carrapatos ainda é uma das formas mais eficazes de prevenção. Produtos repelentes e coleiras antiparasitárias também são aliados importantes na prevenção dessa doença.

Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

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Bibliografia
  • Silva, I. P. M. (2015) Erlichiosis canine - literature review. Revista científica de medicina veterinária. N. 24
  • Harrus, S. Waner, T. (2011) Diagnosis of canine monocytropic erlichiosis (ehrlichia canis): An overview. The veterinary journal. n 187 p. 292-296