Doença do carrapato em gatos (Erliquiose Felina) - sintomas, diagnóstico e tratamento!

Doença do carrapato em gatos (Erliquiose Felina) - sintomas, diagnóstico e tratamento!

Os gatos, tal como os cachorros, podem ser mordidos por carrapatos e serem infectados por uma das inúmeras doenças que estes parasitas transportam. Uma dessas doenças é a erliquiose felina, também conhecida por doença do carrapato em gatos.

Embora a doença do carrapato seja rara em gatos, existem vários casos relatados por médicos veterinários no Brasil. Por esse motivo, é importante que você conheça e esteja atento aos possíveis sintomas desta doença, para que possa rapidamente agir se desconfiar que esteja acontecendo com o seu felino.

Neste artigo do PeritoAnimal vamos te explicar tudo o que você precisa saber sobre a doença do carrapato em gatos, continue lendo!

Erliquiose felina

A Erlichia canis está amplamente estudada nos cachorros. A erliquiose canina é endêmica em muitas zonas do Brasil. Por outro lado, a erliquiose felina ainda está pouco estudada e não existem muitos dados. O que é certo, é que existem cada vez mais relatos de casos e os tutores de gatos devem estar atentos.

A erliquiose felina é causada por organismos intracelulares conhecidos por Rickettsia. Sendo que os agentes mais comuns na erliquiose felina são: Ehrichia risticii e Ehrichia canis.

Para além da doença ser ruim para o seu gatinho, é importante relembrar que a erliquiose é uma zoonose, ou seja, ela pode ser transmitida aos seres humanos. Os gatos domésticos, tal como os cachorros, podem ser reservatórios de Erlichia sp e eventualmente transmitirem aos seres humanos através de um vetor, como um carrapato ou outro artrópode, que ao picar o animal infectado e posteriormente o ser humano, transmite o micro-organismo.

Como se transmite a erliquiose felina?

Alguns autores sugerem que a transmissão seja feita por carrapatos, tal como acontece com o cachorro. O carrapato, ao picar o gato, transmite a Ehrlichia sp., um hemoparasita, ou seja, um parasita do sangue. Porém, um estudo feito com gatos portadores deste hemoparasita apenas detectaram possível exposição a carrapatos em 30% dos casos, o que sugere que possa existir um vetor desconhecido que seja o responsável pela transmissão desta doença para os gatos[1]. Alguns especialistas acreditam que a transmissão também pode ser feita através da ingestão de roedores que os gatos caçam.

Além disso, a erliquiose felina pode ser mais prevalente em áreas onde há alta densidade de carrapatos, especialmente em regiões rurais ou com vegetação densa. Isso reforça a necessidade de medidas preventivas eficazes. A conscientização sobre a importância de manter os ambientes frequentados por gatos livres de carrapatos é essencial para minimizar o risco de transmissão da doença.

Quais os sintomas da doença do carrapato em gatos?

Os sinais costumam ser inespecíficos, ou seja, são semelhantes ao de diversas doenças e por isso pouco conclusivos. Os sintomas da doença de carrapato em gatos mais comuns são:

  • Falta de apetite
  • Perda de peso
  • Febre
  • Mucosas pálidas
  • Vômitos
  • Diarreia
  • Letargia

Além dos sintomas listados, alguns gatos podem apresentar alterações comportamentais, como irritabilidade ou retraimento. Em casos mais avançados, podem surgir problemas respiratórios ou neurológicos. Portanto, a observação cuidadosa do comportamento e saúde geral do gato é vital para um diagnóstico precoce. Por exemplo, mudanças súbitas no hábito de brincar ou interagir podem ser indicativos de desconforto ou dor.

Diagnóstico da doença de carrapato em gatos

O médico veterinário perante a suspeita de doença de carrapato em gatos, faz algumas provas laboratoriais. As alterações laboratoriais mais comuns da erliquiose felina são:

  • Anemia não regenerativa
  • Leucopenia ou leucocitose
  • Neutrofilia
  • Linfocitose
  • Monocitose
  • Trombocitopenia
  • Hiperglobulinemia

Para ter um diagnóstico definitivo, o médico veterinário costuma se auxiliar de uma prova chamada de esfregaço sanguíneo, que basicamente permite observar o micro-organismo no sangue com o microscópio. Esta prova nem sempre é conclusiva e por isso o veterinário pode precisar também da prova de PCR.

Para além disso, não estranhe se o seu médico veterinário realizar outras provas como o Raio X, que permite ver se existem outros órgãos afetados.

O uso de ultrassonografia pode também ser considerado para avaliar o estado de órgãos internos, como o fígado e os rins, que podem ser afetados em infecções severas. Este exame adicional pode fornecer uma visão mais completa do impacto da doença no organismo do gato, ajudando a ajustar o tratamento de forma mais precisa.

Tratamento da erliquiose felina

O tratamento da erliquiose felina depende de cada caso e da sintomatologia. Geralmente, o médico veterinário utiliza antibióticos do grupo das tetraciclinas. A duração do tratamento também é variável, sendo por média de 10 a 21 dias.

Nos casos mais graves, pode ser necessário internar o gato e fazer terapia de suporte. Para além disso, nos casos de gatos com anemia grave, pode ser necessário uma transfusão sanguínea.

Se o problema for detectado a tempo e o tratamento inciado de imediato, o prognóstico é positivo. Por outro lado, gatos com o sistema imunitário comprometido, têm um pior prognóstico. O importante é que você siga à risca o tratamento e indicações do profissional que está acompanhando o caso.

Além do tratamento medicamentoso, a alimentação do gato deve ser cuidadosamente monitorada. Uma dieta balanceada, rica em nutrientes essenciais, pode ajudar a fortalecer o sistema imunológico e acelerar a recuperação. Suplementos vitamínicos podem ser recomendados pelo veterinário para ajudar na recuperação, especialmente em casos de deficiência nutricional.

Como prevenir a doença do carrapato em gatos

Embora seja menos comum que os gatos sejam infetados por doenças transmitidas pelo carrapato ou outros artrópodes, isso pode acontecer! Por isso, é essencial que você mantenha o plano de desparasitação sempre atualizado pelo seu médico veterinário e observe diariamente a pele do seu felino. Leia o nosso artigo completo sobre as doenças que os carrapatos podem transmitir.

Caso você detecte qualquer sintoma ou alteração comportamental estranha no seu gato, consulte de imediato o seu médico veterinário de confiança. Ninguém melhor do que você conhece o seu felino e se a sua intuição diz que algo não está certo, não hesite. Quanto mais cedo um problema for diagnosticado, melhor é o prognóstico!

Além disso, evitar ambientes com alta infestação de carrapatos, como áreas de mato alto, pode reduzir significativamente o risco. Produtos repelentes específicos para gatos, aprovados por veterinários, também podem ser uma medida eficaz para proteger seu animal de estimação. Manter um ambiente doméstico limpo e livre de parasitas é igualmente importante para prevenir infestações.

Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

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Referências
  1. Lappin M. (2001) Feline ehrlichiosis and hemobartonellosis. Proceedings of the 26th World Small Animal Veterinary Association World Congress; Vancouver, BC.
Bibliografia
  • Braga I. et al (2014) Detection of Ehrichia canis in domestic cats in the central-western region of Brazil. Brazilian Jornal of Microbiology. 45 (2) 641-645.
  • McQuiston, J. Erlichiosis and Related infections in cats. MSD Veterinary Manual. Available in: https://www.msdvetmanual.com/cat-owners/disorders-affecting-multiple-body-systems-of-cats/ehrlichiosis-and-related-infections-in-cats