Diferença entre lebre e coelho

Diferença entre lebre e coelho

Existem muitas diferenças entre lebres e coelhos, mas a classificação taxonômica é a chave para determinar em que diferem os dois leporídeos de morfologia atlética, orelhas longas e extremidades posteriores fortes. Mesmo assim, vamos nos aprofundar nas características e no comportamento desses animais, como morfologia, habitat e reprodução, entre outros.

Você não sabe distinguir entre coelhos e lebres? Neste artigo do PeritoAnimal, te convidamos a conhecer as diferenças entre lebre e coelho. Continue lendo, algumas das curiosidades que mencionamos vão te surpreender!

A família dos coelhos e as lebres

Podemos detectar a primeira diferença entre coelhos e lebres quando analisamos a taxonomia de ambos os animais. Como já revelamos, coelhos e lebres pertencem à família dos leporídeos (Leporidae) que possui mais de cinquenta espécies de animais agrupadas em onze gêneros. Neste contexto, é interessante mencionar que a diversidade dentro desta família é enorme, abrangendo uma vasta gama de adaptações que permitem sua sobrevivência em diferentes habitats.

As lebres são as 32 espécies que pertencem ao gênero Lepus:

  • Lepus alleni
  • Lepus americanus
  • Lepus arcticus
  • Lepus othus
  • Lepus timidus
  • Lepus californicus
  • Lepus callotis
  • Lepus capensis
  • Lepus flavigularis
  • Lepus insularis
  • Lepus saxatilis
  • Lepus tibetanus
  • Lepus tolai
  • Lepus castroviejoi
  • Lepus comus
  • Lepus coreanus
  • Lepus corsicanus
  • Lepus europaeus
  • Lepus mandschuricus
  • Lepus oiostolus
  • Lepus starcki
  • Lepus townsendii
  • Lepus fagani
  • Lepus microtis
  • Lepus hainanus
  • Lepus nigricollis
  • Lepus peguensis
  • Lepus sinensis
  • Lepus yarkandensis
  • Lepus brachyurus
  • Lepus habessinicus

Os coelhos, pelo contrário, são todos os animais que pertencem à família Leporidae, excluindo as espécies pertencentes ao gênero Lepus. Portanto, consideramos coelhos a todas as espécies que pertencem aos 10 gêneros restantes da família Leporidae: Brachylagus, Bunolagus, Caprolagus, Nesolagus, Oryctolagus, Pentalagus, Poelagus, Pronolagus, Romerolagus e Sylvilagus. Essa diversidade também se reflete em suas diferentes estratégias de sobrevivência e reprodução, que ajudam a explicar a ampla distribuição desses animais pelo mundo.

Diferença entre lebre e coelho - Habitat

As lebres europeias (Lepus europaeus) distribuem-se ao longo da Grã-Bretanha, da Europa Ocidental, do Oriente Médio e da Ásia Central. No entanto, o homem também inseriu as lebres em outros continentes de forma artificial. Estes animais criam ninhos de grama achatada e preferem os campos abertos e pastagens para viver. Essa preferência por ambientes abertos está ligada ao seu comportamento de fuga rápida e à necessidade de visibilidade para detectar predadores.

Os coelhos europeus, por sua vez, (Oryctolagus cuniculus) estão presentes na Península Ibérica, em áreas pequenas da França e no norte da África, embora também estejam presentes em outros continentes devido à intervenção humana. Estes animais cavam para formar tocas complexas, principalmente na floresta e em campos com arbustos. Preferem viver perto do nível do mar, em zonas de solo macio e arenoso. As tocas não apenas oferecem proteção contra predadores, mas também proporcionam um microclima estável e seguro para a criação dos filhotes.

Ao contrário das lebres, os coelhos aprenderam a conviver com o ser humano. Fogem dos terrenos agrícolas, onde veem suas tocas destruídas. Esses fatos favoreceram a colonização dos coelhos em novas áreas de maneira inconsciente e despercebida. Essa adaptação ao ambiente humano é um fator chave que explica a proliferação dos coelhos em várias partes do mundo.

Diferença entre coelho e lebre - Morfologia

A morfologia é outro dos aspectos importantes a considerar quando falamos das diferenças entre coelho e lebre.

As lebres europeias possuem 48 cromossomos. São ligeiramente maiores que os coelhos, dado que têm um comprimento médio de 68 cm. Elas possuem um tom marrom amarelado ou marrom acinzentado. A parte interior da pelagem é de cor branca acinzentada. Sua cauda é preta na parte superior e branca cinzenta na parte inferior. Suas orelhas medem ao redor de 98 mm e possuem manchas pretas. Uma característica que merece destaque é o seu crânio articulado, que oferece maior flexibilidade e resistência.

Não existe dimorfismo sexual que diferencie fêmeas de machos a olho nu. Além disso, no inverno as lebres mudam a sua pelagem, ganhando um tom branco acinzentado. São animais atléticos, que podem atingir os 64 km/hora e realizar saltos de até 3 metros de altura, habilidades que são fundamentais para sua sobrevivência em ambientes abertos e expostos.

Os coelhos europeus possuem 44 cromossomos. São mais pequenos que as lebres e têm orelhas mais curtas. Medem cerca de 44 cm de comprimento e podem pesar entre 1,5 e 2,5 kg. Mesmo assim, o tamanho e o peso podem variar muito segundo a raça quando falamos de raças de coelhos domésticos, que possuem uma variedade impressionante em termos de cores, tamanhos e formas.

A pelagem dos coelhos silvestres pode combinar tons de cinza, preto, marrom ou vermelho, combinado com uma pelagem interior de cor cinza claro e cauda branca. As orelhas são curtas, assim como suas patas, e apresentam umas extremidades muito menos poderosas que as lebres.

O coelho europeu (Oryctolagus cuniculus) é o antepassado de todos os coelhos domésticos que conhecemos atualmente, que superam as 80 raças reconhecidas pelas distintas federações mundiais. Essa diversidade não só destaca a adaptabilidade dos coelhos, mas também a ampla gama de usos culturais e práticos que eles têm em diferentes sociedades.

Diferença entre lebre e coelho - Comportamento

As lebres europeias são solitárias, crepusculares e noturnas. Unicamente podemos observá-las de dia durante a época de acasalamento. Estes animais estão ativos durante todo o ano, principalmente pela noite, mas durante as horas de sol buscam áreas de terrenos baixos para descansar. Este comportamento é uma estratégia de sobrevivência, permitindo que evitem predadores durante o dia.

São presa de vários animais predadores tais como raposas, lobos, coiotes, gatos selvagens, falcões e corujas. Graças aos seus excelentes sentidos de visão, olfato e audição, as lebres detectam de forma rápida qualquer ameaça, atingindo altas velocidades e sendo capazes de esquivar aos predadores com mudanças bruscas de direção.

Comunicam-se através de grunhidos guturais e ranger dos dentes, que são interpretados como um sinal de perigo. As lebres também realizam frequentemente uma chamada aguda quando estão feridas ou presas, uma técnica que pode distrair predadores ou alertar outras lebres.

Por sua vez, os coelhos europeus são animais gregários, crepusculares e noturnos. Se alojam em tocas muito elaboradas, especialmente grandes e complexas. As tocas abrigam entre 6 e 10 indivíduos de ambos os gêneros. Os machos são especialmente territoriais durante a época da reprodução, o que pode levar a interações agressivas dentro das colônias.

Os coelhos são muito mais silenciosos que as lebres. Mesmo assim, são capazes de emitir ruídos altos quando estão assustados ou feridos. Também se comunicam com sinais, cheiros e através do bater das patas no chão, um sistema que ajuda aos membros da colônia a advertir um perigo iminente. Essa forma de comunicação é essencial para a coesão do grupo e a proteção coletiva.

Diferença entre lebre e coelho - Alimentação

A alimentação das lebres e dos coelhos é muito similar, já que os dois são animais herbívoros. Além disso, os dois realizam a coprofagia, isto é, o consumo dos próprios excrementos, o que lhes permite absorver todos os nutrientes necessários dos alimentos. Esta prática, embora possa parecer estranha, é essencial para a digestão eficiente dos alimentos ricos em celulose que eles consomem.

As lebres alimentam-se principalmente de grama e cultivos, mas no inverno ingerem também ramos, rebentos e a casca de arbustos, árvores pequenas e árvores de fruta. A capacidade de ajustar sua dieta conforme a estação ajuda as lebres a sobreviverem em condições climáticas adversas.

Por sua vez, os coelhos ingerem grama, folhas, rebentos, raízes e a casca das árvores. Eles são conhecidos por sua habilidade de encontrar alimento mesmo em ambientes modificados pelo homem, o que contribui para sua proliferação em diferentes regiões. Sua dieta variada também permite que coelhos mantenham uma boa saúde e cresçam rapidamente, um fator importante para sua sobrevivência em ambientes onde são presas frequentes.

Diferença entre lebre e coelho - Reprodução

Uma das diferenças mais notáveis entre coelhos e lebres pode-se apreciar após o nascimento dos filhotes. Enquanto que as lebres são precoces (os filhotes nascem totalmente desenvolvidos, prontos para levantar-se e realizar as funções próprias dos indivíduos adultos), os coelhos são altriciais (os filhotes nascem cegos, surdos e sem cabelo, completamente dependentes dos seus progenitores). Além disto, existem mais diferenças:

As lebres reproduzem-se no inverno, mais concretamente nos meses de Janeiro e Fevereiro, e também em pleno verão. A sua gestação dura uma média de 56 dias e o tamanho da ninhada pode variar enormemente, desde 1 a 8 indivíduos. O desmame produz-se quando os filhotes cumprem o primeiro mês de vida e sua maturidade sexual chega ao redor dos 8 ou 12 meses de idade. Essa estratégia reprodutiva permite que as lebres maximizem suas chances de sobrevivência em ambientes hostis.

Os coelhos podem se reproduzir todo o ano, mas geralmente fazem-no durante os dois primeiros trimestres. A gestação é mais curta, com uma média de 30 dias, e o tamanho da ninhada é mais estável, situando-se entre 5 e 6 indivíduos. Os coelhos são conhecidos pela sua grande capacidade reprodutora, pois podem ter várias ninhadas por ano. Os coelhos desmamam ao cumprir o primeiro mês de vida e sua maturidade sexual chega nos 8 meses de vida. Ao contrário das lebres, a mortalidade dos coelhos selvagens é de cerca de 90% durante o primeiro ano de idade, o que destaca a importância de sua alta taxa reprodutiva para a manutenção da população.

Além disso, a reprodução contínua dos coelhos é um fator que contribui para sua presença constante em diversos ecossistemas, muitas vezes levando ao desequilíbrio ambiental quando introduzidos em novos habitats sem predadores naturais.

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