Os peixes, assim como os animais terrestres ou mamíferos aquáticos, precisam captar oxigênio para viver, sendo essa uma de suas funções vitais. No entanto, os peixes não obtêm oxigênio pelo ar, eles são capazes de captar o oxigênio dissolvido na água através de um órgão chamado brânquias.
Quer saber mais sobre como os peixes respiram? Nesse artigo do PeritoAnimal vamos explicar como é o sistema respiratório dos peixes teleósteos e como funciona a respiração deles. Continue lendo!
Como os peixes respiram o oxigênio que existe dentro da água
As brânquias dos peixes teleósteos, que constituem a maioria dos peixes, exceto tubarões, raias, lampreias e peixe-bruxa, estão localizadas nos dois lados da cabeça. É possível observar a cavidade opercular, que é a parte da "cara do peixe" que se abre para fora e é denominada opérculo. Dentro de cada cavidade opercular, encontram-se as brânquias.
As brânquias são estruturalmente suportadas por quatro arcos branquiais. De cada arco branquial, saem dois grupos de filamentos chamados filamentos branquiais que têm forma de "V" em relação ao arco. Cada filamento se sobrepõe com o filamento vizinho, formando um emaranhado. Por sua vez, esses filamentos branquiais possuem suas próprias projeções chamadas lamelas secundárias. Aqui se dá um intercâmbio gasoso, onde os peixes captam o oxigênio e liberam o dióxido de carbono.
O peixe toma água do mar pela boca e, através de um processo complexo, libera a água através dos opérculos, passando previamente pelas lamelas, onde se capta o oxigênio. Este processo é vital para a sobrevivência dos peixes, permitindo que eles extraiam o oxigênio necessário para suas funções metabólicas.
Além disso, a eficiência do sistema de brânquias é notável, pois a estrutura em lamelas maximiza a área de superfície disponível para a troca de gases. Isso é essencial, pois a quantidade de oxigênio dissolvido na água é muito menor do que no ar, tornando essa adaptação crucial para a vida aquática.
Sistema respiratório dos peixes
O sistema respiratório dos peixes é chamado de bomba buco-opercular. A primeira bomba, a bucal, exerce pressão positiva, enviando água para a cavidade opercular e, por sua vez, essa cavidade, mediante pressão negativa, suga a água da cavidade bucal. Em resumo, a cavidade bucal empurra a água para a cavidade opercular e esta a suga.
Durante uma respiração, o peixe abre a boca e, a região onde está a língua abaixa, fazendo com que entre mais água porque a pressão diminui e a água do mar entra na boca a favor do gradiente. Depois, fecha a boca aumentando a pressão e provocando que a água passe pela cavidade opercular, onde a pressão será menor.
Então, a cavidade opercular se contrai, obrigando a água a passar pelas brânquias onde se produzirá o intercâmbio gasoso e saindo de forma passiva pelo opérculo. Ao abrir a boca de novo, o peixe produz um certo retorno da água.
Essa coordenação entre as cavidades bucal e opercular é essencial para garantir que a água flua continuamente sobre as brânquias, permitindo a troca eficaz de gases e a manutenção dos níveis de oxigênio no corpo do peixe. Este sistema é um exemplo de como as adaptações evolutivas permitem que os peixes prosperem em ambientes aquáticos.
Saiba como os peixes se reproduzem nesse artigo do PeritoAnimal.
Como os peixes respiram, eles têm pulmão?
Apesar de parecer contraditório, a evolução provocou o aparecimento de peixes pulmonados. Dentro da filogenia, estão classificados na classe Sarcopterygii, por possuir barbatanas lobadas. Acredita-se que esses peixes pulmonados estão relacionados com aqueles primeiros peixes que deram origem aos animais terrestres. Apenas existem seis espécies conhecidas de peixes com pulmões, e temos apenas conhecimento sobre o estado de conservação de alguns deles. Outros, nem sequer possuem nome comum.
As espécies de peixes com pulmões são:
- Piramboia (Lepidosiren paradoxa);
- Peixe pulmonado africano (Protopterus annectens);
- Protopterus amphibius;
- Protopterus dolloi;
- Peixe pulmonado australiano.
Apesar de poder respirar ar, esses peixes estão muito ligados à água. Inclusive, quando está escassa por causa das secas, se escondem embaixo do barro protegendo o corpo com uma capa de muco que são capazes de produzir. A pele é muito sensível à desidratação, por isso, sem essa estratégia morreriam.
Essa capacidade de respirar ar é uma adaptação fascinante que demonstra a versatilidade evolutiva dos peixes. Em ambientes onde a água pode se tornar temporariamente indisponível, essa habilidade de sobreviver em condições adversas garante a continuidade da espécie.
Conheça os peixes que respiram fora da água nesse artigo do PeritoAnimal.
Peixe dorme: explicação
Outra questão que gera muitas dúvidas entre as pessoas é se os peixes dormem, uma vez que estão sempre com os olhos abertos. Os peixes têm o núcleo neural responsável por permitir que um animal durma, por isso, podemos afirmar que um peixe é capaz de dormir. No entanto, não é fácil identificar quando um peixe está dormindo pois os sinais não são tão claros como, por exemplo, em um mamífero. Um dos sinais mais evidentes de que um peixe está dormindo é a inatividade prolongada.
Durante o "sono", os peixes podem reduzir sua atividade metabólica e diminuir sua resposta a estímulos externos. Essa forma de repouso é essencial para a conservação de energia e para a manutenção das funções biológicas normais. Curiosamente, algumas espécies podem até mudar de cor enquanto descansam, um mecanismo que pode ajudar na camuflagem e proteção contra predadores.
Se você quiser saber mais informações sobre como e quando o peixe dorme, confira esse artigo do PeritoAnimal.
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- Hill, R.W., Wyse, G.A. y Anderson, M. (2004).Fisiología animal. Cap. 21. Editorial Panamericana S.A., Madrid.
- Moyes, C.D. y Schulte, P.M. (2006).Principios de Fisiología Animal. Cap.10. Addison Wesley-Pearson. San Francisco.