Animais que rastejam - Exemplos e características

Animais que rastejam - Exemplos e características

De acordo com o dicionário Michaelis, rastejar significa "movimentar-se de rastos, arrastar-se sobre o ventre ou mover-se esbarrando no chão".

Com essa definição, poderíamos incluir entre os animais que rastejam os répteis, além da minhoca da terra ou do caracol, que são invertebrados e se movem arrastando o corpo pela superfície por meio de diferentes mecanismos.

Neste artigo do PeritoAnimal conheceremos alguns exemplos de animais que rastejam e as características que compartilham entre eles. Boa leitura.

Origem dos répteis, os principais animais que rastejam

Para voltar à origem dos répteis, temos que nos referir à origem do ovo amniótico, pois ele surgiu nesse grupo de animais, oferecendo ao embrião uma proteção impermeável e permitindo sua independência do meio aquático.

Os primeiros amniotas surgiram dos Cotilossauros, provenientes de um grupo de anfíbios, no período do Carbonífero. Esses amniotas se ramificaram em dois grupos de acordo com as diferentes características do crânio: os Sinapsídeos (dos quais os mamíferos derivaram) e os Sauropsídeos (grupo do qual surgiram os demais amniotas, como os répteis). Dentro deste último grupo também houve uma divisão: os Anapsídeos, que incluem as espécies de tartarugas, e os Diapsídeos, como as conhecidas serpentes e os lagartos.

As membranas que envolvem o embrião ajudam a protegê-lo durante o desenvolvimento. Essa adaptação foi importante para a reprodução fora da água, embora muitas espécies ainda dependam de ambientes adequados para colocar seus ovos.

Características dos animais que rastejam

Embora cada espécie de réptil possa utilizar mecanismos diferentes para se mover rastejando pelo solo, podemos enumerar uma longa lista de características que os animais que rastejam compartilham entre si. Entre elas, encontramos as seguintes:

  • Membros pares (tetrápodes) e de comprimento curto, embora em determinados grupos, como as serpentes, possam estar ausentes.
  • O sistema circulatório e o encéfalo estão mais desenvolvidos que nos anfíbios.
  • São animais ectotérmicos, ou seja, dependem do ambiente para regular sua temperatura corporal.
  • Apresentam geralmente uma cauda alongada.
  • Possuem escamas epidérmicas, que podem se desprender ou continuar crescendo ao longo de toda a vida.
  • Mandíbulas muito fortes, com ou sem dentes.
  • O ácido úrico é o produto da excreção.
  • Têm um coração com três câmaras (exceto os crocodilos, que possuem quatro câmaras).
  • Respiram através de pulmões, embora algumas espécies de cobras também possam realizar trocas gasosas através da pele.
  • Apresentam um osso no ouvido médio.
  • Têm rins metanéfricos.
  • Quanto às células sanguíneas, apresentam eritrócitos nucleados.
  • Têm sexos separados, com machos e fêmeas.
  • A fecundação é interna e ocorre por meio de um órgão copulador.

O modo de deslocamento varia bastante: algumas espécies usam as patas para caminhar, enquanto as serpentes contraem os músculos do corpo para avançar. Por isso, nem todo animal que rasteja tem o corpo inteiro em contato com o chão o tempo todo.

Se você quer saber mais sobre as características desses animais, pode ver o artigo características dos répteis.

Exemplos de animais que rastejam

Existem inúmeros animais que rastejam, como as serpentes, que não têm membros. Entretanto, existem outros répteis que, apesar de terem membros, também podem ser considerados rastejantes, pois parte de sua superfície corporal é arrastada pelo solo durante o deslocamento. Nesta seção, veremos alguns exemplos curiosos de animais que rastejam ou que se arrastam para se mover.

Víbora cega (Leptotyphlops melanotermus)

É caracterizada por ser de pequeno porte, não apresentar glândulas secretoras de veneno e ter uma vida subterrânea, habitando normalmente jardins de muitas casas. Põe ovos, de modo que é um animal ovíparo. Quanto à alimentação, sua dieta é baseada principalmente em pequenos invertebrados, como algumas espécies de insetos. Por viver sob o solo, pode passar despercebida e raramente é vista na superfície.

Cobra-listrada (Philodryas psammophidea)

Conhecida também como cobra-de-areia, tem um corpo fino e alongado e mede aproximadamente um metro. Ao longo do corpo, apresenta várias faixas longitudinais de coloração escura na parte dorsal e mais clara na região ventral. Pode ser encontrada em áreas áridas e florestas, onde se alimenta de outros répteis. É ovípara e possui dentes venenosos na parte posterior da boca (dentes opistóglifos). A disposição das faixas ajuda a distinguir seu padrão de coloração, mas não deve ser usada, por si só, para identificar uma espécie.

Imagem: ecoregistros.org

Cascavel tropical (Crotalus durissus terrificus)

A cascavel tropical ou cascavel do sul é caracterizada por atingir grandes dimensões e apresentar cores amarelas ou ocre no corpo. É encontrada em regiões bastante secas, como savanas, onde se alimenta principalmente de pequenos animais, como roedores e outros mamíferos. Este animal que rasteja é vivíparo e também produz substâncias venenosas. O chocalho na ponta da cauda é uma característica marcante, embora sua aparência e coloração possam variar.

Teiú (Teius teyou)

Outro exemplo de animal que rasteja é o teiú, um animal de tamanho médio e muito chamativo, pois apresenta cores verdes intensas no corpo e uma cauda muito longa. Cabe destacar que o macho possui colorações azuis durante a fase de reprodução.

Seu habitat pode ser variado, sendo encontrado em regiões de florestas e pastagens, por exemplo. Sua dieta é baseada em invertebrados, como pequenos insetos, e, em termos de reprodução, é um animal ovíparo. Como possui patas, pode se deslocar caminhando, embora seu corpo também fique próximo ao solo.

Lagarto rajado (Eumeces skiltonianus)

O lagarto rajado ou lagarto ocidental é um pequeno lagarto com membros curtos e um corpo muito fino. Apresenta tons escuros com faixas mais claras na região dorsal. Pode ser encontrado em áreas com vegetação, áreas rochosas e florestas, onde se alimenta de invertebrados, como algumas aranhas e insetos. Quanto à reprodução, as estações da primavera e do verão são escolhidas para o acasalamento. Seus membros curtos permitem que se mova entre a vegetação rasteira e os abrigos no solo.

Imagem: Marshal Hedin

Lagarto de chifres (Phrynosoma coronatum)

Este animal que rasteja é normalmente de coloração cinza e é caracterizado por possuir uma região cefálica com uma espécie de chifres e um corpo coberto por numerosos espinhos. O corpo é largo, mas achatado, e tem membros muito curtos para se movimentar. Vive em áreas secas e abertas, onde se alimenta de insetos, como formigas. Os meses de março e maio são escolhidos para a reprodução. Seu formato achatado e os espinhos são características que ajudam a reconhecer esse lagarto.

Cobra-coral (Micrurus pyrrhocryptus)

Este exemplo é um réptil longo e delgado, que não apresenta uma região cefálica diferenciada do restante do corpo. Possui uma coloração peculiar, com anéis pretos ao longo do corpo intercalados por pares de faixas brancas. Predomina em selvas ou florestas, onde se alimenta de outros répteis, como alguns lagartos de porte menor. É ovípara e muito venenosa. Como ocorre com outros animais de cores semelhantes, a identificação não deve ser feita apenas pela coloração.

Se você quer conhecer os animais mais venenosos do mundo, não perca este outro artigo.

Jabuti argentino (Chelonoidis chilensis)

Esta tartaruga terrestre é um dos animais que rastejam e se caracteriza por possuir uma carapaça grande, alta e de coloração escura. Habita em áreas onde predominam vegetais e frutos, visto que é um réptil principalmente herbívoro. No entanto, às vezes se alimenta de alguns ossos e carne. É um animal ovíparo e é comum encontrá-lo como animal de estimação em alguns lares. A carapaça protege seu corpo, mas também faz com que seus movimentos sejam mais lentos do que os de muitos outros répteis.

Lagarto sem pernas (Anniella pulchra)

Outro dos animais que rastejam para se movimentar mais curiosos é o lagarto sem pernas. Possui uma região cefálica que não se distingue do restante do corpo e termina na forma de uma ponta. Carece de membros para o deslocamento e apresenta escamas muito brilhantes ao longo do corpo, caracterizadas por colorações cinzas com faixas laterais mais escuras e ventre amarelado. Geralmente é encontrado em áreas rochosas e/ou dunas, onde se alimenta de pequenos artrópodes. Os meses de primavera e verão são escolhidos para a reprodução. Seu corpo alongado permite que se desloque rente ao solo e entre em espaços estreitos.

Cobra-parelheira (Philodryas patagoniensis)

Também chamada de cobra-papa-pinto, apresenta cores geralmente esverdeadas, mas com tons mais escuros ao redor das escamas. É conhecida ainda como cobra-parelheira-do-mato por predominar em regiões abertas, como algumas florestas e/ou pastagens, onde se alimenta de diversos animais, como pequenos mamíferos, aves e lagartos. Põe ovos e, como outras espécies de cobras, tem dentes venenosos na região posterior da boca. Sua dieta variada mostra que pode caçar diferentes tipos de presas, de acordo com o ambiente em que vive.

Imagem: wikipedia.org

Outros animais que rastejam

A lista de répteis é muito extensa, embora, como mencionamos nas seções anteriores, não só esses animais rastejem para se mover. É o caso do caracol-romano ou da minhoca da terra, que experimentam atrito entre o corpo e a superfície para realizar a locomoção. Nesta seção, listaremos outros animais que rastejam para se mover:

  • Caracol-romano (Helix pomatia)
  • Minhoca da terra (Lumbricus terrestris)
  • Falsa coral (Lystrophis pulcher)
  • Dormideira (Sibynomorphus turgidus)
  • Víbora de cristal (Ophiodes intermedius)
  • Teiú vermelho (Tupinambis rufescens)
  • Cobra-cega (Blanus cinereus)
  • Jiboia argentina (Boa constrictor occidentalis)
  • Jiboia arco-íris (Epicrates cenchria alvarezi)
  • Tartaruga de couro (Dermochelys coriacea)

Entre os invertebrados, o caracol se desloca usando um pé muscular e produzindo muco, que reduz o atrito com a superfície. Já a minhoca contrai e relaxa os músculos do corpo, apoiando-se em pequenas cerdas para avançar. Assim, embora ambos rastejem, cada um utiliza um mecanismo diferente.

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Referências
  1. Reptilia (turtles, snakes, lizards, and relatives) (University of Michigan Museum of Zoology)
  2. How Do Snakes Move Without Legs? (Smithsonian's National Zoo and Conservation Biology Institute)
Bibliografia
  • Anfibios y reptiles. Instituto Nacional de Ecología y Cambio Climático (INECC). Disponível em: <www2.inecc.gob.mx/publicaciones2/libros/536/anfibios.pdf>. Acesso em 12 de abril de 2021.
  • Gerardo C. Leynadu; Nicolás Pelegrin; Julián N. Lescano. (2016). Anfibios y reptiles. 2020, de ResearchGate. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/200713719_Anfibios_y_Reptiles>. Acesso em 12 de abril de 2021.
  • MICHAELIS. Rastejar. Disponível em: <https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/rastejar/>. Acesso em 12 de abril de 2021.